Woodrow Wilson da Matta e Silva

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Woodrow Wilson da Matta E Silva (Mestre Yapacani)

Woodrow Wilson da Matta e Silva, conhecido também como Mestre Yapacani (nome de seu mentor espiritual) (Garanhuns, 28 de julho de 1916Rio de Janeiro, 17 de abril de 1988)[1] [2] . foi fundador da Tenda de Umbanda Oriental, fixada na Terra da Pedra da Cruz – Itacuruçá, RJ, a qual veio a tornar-se a primeira Escola Iniciática de Umbanda Esotérica do Brasil.

Durante sua vida escreveu diversas obras mediúnicas de caráter doutrinário a respeito do que ele mesmo gostava de denominar como Umbanda Esotérica. Seus livros expunham conceitos hermenêuticos e filosófico-científicos sobre sua religião com a natural austeridade que lhe era própria, não fazendo nenhuma reserva de juízo ao movimento Umbandista de sua época. Também era conhecido pelas suas opiniões contundentes ao método popular (e muitas vezes ignorante) de se praticar a Umbanda. Combatia com toda sua força intelectual os rituais de matança com animais, bebidas alcoólicas em excesso nos terreiros, as vaidades fetichistas[3] [4] de dirigentes e “Pais-de-santo”, e rejeitava completamente a falta de critério e metodologia dessa massa tida como Umbandista. Severo em suas críticas, mostrava em suas obras as entranhas e os bastidores dos terreiros e dos portentosos “médiuns magistas” que figuravam na religião, mesmo não sendo esse o seu principal objetivo ao escrever os livros.

Alguns "médiuns" e religiosos preferem descreve-lo como incompreensivo e intolerante mas W.W. da Matta e Silva não possuía, nem de longe, essas imperfeições. Segundo relatos de pessoas que conheceram e viveram com ele, ‘Seu Matta’ era um homem de sensibilidade aguçada e sentidos apurados, bom, caridoso e muito humano, que tinha sempre uma palavra amiga a quem o procurava.

Sujeito de mente aberta era uma figura ilustre que não gostava de ser endeusado. Tinha hábitos simples, era bom pai de família e com um peculiar senso de humor nordestino que só se manifestava entre amigos.

Seus escritos, bem como sua trajetória mediúnica de mais de 50 anos de trabalho redefiniram a Umbanda e deram à religião fundamentos, normas e um sistema de ordenação lógico e racional, sedimentando o conhecimento dos devotos e fiéis que nela expressam sua fé.

Biografia[editar | editar código-fonte]

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Em 1921 com apenas 5 anos de idade mudou-se com a família para o Rio de Janeiro.[5] [6]

Aos 9 anos de idade no ano de 1925 ocorreram as primeiras experiências mediúnicas, através de visões de Entidades, aos quais ele não compreendia. Nenhum ensinamento de cunho religioso havia sido lhe ensinado, até então, já que seus pais não seguiam nenhuma religião. Aos 15 anos de idade, residindo na Rua da Costa nº 75, centro do Rio e trabalhando como auxiliar em um jornal no Rio de Janeiro, começam as primeiras manifestações do Preto Velho "Pai Cândido" e algum tempo depois iniciam-se as sessões mediúnicas em noites de quinta-feira, atendendo as pessoas, através da incorporação do Preto Velho, na república onde morava. Com a chegada dessa Entidade, os fenômenos e visões desapareceram.

Em 1933 contando com 17 anos de idade, inicia sua busca por um local para o desenvolvimento de seu trabalho mediúnico, passando a visitar diversos terreiros de Umbanda. Entretanto, a Entidade espiritual que lhe assistia lhe avisava que ele teria sua própria casa de auxílio espírita.

Matta e Silva relata à página 14 de sua sétima obra "Umbanda e o Poder da Mediunidade":

"Sempre tive uma tendência irrefreável, desde muito jovem, 16, 17 anos de idade, que me impulsionava a ver as chamadas "macumbas cariocas". Claro está que não estava ainda conscientizado do "por que" de semelhantes impulsos (se bem que, desde 9 anos de idade éramos acometidos por fenômenos de ordem espírito-mediúnicos e aos 16 anos já acontecia a manifestação espontânea de nosso "preto-velho", que baixava num quarto onde morávamos, na Rua do Costa, nº 75)..."

Aos 21 anos de idade, no ano de 1937, foi morar na Pavuna onde montou seu primeiro Terreiro (pequenino como sempre). A partir de 1954, "Pai Guiné" começa a direcionar sua vida mediúnica. Nessa época, recebe desse “Preto-velho” a mensagem “Sete Lágrimas de Pai Preto”, que seria um dos marcos da renovação da Doutrina Umbandista.

A prédica “Sete Lágrimas de Pai Preto” acerta em cheio todos os filhos de fé mostrando a realidade do dia-a-dia de um Terreiro e as diferentes consciências que a ele vão, em busca de auxilio espiritual.

Nesse ano passou a escrever para o Jornal de Umbanda (já citado anteriormente) localizado à Rua Acre, 47 – 6º andar – sala 608, diversos artigos como por exemplo: A LEI DENTRO DA UMBANDA, A MAGIA NA UMBANDA, A PONTA DO VÉU, A YOXANAN, AOS APARELHOS UMBANDISTAS, APARELHOS UMBANDISTAS... ALERTA!, AS SETE LÁGRIMAS... DE PAI-PRETO, INVOCAÇÃO DE UMBANDA...

Na mesma época iniciou a obra que viria a transformar todo o entendimento que se tinha até então sobre Umbanda. Durante esse tempo teve várias visões mediúnicas (transes) na qual via um Velho Payé que folheava um grande livro e junto dele um Colegiado de Mentores Espirituais pleiteando que o momento de começar a escrever obras doutrinárias estava próximo. Enfim, no ano de 1956 é trazida a público a portentosa e fulgurante obra intitulada “Umbanda De Todos Nós (A lei revelada)[7] causando um tremendo alvoroço no meio Umbandista.

“Umbanda de Todos Nós” foi lançada em edição paga pelo próprio autor, através da "Gráfica e Editora Esperanto", a qual se situava na época, à Rua General Argolo, 130, Rio de Janeiro. A primeira edição saiu com 3.5000 exemplares e rapidamente se esgotou. A partir da segunda edição a obra foi lançada pela Livraria Freitas Bastos, editora de grande expressão. Mas o velho “Matta” nem fazia ideia de que mal estava começando sua missão como escritor.

Em 1957 ainda pela Editora Esperanto publica sua outra obra intitulada “Umbanda Sua Eterna Doutrina[8] com 200 páginas, traz diversos mapas explicativos e conceitos esotéricos nunca divulgados, dando continuidade e abrindo de vez sua enorme sensibilidade para outros vindouros títulos. No mesmo ano, encerra as atividades públicas da "TENDA UMBANDISTA ORIENTAL", conforme o relato do mesmo na página 12 do livro “Umbanda De Todos Nós”.

Em 2 de abril de 1958 o espirito de um Preto-Velho que se identificava com o nome de "Pai Guiné de Angola" desce na Gira de Umbanda pela primeira vez para auxiliar o anterior Guia Espiritual de Matta E Silva, "Pai Cândido", e assume a partir daí, a responsabilidade de sua mediunidade.  Na mesma época, risca seu famoso ponto com suas Ordens e Direitos de Trabalho. (retirado do livro Umbanda de Todos Nós -1960, 2ª edição – pag.7)

No mês de abril do ano de 1961 lança sua terceira obra intitulada “Lições de Umbanda (e Quimbanda) na Palavra de um Preto Velho[9] , livro com 170 páginas e diversos quadros ilustrativos, foi um marco na literatura espirita mundial sendo um dos maiores sucessos do autor, apresenta o diálogo entre um discípulo de nome Cícero com um Preto-Velho. A recepção do livro foi de assustador encantamento pelos leitores, o que culminou na necessidade de mais esclarecimentos. De pena na mão Matta E Silva continuou em sua luta de trazer o necessário entendimento a todos os devotos sedentos por mais conhecimento.

Em 1962 publica mais uma obra intitulada “Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda[10]  com 210 páginas, obra que aprofunda os conceitos com relação à Mediunidade, Magia e Oferendas, em linguagem simples e acessível.

No mês de junho do frutífero ano de 1964 lança sua quinta obra intitulada “Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda[11] . Obra ilustrada com 158 páginas e diversos desenhos de pontos riscados. Faz uma abordagem de forma prática de alguns rituais da Magia de Umbanda. Sem perder tempo emenda no mesmo ano de 1964 o lançamento de sua outra obra intitulada “Umbanda e o Poder da Mediunidade[12]  onde explica, em suas 160 páginas, a necessidade da restauração da Umbanda no Brasil, mostrando suas verdadeiras origens. Aborda ainda, aspectos importantes da Magia. Finda esta labuta, se retira para um merecido descanso, mas seu retorno triunfante não tardaria a chegar.

Prontamente no ano de 1966 depois de grandes serviços prestados a coletividade Umbandista, tanto por suas obras elucidativas quanto pelos incessantes trabalhos em seu terreiro, já era tido como um renomado escritor, mas ainda não se dando por satisfeito, se permite e através de vários transes mediúnicos dá inicio a obra que mostraria uma nova visão da Umbanda aos seus leitores, sob a orientação de uma corrente astral liderada por uma Entidade que se identificou como "Caboclo Velho Payé". Todavia, devido a sua resistência às revelações que recebia do astral, pela profundidade das informações a respeito da doutrina interna da Umbanda, passou mais de um ano recebendo projeções elucidativas de Mentores astrais sobre tais assuntos, através de imagens e quadros explicativos em seu campo mental, além das informações por via intuitiva.

No mês de abril do ano de 1967 publica finalmente a tão aguardada obra intitulada “Doutrina Secreta da Umbanda[13] ”. Com 204 páginas, essa obra veio complementar e ampliar os conceitos tratados em seu outro livro “Umbanda Sua Eterna Doutrina”.

Neste mesmo ano adquire um terreno baldio contíguo à sua residência, para instalação definitiva da "Tenda de Umbanda Oriental" que a maioria de seus "filhos-de-fé" posteriores frequentaram entre os anos de 1967 à 1988, e sobre o qual hoje tanto se fala.

Após muito trabalho em seu novo terreiro, consegue arrumar tempo no meio de sua atribulada rotina para mais uma produção literária, essa, como o próprio autor se referia, uma obra de fôlego. No mês de janeiro do ano de 1969 vem à tona o seu mais novo lançamento intitulado “Umbanda do Brasil[14] livro que sintetizava os sete anteriores. Com 368 páginas a obra esgotou seis meses após o lançamento. E o “velho Matta” se consolida como um dos autores mediúnicos mais lidos de sua época.

Chega o ano de 1970 e com ele o ultimo livro de Matta E Silva ganha vida. Não menos edificante que os anteriores a obra intitulada “Macumbas e Candomblés na Umbanda[15] foi publicada com 196 páginas e dezenas de fotografias onde se fez o registro das vivências místicas e ritualísticas dos Cultos Afro-Brasileiros.

Neste mesmo ano, Matta E Silva passa a residir em Volta Redonda, viajando para o Rio de Janeiro às quintas-feiras, sextas ou aos sábados, conforme seus compromissos.

Os anos vão passando e Mestre Yapacani continua firme em sua missão terrena de auxilio, e aclaramento de consciências.

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Em 1977 é convidado por Rogério Sganzerla (o mesmo produtor do filme “O Bandido da Luz Vermelha”),a participar de um curta metragem, com o título de "Ritos Populares – Umbanda no Brasil[16] ", exibido anos depois no "23º Festival de Cinema de Turim - Tribute to Rogério Sganzerla", na Itália, em 2005 e na Mostra Cinema do Caos CCBB, no Rio de Janeiro, também em 2005Em junho de 2010 o Itaú Cultural em São Paulo, exibiu o documentário na mostra "Ocupação Rogério Sganzerla", com curadoria do cineasta e documentarista Joel Pizzini.

A produção tem 18 minutos de duração e sua consecução durou 9 anos de 1977 a 1986.

O documentário registra o depoimento de Matta e Silva, em passeios pelas ruas do Rio de Janeiro, onde narra sua própria trajetória e a criação da Umbanda Esotérica, alternando com cenas de transe e de rituais filmados na mata e na "Tenda de Umbanda Oriental", em Itacuruçá. Mostra também o Mestre com suas obras na Livraria Freitas Bastos, no Rio de Janeiro.

Dando continuidade aos seus trabalhos, Matta E Silva resolve no ano de 1984 voltar a morar em Itacuruçá.

O Terreiro[editar | editar código-fonte]

Tenda de Umbanda Oriental - Itacuruçá, RJ

A "Tenda de Umbanda Oriental"[17] [18] existiu durante, aproximadamente, 40 anos. De 1938 a 1957 na Rua Afonso Terra nº 1191 no Bairro da Pavuna e depois de reaberto em 1967 na cidade de Itacuruçá, no Estado do Rio de Janeiro, funcionou até o ano de 1988.

O terreiro de Itacuruçá tinha uma construção simples e humilde, em um prédio de 50m2. A área reservada aos rituais tinha o piso de areia e a área reservada aos consulentes tinha alguns poucos bancos.

Segundo relatos de seu discípulo e iniciado "Ivan Horácio da Costa", o "Mestre Itaoman", o mais antigo Mestre de Iniciação da T.U.O., o terreiro era localizado na Rua Boa vista, 117 no bairro Brasilinha, em Itacuruçá, Rio de Janeiro e o descreve da seguinte maneira:

"Nessa casa, no último pequeno aposento dos fundos, plantou o Axé da 2ª etapa da T.U.O., firmado numa "Otá" (pedra alongada de cachoeira), fincada à meia altura da parede, sobre a qual repousava a estátua de São Miguel, pois naquela época, ainda se orava a São Miguel e não a Mikael, o Arcanjo e ainda se "batia" um pouquinho de "atabaque", vez por outra, coisa pouca!  Tão pequeno era o espaço físico disponível naquele aposento que se abria para a imensidão do Astral Superior e para a Ancestralidade da Umbanda!"

O terreiro de "Pai Guiné" estava sempre lotado. No início era frequentado apenas pelo povo simples e humilde da região, que ele atendia sempre com uma palavra de conforto, com seu conhecimento das profundezas da alma humana e do poder curativo das ervas, pois pela ausência de médicos na cidade, muitos recorriam a sabedoria terapêutica do "Velho Mestre" e este, quando necessário, ministrava medicamentos da flora local e muitas vezes comprava com seus próprios recursos medicamentos alopáticos, doando aos necessitados.

Depois de publicar suas obras, Matta e Silva tornou-se muito conhecido, sendo então procurado por simpatizantes de locais distantes de todo o Brasil que eram sempre recebidos com bondade e caridade, características intrínsecas de Matta E Silva.

Além de "Pai Guiné de Angola" e de seu mentor espiritual Yapacani, Matta e Silva era assistido por outras Entidades Espirituais, como o "Caboclo Juremá", "Caboclo Pedra Preta", "Caboclo Ogum de Lei", "Caboclo Guaracy", "Pai Chico", "Pai Mané Carrero", "Zé Pretinho", "Zambetinha", "Exu Senhor das Sete Encruzilhadas" e a "Pomba Gira Sialú".

Durante a divulgação de seus livros e no decorrer dos anos subsequentes, muitos foram os Umbandistas que para lá se dirigiam, assim como, alguns Chefes de Terreiro de várias partes do Brasil, que lá iam em busca de ajuda ou de uma filiação espiritual que legitimasse a sua própria Entidade.

Nasceu muitos anos depois, a compreensão de que a "Tenda de Umbanda Oriental", embora nunca deixasse de atender aos pobres, aos doentes e aos aflitos, na realidade, foi uma Escola Iniciática que cumpriu sua missão e deu seus frutos na criação, codificação e divulgação dos ensinamentos da Umbanda Esotérica.

Todavia a maioria que ali frequentava, não entendia a "T.U.O." como uma Escola Iniciática e sim como um Pronto-socorro Espiritual para os aflitos, os desesperançados e os doentes.

Depois da desencarnação de Matta e Silva, seus últimos herdeiros físicos desfizeram-se da propriedade do terreno e do Santuário de Umbanda Esotérica, a pedido do mesmo.

Obras[editar | editar código-fonte]

As obras de Matta e Silva funcionaram como um divisor de águas dentro do Movimento Umbandista, pois até ali, a Umbanda era tida como folclórica em sua manifestação, confusa em sua doutrina e esdrúxula em seus rituais.

Depois do ano de 1956, após a publicação de seu primeiro livro, a Umbanda começou a ser vista com uma nova roupagem, trazendo à luz do entendimento, seus antigos e importantes fundamentos Filosóficos, Científicos e Religiosos.

Pela importância de seu trabalho e de suas obras para a Umbanda, Woodrow Wilson da Matta e Silva é considerado o maior expoente da Umbanda de sua época e nada fica a dever aos grandes mestres das ciências herméticas do passado.

UMBANDA DE TODOS NÓS (1956)[7] [editar | editar código-fonte]

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Obra considerada como a "Bíblia" da Umbanda, apresenta antigos fundamentos filosóficos, científicos e religiosos, ensinamentos transcendentais e avançados, além de inúmeras ilustrações de mapas, desenhos ritualísticos, clichês na "Grafia dos Orixás" e dezenas de gravuras diversas. 

A respeito desta obra, Matta e Silva nos fala, nas primeiras páginas deste livro:

"(...) a dissertação deste livro não é sobre os “galhos de uma árvore e suas ramificações”. Outros já o fizeram e muito bem. Escreveremos sobre sua Raiz. Falaremos, não das “águas do rio que correm em seu leito”, mas que, por aqui e por ali, se bifurcaram, gerando canais, lagoas, pântanos, sofrendo a influência da “terra” em que estas águas, através de enormes distâncias, vão penetrando, entre barro, areia, lama, tomando até o gosto e a turvação destes...

Dissertaremos a respeito da “água deste rio” em sua Fonte Original, isto é, onde é encontrada naquele estado imediato, em sua pureza, enfim, da água cristalina – ou seja ainda, da água da fonte que não levou preparos químicos, não passou pelos encanamentos, não tomou contato com a “ferrugem”, que não precisa ser filtrada para uso."

Nesta obra encontramos a verdadeira definição do que seja Umbanda, em seus mais puros conceitos; aponta quais são as sete Vibrações Espirituais e quem são os verdadeiros Exus. Define o que vêm a ser a mediunidade na Lei de Umbanda e as três formas de apresentação dos espíritos na Umbanda. Explica os fundamentos sobre ritual, banhos de ervas e defumadores, guias, sinais riscados e muitos outros assuntos de relevância para a prática e vivência na Umbanda.

Embora tenha contentado a milhares de adeptos, encontrou oposição em outros - uns porque não conseguiram alcançar pela pouca cultura ou pelo entendimento viciado e muitos outros por terem encontrado ali tudo que contrariava seus mesquinhos interesses; e passaram a combatê-la e sabotá-la, proibindo a leitura aos médiuns de seus templos. De qualquer forma, acabaram por chamar mais a atenção sobre o livro do que a maior propaganda que pudesse ter sido feita. Assim é que, a meta visada pelo autor, foi atingida.

UMBANDA: SUA ETERNA DOUTRINA (1957)[8] [editar | editar código-fonte]

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Por intermédio da Gráfica e Editora Esperanto publicou "Umbanda: Sua Eterna Doutrina", obra exclusivamente de caráter iniciático, que ressalta o aspecto interno – oculto ou esotérico da Lei de Umbanda.

Tópicos como: "Reino Virginal", as causas da chamada “Queda dos Anjos”, "Hierarquias Superiores Constituídas", são alguns dos assuntos desenvolvidos, além de apresentar de forma inédita os "Postulados da Corrente Astral de Umbanda" com seu conceito religioso, filosófico, científico e ainda entrando pelo ângulo da metafísica.

"Umbanda sua Eterna Doutrina" teve sua 4º e última edição pela Livraria Freitas Bastos em 1985, sendo relançada 13 anos depois, pela Editora Ícone em 1998.

A respeito desta obra, Matta e Silva, na introdução do livro explana:

"Ao escrevermos mais esta obra, o fizemos no imperativo daquela mesma “Voz” que nos impulsionou sobre Umbanda de Todos Nós – A Lei Revelada, um compêndio hermético, já bem difundido.

Como nosso objetivo sempre foi, é e será o de lançar as sementes no meio umbandista – “o mais agreste de todos os campos”, aqui estamos, portanto, tentando traduzir a Eterna Doutrina da Lei de Umbanda, conforme é ensinada pelas suas reais Entidades, os ditos espíritos de Caboclos e Pretos-Velhos, etc., estes mesmos que vem sendo interpretados tão erroneamente, sob os mais absurdos aspectos."

A obra causou um tremendo impacto no meio Umbandista, o que ocasionou diversos problemas pessoais ao médium, uma série de desilusões, traições e incompreensões, atingiram e se apoderaram das energias de Matta E Silva que na imperiosa necessidade de se afastar dos escritos para cuidar de suas feridas, interrompe seus trabalhos e as atividades públicas de seu terreiro, mas não por muito tempo.

Assim relata o autor no livro "Umbanda de Todos Nós" (1960, 2ª edição – pag.11):

“Dedico esta página a todos os meus ex-companheiros de ligação espiritual da extinta TENDA UMBANDISTA ORIENTAL.

 Prezados irmãos: agora (fazem 3 anos), que todos seguem os rumos próprios às suas afinidades (alguns até já dirigindo Tendas ou Grupos, visto que os tinha dispensado dos compromissos espirituais que os ligavam a mim, por ter recebido ordens para isso, de cima) firmo e estendo também para o espírito, a mente e o coração de cada um, a minha saudade e os meus sinceros votos de PAZ, FORÇA E FÉ...

Que possam as poderosas falanges dos “caboclos e pretos-velhos” estarem assistindo a todos como sempre os assistiram no meu tempo... Que todos tenham sempre em pensamento que o PAI G..., protegia e protege, guiava e guia, tanto no passado como no presente, a cada um, segundo suas reais necessidades.

E se, algum dia, necessitarem de sua palavra para assuntos de alta relevância espiritual, podem procurar esse velho irmão – seu aparelho, que ainda tem o seu “congá” e sua presença...  Apenas, devem compreender: esse aspecto exterior, habitual, ligado a representações fenomênicas ou espiríticas de terreiro, foi e é, uma fase superada, para mim, segundo o meu entendimento, segundo o estado de consciência que alcancei.

Tive ordens de não deixar a direção da Tenda com ninguém. Ninguém podia e nem devia... e continuo aguardando ordens, é só. Pois vocês sabem, irmãos, que tinha uma dupla missão a cumprir. Tinha uma meta a alcançar – sofri e trabalhei muito, mas, alcancei e venci. Cumpri o determinado. Assim, me foi dada a isenção quanto a esta parte. Se vierem novos rumos, nova meta – sabem que tenho fibra para assumir ou segui-la. Mas, por enquanto, estou em paz, pois tenho a consciência tranquila de tudo e sobre todos.

Que a doce Paz do Divino Mestre, vibre em suas mentes, todas as vezes que pensarem em mim.”

LIÇÕES DE UMBANDA E QUIMBANDA NA PALAVRA DE UM PRETO VELHO (1961)[9] [editar | editar código-fonte]

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A pedido de seu mentor espiritual “Pai G...” ganha vida essa obra de caráter mediúnico, de mais fácil entendimento, a fim de que os estudiosos pudessem alcançar melhor os ensinamentos contidos nas outras duas obras anteriores, continha revelações inéditas, capacitando o leitor a compreender bem o "Movimento de Umbanda", quer pelos seus verdadeiros aspectos, quer pelos aspectos negativos que infiltraram.

Essa obra descreve as "Sete Linhas de Força Espiritual", os "Sete Veículos do Espírito" e os "Sete Núcleos Vitais".  Revela conceitos sobre mediunidade, selo mediúnico, guias e pontos cantados. Nela encontramos ainda importantes conceitos sobre a Alta Magia na Umbanda, chaves de identificação astrológica oculta, banho de ervas, defumadores, uso de velas e lamparinas, "Lei de Pemba", segredos da "Quimbanda" e dos "Exus" e muitos outros assuntos de extrema relevância para nossos estudos na Umbanda.

Este livro é apresentado em forma de diálogo entre um “filhos-de-fé” identificado como Cícero e um espírito amigo, chamado de “Preto-Velho”.

Para esse “filho-de-fé”, encontramos na 2ª edição do livro "Umbanda de Todos Nós" uma dedicatória de Matta e Silva:

A CÍCERO DE FARIA CASTRO ...

"Irmão de lei, pelo constante estímulo e nunca desmerecida amizade, o forte “sarava” desse seu amigo, para que sinta, nessa obra, a força viva de meu pensamento, participar em comum, da essência de sua convicção e alcance sobre essa mesma “Umbanda de todos nós”."

O autor assegura que esse diálogo, com suas respectivas anotações, realmente ocorreu, apenas sendo feitas as necessárias adaptações, para tomar uma forma literária. Informa também que esse “preto-velho” é o Pai Guiné de Angola, do qual era na ocasião, seu veículo mediúnico.

Na introdução da obra, o autor descreve o terreiro onde "Pai Guiné" baixava na ocasião desse diálogo:

"(...) Agora, prezados irmãos leitores, os convidamos a criar com o pensamento, o seguinte quadro-mental, porque é através dele que “verão” Cícero abordar, com esse “pai-preto”, as questões que terão sequência neste trabalho.

 Eis o quadro: um “terreiro” simples, pobre, feito de madeira, na encosta de um morro, quase sem vizinhança. Tudo respira paz. Entremos... Alguns bancos para assistentes e uma separação resguardando a parte destinada às coisas espirituais. De frente, há uma pequena mesa coberta por alvíssima toalha. Na parede, uma estampa de Cristo. Sobre a mesa, uma tábua de 40 x 30 cm, repleta de estranhos sinais feitos a giz e ainda 3 pires para acender velas e 2 jarros com flores. No chão, ao lado da mesa, 2 banquinhos brancos. É só...

Pois era aí que esse “preto-velho” “baixava”, isto é, tinha nesta ocasião o seu “congá”.

Robusteçam então esse quadro-mental e sintam: “preto velho” está no “reino” (incorporado), calmo, pitando, e Cícero – o filho-de-fé a quem passou a chamar de “Zi-cerô”, sentado de frente, consultando... e vejam, deu-se uma curiosa metamorfose: “preto-velho” não é mais o mesmo! “Botou de lado” aquele linguajar de guerra, de uso vulgar nos terreiros. Ele agora está falando claro, positivo. Sua palavra é uma partícula do Verbo. Tem sabedoria. Tem compreensão. Tem tolerância. Todavia, ele faz uso, vez por outra, de certos termos da “gíria de terreiro”, para melhor entendimento. “Preto-velho” está dizendo “coisas” a “Zi-cerô”, pois ele pergunta muito..."

A obra teve grande receptividade, desta forma, com o espírito bem sossegado por ter cumprido mais essa parte, entrou em novo descanso, enquanto fazia novas observações e meditações sobre o panorama umbandista.

MISTÉRIOS E PRÁTICAS DA LEI DE UMBANDA (1962)[10] [editar | editar código-fonte]

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Após observar e meditar sobre o cenário do movimento Umbandista, Matta E Silva percebeu que ainda imperava de um lado muita confusão, ignorância, mistificação, exploração e de outro a ingenuidade da massa humana que se precipitava pelos terreiros. Constatou ainda que na maioria dos terreiros o que mais confundia era, principalmente, o que está relacionado com a prática da Mediunidade, Magia e Oferenda.

Assim é que com essa obra, se propôs a elucidar ao máximo do que fosse possível e ordenado, nas questões relacionadas com os três citados aspectos, e outros mais, contribuindo com o seu “copo d’água, para apagar a imensa fogueira da ignorância” que havia nas centenas de terreiros, que se multiplicavam de forma desordenada pelo Brasil.

Em "Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda", Matta e Silva apresenta a formação das raízes históricas da Umbanda; adentra no âmbito da mediunidade, revelando de forma inédita os sinais indicadores nas mãos; se aprofunda na magia positiva em seus diversos aspectos e trata dos elementos e sinais riscados para as oferendas das verdadeiras Entidades de Umbanda.

Também indica diversos "Pontos Cantados" que ainda conservam seus valores mágicos, conforme foram passados pelas Entidades (de fato e de direito) da "Corrente Astral de Umbanda", em um passado distante.

SEGREDOS DA MAGIA DE UMBANDA E QUIMBANDA (1964)[11] [editar | editar código-fonte]

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Obra de cunho prático, "Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda" trata de magia e seus aspectos positivos, para defesa de forças antagônicas, abordando conhecimentos ditos como das ciências ocultas.

Assuntos com os quais nos deparamos cotidianamente dentro das práticas umbandistas, tais como: mediunidade, magia branca e magia negra, assentamento de congá, cruzamento de terreiro, preparo de amacy, utilização das flores, lamparinas e cores na magia de Umbanda, uso terapêutico e mágico dos defumadores, imantação das pembas, encruzilhadas de ruas, cemitérios, e muitos outros, são desenvolvidos de uma forma ampla e ao mesmo tempo de fácil entendimento.

Os ensinamentos encontrados nesta obra fazem parte da tradição mágica, cujos segredos estão na Cabala Nórdica e que são inerentes à Corrente Astral de Umbanda. Essa Cabala foi ocultada há mais ou menos 5.500 anos, mas a sua duplicidade existe no astral e é de livre acesso às Entidades Espirituais.

UMBANDA E O PODER DA MEDIUNIDADE  (1964)[12] [editar | editar código-fonte]

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Em sua sétima obra "Umbanda e o Poder da Mediunidade" o mestre aborda aspectos importantes sobre as origens da Umbanda do Brasil. Adentra a parte doutrinária tratando com muita propriedade de assuntos como mediunidade, magia sexual, lei de salva, lei de pemba, elementares, etc.

Há também explanações importantíssimas sobre o "Reino Virginal", "Confraria dos Espíritos Ancestrais", "Corrente Astral de Umbanda", "Governo Oculto do Mundo" e "Cabala".

O livro descreve ainda as zonas inferiores do baixo astral e a atuação dos magos negros e finaliza, ilustrando esses aspectos relacionados com ao astral inferior, contando diversos casos em que o autor participou diretamente e que nos serve para entender melhor certas regras da magia, bem como, a importância da disciplina com relação aos nossos Guias e Protetores Espirituais.

DOUTRINA SECRETA DA UMBANDA (1967)[13] [editar | editar código-fonte]

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Segundo Matta e Silva, essa obra foi produto de fatores mediúnicos. A corrente astral que o assistiu na elaboração da obra era liderada por uma Entidade que se apresentava na clarividência sob a forma de um velho índio, paramentado como se fosse um velho Pajé da antiguidade e que se identificou como "Caboclo Velho Payé".

Considerado um tratado filosófico profundo e conciso, o livro "Doutrina Secreta da Umbanda", veio definir de forma mais clara e objetiva os postulados da "Corrente Astral de Umbanda", cujos conceitos foram anteriormente apresentados na obra "Umbanda Sua Eterna Doutrina". O conhecimento aqui exposto deixou impressões inapagáveis no movimento umbandista.

UMBANDA DO BRASIL (1969)[14] [editar | editar código-fonte]

Em 1969 Matta E Silva pública o livro "Umbanda do Brasil", uma síntese das sete obras anteriores que revela aspectos profundos do "Movimento Umbandista", resultado dos vários anos de militância em seu meio.

Este livro ressalta os fundamentos da Umbanda, muito além do que a mentalidade da maioria conseguia alcançar e absorver, descortinando o conceito da chamada “Queda dos Anjos” e revelando a "Cruz Triangulada".

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Apresenta as raízes históricas, míticas e místicas da Umbanda; as fusões e as misturas ocorridas; a origem real, científica, histórica e pré-histórica da palavra Umbanda; a forma de apresentação dos espíritos em nossos terreiros; a diferença entre o médium umbandista e o médium espírita; define Lei de Salva; ensina rituais de amacy, oferendas, e muitos outros assuntos de interesse aos estudiosos dos verdadeiros fundamentos de Umbanda, com seus mistérios e em sua real pureza.

Na introdução desse livro Matta e Silva define a classificação em graus, de cada obra, facilitando o estudo para iniciandos e iniciados, eis que são:

1º grau – "Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda"

2º grau – "Lições de Umbanda (e quimbanda) na palavra de um “preto-velho”."

3º grau – "Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda"

4º grau – "Umbanda e o Poder da Mediunidade"

5º e 6º grau – "Umbanda de Todos Nós"

7º grau – "Sua Eterna Doutrina" e "Doutrina Secreta da Umbanda"

Considerada uma obra ímpar nela o estudioso encontrará todo fundamento da Umbanda , atualizada em seus conceitos é um verdadeiro marco da literatura umbandista.

MACUMBAS E CANDOMBLÉS NA UMBANDA (1970)[15] [editar | editar código-fonte]

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No ano de 1970 Matta e Silva lançou sua última obra intitulada "Macumbas e Candomblés na Umbanda", com o objetivo único de documentar o que ficou em matéria de sobrevivência religiosa, mítica e ritualística dos cultos africanos no Brasil, ainda conservado nos terreiros.

Ilustrado com dezenas de fotografias, retrata as raízes históricas e populares da Umbanda e os cultos afro-brasileiros, expondo a diversidade existente na ritualística dos cultos umbandistas

Fornece uma análise das origens e aculturação do elemento africano no Brasil, bem como da influência dos ritos ameríndios no estabelecimento de cultos modernos.

A obra teve sua 2ª e última edição em 1977, pela Livraria Freitas Bastos. Embora os relatos de algumas pessoas informando que sua família não permitiu a reedição do livro, na verdade foi o próprio Matta e Silva quem não quis mais reeditar a obra.

Matta e Silva escreveu ainda mais duas obras, nunca publicadas. Vide comentário abaixo, retirado do livro "Umbanda e Quimbanda na Palavra de um Preto Velho":

"(...) Outrossim, tínhamos prometido sair com duas obras: uma versando sobra a indústria da umbanda e a outra, com o nome de Çakala – a filosofia do Oculto.

Praticamente ficaram prontas, isto é, a primeira, nós a destruímos, obedecendo tão-somente às ordens de Cima, do Astral, embora que, por nossa vontade, sairia. A outra vai demorar um pouco, pois a sua oportunidade nos foi aconselhada, tendo em vista a assimilação de “Sua Eterna Doutrina” – que fixa os postulados da Lei de Umbanda, definindo seus aspectos filosóficos, científicos, religioso, e que penetra ainda no âmbito da metafísica – assimilação essa que está ainda se processando lentamente.

International Standard Book Number:

  • Umbanda de Todos Nós, Ícone Editora, ISBN 8527409569
  • Umbanda - Sua Eterna Doutrina, Ícone Editora, ISBN 8527405202
  • Doutrina Secreta da Umbanda, Ícone Editora, ISBN 85-274-0678-0
  • Lições de Umbanda (e Quimbanda) na Palavra de um "Preto-Velho", Ícone Editora, ISBN-10 8527408929, ISBN-13 9788527408929
  • Mistérios e Práticas na Lei de Umbanda (originalmente, Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda), Ícone Editora, ISBN 8527405857
  • Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda, Ícone Editora, ISBN 852740866X
  • Umbanda e o Poder da Mediunidade', Ícone Editora, ISBN 85-274-0462-1
  • Umbanda do Brasil, Ícone Editora, ISBN-10 852740415X, ISBN-13 9788527404150
  • Macumbas e Candomblés na Umbanda (não reeditada postumamente), Livraria Freitas Bastos S/A, 1970

Diferentes tipos de Umbanda[editar | editar código-fonte]

Matta E Silva no livro "Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um Preto Velho[9] " define a Umbanda em três classes, sendo elas:

A PRIMEIRA CLASSE[19] "é a que engloba o maior número de agrupamentos ou terreiros. Está puramente construída pelos seres humanos. É essa mescla rudimentar, confusa de cada um fazer o seu “terreiro”, seu ritual, segundo o seu entendimento ou a sua “sabedoria” sobre Umbanda, sabedoria essa baseada exclusivamente, no que viu e ouviu em outros “terreiros” similares, onde predomina o sincretismo afro-católico.

Esses ambientes nos dão muito trabalho de fiscalização astral – de cima – pois estão fortemente influenciados pelo baixo mundo astral. Nesses agrupamentos, a doutrina é quase inexistente. De Evangelho, quando alguém lhes fala, bocejam de tédio e indiferença. Não há quem faça a adaptação desses evangelhos a seus entendimentos, levando em conta seus estados de consciência – de ignorância dessas coisas; mas o incremento da luz prossegue, por baixo e por cima, firme e serenamente, enquanto eles se ocupam mais em tocar seus tambores e bater suas palmas."

A SEGUNDA CLASSE[19] "vem com menos volume de agrupamentos e se prende àqueles que são mais elevados, mais simples; desejam praticar Umbanda, pautada nos ensinamentos evangélicos, no que eles revelam de mais necessário. Para isso, apelam para a corrente dos “caboclos” e “pretos-velhos” a fim de ajudá-los nesse mister. Fazem um ritual suave, sem palavras, sem tambores. Aproveitam a força e a beleza de certos pontos cantados ou hinos, que sabem serem de raiz.

Esse é um dos aspectos que aprovamos, dada a sinceridade de propósitos, desde que não saiam da faixa religiosa, doutrinária e mesmo de certa cautela com o lado fenomênico."

Assim, procuramos com paciência e até mesmo tentamos localizar algum possível aparelho ou veículo mediúnico e, por ele, fazer positivas incorporações para estabelecermos os 'Princípios ou Regras da Umbanda' na teoria e na prática.

A TERCEIRA CLASSE[19] "com uma quantidade mínima de agrupamento, é a que se identifica com Ordens e Direitos de Trabalho. Isso acontece quando temos ordem para agir sobre um legítimo aparelho ou médium. Aí, imediatamente estabelecemos esses citados 'Princípios ou Regras da Umbanda', a par com a caridade que vamos praticando. Esse é o único aspecto ou classe capacitada a movimentar a terapêutica dita como natural e astral, dentro da magia positiva, sempre para o Bem comum e que se firma nos verdadeiros sinais riscados e já classificados como Lei de Pemba e sobre os quais voltarei a falar.

Agora, devo frisar o seguinte: o nosso contato – dos Guias e Protetores – com esses médiuns e aparelhos-positivos não se dá exclusivamente por via incorporativa. Fazemos e assistimos também, pelos que têm vidência, intuição, audição e gostamos muito de o fazer pelos de mediunidade sensitiva, os únicos que não podem ser enganados ou mistificados.

Cícero: -Desculpe, Pai-preto, queira repisar mais esta lição porque, em todos os aspectos ou classes, tenho visto coisas relacionadas com a magia. Em todas assisti riscarem pembas dessa ou daquela forma.

Preto-velho: -Bem, “zi-cerô”, isso quer dizer que você anotou com segurança as três discriminações que fiz. Pois é claro que essa primeira classe é a que mais trabalho nos dá, devido ao seu volume, quantitativo e qualitativo. Nela, os filhos, levados pela justa tendência de suas finalidades, entram na corrente de Umbanda ou resolvem fazer “umbanda”.

Até aí, tudo certo, mas logo decidem praticar “magia de encenação[3] ”, através do que têm visto fazer sob a forma de grosseiras oferendas e sacrifícios que envolvem e atraem forças do astral inferior, que passam então a dominá-los, visto eles não terem o conhecimento certo dessas coisas, mormente quando riscam pembas (por impulsos), desconhecendo completamente a expressão mágica dos verdadeiros sinais riscados, causando assim, plena confusão de sinais ou signos, idêntica confusão na corrente mental e astral que por força de tudo isso está formada ou se forma, devido às atrações ou afinidades que vão imperar.

Na segunda classe, mesmo dentro da sinceridade, dos bons propósitos, contando até com filhos estudiosos, muitos egressos de outras correntes e religiões, são inúmeros os filhos que de repente se empolgam e fogem do âmbito religioso, doutrinário, começando também a praticar certos atos que pretendem ser de magia, por conta própria, embora em plano mais suave que os primeiros. Ora, se eles não estão ordenados ou mesmo capacitados para tal fim, se eles não têm o conhecimento que o assunto requer e ainda sem o beneplácito ou a garantia dos Guias e Protetores, para isso, o que pode acontecer? São logo envolvidos pelas forças relacionadas e invocadas que, não encontrando elementos de garantia, neles, tomam o campo, incentivam-lhes a vaidade latente, dessa ou daquela forma, atacam um ponto fraco qualquer e lá vem mais atividade para nós, mais fiscalização, etc.

Em pouco tempo esses bons filhos criam o seu “cascãozinho”, que enrijece tanto, a ponto de vedar seu consciente à luz da humildade imprescindível ao bom umbandista.

Oh! Eterna vaidade, filha da ignorância!!! Até quando persistirás no inconsciente das criaturas, retardando sua evolução?

Cícero: -E a terceira classe, preto-velho, também dá trabalho?

Preto-velho: -Claro, “zi-cerô”. Infelizmente, muitos, dentro das prerrogativas do livre-arbítrio, também se extraviam.E como já falei das condições negativas que existem ou que atuam, quer na primeira classe, quer na segunda, devo, embora com tristeza, citar que, nessa terceira classe, acontecem também graves fracassos, com esses aparelhos que recebem Ordens e Direitos de Trabalho...

Esses aparelhos (ou médiuns), meu filho, quando se extraviam ou, melhor, quando baqueiam, quase sempre acontece por causas morais. Não vou esmiuçar essas causas... Apenas afirmo que esses são os que mais sofrem – depois da borrasca. Sofrem dolorosamente, porque os seus dramas morais mediúnicos são relembrados por eles a todo instante, ativados pelo remorso e, especialmente, quando reconhecem, conscientemente, que perderam os contatos positivos de seus antigos Guias e Protetores.

Eles – que foram médiuns de fato – lutam desesperadamente para reaver os fluidos perdidos, isto é, a proteção de seu caboclo ou preto-velho, etc... No entanto, nada...

Então, dá-se um fenômeno curioso, que confunde a eles mesmos ou, melhor, os martirizam mais ainda, porque os deixam sempre nas eternas dúvidas. É o seguinte: -das antigas incorporações positivas, precisas, ficou, não resta dúvida mesmo, uma série de reflexos psíquicos condicionados ou de neuro-sensibilidade. Esses reflexos neuro-psíquicos ficaram impressos em seus centros nervosos ou sensitivos, no grupo de células que mais receberam a influência ou a ligação desses citados e antigos contatos mediúnicos e de seus protetores. Daí, sempre que, por um processo de associação mental ou psíquica, quando pela concentração ou mentalização, esse grupo de células revive ou externa seus reflexos ou as impressões sensoriais que guardou dos ditos antigos contados vibratórios que, realmente, recebiam de uma Entidade. Assim é que os pobres “médiuns” pensam, por via disso, que ainda têm os fluidos do “caboclo ou do preto-velho”...

Porém, eles sentem que a coisa se reflete – mas não é tal e qual era. Até pensam que estão apenas com a “mediunidade enfraquecida”... E haja preceitos e haja velas para o Anjo de Guarda... Coitados... Terríveis dilemas os assaltam. Dúvidas cruciais os atormentam... Será mesmo ou não?

Assim, quase sempre, dentro de duríssimas vaidades ou de um amor-próprio sem razão, vão imitando, pela prática ou por via desses citados reflexos psíquicos condicionados, o modo de apresentação das entidades que os assistiam no passado. Não confessam a ninguém os seus dramas mediúnicos e acreditam que os outros não percebam o fracasso... Como se enganam!... Os outros já perceberam sim. Chegam até a ironizar deles, comentando: “Fulano é duro não quer dar o braço a torcer”...E, geralmente, devido às condições em que caíram, entram em distúrbio, isto é, suas antenas mediúnicas que já saíram daquela tônica da antiga positividade, passam a dar contatos com espíritos atrasados e aproveitadores que, por essas antenas irregulares, entram em sintonia. Que fazem esses espíritos atrasados? Passam a influenciá-los, em nome dos protetores tais e tais. Aí é que a coisa toma um aspecto lamentável.

São envolvidos, a vaidade incentivada, etc. Então, passam a ter cismas diversas, desconfianças de toda a ordem, “intuições” atravessadas, fazem consultas erradas, predições falsas, etc. Que fazer? A maioria continua nesse roteiro de incerteza, erros e angústias. Porém, um ou outro consegue reabilitação. Cai na meditação, na oração, num sincero arrependimento, etc. Recompõem-se na parte moral mediúnica. Entra na faixa da humildade, da tolerância e da compreensão e, certo dia, vê surgir nova aurora espiritual. Surpreso, presa de doce emoção, chorando até, constata a presença vivaatuante, dos verdadeiros contatos mediúnicos dos antigos protetores. Ele foi perdoado e receber a volta deles... Santo Deus! Somente os que passaram por isso sabem dar o valor a essa reintegração mediúnica.

Todavia, “zi-cerô”, não confunda esse caso de médiuns fracassados, com os daqueles que tombam, exaustos pelo entrechoque das lutas astrais e humanas, em defesa de um ideal – numa missão de esclarecimento e de verdade. Esses são amparados, jamais abandonados e curados de suas cicatrizes, para se reerguerem mais fortes do que dantes. Recebem o prêmio pelo esforço despendido, enfim, por todos os sofrimentos que passaram pelas traições e infâmias que perdoaram, quando lhes é dada a verdadeira Iniciação pelo astral e lhes confere o sinal, pelo selo dos Magos que surge na palma de suas mãos, a demonstrar-lhes que, de fato, “somente a verdade ficará de pé”... É filho meu, para que dizer mais?"

Cônjuges[editar | editar código-fonte]

Mestre Matta e Mãe Salete

Sua primeira esposa foi a Sra. Carolina Correa da Matta e Silva, conhecida também por Dona Loló. Com a Sra. Carolina teve um casal de filhos: Ubiratan (nascido em 04/04/1945 e falecido em 27/06/2007), e Elua (nascida em 20/11/1952).

Considerada uma ótima médium, Dona Loló servia como aparelho mediúnico do "Caboclo Ogum Yara", "Tia Chica de Angola", "Damião", "Caboclo Ubiratan", "Exu Marabô", entre outras Entidades Espirituais.

Matta teve mais duas esposas, a segunda Dona Salete, com quem se casou na Igreja Católica Brasileira, recebendo posteriormente uma benção especial na Umbanda. Carinhosamente chamada de Mãe Salete, ela foi "Mãe Pequena" para muitos dos posteriores "filhos-de-fé".

Sua terceira esposa foi Terezinha, conhecida também por Dona Nenê.

Falecimento[editar | editar código-fonte]

Na madrugada de 17 de abril de 1988, após uma Gira pública, mestre Matta passa mal e é levado para o Hospital Cardoso Fontes em Jacarepaguá, onde após algumas horas, desliga-se definitivamente de seu corpo físico.

Woodrow Wilson da Matta E Silva deixa um valioso legado literário para todos os Umbandistas e que mesmo após tantos anos de seu desencarne ainda constituem os fundamentos mais avançados da Umbanda e a codifica como doutrina religiosa.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Doutrina Secreta da Umbanda: Revelações Mediúnicas X Fatores Cabalísticos – Científicos – Metafísicos. 1ª ed.Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1967.
  • Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um “Preto Velho”. 1ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1961.
  • Macumbas e Candomblés na Umbanda 2ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1977.
  • Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda 3ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1981.
  • Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda. 1ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1964.
  • Umbanda de Todos Nós (a lei revelada). 2ª ed. Retificada, Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1960.
  • Umbanda do Brasil. 1ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1969.
  • Umbanda e o Poder da Mediunidade. 2ª ed. revista e aumentada, Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1978.
  • Umbanda sua Eterna Doutrina. 4ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1985.
  • TRINDADE, Diamantino Fernandes. Umbanda Brasileira: um século de história. São Paulo: Ícone, 2009.

Referências

  1. Matta E Silva, W.W. da (3ª Edição). Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). pp. Prefácio. 
  2. Matta E Silva, W.W. da (6ª Edição). Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um Preto Velho (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). pp. Prefácio. 
  3. a b Rodrigues, Nina (1935). O Animismo Fetichista dos Negros Bahianos (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira). 
  4. Rodrigues, Nina. «Animismo». "O animismo fetichista dos negros baianos". "Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo". Consultado em 26/06/2016. 
  5. «Vida E Obra». A vida e a obra do mestre W.W. da Matta E Silva. "Umbanda do Brasil". 2015. Consultado em 26/06/2016. 
  6. Trindade, Diamantino Fernandes (2009). Umbanda Brasileira - Um Século de História (São Paulo: ICONE). 
  7. a b Matta E Silva, W.W. da (1956). Umbanda De Todos Nós (Rio de Janeiro: Gráfica e Editora Esperanto). 
  8. a b Matta E Silva, W.W. da (1957). Umbanda Sua Eterna Doutrina (Rio de Janeiro: Gráfica e Editora Esperanto). 
  9. a b c Matta E Silva, W.W. da (1961). Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um Preto Velho (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). 
  10. a b Matta E Silva, W.W. da (1962). Mistérios e Práticas da Lei de Umbanda (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). 
  11. a b Matta E Silva, W.W. da (1964). Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). 
  12. a b Matta E Silva, W.W. da (1964). Umbanda e o Poder da Mediunidade (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). 
  13. a b Matta E Silva, W.W. da (1967). Doutrina Secreta da Umbanda (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). 
  14. a b Matta E Silva, W.W. da (1969). Umbanda do Brasil (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). 
  15. a b Matta E Silva, W.W. da (1970). Macumbas e Candomblés na Umbanda (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). 
  16. Sganzerla, Rogério (2005). «Cinemateca Brasileira». "Umbanda no Brasil". Ministério da Cultura. Consultado em 26/06/2016. 
  17. «W.W. da Matta E Silva». Matta E Silva. "Umbanda do Brasil". 2014. Consultado em 26/06/2016. 
  18. Costa, Ivan Horácio. «Umbanda Esotérica». "Mestre Itaoman". Consultado em 26/06/2016. 
  19. a b c Matta E Silva, W.W. da (1975). Lições de Umbanda (e Quimbanda) na palavra de um Preto Velho 4ª Edição, Revista e Ampliada ed. (Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos). pp. Trecho retirado das páginas 27–31.