Licor

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Licor de Singeverga, licor fabricado por monges beneditinos portugueses

Licor é uma bebida alcoólica doce, composta por álcool misturado com frutas, ervas, temperos, flores, sementes, raízes, cascas de árvores, cremes e uma substância doce que pode ser sacarose, mel ou glicose. O termo vem do latim liquore, "líquido".[1] Os licores não costumam ser envelhecidos por muito tempo, mas podem ficar algum tempo descansando até que atinjam o sabor ideal.

Descrição[editar | editar código-fonte]

A descrição mais comum de licor é a de uma bebida doce, de alto teor alcoólico, tendo um teor que varia entre os 20 por cento em volume e os 28 por cento em volume. Servido em pequenas taças, é ideal após as refeições, sendo também muito comum em bombons.

Sua composição leva açúcar, xarope, álcool, além de frutas, plantas e ervas, que dão o sabor característico de cada bebida. Devido ao facto de serem obtidos através de produtos tradicionais, não é necessária a adição de corantes ou conservantes.

Há, porém, outras definições da bebida. Para os franceses, o licor é simplesmente um digestivo. Entre os ingleses, é um drinque específico, feito à base de um destilado ao qual se adicionou, por infusão, maceração ou redestilação, raízes, cascas de árvores, flores, frutas ou sementes.

Já para os norte-americanos, o termo significa o mesmo que para os ingleses, mas os primeiros ainda criam certa confusão ao chamar licores de cordials, xarope aromatizado com teor alcoólico baixo ou inexistente.

História[editar | editar código-fonte]

Na Idade Média, o vinho (e, mais tarde, o álcool) era o principal antisséptico. Mas as plantas, raízes e ervas eram pesquisadas pelos monges para a cura de várias doenças. Os alquimistas levaram tais pesquisas adiante. Registros apontam Arnaldo de Vilanova, sábio catalão nascido em 1240, aproximadamente, como o inventor "das tinturas modernas nas quais as virtudes das ervas são extraídas pelo álcool". Com seu discípulo Raimundo Lúlio, foi o primeiro a escrever o tratado sobre o álcool e divulgar receitas de licores curativos. Ao álcool açucarado, eram misturados limão, rosa e flor de laranjeira. Há indícios da adição de pepitas de ouro às misturas, consideradas panaceias (remédios para todos os males).

Villeneuve enfrentou problemas com a Inquisição por suas ideias avançadas. Mas, ao salvar a vida do Papa com uma poção de vinho, ervas e ouro, livrou-se da morte. Quando a Peste Negra espalhou-se pela Europa, no século 15, os licores associados a bálsamos vegetais e tônicos tornaram-se medicamentos preciosos.

Além da aguardente de vinho, outros álcoois eram utilizados para fazer licores, tais como o rum. Era comum a fabricação doméstica de licores e a utilização na cozinha e confeitaria. Durante o século 19, a indústria da destilação cresceu. Surgiram, no mercado, muitas variedades de licores, e os caseiros começaram a desaparecer. Os italianos sofisticaram a produção de licores. A rainha Catarina de Medicis, em visita à Itália, levou algumas receitas para a França. Luís XIV, apreciador da bebida, deliciava-se com um licor de âmbar e grãos de anis, canela e almíscar.

Elaboração e tipos de licores[editar | editar código-fonte]

Para a sua elaboração, existem diversas fases a considerar: primeiramente, deverão ser colocados, juntos, numa garrafa, o álcool ou aguardente com a fruta, erva aromática ou outro elemento em infusão, durante um período de tempo entre sessenta a noventa dias, num lugar fresco e seco.A garrafa ou recipiente deverá ser agitada diariamente. Em geral, devemos tomar, como referência, um litro de aguardente para uma chávena de chá contendo fruta, muito embora possam existir variações nesta proporção.[2]

Os licores podem ser feitos à base de:

  • plantas
  • flores
  • fruta
  • cascas de árvores
  • raízes
  • sementes
  • natas e açúcar

Pode ser usada a destilação por água ou por álcool.

  • Destilação por álcool: é um processo, normalmente, executado num pequeno alambique de cobre. O agente aromático é embebido em álcool por algumas horas e colocado no alambique, onde lhe é adicionado álcool. Desta destilação, apenas uma parte do licor destilado é aproveitada, voltando o resto a ser redestilado em nova "jornada".
  • Destilação por água: este método é usado para ervas e flores muito delicadas. São embebidas em água e só depois se procede à sua destilação suave, em alambique. Este procedimento permite preservar os aromas. A esta água destilada e aromática, junta-se álcool puro (espirituoso). Por este processo, são feitos alguns dos mais famosos licores existentes no mercado.
  • Infusão/Maceração

O processo de infusão pode ser feito a frio ou a quente. Quando é feito a frio, as frutas são esmagadas e colocadas num recipiente de água fria por um período de tempo que pode ir até um ano. Após este período, o líquido é filtrado e adicionado a álcool neutro.

As fases deste processo de fabrico:

a) Homogeneização

b) Repouso (em recipiente de vidro por algumas semanas)

c) Refrigeração

d) Filtragem (através de carvão ou outros sistemas)

e) Engarrafamento.

  • Extractos ou Essências

É o método mais usado no fabrico dos licores por ser mais económico e prático. Talvez, por isso, a qualidade destes licores seja inferior a de outros obtidos por processos diferentes.

Nos licores fabricados por este processo, entram os seguintes elementos: água, álcool, açúcar, essências, corante.

  • Adição de Natas

Este tipo de licor apareceu recentemente. Embora o creme (natas) já fosse usado em imensas composições de bar, só a partir do ano de 1975 a firma irlandesa R.A. Bailey aperfeiçoou a técnica de combinar um espírito com as natas sem que estas azedassem. Como resultado desta experiência, apareceu o famoso Bailey Irish Cream.

Este tipo de licor, considerado tecnicamente como Cream Liqueurs, não deve ser confundido com os créme liqueurs.

Os créme liqueurs não incluem natas na sua composição. Exemplos: creme de banana, creme de menta.

Os cream liqueurs são de mais baixo teor alcoólico que os outros licores.

Ex.: o Bailey e o Emmets, 17%.

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Almanaque Borda d'Água 2012, editorial Minerva,Lisboa; Tipos de Licores e Fabrico de Licores editado por Anderson Viana'65

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 029.
  2. Almanaque Borda de Água 2012, editorial Minerva,Lisboa;