Tucumã (Pará)

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Município de Tucumã
"TUC"
"Terra do Cacau"
Avenida Pará, no centro comercial de Tucumã

Avenida Pará, no centro comercial de Tucumã
Bandeira de Tucumã
Brasão de Tucumã
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 10 de maio
Fundação 10 de maio de 1988
Gentílico tucumaense
Prefeito(a) Adelar Pelegrini[1] (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Tucumã
Localização de Tucumã no Pará
Tucumã está localizado em: Brasil
Tucumã
Localização de Tucumã no Brasil
06° 44' 52" S 51° 09' 39" O06° 44' 52" S 51° 09' 39" O
Unidade federativa Pará Pará
Mesorregião Sudeste Paraense IBGE/2008[2]
Microrregião São Félix do Xingu IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu e Água Azul do Norte
Distância até a capital 657 617 km
Características geográficas
Área 2 512,583 km² [3]
População 34 956 hab. IBGE/2012[4]
Densidade 13,91 hab./km²
Altitude 340 m
Clima Clima tropical com estação seca Aw/As
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,747 alto PNUD/2000[5]
PIB R$ 305 967,833 mil IDESP/2010[6]
PIB per capita R$ 9 092,35 IDESP/2010[6]
Página oficial

Tucumã é um município brasileiro do interior do estado do Pará. O município de Tucumã está localizado na Mesorregião do Sudeste Paraense e na Microrregião de São Félix do Xingu, na região sul do estado, distando da capital cerca de 750 km. A sede municipal fica às margens da Rodovia PA-279.

A extensão territorial do município de Tucumã, compreendendo 2.535,11 km² está toda inserida na área do Programa Grande Carajás. A sua população durante a década de 1980, cresceu consideravelmente estimulada por vários fatores, tais como, condições agroclimáticas favoráveis, exploração de madeira e extração do ouro. De 3.000 famílias assentadas em julho de 1981 pela Andrade Gutierrez, a população residente saltou para 21.738 habitantes em 1989.[7]

Segundo o IBGE/2012 o município tinha 34.956 habitantes,[4] e em 2010 o seu PIB era de 305.967,833[6] mil. Segundo o PNUD/2000 o IDH do município de 0,747, é médio[5] e sua renda per capita em 2010 era de 9.092,35.[6]

Tucumã forma com a cidade vizinha, Ourilândia do Norte, a única área conurbada do sudeste do Pará.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A etimologia da palavra Tucumã em tupi (tukumã) significa "fruto de planta espinhosa". O fruto Tucumã, às vezes chamado de Tucum, é da espécie Astrocaryum aculeatum e sua palmeira que chega a medir até 20 metros, geralmente solitária, de estipe com faixas de espinhos negros, folhas ascendentes, inflorescência ereta e frutos amarelos com tons avermelhados.

O local onde se fixou a sede de Tucumã era abundante desta palmeira. A CONSAG resolveu adotar a palmeira como símbolo da colonização e nomear o projeto agrícola de "Tucumã".

História[editar | editar código-fonte]

Avenida Pará no centro de Tucumã

O processo de ocupação da área onde foi implantado o Projeto Tucumã, teve origem a partir do projeto de colonização da empresa Andrade Gutierrez (CONSAG), vencedora da concorrência pública do Instituto Nacional de Reforma Agrária em 1978, na qual habilitava-se a relaizar a colonização do Projeto Tucumã numa área correspondente a 400.000 hectares, de propriedade da União, na época localizado dentro do município de São Félix do Xingu. Essa área seria servida pela PA-279, construída pela Andrade Gutierrez, ligando o município de São Félix do Xingu à BR-155 e desta a BR-010 (rodovia Belém-Brasília), através da BR-222.[8]

Na década de 1970 um dos grandes objetivos do governo federal "foi promover a ocupação de vazios demográficos", e sendo a região norte do país uma região predominantemente de áreas de baixa produção agrícola - a maioria dos produtos hortigranjeiros consumidos na região são oriundos do centro-sul do Brasil -, a instalação de uma colonização de caráter agrícola viria resolver dois problemas cruciais: migração da mão-de-obra e a produção local. Portanto a colonização do Projeto Tucumã oferecia todas as condições para que pudesse ser realizada com êxito.[8]

Projeto CONSAG[editar | editar código-fonte]

O primeiro colono assentado na área de Tucumã foi Antônio José dos Santos, no dia 15 de Março de 1982, num lote de 55 hectares localizado no setor leste do Projeto. A primeira unidade residencial urbana foi ocupada no dia 16 de setembro de 1981 por Alcides Oliveira. Para a execussão do projeto foram distribuídos 3 mil lotes de terra de diversos tamanhos, variáveis em função da qualidade do solo e da localização em relação as agrovilas e voltados para a atividade agrícola e pecuária.[9]

O projeto foi dividido para iniciar o trabalho em três glebas. A Gleba I, a primeira a ser trabalhada, possuía uma extensão de 181.000 hectares, sendo que chegaram a ser concluídos mais de 540 km de estradas vicinais. Em 1983, os investimentos da Andrade Gutierrez destinados ao Projeto Tucumã começaram a diminuir, contribuindo para a não implantação das Glebas II e III e com isso deixou-se de fazer comercialização de lotes aos colonos interessados. Apesar do preço elevado dos lotes, essa situação causou sérios descontentamentos entre os colonos que haviam chegado à área e não tiveram acesso ao Projeto.[10] A situação da área do Projeto Tucumã ficou cada vez mais tensa e, em 1985, as terras do Projeto foram invadidas, primeiro na área rural, se estendendo depois às agrovilas. Como a empresa preferiu não resistir a essa onda de invasão, o resultado foi um processo de crescimento populacional provocando uma ocupação de forma desordenada nas terras do Projeto, inviabilizando-o como empreendimento de colonização particular. A partir daí começaram as negociações que culminaram na reversão do Projeto de Colonização Tucumã e suas benfeitorias para a União em 30 de outubro de 1988.[11]

Luta pela emancipação[editar | editar código-fonte]

Avenida dos Estados e ao fundo o monte Tucumã

Com a saída da empresa do Projeto Tucumã e a pouca participação da prefeitura de São Félix do Xingu na área, a comunidade local elegeu nove representantes para a formação do Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Tucumã (Codetuc), que tinha como objetivo ordenar as ocupações urbanas, preservando o planejamento urbanístico, áreas ambientais comuns, serviços públicos essenciais e os bens da União guardados e em uso pelo poder público municipal. A criação do conselho foi de grande valia para a comunidade de Tucumã, uma vez que procurou acalmar os ânimos da população que estava exaltada na área, propiciou a ampliação de atividades ligadas à indústria madeireira e à exploração do ouro além de permitir o andamento de outras atividades essenciais para o desenvolvimento de Tucumã.[12]

O Conselho foi presidido, inicialmente por Petrônio Gentil de Souza, e depois pelos seguintes presidentes: Luís Otávio Montenegro, João Roberto da Silva (primeiro prefeito de Tucumã) e José Carlos Zampietro. O conselho somente foi desativado com a instalação da prefeitura, em janeiro de 1990.[8]

O município de Tucumã foi criado pela Lei nº 5.455, de 10 de maio de 1988, estatuída pela Assembleia Legislativa do estado e sancionada pelo governador Hélio Gueiros, com área desmembrada do município de São Félix do Xingu. Em 15 de novembro de 1989 foram realizadas as eleições gerais municipais com instalação da prefeitura e câmara dos vereadores em 1º de janeiro de 1990.[10]

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia de Tucumã está assentada basicamente no setor primário, especialmente sobre as atividades de agropecuária e extrativas vegetal e mineral.

Sabe-se que a prioridade do projeto Tucumã ensejava o desenvolvimento da atividade agropecuária e para tanto recrutou colonos principalmente do sul do pais[8] , com vivência na exploração dessa atividade, influenciados pela divulgação que a Colonizadora Andrade Gutierrez (CONSAG) fazia da região. Nessa divulgação a empresa procurava induzir aos interessados de que além das excelentes condições agroclimáticas da região, encontrariam, já montada toda a infra-estrutura de apoio à produção agropecuária, trazida por estradas, alojamentos, armazéns, sementes e mudas, assistência técnica, escolas, saúde e outros.[8] A realidade contudo era completamente diferente daquela propalada pela referida empresa de colonização privada, pois as famílias de agricultores que chegavam eram assentados nos lotes sem as condições necessárias e suficientes para tornar a agropecuária um dos sustentáculos da economia daquela região. Esses entraves, provavelmente, foram as causas principais do insucesso do Projeto Tucumã.[13]

Agropecuária e extrativismo[editar | editar código-fonte]

A situação do setor primário de Tucumã, não foi muito animadora logo após sua emancipação. Criado para ser um grande produtor agrícola, Tucumã, ao contrário disso, passou por sérias dificuldades para desenvolver sua agricultura. Dificuldade essa causada mais pela falta de apoio infra-estrutural do que pela força de vontade dos colonos, que não encontraram, quando lá chegaram, as condições propícias, necessárias.[14]

Durante a década de 1990, o município esteve em uma situação muito adversa, traduzida na dificuldade de adaptação dos colonos, falta de transportes, de estradas com pavimentação asfáltica, e de doenças típicas da região.[14] Entretanto a partir dos anos 2000, houve uma grande mudança estrutural na cadeia produtiva da região que se tornou uma grande produtora de arroz, cacau, café, feijão e milho, também sendo uma grande produtora de leite, aliada a expectativa de pavimentação asfáltica da PA-279, principal estrada de ligação do município com o Brasil.[10]

Indústria, comércio e serviços[editar | editar código-fonte]

Vista do centro de Tucumã a partir do Colégio Adventista.

A produção industrial de Tucumã, durante os anos 80 e 90, gravitou essencialmente em torno da atividade madeireira. Em 1988, segundo a SEFA/PA, existiam cadastros de 17 estabelecimentos industriais, voltados para a exploração de madeira, não contabilizados os estabelecimentos irregulares. Essa atividade causou um grande prejuízo ecológico ao município, chegando a devastar áreas indígenas e de preservação ambiental. Contudo com a maior aplicabilidade da legislação ambiental a partir de meados da década de 2000, essas madeireiras e movelarias foram fechadas.[14]

Os garimpos instalados no município de Tucumã trouxeram uma grande possibilidade de arrecadação de impostos e de vendas no comércio local.[15] A exploração do garimpos em Tucumã e nos municípios vizinhos foi responsável por grande parte da renda gerada na atividade comercial, pois comercializa motores, bombas, mangueiras e outros equipamentos.[14]

A indústria de lacticínios é uma atividade que cresce muito no município, devido à qualidade do rebanho pecuário[16] e a dimensão da bacia leiteira local que é uma das maiores do Pará. Os laticínios do município estão entre os maiores e mais produtivos do Norte do Brasil, exportando todo o seu excedente para os mercados locais e para o exterior.[17] A atividade frigorífica também é muito forte no município, com várias indústrias de outros estados do Brasil instaladas em Tucumã.

O processamento e beneficiamento de grãos, e das safras de cacau também são destaque junto à atividade agroindustrial do município.[18] A grande produtividade marginal de cacau no município de Tucumã, sempre supera em produtividade marginal a produção na Bahia, que é de longe o maior produtor do país.[18]

Mineração[editar | editar código-fonte]

A atividade garimpeira também garantiu uma renda substancial ao município nos primeiros anos após sua emancipação, contudo, a rápida exploração levou a exaustão dos garimpos locais, e no final da década de 1990, já não havia mais registro de atividade garimpeira nas agrovilas do município. O grande destaque quanto à atividade de garimpos na área do município, vinha da agrovila do Cuca, distante cerca de 36 km da cidade de Tucumã. Ela é uma área oriunda de garimpo, funcionando desde 1978, só detectada em maio de 1980 por meio de uma fotografia aérea que revelava a presença do homem no meio da mata.

Entretanto em 2009 foi proposto a implantação de um projeto mineral (Projeto Boa Esperança) para lavra e beneficiamento de cobre, no município de Tucumã, no qual pretende lavrar cerca de 3,7 milhões de toneladas/ano de minério de cobre. Essa quantia produzirá 105 mil toneladas úmidas de concentrado, equivalentes a 29 mil toneladas/ano de cobre metálico. A obra física do projeto envolveria portanto, quatro unidades básicas: a mina a céu aberto, as áreas de depósito e barragem de rejeitos, as instalações do beneficiamento mineral e a unidade administrativa. O Projeto Boa Esperança prevê um investimento de 630 milhões de reais e uma geração de 1000 empregos diretos durante a implantação. Na fase de operação, o efetivo deverá alcançar cerca de 500 funcionários próprios e 130 terceirizados[19] .

Referências

  1. Eleições 2012: confira quais foram os prefeitos eleitos na região do Carajás Jornal do Zedudu.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 de dezembro de 2010.
  4. a b Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de Referência em 1º de julho de 2012 Estimativa Populacional para 2012 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1º de julho de 2012). Visitado em 16 de janeiro de 2013.
  5. a b Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  6. a b c d Produto Interno Bruto dos Municípios do estado do Pará - 2010 Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará. Visitado em 13 de março de 2012.
  7. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia Estatística. População residente em 1980 e estimativa em 1º de setembro de 1990. Belém: [s.n.], 1990.
  8. a b c d e Instituto do Desenvolvimento Econômico e Social do Pará (IDESP). Tucumã. Belém: CDI-IDESP, 1990. 30 pp.
  9. Folha de Tucumã. Edição especial. Especial. ed. Tucumã: [s.n.].
  10. a b c ALENCAR, Antonio Ronaldo.; FARIAS, William Gaia.. Ourilândia do Norte: Grandes Projetos, garimpos e experiências sociais na construção do município. Prefeitura Municipal de Ourilândia do Norte.
  11. A província do Pará. Caderno especial. [S.l.: s.n.].
  12. Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). Diagnóstico do Sistema da Cidade de Tucumã. Belém: [s.n.].
  13. Secretaria de estado de planejamento e coordenação geral. Perfil preliminar do município de Tucumã. Belém: [s.n.].
  14. a b c d Prefeitura Municipal de Tucumã. Produção agrícola de Tucumã. Tucumã: [s.n.].
  15. DOS SANTOS, Breno Augusto.. Recursos minerais da Amazônia Scielo.
  16. Mercado e a dinâmica espacial da cadeia produtiva do leite na Região Norte Banco da Amazônia (BASA) (2008). Visitado em 28 de setembro de 2012.
  17. Arranjo produtivo lácteo- Regiões sul e sudeste do Pará Núcleo Gestor de Tecnologia para Agroindústria - Governo do Pará. Visitado em 28 de setembro de 2012.
  18. a b Empresa italiana quer instalar fábrica de chocolate no Pará Vale do Xingu. Visitado em 28 de setembro de 2012.
  19. Audiência pública discute projeto de mineração Diário Online.