Poesia de Portugal

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A poesia portuguesa tem raízes recuadas, ainda antes da afirmação da nacionalidade, e esteve na generalidade sempre presente durante toda a história literária e cultural de Portugal, tendo representado os diversos movimentos artísticos, filosóficos, mas também revolucionários, pelos quais o povo e as elites literatas atravessaram.

Poesia arábica em território nacional[editar | editar código-fonte]

Entre os árabes, enquanto estes povoavam o território que mais tarde viria a ser Portugal, encontramos um punhado de poetas de grande valor, o que era constante, aliás, na civilização islâmica da altura, muito dedicada à poesia. Al-Mu'tamid (rei do Taifa de Sevilha), Ibn Bassam (em Santarém, na altura chamada Xantarim), Ibn'Amar e Ibn Harbun (de Silves) são alguns exemplos.

Trovadores: imagem do Cancioneiro da Ajuda, século XIII

Poesia na Idade Média cristã[editar | editar código-fonte]

Com a Reconquista Cristã e a fundação da nacionalidade, inicia-se a época da poesia galaico-portuguesa. Segundo Clóvis Monteiro, admite-se que a mais antiga poesia em português é de 1189 e teve como autor Paio Soares de Taveiros. Seu estilo é de cantiga e fala de uma queixa ingênua de um grande amor. É iniciada assim:

"No mundo non me sei parelha
mentre me for, como me vay,
ca já moiro por vós..." [1]

As cantigas de amigo; as cantigas de amor e as cantigas de escárnio e maldizer, foram compiladas em antologias da época, manuscritas, a que se deu o nome de Cancioneiros. Podemos fazer referência a alguns dos mais importantes:

O trovadores e jograis (feminino: jogralesas) cultivaram ainda outros géneros poéticos, como as tenções, as cantigas de seguir, as cantigas de vilão, as pastorelas, os prantos, os descordos, os lais.

Existe uma época da história desta poesia, considerada como uma idade de ouro, que compreende um período afonsino (de 1240 a 1280), com os reinados de Afonso X de Castela (autor das Cantigas de Santa Maria) e de Afonso III de Portugal. Segue-se o período dionisíaco, com o reinado de D. Dinis (filho de Afonso III). O seu filho bastardo, Dom Pedro, Conde de Barcelos (que morre em 1354), autor de algumas cantigas que encerram um período de florescimento poético.

A poesia galego-portuguesa passa, então, por um período de decadência, desde fins do século XIV e ao longo do século XV. Forma-se uma escola castelhano-portuguesa (escrevendo-se nos dois idiomas emergentes). Será Garcia de Resende a efectuar a compilação desta produção poética no seu Cancioneiro Geral, em 1516.

A par desta poesia lírica, outros jograis divulgavam as gestas, poemas de cariz épico e hagiográfico, muitas vezes utilizadas como fontes de informação para os cronistas da época. Alguns estudiosos desta manifestação cultural, como António José Saraiva, Lindley Cintra e Diego Catalán acreditam que terá existido um poema épico, cantado pelos jograis, onde se narrariam os feitos de D. Afonso Henriques. Transmitido oralmente, parece ter servido de mote para cronistas portugueses e castelhanos, que a transformaram e prosa (a forma poética tem também a função de tornar mais fácil de memorizar os longos relatos). O Romanceiro português alia o épico ao lírico nos seus romances bastante diversificados.

O alaúde era um instrumento muito usado na época.

Renascimento[editar | editar código-fonte]

Os poetas portugueses representados no Cancioneiro de Garcia de Resende demonstram algum conhecimento de outras poéticas: Dante Alighieri, Petrarca, Juan de Mena, Marquês de Santillana, além de autores do classicismo romano.

Gil Vicente e Francisco de Sá de Miranda marcam, na poesia, o início do Renascimento em Portugal, onde também se destaca António Ferreira.

Luís Vaz de Camões é, contudo, o vulto maior da poesia portuguesa. Os Lusíadas, 1572 é o poema nacional por excelência.[2] Não se deve, porém, esquecer a sua poesia lírica, a todos os níveis incomparável, reunida nas Rimas, postumamente, em 1595.

É com Camões que se faz, também, a nível de estilo e conteúdo, passagem para o Maneirismo, de uma poesia melancólica e de profundo questionamento existencial que já se verifica em Camões (onde a temática do exílio, na sua lírica, e a crítica aos aspectos menos heróicos de Portugal, como o "gosto d'hua austera, apagada e vil tristeza", n'Os Lusíadas, já faz entrever). Diogo Bernardes, Vasco Mouzinho de Quevedo, Baltasar Estaço, D. Manuel de Portugal, Sá de Miranda e Francisco Rodrigues Lobo são alguns dos nomes mais importantes deste período que irá desembocar no Barroco.

Luis de Góngora, na Espanha, a par com Francisco de Quevedo, é o modelo a imitar, no que diz respeito à poesia Barroca. Os poetas portugueses da altura, como Jerónimo Baía, Barbosa Bacelar e D. Tomás de Noronha (entre muitos anónimos), sem o mesmo brilho dos mestres espanhóis, glosam, então, num virtuosismo formal intrincado, os temas da Morte, e da inconstância da Sorte e da Fortuna, transmitindo um sentimento que marcava, também, a religião na Península Ibérica, na altura.

Barroco e poesia arcádica[editar | editar código-fonte]

Como reacção ao Barroco, seguindo o lema Inutilia truncat (cortar o inútil) o Neoclassicismo, inspirado nos modelos gregos e latinos (e no próprio Renascimento), inicia-se com Pedro António Correia Garção (pseudónimo arcádico: Córidon Erimanteu), na segunda metade do século XVII. A Arcádia Lusitana vai ser o movimento poético mais importante desta época até à primeira metade do século XIX, reunindo os nomes de Francisco Manuel do Nascimento (mais conhecido pelo pseudónimo arcádico Filinto Elísio), Manuel Maria Barbosa Du Bocage, Francisco Joaquim Bingre, Marquesa de Alorna, José Anastácio da Cunha, José Agostinho de Macedo, Nicolau Tolentino de Almeida, António Dinis da Cruz e Silva, entre outros.

Romantismo[editar | editar código-fonte]

Século XX e Modernismo[editar | editar código-fonte]

A poesia mística teve Teixeira de Pascoais (1877-1952) como um exemplo e o futurismo viu Mário de Sá-Carneiro ser um dos seus expoentes máximos. O modernismo foi também uma forma responsável pela liberação do complexo que o povo português tinha sobre si mesmo (pelo menos no que diz respeito à poesia), principalmente graças a Fernando Pessoa (1888-1935), considerado por muitos como o segundo grande poeta Português (depois de Camões). De uma personalidade densa, único e complexo, Pessoa escreveu sob muitos nomes, e não pseudónimos, ao que denominou como heterónimos: heterónimo que tem uma personalidade única, uma forma de escrever e biografia únicas e independentes. Os mais aclamados são: Alberto Caeiro, considerado o mestre de todos eles, positivista e bucólico, Ricardo Reis, pagão e epicurista (mas com influência estóica), já Fernando Pessoa, ortónimo, vivia preso no seu labirinto interior muito ligado ao tédio e à melancolia, tendo existido também Álvaro de Campos, o futurista, e Bernardo Soares, que escreveu Livro do Desassosego. O livro intitulado Mensagem de Fernando Pessoa é considerada a sua obra prima e é composto por uma série de poemas sebastianistas.

Outros nomes destacaram-se no século XX, na poesia portuguesa, esses nomes são a título de exemplo Florbela Espanca, Almada Negreiros, Camilo Pessanha, António Botto, Afonso Duarte, Irene Lisboa, Vitorino Nemésio, José Régio, Saúl Dias, António Gedeão, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, Jorge de Sena, António Salvado, Carlos de Oliveira, Natália Correia, Mário Cesariny, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, Albano Martins, David Mourão-Ferreira, António Manuel Couto Viana, Alberto de Lacerda, António Maria Lisboa, Rui Knopfli, Ruy Belo, João Pedro Grabato Dias, António Osório, Fernando Assis Pacheco, Luiza Neto Jorge, João Miguel Fernandes Jorge, António Franco Alexandre, Carlos Eurico da Costa, Nuno Júdice, Al Berto, Luís Filipe Castro Mendes, Adília Lopes, Ana Hatherly, Herberto Helder, Luís Miguel Nava,José Emílio-Nelson, António Franco Alexandre, Casimiro de Brito, Gastão Cruz, Pedro Sena-Lino, José Carlos González

Revolução dos Cravos e século XXI[editar | editar código-fonte]

Recitação de poesia lírica do séc. XXI em honra a todos os poetas portugueses

Durante o período que precedeu o 25 de Abril de 1974, muitos poetas e cantores criaram obras líricas, essencialmente nas denominadas canções de intervenção. Compositores como Zeca Afonso, José Mário Branco ou Sérgio Godinho representam claramente o espírito e a ansiedade populares para a democracia que precedeu a revolução de abril. No entanto, os poetas que são considerados os mais influentes na arte lírica revolucionária, são, sem dúvida, Ary dos Santos e Manuel Alegre. Já durante o séc. XXI diversos pródigos poetas portugueses já haviam publicado e criado vários trabalhos literários interessantes no campo da poesia. Esses nomes podem ser a título de exemplo Vasco Graça Moura (1942), Inês Lourenço (1942), Bartolomeu Valente (1943), Rogério Carrola (1947), Ana Luísa Amaral (1956), Ana Paula Inácio (1966), Gonçalo M. Tavares (1970 ), Pedro Mexia (1972) ou Mário R. Lourenço (1987)

Referências

  1. MONTEIRO, Clóvis - Esboços de história literária - Livraria Acadêmica - 1961 - Rio de Janeiro - Pg. 12
  2. Os Lusíadas (1800-1882). Página visitada em 2013-09-01.