Ivan Cristiano

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Ivan Cristiano
Informação geral
Nome completo Ivan Cristiano Gonçalves Gama da Silva
Nascimento 11 de janeiro de 1978 (44 anos)
Local de nascimento Lisboa
Portugal
Gênero(s) Rap, death metal, rock, jazz, goa trance, world contemporâneo
Ocupação(ões) Músico
Instrumento(s) Bateria, percussão
Modelos de instrumentos DW Collectors Grey Marine, 12", 16", 22", Snare DW Collectors Wood series 14x6, Paiste 15" 2002 Sound Edge Hi-Hat, Paiste 19" 2002 Crash, Paiste 20" 2002 Crash, Paiste 20", Paiste PSTX Swiss Medium Crash, Paiste 22" 2002 Ride[1]
Período em atividade 1992–presente
Gravadora(s) AM.RA Discos, LGP Digital, Nuclear Records
Afiliação(ões) Black Company, UHF, Pó d'Escrer, Côrte-Real Trio, Portugal Acústico, Pedro e Os Lobos, Moksha Sound Journeys

Ivan Cristiano Gonçalves Gama da Silva (Lisboa, 11 de janeiro de 1978), mais conhecido como Ivan Cristiano, é um músico português que se notabilizou como baterista na banda de rock UHF.

Foi na adolescência que Ivan teve o primeiro contacto com o meio musical por influência do movimento e cultura rap que chegara em força a Portugal no início da década de 1990. Tendo feito a escolha certa com a prática do beatbox, viria de imediato a integrar algumas bandas e artistas mediáticos na época. Como baterista, iniciou a carreira em 1992 nos Mindsnare (depois Bloodshed) e após passar por vários bandas, sendo algumas de garagem, foi convidado por António Manuel Ribeiro para participar como vocal de apoio na gravação de alguns temas no álbum Rock É! Dançando Na Noite (1998), e no ano seguinte integrou os UHF como membro residente. Participou em vários projetos musicais sem se desvincular dos UHF.

Ivan Cristiano iniciou em 1988 a construção de um percurso musical eclético explorando as sonoridades do rap, death metal, rock e jazz, bem como de culturas remotas caso do goa trance e world contemporâneo registados nos projetos Black Company, Bloodshed, Sirius, UHF, Côrte-Real Trio e Moksha Sound Journeys.

Em 2010 participou no álbum ACR3-Midnight in Lisbon, do projeto Côrte-Real Trio, que atingiu o primeiro lugar nas vendas digitais do eMusic, enquanto que na qualidade de membro integrante dos UHF referência para a entrada de vários álbuns dessa banda na tabela nacional de vendas.

Biografia e carreira[editar | editar código-fonte]

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Ivan Cristiano nasceu em Lisboa e cresceu em Miratejo, num bairro periférico de Almada, e foi nessa parte da cidade que iniciou o seu percurso musical, ainda adolescente. Em 1990 vivia-se o apogeu da música rap em Portugal e Ivan, apaixonado por esse estilo musical, especializara-se no final da década de 1980 na prática de beatbox, como primeira abordagem à bateria.[1]

Ascensão e projetos[editar | editar código-fonte]

Ivan iniciou o seu percurso musical como beatbox nos Black Company, banda criada nos finais da década de 1980 que atuou durante alguns anos apenas com reconhecimento na grande Lisboa, fazendo rap de rua. Ivan juntou-se ao grupo em 1990, bem como o rapper General D, e a banda alargou o reconhecimento a nível nacional.[2] Seguiu-se o convite de General D, no seu percurso a solo, e depois dos Machine Gun Poetry.[1]

No entanto, a afinidade que Ivan sentia pela bateria levou-o a dedicar-se seriamente a esse instrumento estreando-se nos Mindsnare em 1992, que pouco depois mudariam o nome para Bloodshed por já existir em Portugal uma banda de death metal com o mesmo nome. Conquistaram o primeiro lugar no festival de música moderna de Fafe em que os júris foram os elementos dos Xutos & Pontapés, e editaram a demo Endless Illusion (1994). Ivan tocou também nos Sirius (1996–1998), banda que venceu a 1ª edição do Festival de Música de Corroios "Novos Caminhos", em 1996, com direito a registo discográfico na coletânea relativa ao festival.[3][4] Mais tarde os Sírius dariam lugar ao projeto Manga – que não duraram muito tempo – e editaram o álbum Música Atómica Geradora de Ânimo (2004).[5] Em 1997 fez parte dos Lovedstone numa fase em que essa banda alterou o nome para Plastica, na qual Ivan foi co-fundador. Em 1999 integrou a formação dos UHF e a sua entrada impediu Ivan de colaborar nas gravações do primeiro álbum dos Plastica. Em 2002 gravou o álbum Saturday Night Dance Fever como baterista da banda The Lithium.[6]

UHF[editar | editar código-fonte]

Ivan nos 40 anos dos UHF (Casa da Música).

Com experiência adquirida na bateria, Ivan foi convidado em 1997 por António Manuel Ribeiro para participar na gravação de coros em alguns temas do álbum Rock É! Dançando Na Noite (1998) dos UHF. Esse trabalho assinalou a independência total do grupo, com a criação da editora própria, e celebra o vigésimo aniversário dos UHF. O álbum marcou uma profunda remodelação na banda com músicos mais jovens do que António Manuel Ribeiro, proporcionando uma atitude musical mais coerente no plano de trabalho.[7] Após essa participação no universo UHF, Ivan tornou-se membro integrante em 1999 substituindo o baterista Marco Cesário. A sua primeira atuação em grandes espetáculos aconteceu no decorrer da digressão da coletânea Eternamente, no dia 25 de junho de 1999, no concerto que assinalou também a comemoração do vigésimo aniversário da gravação do primeiro disco dos UHF e que decorreu no palco da Praça Sony no Parque das Nações, em Lisboa, integrado nas comemorações do 'Dia Mundial de Luta Contra a Droga'.[8]. Como baterista participou em toda a discografia dos UHF a partir de 1999, tendo no seu registo cinco álbuns de estúdio e cinco ao vivo, entre outros formatos.[9][10]

Moksha Sound Journeys[editar | editar código-fonte]

Álbum de estreia em 2022.[11]

Em junho de 2017, Ivan Cristiano (percussionista) e Bruno Teixeira (multi-instrumentista) fundaram o projeto Moksha Sound Journeys e convidaram Sunil Pariyiar (flautista). Os três elementos combinam-se numa viagem sonora ímpar, em que a dança e a meditação andam de mãos dadas ao som do cruzamento de vários instrumentos exóticos provenientes de África, Ásia e Europa, como são o rav drum, tambor xamânico, ocean drum, marimba, didgeridoo, flautas bansuri e fujiwara, berimbau de boca, ngoni, taças de cristal tibetanas e nepalesas, gongos tam-tam e feng, sansula-kalimba, Shruti box, ocarina, cabaça d'água e pau-de-chuva.[12][13] Sem se desvincular dos UHF, Ivan abraçou esse projeto experimental de vários estilos musicais partilhados pelos músicos, como são o chill out, jazz, world contemporâneo e Goa trance. Esses estilos são tocados através da mistura de um vasto conjunto de instrumentos de diferentes continentes e culturas proporcionando assim arranjos musicais únicos e originais, permitindo toda a liberdade de criação, como referiu Ivan:

O grande desafio deste projeto para ambos os músicos passa pelo improviso e pelas atuações únicas e nunca repetíveis que este tipo de composições sonoras permite fazer.[14]

Realizaram atuações em vários festivais e iniciativas culturais com concertos meditativos inspirados na consonância e expressão saudável dos cinco elementos da natureza.[15][16] Nas atuações os Moksha procuram despertar a sensibilidade e os sentidos do público presente proporcionando uma reflexão de corpo e alma rumo ao equilíbrio. Os elementos da banda referem "tratar-se de um encontro entre a música e a meditação que visa alcançar uma outra forma de escuta mais atenta", e acrescentam "cada um de nós poderá observar e vivênciar níveis mais profundos de presença e consciência através do poder do som e da viagem sonora".[17][13] O álbum de estreia Infinitune é composto por sete faixas e foi lançado no dia 16 de fevereiro de 2022.[11]

Participações[editar | editar código-fonte]

Ivan Cristiano contribuiu como baterista na gravação dos discos a solo de António Manuel Ribeiro: Sierra Maestra (2000),[18] Somos Nós Quem Vai Ganhar (2003)[1] e As Canções da Casa Escura (2021).[19] Participou também no álbum Amorexia (2008) dos Pó d'Escrer.[20]

Em 2009 António Côrte-Real, guitarrista dos UHF, convidou Ivan para participar como baterista num projeto de música experimental. A eles juntou-se Fernando Rodrigues (baixo), também dos UHF, e formaram o grupo Côrte-Real Trio. Com uma única participação em estúdio tocaram sem qualquer compromisso durante duas horas e meia, sem regras, de improviso e de uma forma descontraída. Dessa experiência resultou o álbum ACR3-Midnight in Lisbon (2010),[21] assumidamente experimental, e composto por dez temas instrumentais com algumas influências de Neil Young e Jimi Hendrix. Foi lançado pela Nuclear Records, mas foi no formato digital que o disco atingiu sucesso internacional na categoria de blues.[22]

Em 2010, Ricardo Soler, finalista do programa Operação Triunfo em 2007, estendeu o convite a Ivan Cristiano (bateria) e aos também músicos dos UHF António Côrte-Real (guitarra) e Fernando Rodrigues (baixo) para participarem na gravação do disco Portugal Acústico,[23] que reúne alguns dos sucessos da música pop rock portuguesa. Canções como "À Minha Maneira" (Xutos & Pontapés), "Matas-me com o Teu Olhar" (UHF), "Aprender a Ser Feliz" (Pólo Norte), "Leve Beijo Triste" (Paulo Gonzo) ou "Se Te Amo" (Quinta do Bill), revelam um disco intimista, em formato acústico e com novos arranjos.[24]

Em 2014, Pedro Galhoz, do projeto Pedro e Os Lobos, desafiou Ivan a participar no álbum Num Mundo Quase Perfeito.[25] Trata-se de um trabalho realista e puro, perdendo por vezes o equilíbrio das palavras e o politicamente correto, com letras desprovidas de grandes revestimentos. O título do disco é revestido de ironia, pois assenta num paralelismo em que se compara o mundo que temos com o que poderíamos ter.[26] Galhoz tornou a convidar Ivan para participar novamente como baterista no álbum Este Chão Que Pisamos (2016). Trata-se de um disco que sublinha um caminho musical esteticamente marcado pela interligação de várias culturas e linhas musicais na busca de uma sonoridade própria.[27]

Em 2018, Hugo Edgar, solista de guitarra portuguesa, convidou Ivan para participar no seu álbum Terras do Destino. É um disco que viaja desde o jazz até ao fado e carrega uma riqueza instrumental ímpar como o didgeridoo, guitarra portuguesa, bansuri, bateria, piano e baixo elétrico.[28]

A 17 de dezembro de 2021 foi editado o álbum XXV de Côrte-Real, em que Ivan participa em três dos dez temas que compõem o álbum. Um trabalho assumidamente rock gravado com toda a liberdade em estúdio, como refere Côte-Real: "Não pensámos em nada a não ser na música que gostamos. Fizemos o que queríamos."[29][30]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Ivan Cristiano colaborou como baterista nas seguintes edições discográficas:

Bloodshed
  • Endless Illusion (Demo, 1994)
Sirius[4]
  • Festival de Música Corroios 1996 (CD, 1996)
UHF[1][10]
António Manuel Ribeiro[1][18]
The Lithium[6]
  • Saturday Night Dance Fever (CD, 2002)
Manga[5]
  • Música Atómica Geradora de Ânimo (CD, 2003)
Pó d'Escrer[20]
  • Amorexia (CD, 2008)
Côrte-Real Trio[21]
  • ACR3-Midnight in Lisbon (CD, 2010)
Ricardo Soler[1]
  • Portugal Acústico (CD, 2010)
Pedro e Os Lobos[1]
  • Num Mundo Quase Perfeito (CD, 2014)
  • Este Chão Que Pisamos (CD, 2016)
Hugo Edgar[28]
  • Terras do Destino (CD, 2018)
Moksha Sound Journeys[11]
  • Infinitune (CD, 2022)

Trabalhos premiados[editar | editar código-fonte]

Com entrada na tabela oficial de vendas Ivan Cristiano colaborou como baterista nos seguintes álbuns dos UHF: Sou Benfica – As Canções da Águia (23º lugar), Absolutamente Ao Vivo (14º lugar), Porquê? (19º lugar), Ao Norte Unplugged (21º lugar), A Minha Geração (14º lugar), O Melhor de 300 Canções (7º lugar) e A Herança do Andarilho (18º lugar).[31][32]

O álbum ACR3-Midnight in Lisbon (2010) no formato digital, do projeto Côrte-Real Trio, alcançou o primeiro lugar na tabela do site da eMusic – uma das maiores lojas mundiais de música – na categoria de blues.[22]

Referências

  1. a b c d e f g h «Ivan Cristiano–Biography». Paiste Artist. Consultado em 23 de março de 2022 
  2. «Filhos da Rua NGA–Black Company». Issuu Inc: 7. Consultado em 12 de novembro de 2018 
  3. «Historial–Festival de Corroios». Festival de Música Moderna de Corroios. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  4. a b «Colectânea 1996 (CD)». Festival de Música Moderna de Corroios. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  5. a b «Música Atómica Geradora de Ânimo (CD)». Fonoteca C.M.Lisboa. Consultado em 15 de novembro de 2018 
  6. a b «Saturday Night Dance Fever (CD)». Sound Cloud. Consultado em 18 de novembro de 2018 
  7. Pedro Brinca. «Os UHF por conta própria». Setúbal Na Rede. Consultado em 23 de março de 2022. Arquivado do original em 3 de abril de 2015 
  8. Tiago Luz Pedro (27 de junho de 1999). «A farda do rock». Jornal Público: 1. Consultado em 23 de março de 2022 
  9. «Rock É! Dançando Na Noite (CD)». Fonoteca C.M.Lisboa. Consultado em 23 de novembro de 2020 
  10. a b Ribeiro, António (2014). Por Detrás do Pano. Avenida da Liberdade 166 1º andar 1250-166 Lisboa: Chiado Editora. p. 336. ISBN 978-989-51-2692-7 
  11. a b c «Moksha Sound Journeys». Amazon Music. 16 de fevereiro de 2022. Consultado em 23 de março de 2022 
  12. «Concertos a partir das 20h30». Festival Didgeridoo Faat 2019. Consultado em 23 de março de 2022 
  13. a b «Moksha». Portugal Handpan Festival. Consultado em 23 de março de 2022 
  14. «A cultura aberta inicia mais um ano de atividades em festa». Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro. Consultado em 23 de março de 2022. Arquivado do original em 4 de agosto de 2018 
  15. «Festival Didgeridoo muda-se para Santo Estêvão». Sul Informação. 12 de agosto de 2019. Consultado em 23 de março de 2022 
  16. «Portugal Handpan Festival 2020». Santarém Cultura. Consultado em 23 de março de 2022 
  17. «Alqueva e a festa das estrelas». Tribuna Alentejo. 7 de julho de 2018. Consultado em 23 de março de 2022 
  18. a b «Sierra Maestra (CD)». Fonoteca C.M.Lisboa. Consultado em 23 de novembro de 2020 
  19. «António Manuel Ribeiro–"As Canções da Casa Escura"». Antena 1–RTP. 28 de março de 2021. Consultado em 19 de abril de 2021 
  20. a b «Amorexia–Pó D'Escrer». Fonoteca C.M.Lisboa. Consultado em 12 de novembro 2018 
  21. a b «António Côrte-Real Trio–ACR3». Rastilho Records. Consultado em 12 de novembro de 2018. Arquivado do original em 2 de agosto de 2018 
  22. a b «Côrte-Real Trio nos Tops mundias». Palco Principal–Nucafe Records. 1 de junho de 2012. Consultado em 12 de novembro de 2018 
  23. Frederico Santos Silva (2010). «Portugal Acústico chega às Fnac». Jornal HardMúsica. Consultado em 12 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 2 de agosto de 2018 
  24. Daniel Pinto Lopes (13 de janeiro de 2011). «Ricardo Soler e António Côrte-Real juntos em 'Portugal Acústico'». Expressões Lusitanas. Consultado em 12 de novembro de 2018. Cópia arquivada em 5 de novembro de 2018 
  25. «Música Indie Folk–Pedro e Os Lobos». Viral Agenda. Consultado em 23 de novembro de 2020 
  26. Sara Quaresma Capitão (6 de outubro de 2014). «"Um Mundo Quase Perfeito"–Pedro e os Lobos». Mutante Magazine. Consultado em 12 de novembro de 2018 
  27. «Pedro e os Lobos–Cine Teatro Garrett–Povoa de Varzim». Eventbu. 10 de fevereiro de 2018. Consultado em 23 de novembro de 2020 
  28. a b «Fado nas Terras do Destino». Timpanas. 24 de janeiro de 2019. Consultado em 23 de novembro de 2020 
  29. «Côrte-Real apresenta o álbum de estreia XXV». Glam Magazine. 16 de dezembro de 2021. Consultado em 23 de março de 2022 
  30. «Côrte-Real XXV». Rastilho Records. Consultado em 23 de março de 2022 
  31. Luís Miguel Ferraz (23 de abril de 2009). «UHF tocam em Leiria». O Mensageiro: 5. Consultado em 12 de novembro de 2018 
  32. «UHF In Portuguese Charts». Hung Medien–Portuguese Charts. Consultado em 12 de novembro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]