Roberto Cabrini

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Francisco Roberto Cabrini
Roberto Cabrini
Nascimento 03 de outubro de 1960

(53 anos)
Piracicaba, São Paulo

Ocupação Jornalista
Nacionalidade Brasil Brasileiro

Francisco Roberto Cabrini (Piracicaba, 3 de Outubro de 1960) é um jornalista de televisão brasileiro. Foi correspondente internacional da Rede Globo em Londres e Nova York, ganhou os principais prêmios como repórter investigativo (Esso, APCA, Líbero Badaró, Imprensa, Tim Lopes e Vladimir Herzog) e cobriu seis guerras. Atualmente, é apresentador e editor-chefe do programa Conexão Repórter, no SBT.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Considerado um dos principais jornalistas brasileiros, especializado em jornalismo investigativo, coberturas de guerra e de defesa dos direitos humanos, ganhou praticamente todos prêmios importantes em seu meio em 3 décadas de carreira. Roberto Cabrini iniciou sua carreira aos 16 anos de idade em uma rádio e um jornal do interior de São Paulo (Piracicaba) e, aos 17 anos, foi contratado pela TV Globo como o repórter mais jovem do telejornalismo de rede da história do país, inicialmente, atuando como repórter esportivo.

Em 30 anos de carreira, Roberto Cabrini cobriu seis guerras internacionais (Afeganistão, Iraque, Palestina, Camboja, Caxemira e Somália); participou de cinco Olimpíadas e cinco Copas do Mundo; foi correspondente por oito anos - quatro deles em Londres e quatro em Nova York - além de realizar coberturas em mais de 60 países.

Em dezembro de 1990, apresentou no SBT e, depois, na TV Cultura, o documentário "Ben Johnson, o monstro de músculos". Em Toronto, no Canadá, conseguiu entrevistas reveladoras com o atleta e com seu treinador Charles Francis. Os dois contaram detalhadamente a história do primeiro grande escândalo mundial de doping (a substância estanozolol, consumida com o nome de Winstrol), registrado na final dos 100 metros rasos da Olimpíada de Seul, em 1988. O treinador assumiu para Cabrini ter comandado todo o esquema de uso do doping, seguido à risca pelo velocista.

Em outubro de 1993, após sete meses de investigação, descobriu o paradeiro do fugitivo da justiça, Paulo César Farias em Londres, driblando até mesmo as buscas da polícia brasileira. PC Farias foi tesoureiro de campanha de Fernando Collor de Mello nas eleições presidenciais brasileiras de 1989. Foi a personalidade chave que causou o primeiro processo de impeachment da América Latina, em 1992.

Em 1995, produziu o documentário "Enigma das Alagoas", que apresentava a mais célebre entrevista com o presidente Fernando Collor de Mello, depois do impeachment. A técnica utilizada para a entrevista repleta de perguntas cortantes (estilo marcante de Cabrini) e muitos dados, gerou reconhecimento de todos veículos de comunicações. O Estado de São Paulo o escolheu como o melhor do jornalismo da TV neste ano, a revista Veja considerou esta a melhor reportagem do ano.

Neste mesmo ano concluiu o documentário "Enigma das mil e uma noites", após vários meses no Iraque, conseguindo provar a existência de soldados iraquianos que, por se recusarem a servir seu exército, tiveram suas orelhas cortadas pelo regime de Saddam Hussein, algo até então negado veementemente por Bagdá em uma entrevista exclusiva com o então vice-primeiro-ministro iraquiano Tariq Aziz. Conseguiu penetrar no norte do país onde revelou as sequelas dos ataques com armas químicas na cidade curda de Halabja, pelas forças de Saddan Hussein. A entrada na cidade tinha sido bloqueado aos jornalistas desde o ataque de 1988. Terminou o ano com uma grande entrevista com o lider palestino Yasser Arafat e, ainda, com os guerrilheiros preparados para o martírio, os homens-bomba recrutados para se explodirem contra alvos israelenses. Foi então também considerado pelo jornal do Brasil como o melhor repórter em atividade da TV Brasileira.

Em 1996, foi o único jornalista da América Latina a cobrir a ascensão do grupo radical Taliban no Afeganistão, fortemente apoiado pela Al Qaeda, de Osama Bin Laden que se armou com a ajuda americana. Nessa cobertura, produziu o documentário "Em Nome de Alá", vencedor do Prêmio Vladimir Herzog de direitos humanos. Em setembro de 1997, após uma investigação de cinco meses, localizou, na Costa Rica, na América Central, a fugitiva Jorgina de Freitas Fernandes, a maior fraudadora da história do INSS no Brasil. Ganhou com a reportagem o Prêmio Previdência Social de Jornalismo.

Ainda em 1998 elaborou a reportagem "A verdadeira história do vôo 254", contando em detalhes o que de fato aconteceu em um dos piores desastres da aviação brasileira (Boeing 737-200 da Varig, que se perdeu e acabou em um pouso forçado em plena floresta Amazônica, em 3 de novembro de 1989). A reportagem garantiu a ele o VI Prêmio Líbero Badaró de jornalismo. Também foi Roberto Cabrini quem noticiou, ao vivo, pela TV Globo, o óbito do piloto Ayrton Senna em maio de 1994. Cabrini cobria o GP de fórmula 1 de Ímola, na Itália, e foi a Bologna acompanhar a sequência dos fatos onde entrou em plantão ao vivo para noticiar o fato. A frase usada por Cabrini para noticiar a morte do piloto tornou-se célebre em todo Brasil: "Morreu Ayrton Senna da Silva, uma notícia que a gente jamais gostaria de dar. Morreu Ayrton Senna da Silva." A transmissão foi feita pelo telefone com Roberto Cabrini, sendo chamado por Léo Batista, que estava no estúdio, no Rio de Janeiro.

Em 1998, denunciou um grande esquema de venda de crianças para países europeus no Sri Lanka na extremidade sul do subcontinente indiano, reportagem considerada pela Anistia Internacional uma das melhores já realizadas sobre o assunto em toda história. Desde 2001, como reconhecimento de sua carreira de repórter, passou a atuar também como âncora e editor-chefe de programas jornalisticos. Foi âncora e editor-chefe do Jornal da Noite da Rede Bandeirantes, entre 2002 e 2008. Em 2008, foi contratado pela Rede Record. Nesta emissora, comandou, em 2009, o programa "Repórter Record", jornalístico semanal de reportagens investigativas que se tornou, nesta época, o programa da emissora de maior audiência, com médias que chegaram a ultrapassar 20 pontos de IBOPE. Neste ano (2009) ganhou o "Prêmio Tim Lopes" - com a reportagem "O chefe do tráfico", que revelou os bastidores do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Em 2009, retornou ao SBT, para ser editor-chefe e apresentador do "Conexão Repórter", programa de grandes reportagens investigativas criado pelo próprio jornalista. Logo em seus primeiros anos de existência, o programa provocou a realização de 3 CPIs com suas reportagens: A do tráfico de crianças, a de pedofilia na igreja e a dos crimes de preconceito e intolerância racial. Comandando o Conexão Repórter, Cabrini e sua equipe ganharam o mais importante Prêmio de reportagens do Brasil, o Prêmio Esso de 2010 de telejornalismo. A reportagem "Sexo, intrigas e poder", investigou casos antes ocultos de pedofilia dentro da Igreja Católica em Arapiraca, Alagoas, e levou três sacerdotes, incluindo um importante Monsenhor a julgamento, repercutiu em todo mundo e fez com que, pela primeira vez, o Vaticano reconhecesse a existência de casos de abusos sexuais dentro da Igreja Católica no Brasil. A sentença dos padres de Arapiraca acusados de pedofilia foi proferida pelo juiz João Luiz de Azevedo Lessa, titular da 1ª Vara Judiciária da Infância e Juventude, no dia 19 de dezembro. O monsenhor Luiz Marques foi condenado a 21 anos de reclusão. Já o padre Edilson Duarte, e o monsenhor Raimundo Gomes, foram sentenciados a dezesseis anos e quatro meses. O trabalho jornalístico de Roberto Cabrini e sua equipe foi considerado fundamental pelo ministério público para a condenação histórica dos sacerdotes católicos, fato inédito no Brasil. No dia 3 de janeiro de 2012, o Vaticano anunciou que os três padres de Arapiraca condenados por pedofilia foram expulsos da igreja católica. Em 2012, denunciou os abusos em um hospital psiquiátrico de Sorocaba/SP, revelando imagens que lembraram as dos campos de concentração nazistas, na Segunda Guerra Mundial. A reportagem foi elogiada internacionalmente. Ainda em 2012, o Conexão Repórter, comandado por Roberto Cabrini, ganhou o Troféu Imprensa de melhor programa de jornalismo da TV Brasileira do ano anterior, 2011. Em votação realizada em 2013, voltou a ter o Conexão Repórter escolhido como o melhor programa jornalístico da TV Brasileira de 2012, ganhando, também, o Troféu Internet de melhor jornalístico na votação popular. Ao explicar seu voto para o Conexão Repórter, Keila Jimenez, jornalista da Folha de São Paulo, disse: "Cabrini respira jornalismo."

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • Melhor repórter da TV brasileira - Troféu Imprensa de 1993 (Prêmio recebido em 94- ano em que cobriu a morte de Ayrton Senna e descobriu o paradeiro do fugitivo Paulo César Farias)
  • Melhor programa jornalístico (entrevista com Fernando Collor de Mello e documentário no Iraque) - Prêmio APCA de 1995
  • Entrevista com Fernando Collor de Mello - apontada pela Revista Veja como a melhor matéria do ano de 1995
  • Foi considerado pelo Jornal do Brasil o melhor repórter da televisão Brasileira em 1995
  • Documentário "Em Nome de Alá", realizado no Afeganistão - ganhador do Vladmir Herzog, em 1996, na categoria TV (quando atuava pelo SBT - SP)[1]
  • Reportagem "A verdadeira história do Vôo 254" - vencedor do VI Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo de 1998
  • Documentário "Em Nome de Alá" - vencedor do 14º Prêmio de Direitos Humanos de 1997 da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (Arfoc/RS e Brasil)
  • Documentário "Investigando a Fraudadora do INSS" - vencedor do 1º Prêmio Previdência Social de Jornalismo de 1998
  • 2009- Prêmio Tim Lopes- O chefe do tráfico
  • 2010 Prêmio Esso de telejornalismo "Sexo,Intrigas e Poder"(Investigando a Pedofilia na Igreja)
  • 2011 Troféu Imprensa - Conexão Repórter - melhor programa jornalístico
  • 2012 Troféu Imprensa - Conexão Repórter - melhor programa jornalístico
  • 2012 Troféu Internet - Conexão Repórter - melhor programa jornalístico

Emissoras onde trabalhou[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos Almanaque da Comunicação - 31 de agosto de 2011