Éder Jofre

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Éder Jofre Boxing pictogram.svg
Informações pessoais
Apelido Galinho de Ouro
Categoria Pesos Galo e Pena
Nacionalidade Brasileiro
Data de nascimento 26 de março de 1936 (78 anos)
Cidade natal São Paulo,  São Paulo
Estilo Técnico com forte pegada
Cartel
Lutas 81
Vitórias 75
Vitórias por nocaute 50
Derrotas 2
Empates 4

Eder Jofre [1] (São Paulo, 26 de março de 1936) é um ex-pugilista brasileiro. Eder lutava, quando amador, sob as cores do São Paulo Futebol Clube. É considerado por especialistas internacionais como o maior peso-galo do boxe na era moderna, tendo ficado conhecido pelo apelido "Galinho de Ouro" concedido pelo escritor Benedito Ruy Barbosa.

Eder é vegetariano desde 1956, conforme declarado no documentário A Carne é Fraca produzido pelo Instituto Nina Rosa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Eder nasceu no centro de São Paulo na Rua do Seminário e posteriormente se mudou para o bairro paulistano do Peruche, ja pertencente a uma família de boxeadores. Seu pai, o argentino José Aristides Jofre, mais conhecido como "Kid Jofre" (1907 - 1974), já havia sido um respeitável pugilista, passando assim os ensinamentos para Eder, que logo aprendeu a "amar a nobre arte", apesar de sua primeira opção profissional ter sido pelo desenho arquitetônico, curso que realizava em sua adolescência. Em virtude do desabamento do teto do Liceu de Artes e Ofícios, perdeu o material didático. Após este acidente, Eder optou pelo boxe, responsável pelo seu sucesso profissional.

Em 1953, Eder subia pela primeira vez nos ringues como amador, no torneio "Forja de Campeões", patrocinado pelo jornal A Gazeta Esportiva. Ainda na condição de amador, disputou os Jogos olímpicos de 1956 em Melbourne.[2] Chegou aos jogos como um dos favoritos, já que estava invicto como amador até então, mas devido à aberração da organização brasileira que o fez treinar com um lutador bem maior e cuja consequência foi a quebra de seu nariz, fez com que ele lutasse sem muitas condições, tendo que respirar pela boca, culminando na derrota, em sua segunda luta na competição, por decisão dos jurados para o chileno Claudio Barrientos que após tornar-se profissional voltou novamente a lutar contra Eder e foi derrotado sendo" vítima" de 8 knock downs.

Profissionalmente, Eder começou em 1957 na categoria "peso-galo". No ano seguinte, era já um campeão brasileiro em sua categoria.[2] Em 1960 contra o argentino Ernesto Miranda conquistou o título sul-americano dos "galos"[2] , começando assim, a escrever o seu nome na história do boxe mundial. No mesmo ano muda-se para os Estados Unidos e torna-se campeão mundial pela National Boxing Association [2] , vencendo por nocaute o mexino Eloy Sanchez no Olympic Auditorium. Um ano depois unifica os títulos da categoria "peso galo" vencendo o irlandês Jhonny Caldwell campeão da versão Européia[2] . Eder conseguiu manter o seu título mundial até 1965, ganhando todas as lutas por nocaute.[2] Nesse ano, em um resultado contestado, foi derrotado pelo japonês "Fighting" Harada. Em 1966, na revanche, outra derrota de Éder de novo em um resultado controverso, culminando em desilusão para Éder.

Mas quando ninguém esperava, em 1970 Eder voltou aos ringues, lutando na categoria "peso pena".[2] Foram 25 vitórias, sendo uma delas em cima do gigante cubano José Legra que lhe valeu o título mundial do Conselho Mundial de Boxe( W.B.C)[3] em uma categoria superior a que ele começou; isso aconteceu em 1973. Em 1974, seu pai e treinador José Aristides Jofre( Kid Jofre) vem a falecer e em 1976 devido ao falecimento de irmão Dogalberto, Eder aposentou-se do boxe profissional.

Atualmente[editar | editar código-fonte]

Mesmo após ter se aposentado do esporte, Eder continuou a disputar lutas em forma de exibições – uma delas realizada no Ginásio do Ibirapuera sendo uma das mais notáveis contra Servílio de Oliveira, primeiro medalhista Olímpico do Boxe brasileiro em 1996, veiculada pela Rede Record de televisão.

Eder também foi professor de boxe em uma academia paulistana de classe média-alta treinando modelos, atores, empresários, etc.. Veio a tornar-se ainda um político, ao ser eleito vereador de São Paulo pelo PDS, em 1982. Em 1989, filiou-se ao PSDB[4] – partido ao qual ainda é filiado – de 1989 a 2000.[2]

Cartel[editar | editar código-fonte]

  • 81 lutas
  • 75 vitórias
  • 50 nocautes
  • 4 empates
  • 2 derrotas (os 2 contestados combates contra Harada)

Conquistas[editar | editar código-fonte]

  • Campeão da Forja de Campeões (amador) - 1953
  • Campeão Brasileiro dos galos - 1958
  • Campeão Sul-americano dos galos - 1960
  • Campeão Mundial da AMB (Associação Mundial de Boxe) dos galos - 1960
  • Campeão Unificado (títulos pelas federações americanas e européias) dos galos - 1962
  • Campeão Mundial dos penas pelo CMB (Conselho Mundial de Boxe) - 1973

Prêmios e homenagens[editar | editar código-fonte]

  • Melhor "peso galo" do mundo - 1963
  • Melhor "peso galo" de todos os tempos Conselho Mundial de Boxe (CMB)
  • Melhor na categoria de peso na América Latina - Imprensa da República Dominicana
  • Pugilistas que defenderem com sucesso consecutivamente por no mínimo 5 vezes o título mundial dos pesos-galo pela Associação Mundial de Boxe( A.M.B) recebem o cinturão de super campeão denominado " Eder Jofre".
  • Indicado para o "Hall da Fama" do boxe, localizado na cidade de Cannastota, N.Y,Estados Unidos - 1992.[2] Até hoje é o único pugilista brasileiro no Hall da Fama.
  • Nono melhor pugilista dos últimos cinqüenta anos - Revista norte-americana "The Ring" - 2002 (Lista que também inclui, por exemplo, Sugar Ray Robinson, Muhammad Ali, Julio Cesar Chavez, Sugar Ray Leonard, Roberto Duran, Carlos Monzón)
  • Citado no mangá japonês Hajime no Ippo pelo seu upper na luta contra Masahiko Harada em Nagoya, Japão, em 1965, onde seu upper acertou o ar e fez um incrível som. Genji Kamogawa compara o upper do protagonista, Ippo Makunouchi, ao de Jofre quando o vê pela primeira vez.
  • Citado na edição de 90º aniversário da revista " The Ring", conceituada no âmbito do boxe, como melhor pugilista da década de 60, à frente de Muhammad Ali, que ficou na 2ª colocação. A eleição para essa lista havia sido realizada por especialistas de boxe do mundo inteiro.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Jose Becerra
Campeão Mundial dos Pesos-Galo (AMB)
18 de novembro de 1960 – 18 de maio de 1965
Sucedido por
Fighting Harada
Precedido por
Johnny Caldwell
Campeão Mundial dos Pesos-Galo (UEB)
18 de janeiro de 1962– 18 de maio de 1965
Sucedido por
Fighting Harada
Precedido por
Campeão Inaugural
Campeão Mundial dos Pesos-Galo (CMB)
1963 – 18 de maio de 1965
Sucedido por
Fighting Harada
Precedido por
Jose Legra
Campeão Mundial dos Pesos-Pena (CMB)
5 de maio de 1973 – 17 junho de 1974 (aposentadoria)
Sucedido por
Bobby Chacon

Referências

  1. certidão de nascimento
  2. a b c d e f g h i Boxe: Éder Jofre Terra - Atletas do Século. Página visitada em 26 jan 2013.
  3. World Boxing Council
  4. Conforme ficha de filiação partidária

Ligações externas[editar | editar código-fonte]