Daniel Galera

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Daniel Galera
Nascimento 13 de Julho de 1979 (35 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade brasileira
Ocupação escritor e tradutor literário
Gênero literário romances, contos
Página oficial
Rancho Carne

Daniel Galera (São Paulo, 13 de julho de 1979) é um escritor e tradutor literário brasileiro. Foi um dos precursores do uso da internet para a literatura, editando e publicando textos em portais e fanzines eletrônicos entre 1997 e 2001. Foi um dos convidados da segunda edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), em 2004.[1] Já traduziu 13 livros, predominantemente das novas gerações de autores ingleses e norte-americanos. Publicou até então quatro livros, além de ter participado em algumas antologias de contos. O livro Cordilheira, parte integrante do projeto Amores Expressos, ganhou o Prêmio Machado de Assis de Romance, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional em 2008[2] , além do 3.º lugar do Prêmio Jabuti. Seu último livro, Barba ensopada de sangue, recebeu o 3.º lugar no Prêmio Jabuti [3] e foi o vencedor da categoria de Melhor Livro do Ano no Prêmio São Paulo de Literatura 2013.[4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Cresceu e passou boa parte da vida em Porto Alegre, onde voltou a viver recentemente, depois de ter morado por alguns anos em São Paulo - sua cidade natal - e Garopaba, em Santa Catarina. Formou-se em publicidade na UFRGS. Foi colunista fixo do fanzine eletrônico CardosOnline, que também revelou Clarah Averbuck e Daniel Pellizzari. Após o encerramento do ezine em meados 2001, Galera fundou a editora Livros do Mal voltada à nova literatura, junto com dois outros colegas também egressos da extinta publicação, Daniel Pellizzari e Guilherme Pilla.[1] Falando da sua motivação para fundar a editora, Galera diz: "Nossa vontade era ser lido. Não era vontade de conquistar fama ou de receber convite de uma grande editora."[5] Em 2005, exerceu o cargo de coordenador do Livro e da Literatura na Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre.[6]

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

Como tradutor, Galera busca trabalhar com obras das novas gerações de autores ingleses e norte-americanos, como quadrinhos de Robert Crumb e os romances "Sobre a beleza" (Zadie Smith), "Reino do Medo" (Hunter Thompson), "Extremamente alto e incrivelmente perto" (Jonathan Safran Foer) e, em parceria com Daniel Pellizzari, "Trainspotting" e "Pornô", (Irvine Welsh).[1]

Como escritor possui quatro livros publicados, além de participações em algumas antologias de contos. Seu livro de estréia, uma coletânea de contos chamada "Dentes Guardados", foi publicada em 2001 pela editora Livros do Mal e encontra-se disponível na internet. Em 2003 publica "Até o Dia em que o Cão Morreu", escrito quando ele tinha 23 anos. No livro, Galera narra a história de um jovem de classe média, recém-formado em Letras, que leva uma vida sem realizações num apartamento que aluga no centro de Porto Alegre. O livro traça um retrato de muitos de seus contemporâneos, jovens sem perspectivas ao se formar da faculdade, e narra suas dificuldades para enfrentar a realidade e suas maneiras de se relacionar afetivamente. Em 2007, o livro ganhou adaptação cinematrográfica com o título de "Cão sem Dono", dirigido por Beto Brant e com colaboração de Renato Ciasca.[7] [8]

Estreou na Companhia das Letras em 2006, quando publicou o seu terceiro romance, "Mãos de Cavalo". No livro, a história se desenvolve ao redor de um personagem em três momentos distintos de sua vida: um garoto de dez anos que pilota sua Caloi Cross em um trecho urbano; um cirurgião plástico de sucesso que vive um casamento quase frustrado e que vai escalar o Cerro Bonete, na Bolívia; e adolescente tímido e pacato que encara o valentão da turma durante uma partida de futebol. Ao longo do romance os três enredos se entrelaçam, atraídos para um ponto em comum. De acordo com Galera, o tema principal do livro é a identidade e a inutilidade de se tentar definí-la. Mãos de Cavalo mostra que apenas até certo ponto as pessoas conseguem programar aquilo que são e o que representam para os outros. De um momento em diante, sobretudo em situações-limite, elas passam a ser elas mesmas, sem mediações.[9]

Em 2008, Galera publicou o romance "Cordilheira", ambientado em Buenos Aires. A protagonista do livro é Anita, uma jovem escritora que perde o interesse por literatura e apenas cuida do desejo inadiável de gerar um filho. Movida por essa idéia fixa, acaba indo para Buenos Aires onde se envolve com uma seita de escritores.[10] O livro foi o primeiro lançamento do projeto Amores Expressos da Companhia das Letras, onde diferentes escritores brasileiros visitaram capitais no exterior para escrever obras de ficção. Em 2008 o livro foi o vencedor do Prêmio Literário Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional na categoria romance.[11]

Galera foi selecionado em 2012 como um dos 20 melhores jovens escritores da revista britânica Granta, "que indica os nomes que irão construir o mapa da literatura brasileira". No Brasil a revista é publicada pelo selo Alfaguara, que pertence à editora Objetiva.


Lista de obras[editar | editar código-fonte]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • Prêmio Açorianos de Literatura: Editora do Ano (Porto Alegre, 2003).
  • Prêmio Machado de Assis de Romance da Fundação Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro, 2008), por Cordilheira[2] .
  • Prêmio Jabuti de Literatura: terceiro lugar na categoria Romance (São Paulo, 2009), por Cordilheira; 3.º lugar na categoria Romance por Barba ensopada de sangue (São Paulo, 2013).
  • Prêmio HQ Mix Novo Talento: Roteirista (São Paulo, 2010), por Cachalote.
  • Prêmio São Paulo de Literatura 2013 - Melhor Livro do Ano por Barba ensopada de sangue

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Daniel Galera

Referências

  1. a b c Biografia do escritor divulgada em ocasião de sua visita ao estado de Israel.. Página visitada em 13 de dezembro de 2008.
  2. a b Relatório de Gestão 2008 da Fundação Biblioteca Nacional (PDF) Ministério da Cultura. Página visitada em 29 de junho de 2013.
  3. Revista Veja [1]
  4. Prêmio São Paulo de Literatura (25 de novembro 2013). Prêmio São Paulo de Literatura 2013.
  5. Arrais, Daniel; Bertoni, Estêvão. "Como chegar ao primeiro livro" Folha de São Paulo, São Paulo, 26 de março de 2007.
  6. Borges, Julio Daio. Mostro a mão para poder esconder o resto - Entrevista com Daniel Galera, Rascunho
  7. Filho, Rubens Ewald Resenha de Cãos sem Dono. Uol Cinema. Acessado em 13 de dezembro de 2008.
  8. Assis, Diego. "Daniel Galera agarra o osso do romance.", Folha de São Paulo, São paulo, 26 de maio de 2003.
  9. "A voz de uma geração." Gazeta do Povo, Curitiba, 7 de maio de 2006.
  10. Pécora, Alcir. "Crítica: Livro luta contra auto-ajuda, mas resulta anódino." Folha de São Paulo, São Paulo, 15 de outubro de 2008.
  11. "Biblioteca Nacional divulga seus premiados." O Globo, Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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