Presunto

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Presunto tradicional de Chaves, Portugal
Presunto de Chaves pronto para ser cortado
Presunto de Barrancos

Presunto é um produto alimentar obtido a partir das pernas traseiras do porco, salgado em cru e curado de forma natural.[1]

Muito apreciado como entrada de refeição, o presunto é consumido como petisco, recheio de sanduíches e pizzas e outros produtos, como o folar salgado.[2]

Uso regional[editar | editar código-fonte]

Portugal[editar | editar código-fonte]

As principais variedades em Portugal são o presunto de Chaves[3] e Terras do Barroso[4] , em Trás-os-Montes, e o alentejano (ou de porco preto ibérico),[5] [6] que em Olivença denominam "Jimão".

Os primeiros registos referentes ao presunto remontam ao Império Romano, embora os primeiros porcos da península Ibérica tenham sido trazidos pelos Fenícios. As atuais raças resultam do cruzamento destes porcos com os javalis que por cá existiam.[carece de fontes?]

As condições naturais de criação destes porcos, feita em regime extensivo, com alimentação constituída pelos produtos naturais das regiões onde crescem, confere à sua carne características próprias e diferenciadas, ocorrendo o abate entre os dezasseis e os dezoito meses.

Presuntos com DOP[editar | editar código-fonte]

Foram reconhecidos com Denominação de Origem Protegida (DOP), de acordo com as normas da União Europeia, os seguintes presuntos:

Presuntos com IGP[editar | editar código-fonte]

Foram reconhecidos com Indicação Geográfica Protegida (IGP), de acordo com as normas da União Europeia. os seguintes presuntos:

Foi ainda apresentada, em meados de 2012, a candidatura do Presunto de Melgaço.[13]

Outros presuntos[editar | editar código-fonte]

A principal área geográfica de produção do presunto de Chaves abrange os concelhos de Chaves, Boticas, Montalegre e Valpaços, no distrito de Vila Real. Uma zona que engloba também a região do Barroso, de onde é originário o Presunto de Barroso IGP.

Apesar das suas qualidades o presunto de Chaves não possui a distinção de Denominação de Origem Protegida (DOP) ou de Indicação Geográfica Protegida (IGP).

A difusão do presunto de Chaves no mercado português teve início em 1910, quando uma família local o começou a comercializar em Lisboa. O auge de popularidade deste produto teve lugar nas décadas de 1960 e 1970. Na década de 1980, o presunto de Chaves viu chegar um período de declínio, motivado por quedas na produção, migrações das populações rurais antigamente associadas à produção artesanal, desrespeito pelos processos tradicionais, no que diz respeito à salga e à alimentação dos porcos, e, ainda, à introdução de presunto espanhol no mercado português. A produção tem sido algo desorganizada, baseando-se, de certa forma, no consumo local. No entanto, existem esforços para que num futuro próximo ganhe expressão no mercado, através da modernização da sua produção e da sua comercialização.[14]

Para que a carne destinada ao presunto seja produzida de acordo com as regras em vigor, destacam-se, designadamente, o controle e a identificação dos animais, o saneamento e a assistência veterinária, todo o sistema de produção, a sua alimentação e as condições no abate, a forma de cura e o tratamento necessário para obtenção do produto final, o presunto.

Espanha[editar | editar código-fonte]

Jamón serrano
Presuntos expostos para a venda numa das inúmeras lojas da especialidade de Madrid designadas Museo del Jámon (Museu do Presunto)

O presunto (em espanhol: jamón) é um produto tradicionalmente muito consumido na Espanha, pelo que existem diversos modos de fabrico e denominações. Em traços gerais, podem distinguir-se dois grandes tipos de jamones, segundo a raça do porco usada: o porco ibérico (usualmente designado em Portugal por porco preto ou pata negra) para o jamón ibérico (presunto ibérico) e porco branco para jamón serrano.[nt 1]

As principais características do presunto ibérico, que o distinguem pela sua qualidade, derivam da pureza da raça dos animais usados, da criação em regime extensivo e em dehesas[nt 2] (pastagens de montado) onde podem mover-se livremente, da alimentação dos animais e da cura, que é nomeadamente dura entre 8 e 36 meses. O jamón ibérico distingue-se dos restantes tipos de presunto pela sua textura, aroma e sabor singulares e distinguíveis, embora o sabor varie conforme a quantidade de bolota ingerida pelo porco e do exercício físico que ele tenha feito.

Geralmente a classificação dos presuntos espanhóis baseia-se na quantidade de bolota usada na alimentação dos porcos antes do abate. A classificação oficial para os jamones ibéricos agrupa-os em:[15] Jamón Ibérico de Cebo, Jamón Ibérico de Cebo Campo, Jamón Ibérico de Recebo e Jamón Ibérico de Bolota.[16] Algumas regiões com tradição de elaboração de presunto criaram, em conjunto com o Ministério do Meio-ambiente e Meio Rural e Marinho, as "Denominações de Origem", que exigem e controlam o cumprimento de determinadas características para que possam levar o selo de qualidade. As denominações de origem reconhecidas do porco ibérico são: Jamón Ibérico D.O. de Huelva,[17] Jamón Ibérico D.O. Los Pedroches,[18] Jamón Ibérico D.O. de Guijuelo,[19] e Jamón Ibérico D.O. Dehesa de Extremadura.[20] As denominações de origem estão protegidas legalmente pelo Regulamento Europeu (CE) nº 510/2006 do Conselho da União Europeia.

Além das denominações de origem oficiais, existem diferentes denominações comerciais conhecidas pelo consumidor espanhol, mas frequentemente confundidas pela sua ambiguidade, como são os casos do "Jamón de Pata Negra", "Jamón de Jabugo" ou "Jamón 5J". Para avaliar sua qualidade só existe a classificação oficial, a qual deve constar na etiqueta identificativa da peça (anilha).

Fábricas de presunto em Trevélez, província de Granada

O jamón serrano ou jamón branco procede de variedades de porco branco, e distingue-se facilmente pela cor da pele do pernil. Denomina-se serrano quando se cura em clima de serra, frio e seco. Atualmente está regulado pelo Regulamento comunitário 2082/92, no qual se definem as características do processo e do produto acabado. Distinguem-se três qualidades de jamón serrano, segundo a sua cura: bodega (adega), reserva e grande reserva. Entre os jamones serranos mais famosos encontram-se os das províncias de Granada e de Salamanca, mas são produzidos em muitas outras regiões, dentre as quais cabe nomear as denominações de origem de Jamón de Teruel,[21] em Aragão e o Jamón de Trevélez (IGP),[22] , na Andaluzia, além de outras produções sem denominação mas com tradição jamonera como o jamón de chato de Múrcia ou o jamón de porco Duroc.

Itália[editar | editar código-fonte]

Prosciutto italiano

O termo prosciutto refere-se a um corte de carne do porco correspondente ao membro posterior. É consumido tanto cru como cozinhado. O prosciutto italiano possui múltiplas variedades: prosciutto di Parma, prosciutto di San Daniele, prosciutto di Carpegna, prosciutto di Modena, prosciutto toscano, prosciutto veneto, Berico-Euganeo, Valle d’Aosta Jambon de Bosses, prosciutto di Norcia e prosciutto cotto. [carece de fontes?]

Bulgária[editar | editar código-fonte]

O Elenski but (ou perna Elena) é um presunto seco curado da cidade de Elena, no norte da Bulgária, sendo popular em todo o país. A carne apresenta um sabor específico e pode ser preservada ao longo de diversos anos, devido tanto ao processo original de fabricação do produto, como às condições climáticas da parte da Cordilheira dos Bálcãs, onde Elena está localizada. [carece de fontes?]

China[editar | editar código-fonte]

Presunto Jinhua na China

A existência do presunto seco chinês tem sido relatada desde a dinastia Sung, sendo este usado em muitos pratos. Existiam diversos tipos durante a dinastia Qing, sendo usados em pratos de presunto estufado (火腿炖肘子) e vegetais, ou para uma diversificada quantidade de sopas, além da importante Sopa asiática. Um dos mais famosos presuntos chineses é o presunto Jinhua, um presunto seco curado, o qual é usado para produzir um prato conhecido como "Buda saltando sobre uma parede". O presunto Jinhua é usado na culinária chinesa para dar sabor de cozido e assado aos alimentos, bem como para fazer bases para caldos e sopas. O presunto foi premiado pela primeira vez em 1915 na Panama International Merchandise Exhibition.[23]

Outros tipos de presunto de renome[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Secção inicialmente baseada na tradução artigo «Jamón» na Wikipédia em espanhol (acessado nesta versão).
  2. As dehesas são montados (bosques de azinheira e sobreiro) usados como pastagens sazonais, nomeadamente para gado transumante. Ver «Dehesa» na Wikipédia em espanhol.

Referências

  1. Presunto Damatta. Presunto Cru. PodComer. Página visitada em 27 de fevereiro de 2011.
  2. Lecticia Cavalcanti (24 de março de 2007). O melhor presunto do mundo. Terra Magazine, Terra Networks Brasil. Página visitada em 27 de fevereiro de 2011.
  3. Trás-os-Montes (HTML) (em português) pp. 1. Comida.ig.com.br. Página visitada em 28 de Fevereiro de 2011.
  4. Presunto de Barroso (HTML) (em português) pp. 1. Gastronomias.com. Página visitada em 28 de Fevereiro de 2011.
  5. Presunto de Porco Alentejano (HTML) (em português) pp. 1. Prove Portugal. Página visitada em 28 de Fevereiro de 2011.
  6. Presunto Alentejano (PDF) (em português) pp. 1. Embrapa.br. Página visitada em 28 de Fevereiro de 2011.
  7. Comissão Europeia, Agricultura e Desenvolvimento Rural, Agricultura e alimentação, DOOR, Denomination Information (3 de maio de 1996). Presunto de Barrancos. Official Journal L148 21.06.1996. Página visitada em 27 de fevereiro de 2011.
  8. Presunto e Paleta do Alentejo na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  9. Presunto de Barroso na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  10. Presunto de Campo Maior e Elvas ; Paleta de Campo Maior e Elvas na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  11. Presunto de Santana da Serra e Paleta de Santana da Serra na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  12. Presunto de Vinhais ou Presunto Bísaro de Vinhais na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  13. Presunto de Melgaço na Base de Dados DOOR da União Europeia.
  14. Maria Ribeiro, Paula Cabo e Lurdes Pires (23 de outubro de 2008). Perfil, hábitos e atitudes do consumidor do Presunto de Chaves. Instituto Politécnico de Bragança, Escola Superior Agrária, Campus de Santa Apolónia. Página visitada em 27 de fevereiro de 2011.
  15. Norma de calidad para la carne, el jamón, la paleta y la caña de lomo ibéricos (em espanhol). www.mapa.es. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. Página visitada em 25 de fevereiro de 2011.
  16. Campañas de información (em espanhol). www.mapa.es. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. Página visitada em 25 de fevereiro de 2011.
  17. DOP "Jamón de Huelva" (em espanhol). www.mapa.es. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. Página visitada em 25 de fevereiro de 2011.
  18. Jamón los Pedroches (em espanhol). www.mapa.es. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. Página visitada em 25 de fevereiro de 2011.
  19. DOP "Guijuelo" (em espanhol). www.mapa.es. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. Página visitada em 25 de fevereiro de 2011.
  20. DOP "Dehesa de Extremadura" (em espanhol). www.mapa.es. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. Página visitada em 25 de fevereiro de 2011.
  21. DOP "Jamón de Teruel" (em espanhol). www.mapa.es. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. Página visitada em 25 de fevereiro de 2011.
  22. IGP "Jamón de Trevélez" (em espanhol). www.mapa.es. Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino. Página visitada em 25 de fevereiro de 2011.
  23. Wang Ang, Catharina Yung-Kang; Liu, KeShun; Huang, Yao-Wen, Asian foods: science & technology, pp. 209–212, ISBN 9781566767361 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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