Milton Hatoum

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Milton Hatoum
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Data de nascimento 19 de agosto de 1952 (62 anos)
Local de nascimento Manaus, Brasil
Ocupação Escritor

Milton Assi Hatoum (Manaus, 19 de agosto de 1952) é um escritor, tradutor e professor brasileiro. Hatoum é considerado um dos grandes escritores vivos do Brasil.[1]

Descendente de libaneses, ensinou literatura na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e na Universidade da Califórnia em Berkeley. Escreveu quatro romances: Relato de um Certo Oriente, Dois Irmãos, Cinzas do Norte (esse último vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura e todos os três primeiros ganhadores do Prêmio Jabuti de melhor romance) e Órfãos do Eldorado. Seus livros já venderam mais de 200 mil exemplares no Brasil e foram traduzidos em oito países, como a Itália, os Estados Unidos, a França e a Espanha.[2]

Hatoum costuma em suas obras falar de lares desestruturados com uma leve tendência política. Em suas duas últimas obras, Dois Irmãos e Cinzas do Norte, Milton Hatoum fez uma sutil crítica ao regime militar brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nasceu na cidade de Manaus, no Amazonas.

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Depois dos estudos secundários na capital brasileira, Hatoum mudou-se para São Paulo. Três anos depois, ingressou na Universidade de São Paulo, cursando arquitetura e urbanismo. Foi perseguido ainda na FAU pelo DOPS da ditadura, por envolvimento com o DCE da USP. Em 1980 viajou para a Espanha como bolsista do instituto Iberoamericano de Cooperación. Nesta década, viveu entre Madri e Barcelona. Logo depois, mudou-se para a França, onde cursou pós-graduação na Universidade de Paris III.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Depois de concluído seus cursos superiores, Milton retornou para Manaus, onde passou a lecionar língua e literatura francesa na Universidade Federal do Amazonas. Relato de um Certo Oriente foi publicado quando ele tinha 37 anos.

Titulou-se doutor em teoria literária na USP em 1998, quando sentiu-se insatisfeito com a política de Manaus e passou a morar, definitivamente, em São Paulo.[3] Onze anos após a publicação do primeiro romance, Milton publica Dois Irmãos. Entre a publicação do primeiro livro e do segundo, publicou diversos contos em jornais e revistas brasileiras e do exterior.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Estilo[editar | editar código-fonte]

Hatoum é conhecido por misturar experiência e lembranças pessoais com o contexto sócio-cultural da Amazônia e do Oriente.[1] Sobre o primeiro livro, assim ele explica: "No Relato de um certo Oriente há um tom de confissão, é um texto de memória sem ser memorialístico, sem ser auto-biográfico; há, como é natural, elementos de minha vida e da vida familiar. Porque minha intenção, do ponto de vista da escritura, é ligar a história pessoal à história familiar: este é o meu projeto. Num certo momento de nossa vida, nossa história é também a história de nossa família e a de nosso país (com todas as limitações e delimitações que essa história suscite)."[4]

O colunista Roberto Amorim considera a escrita de Milton possuidora de "uma linguagem caudalosa e envolvente que faz o leitor sentir a força da boa literatura."[1]

Reputação[editar | editar código-fonte]

A partir do romance Relato de um certo Oriente, Milton Hatoum vem gozando de um reconhecimento muito grande por parte dos críticos e também dos leitores do seu país e do exterior.[4] O primeiro livro, assim como seu recente Orfãos do Eldorado, são considerados por diversos críticos como uma "obra-prima".[1] Milton já foi chamado de "O escritor que coleciona prêmios",[5] mas disse certa vez: "não escrevo para ganhá-los".[1]

Romances[editar | editar código-fonte]

  • Relato de um Certo Oriente (romance). São Paulo: Cia. das Letras, 1989.
  • Dois Irmãos (romance). São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
  • Cinzas do Norte, 2005
  • Orfãos do Eldorado. São Paulo: Cia. das Letras, 2008;

Contos[editar | editar código-fonte]

  • A cidade ilhada (Livro de Contos). São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Traduções[editar | editar código-fonte]

  • Flaubert, Gustave. Um coração simples. In:Três contos. [Por: Milton Hatoum & Samuel Titan Jr.]. São Paulo: Cosac & Naify, 2004. (Trois contes).
  • Said, Edward. Representações do intelectual. [Por: Milton Hatoum]. São Paulo: Companhia das Letras, 2005. (Representations of the intellectual).
  • Sand, George. Esperidião. [Por: Milton Hatoum]. In: Contos de horror do século XIX, Companhia das Letras, São Paulo, 2005. (Spiridion).
  • Schwob, Marcel. A cruzada das crianças. Edição bilingüe (português/francês). São Paulo: Iluminuras, 1988. (La croisade des enfants).

Referências

  1. a b c d e Amorim, Roberto. "Ler Milton Hatoum é sentir a força da literatura" (11/03/2008). TudoNaHora.com.br
  2. Milton Hatoum, em KlickEscritores.com.br. Acesso: 14 de março, 2009].
  3. Hatoum, Milton (1952). Enciclopédia Itaú Cultural Literatura Brasileira. Acesso: 14 de março, 2009.
  4. a b Entrevista – Milton Hatoum. Entrevista concedida a Aida Ramezá Hanania em 5-11-93. Transcrita e editada por ARH. Acesso: 14 de março, 2009.
  5. Ventura, Mauro. O escritor que coleciona prêmios. O Globo, 03 set. 2006.

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Carnero, Flávio. A casa, a memória, o rio. In: –––. No país do presente: ficção brasileira no início do século XXI. Rio de Janeiro: Rocco, 2005, p. 53-55.
  • Pellegrini, Tânia. Prosa brasileira: um difícil enigma. Jornal do Brasil, 05 abril 2008.
  • Chiarelli, Stefania. Na biblioteca de Hatoum: leituras de mediações. In: Chiarelli, Stefania, *Dealtry, Giovanna e Lemos, Masé (orgs.). Alguma Prosa. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007.
  • Carreira, Shirley. Diferença e alteridade em Cinzas do Norte, de Milton Hatoum. In: Revista Vertentes, São João del-Rei, n.34, p.20-28, jul./dez. 2009.
  • Carreira, Shirley. Imigrantes: a representação da identidade cultural em Relato de um certo Oriente e Amrik.In: Adelaide Clhman de Miranda [et al.] Protocolos críticos. São Paulo:Iluminuras, Itaú Cultural,2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Nélida Piñon
Jabuti 01.jpg Prêmio Jabuti - Melhor Livro de Romance
2006
Sucedido por
Carlos Nascimento Silva
Precedido por
Nélida Piñon
Jabuti 01.jpg Prêmio Jabuti - Livro do Ano Ficção
2006
Sucedido por
Ferreira Gullar