Eugênio Sales

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Eugênio de Araújo Sales
Cardeal da Santa Igreja Romana
Arcebispo-emérito da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Título

Cardeal Protopresbítero da Santa Igreja de Roma, com a sede titular de San Gregorio VII
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral 21 de novembro de 1943 por Dom Marcolino Esmeraldo de Sousa Dantas
Ordenação episcopal 2 de Fevereiro de 1954 por Dom José de Medeiros Delgado
Nomeado arcebispo 29 de outubro de 1968 por Papa Paulo VI
Cardinalato
Criação 28 de abril de 1969 por Paulo VI
Brasão
Coat of arms of Eugenio Sales.svg
Lema IMPENDAM ET SUPERIMPENDAR
gastar e me gastar
Dados pessoais
Nascimento Brasil Acari, 8 de novembro de 1920
Morte Brasil Rio de Janeiro, 9 de julho de 2012 (91 anos)[1]
Cardeais
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Dom Eugênio de Araújo Sales (Acari, 8 de novembro de 1920  — Rio de Janeiro, 9 de julho de 2012) foi um cardeal brasileiro e arcebispo católico do Rio de Janeiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O pequeno Eugênio, ao centro, com os pais e o irmão Sílvio

Filho de Celso Dantas Sales e Josefa de Araújo Sales (Teca) e irmão de Dom Heitor de Araújo Sales, nasceu no interior do Rio Grande do Norte, na Fazenda Catuana, foi batizado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, no município de Acari, no dia 28 de novembro de 1920. De família muito católica, era bisneto de Cândida Mercês da Conceição, uma das fundadoras do Apostolado da Oração na cidade de Acari.

Realizou seus primeiros estudos em Natal, inicialmente em uma escolar particular, depois no Colégio Marista e finalmente ingressou, em 1931, no Seminário Menor. Realizou seus estudos de Filosofia e Teologia no Seminário da Prainha, em Fortaleza, Ceará, no período de 1931 a 1943.

Foi ordenado sacerdote pelas mãos de Dom Marcolino Esmeraldo de Sousa Dantas, bispo de Natal, no dia 21 de novembro de 1943, na mesma igreja onde recebera o batismo.

Ao longo de seus 91 anos de vida, em especial nos 58 anos de episcopado, 30 deles à frente da igreja no Rio de Janeiro, Dom Eugenio Sales, faleceu na noite de segunda-feira, teve um infarto em sua residência no bairro de Sumaré no Rio de Janeiro enquanto dormia no dia 9 de Julho de 2012.

Encontra-se sepultado na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.

Casa onde nasceu na Fazenda Catuana onde hoje funciona um abrigo de idosos

Episcopado[editar | editar código-fonte]

No dia 1 de junho de 1954, aos 33 anos, foi nomeado bispo auxiliar de Natal pelo Papa Pio XII, recebendo a sé titular de Thibica.

Foi ordenado bispo no dia 15 de agosto de 1954, pelas mãos de Dom José de Medeiros Delgado, Dom Eliseu Simões Mendes e de Dom José Adelino Dantas.

Em 1962 foi designado administrador apostólico da Arquidiocese de Natal, função que exerceu até 1965, quando da nomeação de Dom Nivaldo Monte.

Em 1964 foi nomeado administrador apostólico da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, função na qual permaneceu até 29 de outubro de 1968, quando da sua nomeação a Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, pelo Papa Paulo VI.

Cardinalato[editar | editar código-fonte]

No consistório do dia 28 de abril de 1969, presidido pelo Papa Paulo VI, Dom Eugênio de Araújo Sales foi nomeado cardeal, do título de São Gregório VII, do qual tomou posse solenemente no dia 30 de abril do mesmo ano. Neste consistório foi também nomeado cardeal o brasileiro Dom Vicente Scherer.

No dia 13 de março de 1971, o Papa Paulo VI o nomeou Arcebispo do Rio de Janeiro[2] , função que exerceu até 25 de julho de 2001, quando da sua renúncia, e que foi aceita pelo Papa João Paulo II.

Lema[editar | editar código-fonte]

Impendam et Superimpendar

Alusão à frase de São Paulo (2 Cor. 12, 15):

Ego autem libentissime impendam et superimpendar ipse pro animabus vestris. Si plus vos diligo, minus diligar?
Quanto a mim, de bom grado despenderei, e me despenderei todo inteiro, em vosso favor. Será que, dedicando-vos mais amor, serei, por isto, menos amado?

Atividade e contribuições[editar | editar código-fonte]

Quando era arcebispo de Salvador, foi um dos criadores das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e da Campanha da Fraternidade. Enquanto esteve à frente do Arcebispado do Rio, ordenou 169 sacerdotes, um número recorde, frente às outras Arquidioceses e dioceses brasileiras.

Foi um dos primeiros bispos brasileiros a implantar o Diaconato Permanente, ministério clerical que pode ser concedido a homens casados, segundo a restauração do Concílio Vaticano II. Foi membro de onze congregações no Vaticano.

Sua vida apostólica foi marcada pela defesa da ortodoxia católica. Combateu com firmeza a esquerda católica, a Teologia da Libertação e o engajamento político das Comunidades Eclesiais de Base.[3]

Por outro lado, assumiu a defesa de refugiados políticos dos regimes militares latino-americanos entre 1976 e 1982. Montou uma rede de apoio a estes refugiados juntamente com a Cáritas brasileira e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, que consistia em abrigá-los, inicialmente na Sede Episcopal (Palácio São Joaquim) e posteriormente em apartamentos alugados para tal finalidade. Além disto, financiou a estadia destes refugiados até conseguir-lhes asilo político em países europeus. Foram asiladas mais de quatro mil pessoas. Usou sua autoridade para este fim, inclusive enfrentando os militares por diversas vezes. Ao assumir tal tarefa, telefonou para o General Sílvio Frota e disse-lhe: "Frota, se você receber comunicação de que comunistas estão abrigados no Palácio São Joaquim, de que eu estou protegendo comunistas, saiba que é verdade, eu sou o responsável. Ponto final, ponto final". Também atuou junto aos militares na libertação de diversos acusados de subversão.[4]

Também recusou-se a celebrar missa pelo aniversário do Ato Institucional Número Cinco, pedida pelo General Abdon Sena, de Salvador.

Foi um dos brasileiros que mais ocupou cargos no Vaticano: foram 11 cargos nas congregações, conselhos e comissões.

Sua ação social abrangeu a criação de centros de atendimento a portadores de AIDS, a Pastoral Carcerária, um núcleo de formação de líderes na residência do Sumaré.

Sua renúncia foi solicitada em 1997, quando já completara 75 anos. Mas por indulto especial do Papa João Paulo II, seu amigo pessoal, foi autorizado a permanecer à frente da arquidiocese até completar 80 anos. Sua aposentadoria foi finalmente aceita no dia 25 de julho de 2001, quando Dom Eusébio Oscar Scheid, então Arcebispo de Florianópolis, foi nomeado o seu sucessor. Dom Eugênio permaneceu de 25 de julho até 22 de setembro de 2001 como administrador apostólico do Rio, nomeado por João Paulo II.

Em 22 de setembro, na presença de grande número de bispos e sacerdotes, entregou o governo da arquidiocese, através da passagem do báculo (cajado simbólico do pastoreio do povo de Deus, utilizado pelos bispos) a Dom Eusébio, até então não revestido da dignidade cardinalícia, que só viria a obter em 2003. Ainda permaneceu residindo no Rio de Janeiro, no Palácio Apostólico do Sumaré, e permaneceu em funções no Vaticano. Possuiu os títulos de Cardeal Protopresbítero (o mais antigo em idade e/ou nomeação entre os Cardeais Presbíteros) e Arcebispo Emérito (aposentado) da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Dom Eugênio, ao lado do irmão, na comemoração dos 50 anos de ordenação episcopal, em missa solene realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia em Acari-RN.

Sucessão[editar | editar código-fonte]

Na Arquidiocese de São Salvador da Bahia, Dom Eugênio de Araújo Sales foi o 23º Arcebispo, sucedendo a Dom Augusto Álvaro da Silva e teve como sucessor Dom Avelar Brandão Vilela.

Na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Eugênio foi o 5º arcebispo, tendo sucedido a Dom Jaime de Barros Câmara e como sucessor Dom Eusébio Oscar Scheid.

Ordenações episcopais[editar | editar código-fonte]

Foi o principal sagrante dos seguintes bispos[editar | editar código-fonte]

Foi co-celebrante da sagração episcopal de[editar | editar código-fonte]

Ordenações presbiterais[editar | editar código-fonte]

Pelos registros oficiais, Dom Eugênio ordenou 216 sacerdotes, dentre os quais:

Citação[editar | editar código-fonte]

"O egoísmo dominante nos indivíduos e países impede uma justa distribuição dos recursos naturais. Cada um pensa em si e em sua nação, sem atender ao bem comum. Aqui se coloca o empobrecimento do Terceiro Mundo, em benefício dos mais ricos. E, no Brasil, a concentração de riquezas é crescente. Busca-se, em vez de justiça social, a diminuição dos que deveriam igualmente participar desses dons que Deus criou para todos os seus filhos". (Jornal do Brasil, 13/08/1994).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Colunas permanentes nos jornais[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

  • A Voz do Pastor
  • Viver a Fé em um Mundo a Construir

Referências

  1. Morre cardeal Dom Eugenio Sales, aos 91 anos (em português) Jornal O Globo
  2. Apostolicae Sedis Commentarium Officiale. An. et Vol. LXIII (em latim). Cidade do Vaticano: Typis Polyglottis Vaticanis, 1971. 1036 pp. p. 313.
  3. FREIRE, José Ribamar Bessa. Dom Eugênio Sales era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. ADITAL. Página visitada em 20 de julho de 2012.
  4. Di Franco, Carlos Alberto (2008): Justiça ao Cardeal, Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 10 de março de 2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Eugênio Sales
Precedido por
Dom Augusto Álvaro Cardeal da Silva
Brasão arquiepiscopal.
Arcebispo de São Salvador
da Bahia

1968-1971
Sucedido por
Dom Avelar Cardeal Brandão Vilela
Precedido por
Criação do título cardinalício
Brasão cardinalício
Cardeal-presbítero
de San Gregorio VII

1969 - 2012
Sucedido por
Moran Mor Baselios Cleemis Cardeal Thottunkal
Precedido por
Dom Jaime Cardeal de Barros Câmara
Brasão arquiepiscopal.
Arcebispo de São Sebastião
do Rio de Janeiro

1971-2001
Sucedido por
Dom Eusébio Oscar Cardeal Scheid
Precedido por
Dom Stephen Kim Cardeal Sou-hwan
Brasão cardinalício.
Cardeal-Protopresbítero

2009 - 2012
Sucedido por
Dom Paulo Evaristo Cardeal Arns