Junkers Ju 52

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Junkers Ju 52
Ju 52/3m da Lufthansa (2000)
Descrição
Fabricante Junkers / Alemanha
Construcciones Aeronáuticas S.A. / Espanha
Amiot / França
Primeiro voo 1931
Missão Transporte civil, cargueiro, transporte militar, bombardeiro, anti-minas
Tripulação 18
Dimensões
Comprimento 18,9 m
Envergadura 29,2 m
Altura 4,65 m
Área (asas) 110,50 m²
Peso
Peso bruto máximo 11.030 kg
Propulsão
Motores 3x BMW 132 A-3
Força (por motor) 750 Hp kN
Performance
Velocidade máxima 250 km/h
Alcance 1.300 km
Teto máximo 6.100 m
Armamento
Metralhadoras Duas MG 15 de 7,92 mm
500 kg de bombas

Junkers Ju 52 é um avião alemão com motor a pistão fabricado entre 1932 e 1945 pela empresa Junkers, com capacidade para 17 passageiros. Também é conhecido como "Tante Ju" (Tia Ju) ou Auntie Ju, e apelidado pelas tropas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial como "Iron Annie". Foram produzidas mais de 4.000 unidades para utilização civil e militar. É um dos aviões mais bem sucedidos na história da aviação européia.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Projetado por Ernst Zindel na fábrica da cidade de Dessau, o modelo inicial tinha apenas um motor, o Ju 52/1m. O seu protótipo foi produzido em 1931 e certificado no mesmo ano pelo Ministério dos Transportes da República de Weimar. Devido à falta de interesse por parte dos compradores, principalmente da Deutsche Lufthasa, foram adicionados ao avião mais dois motores para aumentar seu desempenho, mudando sua denominação para Ju 52/3m. O 3m significa drei motoren, ou três motores. Algumas fontes indicam ter sido da empresa Lloyd Aéreo Boliviano (LAB) o pedido pela adição de mais dois motores, enquanto outras afirmam ser a requisição da Deutsche Lufthasa. Fabricado com motores BMW, alguns modelos para exportação também utilizavam motores Pratt & Whitney Wasp ou Bristol Pegasus.

Os primeiros aviões com esta nova configuração e motores Pratt & Whitney foram entregues ao Lloyd Aéreo Boliviano, e batizados como "Juan del Valle" e "Huanuni".

O avião batizado de "Bolívar" da LAB foi vendido à VASP, sendo este o primeiro a realizar a ponte aérea Rio-São Paulo em 1936, decolando do aeroporto de Congonhas com o registro PP-SPD.

Transformou-se na aeronave padrão da Lufthansa, representando 74% da frota em 1944. Realizava uma viagem Berlim-Roma com sobrevôo dos Alpes em apenas 8 horas, um tempo considerado excelente para a época. No entanto, por não possuir cabine pressurizada, era equipado com máscaras de oxigênio para voos de grande altitude.

Pela South African Airways, o Ju 52 realizou voos na rota Cidade do Cabo - Joanesburgo. Ao total, a companhia aérea utilizou 13 aviões deste modelo.

No Canadá também foi utilizado para transportar madeira e outros equipamentos de mineração, especialmente por um dos poucos Ju 52/1m existentes (apenas 7 foram construídos), com registro CF-ARM da Canadian Airways Limited de Winnipeg.

Começou a perder espaço no mercado com o surgimento dos aviões Douglas DC-2 e DC-3, que eram mais econômicos e transportavam um número maior de passageiros.

Em 1944 foi permitida a construção do modelo pela Construcciones Aeronáuticas S.A. (CASA) da Espanha, sendo então designado de CASA 352-L. Os Ju 52 também foram produzidos na França a partir de 1942, em uma fábrica da empresa aeronáutica francesa Amiot, incorporada pela Junkers durante a guerra, localizada na cidade de Colombes. Os aviões produzidos nesta fábrica foram batizados de Amiot AAC.1 Toucan. Após a guerra, alguns destes modelos foram para a Air France, a CSA Czech Airlines e a Força Aérea Portuguesa. No ramo aéreo português esta aeronave ficou organizada num grupo de duas esquadrinhas de bombardeamento nocturno, sendo colocados na Base Aérea n.º 2, na Ota, actual Centro de Formação Militar e Técnica da Força Aérea.

Esteve em serviço pela Força Aérea Suíça até à década de 1980. Atualmente, alguns exemplares ainda voam na Alemanha, Suíça e Estados Unidos para passeios turísticos. Outros dois exemplares restaurados estão na África do Sul e França.

Uso militar[editar | editar código-fonte]

Sua primeira utilização militar foi para o transporte de tropas bolivianas e equipamentos para o front de batalha pelos cinco aviões do LAB durante a Guerra do Chaco, conflito entre Bolívia e Paraguai.

Na guerra civil espanhola, o Ju 52 foi utilizado como transporte de tropas, principalmente de soldados vindos do Marrocos para a Espanha, além de servir de bombardeiro e transporte para missões de paraquedistas pela Legião Condor, uma força de aviadores voluntários enviados pela Alemanha para ajudar o General Franco.

O mesmo uso foi feito durante a Segunda Guerra Mundial para o transporte de tropas e suprimentos para a frente Oriental (Stalingrado), ou para o norte da África (Afrika Korps).

A versão Ju 52/3m W, hidroavião, serviu na campanha da Noruega em 1940 e posteriormente no teatro de operações do mediterrâneo.

O Ju 52 foi também uma peça fundamental na Operação Merkur (invasão alemã da ilha de Creta) no ano de 1941, como avião de transporte de paraquedistas. A operação foi considerada um sucesso, pois seus objetivos de conquista foram alcançados. No entanto, as baixas de paraquedistas foram grandes e pouco mais da metade dos 493 aviões que participaram da invasão foram danificados ou destruídos. Devido as altas perdas humanas e materiais desta operação, não foi realizada pela Alemanha mais nenhuma grande ofensiva utilizando tropas aerotransportadas.

Um modelo do Ju 52 estacionado no Equador da empresa Syndicato Condor, subsidiária da Lufthansa no Brasil, foi um dos primeiros aviões capturados pelos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Durante este período beligerante, inúmeros Ju 52 foram destruídos. No entanto, alguns aviões capturados foram postos em serviço das forças vitoriosas, sendo alguns utilizados pela Aeroflot.

Aviões em operação[editar | editar código-fonte]

Ao final de 2005, havia oito Junkers Ju 52 em operação no mundo, tanto para exibição aérea como para voos turísticos.

Dono Registro Versão Localização Observações
Ju-Air HB-HOP, HB-HOT e HB-HOS Ju 52/3m g4e Base aérea de Dübendorf (próxima a Zurique), Suíça Antigos A-701, A-702 e A-703 da Força Aérea Suíça, motores BMW originais
Ju-Air HB-HOY CASA 352L Normalmente Mönchengladbach, Alemanha ou base aérea de Dübendorf, Suíça Agora equipado com motores BMW, antes estava exposto para visitação pública como D-CIAK no aeroporto internacional de Dusseldorf/Alemanha
Deutsche Lufthansa Berlin-Stiftung D-CDLH Ju 52/3m Aeroporto de Hamburgo Nas cores históricas da Lufthansa D-AQUI (pintura que o avião utilizava 1936), motores Pratt & Whitney, agora com hélices de três pás, era conhecido até 1984 como "Iron Annie" N52JU
South African Airways Historic Flight ZS-AFA CASA 352 Swartkop, África do Sul Levado do Inglaterra para a África do Sul em 1984 para celebrar o 50º aniversário da South African Airways
Commemorative Air Force N352JU CASA 352L Aeroporto Regional de Gary, Indiana, próximo a Chicago, Estados Unidos Operado pelo The Great Lakes Wing da organização sem fins lucrativos Commemorative Air Force, equipado com motores Pratt & Whitney com hélices de três pás
Amicale J.B. Salis F-AZJU CASA 352 Cerny, La Ferté Alais, próximo a Paris, França Restauração terminada em 2003

O mais antigo Ju 52 em operação[editar | editar código-fonte]

Junkers Ju 52/3m D-CDLH da Lufthansa. D-AQUI, pintado nas laterais, é a inscrição original do avião.

O mais antigo Ju 52 em operação ao final de 2005 foi produzido em 1936 com número de série 5489, registro D-AQUI "Fritz Simon", posteriormente vendido para a DNL Det Norske Luftfartsselskap em 1936, tornando-se o LN-DAH "Falken".

Confiscado pelo Exército Alemão em 1940, foi dado o antigo registro D-AQUI e nomeado "Kurt Wintgens". Após a guerra, os Aliados devolveram o avião aos antigos proprietários, a DNL. Registrado como LN-KAF "Askeladden", serviu no trajeto Tromsø - Kirkenes da costa norueguesa de fevereiro de 1948 até 1956.

Ficou estacionado no aeroporto Fornbu de Oslo por um ano, sendo vendido para a empresa Transportes Aereos Orientales do Equador, adotando o novo registro HB-ABS "Amazonas". Saiu de serviço em 1963 e permaneceu no Aeroporto de Quito por seis anos.

Comprado pelo ex-piloto da Força Aérea Americana Lester Weaver por U$ 52,500, foi registrado como N130LV e categorizado como "experimental" pelas autoridades norte-americanas.

No ano de 1975, o escritor estadunidense Martin Caidin comprou o avião por U$150.000, batizando-o como "Iron Annie". Com o novo registro N52JU, foi utilizado em exibições aéreas até a Lufthansa adquiri-lo em dezembro de 1984. Voou até Hamburgo via Groenlândia, Islândia e Inglaterra. Obteve novo registro oficial D-CDLH, sendo então batizado de "Tempelhof". No entanto, o antigo registro D-AQUI também está pintado em suas asas e laterais.

Exemplares em museus[editar | editar código-fonte]

Junkers Ju 52/3m (1930).
Ju 52

Os museus aeronáuticos listados abaixo têm exemplares do Ju 52 em exibição.

América
Europa

Designações[editar | editar código-fonte]

Junkers Ju 52/3m HB-HOY versão CASA 352, operado pela empresa Ju-Air (Suíça - 2004).
  • Ju 52/1m de: o primeiro protótipo de 1932, monomotor.
  • Ju-52/3m ce: (ou TP-5 na força aérea sueca) trimotor.
  • Ju 52/3m ge: modelo de uso civil.
  • Ju 52/3m g3e: primeira versão puramente militar, de 1938.
  • Ju 52/3m g4e
  • Ju 52/3m g5e
  • Ju 52/3m g6e
  • Ju 52/3m g7e
  • Ju 52/3m g8e
  • Ju 52/3m g9e
  • Ju 52/3m g10e
  • Ju 52/3m g12e
  • Ju 52/3m g14e
  • Ju-52/3m MS, Minensuch: avião antiminas marítimas. Um grande círculo de alumínio é instalado na parte de baixo do avião, e a corrente elétrica faz com que as minas magnéticas expludam.
  • Ju 52/3m W, sendo W de Wasser (água): hidroavião.

Utilização[editar | editar código-fonte]

Abaixo uma lista com o nome de algumas empresas e forças-aéreas que utilizaram o Ju 52:

África: South African Airways, DETA.

América: Aeroposta Argentina, Canadian Airways Limited, Causa, Força Aérea Colombiana, Força Aérea Equatoriana, Lan Chile, Líneas Aéreas del Estado, Lloyd Aéreo Boliviano, SEDTA, Syndicato Condor (Lufthansa), Transportes Aereos Orientales, VASP, Varig.

Ásia: Eurasia Aviation Corporation

Europa: Aeroflot, Air France, Aero Portuguesa, Ala Littora, British European Airways, CSA Czech Airlines, Det Danske Luftfartselskab (Danish Airlines), Det Norske Luftfartsselskap (DNL), Direction des Communications aeriennes Bulgária, Força Aérea Alemã (Luftwaffe), Força Aérea Francesa, Força Aérea Portuguesa, Força Aérea Suíça, Lufthansa, Real Força Aérea Húngara, Real Força Aérea Romena, Real Força Aérea Italiana, Scandinavian Airlines System (SAS).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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