Maués

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita uma ou mais fontes fiáveis e independentes, mas ela(s) não cobre(m) todo o texto.
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes e inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, conforme o livro de estilo.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Sateré-Mawé
População total

10.761 (Funasa, 2010)[1]

Regiões com população significativa
Amazonas e Pará, Brasil
Línguas
Língua sateré-mawé e português
Religiões

Maués ou mawés é o nome de uma tribo indígena, também conhecida por Sateré-Mawé, Maooz, Mabué, Mangués, Manguês, Jaquezes, Maguases, Mahués, Magnués, Mauris, Maraguá, Mahué, Magueses. Falam a língua sateré-mawé, integrante única da família lingüística de mesmo nome, pretencente ao tronco tupi.

“Nós somos como um Pássaro no Mundo”, palavras de um índio Maué (PEREIRA, 1954).

Origem[editar | editar código-fonte]

Atribuem a sua origem ao cadáver (Icançoque) do filho de Onhiámnuaçabê, plantadora e conservadora do Noçoquém. Depois da tribo dos tapajós, tornou-se a mais numerosa naquela região de confluência do rio Tapajós.

  • Teve como principal inimigo a tribo mundurucu, e seus vizinhos, os apiacás, os kawahib-parintintins, os andirazes e os muras.Depois dai fico conhecido o mas integro. Ana Beatriz,Fernanda Beatriz e Sarah lopes... esses são os nomes das meninas que já participou da tribo.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Segundo algumas fontes, o nome da tribo seria uma junção das palavras sateré, que significaria "lagarta de fogo", e mawé, que significaria "papagaio inteligente e curioso".[2] Por outro lado, um estudo conduzido por professores da Universidade Federal do Amazonas indica que os índios reconhecem o nome "Sateré-mawé", mas que o termo "Mawé" seria desconhecido por eles, e não significaria papagaio. Um índio entrevistado afirmou que a palavra era usada pelos brancos que não gostavam dos índios, e derivaria de "mau é".[3]

Costumes[editar | editar código-fonte]

Os jesuítas chegaram na região em 1659, com a fundação da Missão de Tupinambarana, fazendo cessar o comportamento dos Maués com os restos mortais de seus pares, que consistia na defumação do cadáver, mumificando-os, e uso de urnas funerárias, casas especiais, na companhia de ídolos de pedra.

A puberdade das suas mulheres e homens eram acontecimentos marcados com rituais de extremo valor na comunidade. Os homens eram submetidos à prova das formigas tucandeira - são instigados a colocar a mão em uma luva de palha trançada infestada de formigas tucandeira, e aguentá-las durante pelo menos 15 minutos, enquanto todos os índios dançam ao redor em uma música em língua local.[4] Em seguida, a luva é repassada ao índio do lado (que também deve aguentar os 15 minutos), e assim por diante, até passar por todos os adolescentes que estão a ingressar em vida adulta. É comum assim, passar o resto do ritual com as mãos inchadas e vários efeitos consecutivos, como febre, câimbra, vermelhidão nos olhos, etc.[4]

Os maués mantinham um amplo comércio de guaraná, de objetos e ornatos de plumas. Por seu vasto e estabelecido comércio do guaraná estão no célebre mapa do Padre Samuel Fritz, em 1691, bastante conhecido dos viajantes descidos do Alto Madeira e do Alto Arinos.

Eram sedentários e de ânimo pacífico, valentes, corajosos, destemidos e vingativos. E defendiam a cultura pré-colombiana, que tinha como fundamento o guaraná, vínculo a terra pela agricultura, onde teve sua origem mítica, na teimosa atitude de Uaçiri-Pot, o grande legislador da tribo.

A resignação e a audácia são características marcantes dessa tribo, tida por descendeste dos incas, descida do Altiplano Andino, já que apegada ao uso do "paricá" Mimosa acacioides, cultivando-o.

Em 1626 fora feito um reconhecimento do rio Tapajós e registrou-se mais de 35.000 índios, na Mundurucânia.

Civilização[editar | editar código-fonte]

Os maués jamais se afeiçoaram aos portugueses. Comandaram às suas mulheres que não aprendessem a língua lusa. Tendo-se por principal prova dessa resistência (acomodação inteligente) o seguinte documento primário de fonte histórica, qual seja a Carta Instrutiva que aos diretores das Capitanias do Pará e Rio Negro, datada de 3 de outubro de 1769, mandou o governador Fernando da Costa de Ataíde Teive, nesses resumidos termos:

"Ao cabo da canoa dará V. Mcê ordens em meu nome no acto da partida pa. o Sertão, de não entrar em rio aonde conste qe. se poderá encontrar com Índios da Nação Manguês, porq. tendo mostrado a experiência que esses miseráveis homens resistem as praticas que se lhe fizer, para caírem das trevas do paganismo, pela introdução das ferramentas, e outros gêneros que vão comerciar com elles; he necessário reduzi-los a necessidade, para delles tiremos os fructos de os descer, quando se virem preconizados, o q. ha de certamente vir a succeder, vendose destituídos do socorro que lhe aqui inconsideradamente lhes tem levado..."

Participaram ativamente da Cabanagem, de 1835 a 1840. Sob o comando do tuxaua Manoel Marques atacaram Luzéa, matando os trinta soldados do destacamento militar e os moradores portugueses do lugarejo, transformando a vila em reduto cabano. O tuxaua Crispim Leão liderou os ataques a Andirá e Tupinambarana.

No começo do século XX, fomentados pelas expedições dos seringueiros de Itaituba, aderiram e colaboraram, irrestritamente, com as forças militares do Estado do Amazonas, em 1916, no conflito armado travado contra o Estado do Pará, por conta de velha questão de limites entre essas duas unidades da Federação.

Produção de guaraná[editar | editar código-fonte]

Os maué foram os inventores da cultura do guaraná. Foram eles que transformaram a trepadeira silvestre em arbusto cultivado, com o plantio e o beneficiamento dos frutos. A primeira descrição do guaraná data de 1669, o mesmo ano em que houve o contato com o homem branco. O padre João Felipe Betendorf escreveu que "tem os Andirazes em seus matos uma frutinha que chamam guaraná, a qual secam e depois pisam, fazendo dela umas bolas, que estimam como os brancos o seu ouro, e desfeitas com uma pedrinha, com que as vão roçando, e em uma cuia de água bebida, dá tão grandes forças, que indo os índios à caça, um dia até o outro não têm fome, além do que faz urinar, tira febres e dores de cabeça e cãibras". [4]

O uso desse fruto é considerado fonte de saúde e está ligado à terra cultivável, como é possível ver no discurso do tuxaua sateré-mawé Manuel, em 1933: "O guaraná é bom para fazer chover, para proteger a roça, para curar doenças e prevenir outras, para vencer a guerra, no amor, quando dois rivais pretendem a mesma mulher".[3]

O guaraná é o principal produto dos maué, pois é o que obtém maior preço no mercado. O guaraná produzido e beneficiado pelos índios (chamado guaraná da terra) é de qualidade superior ao do produzido pelos civilizados (chamado guaraná de Luzeia). Porém, o guaraná de Luzeia é produzido em escala muito maior. Enquanto os maué vendem no máximo duas toneladas de guaraná por ano, uma empresa na cidade de Maués afirma vender 40 toneladas por ano.

Atualmente[editar | editar código-fonte]

Na periferia urbana de Manaus, existem quatro comunidades sateré-mawé: Y'Apryrehyt, Maué, I'nhã-bé e Waikiru. Os índios em geral tem muita dificuldade em arranjar um emprego, e quando conseguem, trabalham como carregadores braçais, vendedores ambulantes de artesanato e doces regionais, ou como pedreiros na construção civil.

A maior parte da renda da comunidade comunidade Y'Apryrehyt, onde vivem 67 pessoas, vem do turismo. Muitas pessoas visitam a aldeia, interessadas em conhecer mais sobre o Ritual da Tucandeira ou comprar artesanatos. Assim, o ritual passou a ter um caráter turístico, com valores estéticos e coreografias, mas ao mesmo tempo voltado para a sobrevivência dos índios.

A alimentação é baseada em farinha de mandioca, peixe, banana-pacová verde, feijão e arroz, comprados em quiosques próximos à aldeia, no conjunto residencial Santos Dumont.[3]

Lendas e tradições[editar | editar código-fonte]

  • Origem da Noite.
  • História da Pedra ou da Aliança entre os Maués.
  • A criação do Mundo.
  • Lenda do Timbó.
  • Lenda da Primeira Água.
  • História da Mandioca.
  • História da Mucura e do Acurau.
  • Origem dos Bichos.
  • História do Guaraná.

Vocabulário[editar | editar código-fonte]

Coligido por Teófilo Tiuba no Posto Indígena do Rio Andirá, no Estado do Amazonas:[5]

Maués e português
Boró Bom dia
Rekáa Boa tarde
U-amdén Boa noite
Marrêt Cachaça
Miú Comida
Iámani Chuva
Curó Brigar
Burú Grande
Curim Pequeno
Uát Sol
Aát Lua
Icáp Gordo
Icang Vipal ali
Roni-há Homem
Uaco Bom
Uaco sesé Bom demais

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Enciclopédia dos Povos Indígenas do Brasil. Instituto Socioambiental. Página visitada em 13 de fevereiro de 2013.
  2. Ministério da Justiça - Sateré-Mawé. Página visitada em 13 de fevereiro de 2013.
  3. a b c João Bosco Botelho; Valéria Augusta C.M. Weigel. Comunidade sateré-mawé Y'Apyrehyt: ritual e saúde na periferia urbana de Manaus. Página visitada em 13 de fevereiro de 2013.
  4. a b c Lorenz, Sônia da Silva. Sateré-Mawé.
  5. Vocabulário maué coligido por Teófilo Tiuba no Posto Indígena do rio Andirá estado do Amazonas.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PEREIRA, Nunes. Os índios maués. 1 ed. Rio de Janeiro: Organização Simões, 1954. 171 pp.