Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul

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Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul
IATA
SC
ICAO
CRZ
Indicativo de chamada
Cruzeiro
Fundada em 1927
Encerrou atividades em 1993
Frota juntando todos os aviões que possuiu são 30
Sede Rio de Janeiro, RJ

Os Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, também chamada de Cruzeiro do Sul ou simplesmente Cruzeiro, foi uma antiga companhia aérea brasileira. Inicialmente chamado de Syndicato Condor Ltda foi oficialmente constituída em 01/12/27 no Rio de Janeiro. Herdeira da operação do Condor Syndikat, empresa criada por pioneiros da aviação alemã, posteriormente incorporado pela Lufthansa. A empresa nasceu operando entre o Rio de Janeiro e Porto Alegre, mas logo expandiu seus serviços até Natal. Os vôos eram operados por Dorniers Val e Junkers G24.

História[editar | editar código-fonte]

O Syndicato Condor estabeleceu uma linha que nascia na Alemanha e prosseguia até Santiago do Chile, transportando correio. Esse serviço utilizava várias aeronaves e tripulações, que iam passando sua carga de aeronave a aeronave, fazendo escalas até em navios aeródromos no meio do oceano.

Em 1933, uma nova rota até Cuiabá foi inaugurada. O Brasil começava a ser desbravado - pelo ar. Em 1935, as linhas costais chegam até Fortaleza. Dois anos depois, até Carolina, no Maranhão. Em 1939, os hidroaviões são substituídos pelos Junkers Ju-52, e os vôos atingem Rio Branco.

Com o início da Segunda Guerra Mundial, as peças de reposição para aeronaves alemãs tornam-se difíceis de conseguir. O Governo Vargas, inicialmente simpático ao Eixo, muda de posição no meio do Conflito e vem para a banda do Aliados. O Syndicato Condor percebe ser fundamental a mudança de nome, afastando-se de suas origens alemãs.

NAMC YS-11 da Cruzeiro no Aeroporto Internacional de Oakland, Estados Unidos, em 1968.

Nasce em 16 de janeiro de 1943 a designação Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul Ltda. No mês seguinte, a empresa compra 4 Douglas DC-3 e começa a mudar sua frota para equipamentos norte-americanos. Em 1948, finalmente são aposentados os Focke Wulf FW 200, usados na rota Rio-Buenos Aires. A frota padronizada em DC-3 e C-47 enfrenta agora a competição de aproximadamente 30 empresas aéreas domésticas, criadas no pós-guerra.

A Cruzeiro, já internacional, ganha em 1947 o direito de servir Porto Rico, Nova Iorque e Washington. Recebe para tais vôos 3 Douglas DC-4, mas exige subvenção governamental para operar nesta rota. Trinta vôos de "reconhecimento" são feitos até 1949. A subvenção não sai e os DC-4 são trocados por Convair 340, o primeiro deles chegando apenas em março de 1954.

A Cruzeiro trouxe 4 Caravelles, a partir de Janeiro de 1963. Com o fechamento da Panair do Brasil, herdou mais 3, além de alguns Catalinas, mantidos em operação nas rotas amazônicas. Em 4 de setembro de 1967, a Cruzeiro recebeu o primeiro de 12 YS-11A operados até 1975, mais uma aeronave introduzida no Brasil graças à companhia.

Em 1968, encomendou 4 Boeings 727-100, iniciando serviços com os mesmos em 03/01/1970 nas rotas Rio-Brasília e Rio-Buenos Aires. Em 1969, Leopoldino Amorim asssume a presidência, deixada vaga pela morte de José Bento Ribeiro Dantas, presidente da empresa desde 1942.

Venda[editar | editar código-fonte]

A década de 1970 começou mal para a empresa, sendo que a mesma encontrou crescentes dificuldades para competir com a Varig, VASP e com o crescimento da Sadia/Transbrasil. Em 22/05/1975 a Cruzeiro foi adquirida pela Fundação Rubem Berta, controladora da Varig. Deixava de existir uma das pioneiras de nossa aviação. A marca e o nome, porém, foram mantidos e a Varig usava a Cruzeiro para ter direitos a mais rotas e obter um faturamento de 2 empresas. Como na compra dos 4 Airbus A300/B4, que foram negociados com o consórcio Airbus Industries pela Cruzeiro inicialmente, entretanto foi decidido que os dois primeiros seriam com matricula PP-CLA & PP-CLB, pois o grupo de pilotos que voariam eram da Cruzeiro. Os outros 2 A-300/B4 vieram com matriculas e pintura da Varig para que os pilotos da Varig pudessem voa-los, possibilitando assim uma expansão maior com um mesmo faturamento. Foram criadas novas linhas, contratações e promoções de pilotos, comissários e funcionários de terra. O novo MD-80 foi emprestado pela Mc Donnell Douglas para ser avaliado nas linhas domesticas, pois havia uma previsão de compras de mais aeronaves. A Varig decidiu após as avaliações em aumentar a frota doméstica com B737/300, devolvendo o MD 80 após 1 ano de uso. A marca Cruzeiro durou até 1997, quando os últimos 737-200 da Cruzeiro foram pintados nas cores da Varig. Os últimos traços da empresa desapareceram em Setembro de 2001, quando os 4 Boeings 737-200 remanescentes (CJN/CJR/CJS/CJT) foram desativados.

Cruzeiro como subsidiária da Varig[editar | editar código-fonte]

Embora Varig e Cruzeiro do Sul foram mantidas como empresas separadas que funcionam como um consórcio, na realidade frequências e frotas foram integrados e racionalizados, a fim de evitar a duplicação de serviços. Desde que em 1975 havia apenas quatro companhias aéreas nacionais que operam no Brasil (Varig, Cruzeiro, Vasp e Transbrasil) e o mercado era rigidamente regulados, o governo destinou um máximo de 45% da quota de mercado para o consórcio Varig/Cruzeiro sendo o restante dividida entre as outras duas linhas aéreas. O consórcio teve, porém, o monopólio das rotas internacionais e operado em todas as grandes cidades brasileiras. Em 1979, a Cruzeiro comprou dois Airbus A300B4. Em 14 de junho, 1983 Cruzeiro usando suas concessões abriu novos serviços internacionais para Port of Spain e Bridgetown e mantidos os existentes para Montevidéu, Buenos Aires, La Paz, Santa Cruz de la Sierra, Iquitos, Paramaribo e Caiena. Em 1986, a frota de Cruzeiro consistia de dois Airbus A-300, 6 Boeing 727-100 e 6 737-200. Na área econômica no entanto, o déficit, desde a compra da Varig nunca deixou de crescer. Finalmente, no dia 1 de janeiro de 1993 Cruzeiro do Sul deixou de existir quando foi totalmente absorvido Varig. Em 1997, o último 737-200 ainda pintados com o esquema de cores do Cruzeiro e com o registro Cruzeiro recebeu as cores da Varig. Esta aeronave deixou de funcionar em 2001.

Aeronaves Operadas[editar | editar código-fonte]

Boeing 737-200 da Cruzeiro no Aeroporto de Congonhas em 1977.
  • Airbus A300/B4:2 (PP-CLA; PP-CLB)
  • Boeing 727-100:8(PP-CJE; PP-CJF; PP-CJG; PP-CJH; PP-CJI; PP-CJJ; PP-CJK; PP-CJL)
  • Boeing 737-200:6 (PP-CJN; PP-CJO; PP-CJP; PP-CJR; PP-CJS; PP-CJT)
  • Caravelle:7 (PP-CJA,PP-CJB,PP-CJC,PP-CJD,PP-PDX, PP-PDV, PP-PDZ)
  • Convair 240: 10 (PP-CET, PP-CEU, PP-CEV, PP-CEW, PP-CEY, PP-CEZ, PP-CFA, PP-CFB, PP-CFC, PP-CFD):
  • Convair 340: 4 (PP-CDW, PP-CDY, PP-CDZ, PP-CEA)
  • Convair 440 : 5 (PP-CEN, PP-CEO, PP-CEP, PP-CER, PP-CFE subst. PP-CEP acidentado em São José dos Pinhais)
  • Douglas DC-3:50
  • Douglas DC-4: 3 (PP-CCI, PP-CCJ, PP-CCS)
  • YS-11: 12 (PP-CTA, PP-CTB, PP-CTC, PP-CTD, PP-CTE, PP-CTF, PP-CTG, PP-CTH, PP-CTI, PP-CTJ, PP-CTK, PP-CTL)
  • C-82: 10 (PP-CEE, PP-CEF, PP-CEG, PP-CEH, PP-CEI, PP-CEJ, PP-CEK, PP-CEL, PP-CEM, PP-CFF)
  • MD-82: 1 (PP-CJM)

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]