Francisco I, Sacro Imperador Romano-Germânico

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Francisco I
Sacro imperador romano-germânico
Reinado 13 de setembro de 1745
a 18 de agosto de 1765
Predecessor Carlos VII
Sucessor José II
Duque de Lorena
Reinado 27 de março de 1729
a 18 de agosto de 1765
Predecessor Leopoldo, Duque de Lorena
Sucessor Estanislau I da Polônia
Esposa Maria Teresa da Áustria
Descendência
Maria Isabel da Áustria
Maria Ana da Áustria
Maria Carolina da Áustria
José II, Sacro Imperador Romano-Germânico
Maria Cristina da Áustria
Maria Isabel da Áustria
Carlos José da Áustria
Maria Amália da Áustria
Leopoldo II, Sacro Imperador Romano-Germânico
Maria Carolina da Áustria
Maria Joana da Áustria
Maria Josefa da Áustria
Maria Carolina da Áustria
Fernando Carlos de Áustria-Este
Maria Antonieta
Maximiliano Francisco da Áustria
Casa Lorena
Pai Leopoldo, Duque de Lorena
Mãe Isabel Carlota de Orleães
Nascimento 8 de dezembro de 1708
Nancy, França
Morte 18 de agosto de 1765 (56 anos)
Innsbruck, Sacro Império Romano-Germânico
Enterro Cripta Imperial de Viena,
Viena, Áustria
Religião Catolicismo

Francisco I (Francisco Estêvão de Lorena), (8 de Dezembro de 1708 - 18 de Agosto de 1765) foi um sacro imperador romano-germânico e grão-duque da Toscana, embora fosse a sua esposa quem executava os poderes reais associados a essas posições. Juntamente com a sua esposa, a imperatriz Maria Teresa, fundou a dinastia Habsburgo-Lorena. Entre 1728 e 1737 foi duque de Lorena. Em 1737, o ducado de Lorena passou a ser gerido pela França de acordo com os termos que resultaram da Guerra de Sucessão Polaca. Francisco e a Casa de Lorena receberam o grão-ducado da Toscana no tratado de paz que pôs termo à guerra. Depois de subir ao trono como sacro imperador romano-germânico, o ducado de Lorena passou, em nome, para as mãos do seu irmão mais novo, o príncipe Carlos Alexandre de Lorena que era também governante dos Países Baixos austríacos. Devido a uma série de alianças estratégicas, o ducado acabaria por ser anexado pela França em 1766.

Embora, nominalmente, ocupasse uma posição superior à sua esposa, Maria Teresa, arquiduquesa da Áustria e rainha da Hungria e da Boémia, Francisco que, apesar de competente, era mais calmo, foi sempre ofuscado pela personalidade forte da sua esposa.[1]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Francisco Estêvão com a sua mãe, a princesa Isabel Carlota de Orleães.

Francisco nasceu em Nancy, no ducado de Lorena (actual território francês), sendo um dos filhos do duque Leopoldo de Lorena e da sua esposa, a princesa Isabel Carlota de Orleães, filha de Filipe I, duque de Orleães.

Era parente dos Habsburgos através da sua avó, a arquiduquesa Leonor, filha do sacro-imperador Fernando III e esposa do duque Carlos Leopoldo de Lorena, o seu avô. Tinha uma relação muito próxima com o seu irmão, o príncipe Carlos Alexandre, e com a irmã Ana Carlota.

O sacro-imperador Carlos VI gostava da família dos Lorena uma vez que, além de serem seus primos direitos, tinham prestado bons serviços à casa real austríaca. Tinha planeado casar a sua filha, Maria Teresa, com o irmão mais velho de Francisco, o príncipe Leopoldo Clemente, no entanto este acabaria por morrer pouco tempo depois. Após a morte do irmão, Francisco ocupou o seu lugar não só como herdeiro do ducado de Lorena, mas também como futuro genro do sacro-imperador. Mudou-se para Viena com a intenção de se casar com Maria Teresa e, eventualmente, os dois acabaram por se afeiçoar um ao outro.

Aos 15 anos de idade, quando se mudou para Viena, Francisco estabeleceu-se no ducado salesiano de Teschen, que tinha sido mediatizado e entregue ao seu pai pelo saco-imperador em 1722. Francisco Estêvão de Lorena sucedeu ao seu pai como duque de Lorena em 1729. Em 1731, entrou na Maçonaria, na grande loja de Inglaterra, numa loja localizada convenientemente em Haia, na casa do embaixador britânico, Philip Stanhpe, 4º conde de Chesterfield.[2] Durante uma visita posterior a Inglaterra, Francisco foi elevado a mestre manção numa outra loja localizada em Houghton Hall, a propriedade do primeiro-ministro britânico, Robert Walpole, em Norfolk.[3]

Maria Teresa nomeou Francisco "Lorde Tenete" da Hungria em 1732. Francisco nunca se mostrou interessado por esta posição, mas Maria deseja tê-lo por perto. Em Junho de 1732, Francisco concordou em viajar até Pressburg.

Quando rebentou a Guerra da Sucessão Polaca em 1733, a França aproveitou a oportunidade para ocupar Lorena, uma vez que o primeiro-ministro francês, o cardeal Fleury estava preocupado que a influência dos Habsburgo nesse território trouxesse o poder austríaco para demasiado perto de França.

Foi concluído um tratado de paz preliminar em Outubro de 1735 que foi rectificado mais tarde no Tratado de Viena em Novembro de 1738. Nos termos desse acordo, Estanislau I, sogro do rei Luís XV, que tinha perdido a sua pretensão ao trono da Polónia, ficou com o ducado de Lorena enquanto que Francisco, em compensação da sua perda, foi nomeado herdeiro do grão-ducado da Toscana ao qual sucedeu em 1737.

Apesar de as batalhas terem terminado com o acordo de paz preliminar, foi necessário esperar pela morte do último grão-duque da Toscana da família Medici, João Gastão, em 1737, para que as trocas territoriais negociadas entrassem realmente em vigor.

Em Março de 1736, o sacro-imperador convenceu Francisco, o seu futuro genro, a trocar em segredo o ducado de Lorena pelo grão-ducado da Toscana. A França tinha exigido que o noivo de Maria Teresa entregasse o seu ducado ancestral para receber o rei deposto da Polónia. O sacro-imperador também considerou outras possibilidades, como, por exemplo, casar a sua filha com o futuro rei Carlos III de Espanha, antes de anunciar o seu noivado com Francisco. Se algo corresse mal, Francisco teria sido nomeado governador dos Países Baixos austríacos.

Isabel Farnésio também queria que o grão-ducado da Toscana passasse para o seu filho, o rei Carlos III de Espanha; João Gastão de Medici não tinha filhos e tinha um antepassado em comum com Isabel: a sua bisavó, a princesa Margarida de Medici. Assim, o filho de Isabel tinha bases para reivindicar o ducado.

A 31 de Janeiro de 1736, Francisco aceitou casar-se com Maria Teresa. Antes disso, tinha hesitado três vezes e pousado a pena antes de assinar o documento. A sua mãe, a princesa Isabel Carlota de Orleães, e o seu irmão, o príncipe Carlos Alexandre de Lorena, eram particularmente contra o casamento, uma vez que não desejavam perder o ducado de Lorena. A 1 de Fevereiro, Maria Teresa enviou uma carta a Francisco na qual afirmava que, caso o seu pai viesse a ter descendentes masculinos, iria rejeitar o seu direito ao trono.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Francico com a sua esposa, Maria Teresa e o seu filho mais velho José, futuro sacro-imperador da Áustria.

Francisco e Maria Teresa casaram-se a 14 de Fevereiro de 1736 na igreja augustina de Viena. O tratado secreto assinado entre o sacro-imperador e Francisco foi assinado a 4 de Maio de 1736. Em Janeiro de 1737, as tropas espanholas deixaram a Toscana e foram substituídas por 6.000 soldados austríacos.[4] A 24 de Janeiro de 1737, Francisco recebeu oficialmente o grão-ducado da Toscana das mãos do seu sogro. Até essa altura, Maria Teresa tinha sido duquesa de Lorena.

João Gastão de Medici, que morreu a 9 de Julho de 1737, era primo em segundo grau de Francisco. Em Junho de 1737, Francisco viajou até à Hungria para enfrentar novamente os turcos. Em Outubro de 1738 regressou a Viena. A 17 de Dezembro de 1738, o casal viajou para sul, acompanhados do irmão de Francisco, Carlos, numa visita a Florença que durou três meses. Chegaram a 20 de Janeiro de 1739.

Em 1744, o irmão de Francisco casou-se com a irmã mais nova de Maria Teresa, a arquiduquesa Maria Ana da Áustria. Em 1744, Carlos foi nomeado governante dos Países Baixos Austríacos, uma posição que ocupou até à sua morte em 1780.

Reinado[editar | editar código-fonte]

No Tratado de Füssen, assinado a 13 de Setembro de 1745, Maria Teresa garantiu a sucessão de Francisco ao sacro-imperador Carlos VII e nomeou-o co-regente dos seus domínios.

Francisco não se importou de deixar a governação à sua esposa que estava bem qualificada para o cargo. O sacro-imperador era conhecido pelo seu bom senso e por um talento natural para os negócios, tendo prestado uma grande ajuda a Maria Teresa na complicada tarefa de governar nos domínios autríacos, mas não participava activamente em questões políticas. No entanto, a sua esposa encarregou-o dos assuntos financeiros e Francisco geriu-os bem até à sua morte.[5] No final da Guerra dos Sete Anos, a Áustria encontrava-se profundamente endividada e perto da bancarrota, mas, na década de 1780, já se encontrava numa situação financeira melhor do que a de França ou Inglaterra. Francisco interessava-se muito pelas ciências naturais e pertencia à Maçonaria.

Francisco era também conhecido pelo seu gosto por mulheres e teve muitos casos amorosos pouco discretos, sendo o mais conhecido com Maria Wilhelmina von Neipperg, trinta anos mais nova do que ele. Este caso amoroso foi muito comentado em cartas e diários de visitantes da corte austríaca da época e até dos seus filhos.[6]

O sacro-imperador morreu subitamente quando regressava de um espectáculo de ópera em Innsbruck a 18 de Agosto de 1765. Foi enterrado no sepúlcro número 55 da Cripta Imperial em Viena.

Maria Teresa e Francisco tiveram dezasseis filhos - a sua filha mais nova, foi a rainha Maria Antonieta de França. Francisco foi sucedido oficialmente pelo seu filho mais velho, o sacro-imperador José II, mas foi a sua esposa que continuou a exercer efectivamente o poder no império. Outro dos seus filhos viria também a tornar-se no imperador Leopoldo II.

Descendência[editar | editar código-fonte]

  1. Maria Isabel da Áustria (5 de Fevereiro de 1737 - 6 de Junho de 1740), morreu aos três anos de idade.
  2. Maria Ana da Áustria (6 de Outubro de 1738 - 19 de Novembro de 1789), morreu solteira e sem descendência.
  3. Maria Carolina da Áustria (12 de Janeiro de 1740 - 25 de Janeiro de 1741), morreu com poucos meses de idade, provavelmente de varíola.
  4. José II, Sacro Imperador Romano-Germânico (13 de Março de 1741 - 20 de Fevereiro de 1790), casou-se primeiro com a princesa Isabel de Parma; com descendência. Casou-se depois com a princesa Maria Josefa da Baviera; sem descendência.
  5. Maria Cristina da Áustria (13 de Maio de 1742 - 24 de Junho de 1798), casou-se com o príncipe Alberto, duque de Teschen; com descendência.
  6. Maria Isabel da Áustria (13 de Agosto de 1743 - 22 de Setembro de 1808), morreu solteira e sem descendência.
  7. Carlos José da Áustria (1 de Fevereiro de 1745 - 18 de Janeiro de 1761), morreu aos quinze anos de idade de varíola.
  8. Maria Amália da Áustria (26 de Fevereiro de 1746 - 9 de Junho de 1804), casou-se com Fernando, duque de Parma; com descendência.
  9. Leopoldo II, Sacro Imperador Romano-Germânico (5 de Maio de 1747 - 1 de Março de 1792), casou-se com a infanta Maria Luísa de Espanha; com descendência.
  10. Maria Carolina da Áustria (nascida e morta a 17 de Setembro de 1748), morreu poucas horas depois de ser baptizada.
  11. Maria Joana da Áustria (4 de Fevereiro de 1750 - 23 de Dezembro de 1762), morreu de varíola, sem descendência.
  12. Maria Josefa da Áustria (19 de Março de 1751 - 15 de Outubro de 1767), morreu de varíola: sem descendência.
  13. Maria Carolina da Áustria (13 de Agosto de 1752 - 7 de Setembro de 1814), casou-se com o rei Fernando IV de Nápoles e da Sicília; com descendência.
  14. Fernando da Áustria, duque de Breisgau (1 de Junho de 1754 - 24 de Dezembro de 1806), casou-se com Maria Beatrice d'Este, herdeira de Breisgau e Modena; com descendência.
  15. Maria Antonieta (2 de Novembro de 1755 - 16 de Outubro de 1793), casou-se com o rei Luís XVI de França; com descendência.
  16. Maximiliano Francisco da Áustria (8 de Dezembro de 1756 - 27 de Julho de 1801), bispo-eleitor de Colónia.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Francisco I, Sacro Imperador Romano-Germânico em três gerações
Francisco I, Sacro Imperador Romano-Germânico Pai:
Leopoldo, Duque de Lorena
Avô paterno:
Carlos V da Lorena
Bisavô paterno:
Nicolau Francisco, duque de Lorena
Bisavó paterna:
Cláudia Francisca de Lorena
Avó paterna:
Leonor da Áustria, Rainha da Polónia
Bisavô paterno:
Fernando III da Germânia
Bisavó paterna:
Leonor Gonzaga
Mãe:
Isabel Carlota de Orleães
Avô materno:
Filipe I, Duque de Orleães
Bisavô materno:
Luís XIII de França
Bisavó materna:
Ana de Áustria, rainha de França
Avó materna:
Isabel Carlota do Palatinado
Bisavô materno:
Carlos I Luís, Eleitor Palatino
Bisavó materna:
Carlota de Hesse-Cassel

Referências

  1. Editores da Encyclopædia Britannica (2015). Francis I Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica Online.. Visitado em 18 de Junho de 2015.
  2. Carpenter, Audrey. John Theophilus Desaguliers: A Natural Philosopher, Engineer and Freemason in Newtonian England. [S.l.: s.n.], 2011. p. 47. ISBN 978-1-4411-2778-5
  3. Davies, Maclolm. The masonic muse : songs, music, and musicians associated with Dutch freemasonry, 1730–1806.. [S.l.: s.n.], 1995. p. 22-23. ISBN 90-6375-199-0
  4. Hale, J.R.. Florence and the Medici. [S.l.: s.n.], 2001. p. 192. ISBN 978-1842124567
  5. Bled, Jean-Paul. Marie-Thérèse d'Autriche. [S.l.: s.n.], 2001. ISBN 2213609977
  6. Farquhar, Michael. A Treasure of Royal Scandals. [S.l.: s.n.], 2001. p. 89. ISBN 0-7394-2025-9


Precedido por
Leopoldo I de Lorena
Duque de Lorena
(Francisco III Estevão)

17291736
Sucedido por
Estanislau I
(ex-Rei da Polónia)
Precedido por
João Gastão de Médici
Armoiries moderne François Ier de Lorraine.svg
Grão-duque da Toscana
(Francisco II Estevâo)

17371765
Sucedido por
Pedro Leopoldo
(imperador Leopoldo II)
Precedido por
Carlos VII
Armoiries empereur François Ier.svg
Imperador do Sacro Império Romano-Germânico
(Francisco I)

17451765
Sucedido por
José II
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