António Carreira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

António Carreira, nasceu em Lisboa entre 1520 e 1530 e faleceu entre 1587 e 1597 (provavelmente por volta de 1592 e 1594). Foi um compositor português do Renascimento e Mestre da Capela Real.

Vida[editar | editar código-fonte]

António Carreira foi menino do coro, cantor da Capela Real, professor de canto, compositor e mestre da Capela Real portuguesa, em Lisboa. As suas composições (fantasia, tentos, canções) testemunham o seu domínio perfeito da linguagem contrapontísitca. A totalidade de suas composições para órgão encontram-se num manuscrito musical depositado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, o MM 242.

As poucas obras vocais do Mestre da Capela Real encontram-se em manuscritos em três bibliotecas: Na Biblioteca Nacional de Lisboa, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC), e na Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP). São elas: Dicebat Jesus, 4vv; Ecce positus est, 5vv; Jesu redemptor, 4vv; Stabat mater, 4vv; Surrexit Dominus, 5vv, Te Deum, [incompleto], 4vv.

Uma das mais interessantes e originais composições de Carreira é a Canção "Con qué la lavaré", em que o acompanhamento pelo órgão desta canção popular é escrito na forma de "Tento". Esta composição conta-se entre os primeiros exemplares portugueses de uma canção com acompanhamento instrumental escrito.

Acerca de António Carreira, a páginas 70, do seu tratado, diz-nos Pedro Talésio (1618), Arte de Canto Chão com huma breve instrucção, pera os sacerdotes, diaconos, subdiaconos, & moços de coro, conforme ao uso romano, Coimbra, Na Impressão de Diogo Gomez de Loureyro, p. 70: “[...] segundo observou (entre outras cousas que excellentemente acentuou & reformou) Antonio Carreira, Mestre dignissimo que foy da Capella Real de Sua Magestade em Lisboa, cuja opinião, como milhor & mais segura, vou d'ordinario seguindo na Instrucção do Presbytero, Diacono, Subdiacono, Moços de Coro, & na mayor parte dos Cantos chãos que aqui se acharão appontados, que sam os que me parecerão mais necessarios pera o ornato, e perfeição desta Arte presente, & pera o exercicio, & comodidade de todo Sacerdote & ministro Ecclesiastico. E tudo conforme se usa gêralmente no Officio Romano”.

Existem porém três músicos de nome António Carreira. A. Carreira (ca. 1530- ca. 1594), mestre da Capela Real teve um filho, com o seu nome, que era Eremita de S. Agostinho, e igualmente compositor. Ignora-se a data de nascimento, mas sabe-se que morreu no Convento da Graça, em Janeiro de 1599, vitima da peste, e que guardava o desejo de publicar as obras musicais de seu pai. As suas peças vocais estão num manuscrito intitulado "Livro de São Vicente de Fora" (pertença do fundo deste mosteiro), bem como no MM 40 da Biblioteca Pública Municipal do Porto (BPMP). São dele as seguintes obras: Gloria, laus, et honor, 4vv; Kyrie, 4vv; Missa ferial, 4vv; Paixão (Segundo S. Mateus), 4vv (também no MM 40 da BPMP); Paixão (Segundo S. Marcos), 4vv; Paixão (Segundo S. Lucas), 4vv; Paixão (Segundo S. João), 4vv (também no MM 40 da BPMP). Existem ainda 7 peças anónimas que lhe são atribuídas, de acordo com a análise estilística.

Existe também um terceiro António Carreira, ou António Carreira Mourão (m. 1637) que era sobrinho, do mestre da Capela Real. A Carreira Mourão foi concedida a vigararia de São Vitorino, e é referido também aqui como Mestre de Capela da Sé de Braga, na data de 6 de Maio de 1606. Carreira Mourão foi assim Mestre na Sé Catedral de Braga, e posteriormente na Sé Catedral de Santiago de Compostela (dando entrada ao serviço a 2 de Julho de 1613). Terá ocupado esta função até a data da sua morte, a 19 de Março de 1637. Sabemos igualmente que Carreira Mourão (ou Morán, na espanholização do apelido), era licenciado (talvez pela Universidade de Coimbra, ou pela Universidade de Évora), e que tinha ascendido à dignidade de cónego da Catedral de Santiago. Teve cinco filhos, sendo quatro religiosos (um deles também chamado António Carreira), excepto o primogénito. De Carreira Mourão chegaram-nos dois motetos, conservados na Sé Catedral de Santiago de Compostela.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Alvarenga, João Pedro de (2005), Polifonia Portuguesa Sacra Tardo-Quinhentista: Estudo de Fontes e Edição Crítica do Livro de São Vicente, Manuscrito P-LF FSVL 1P-H-6, 2 volumes, Tese de Doutoramento, Universidade de Évora, Policopiado.

Apel, Willi (1972), The History of Keybord Music To 1700, Bloomington/London, Indiana University Press. [pp. 195-196]

Bernardes, J. M. R. e Bernardes, I. R. S. (2003), Uma Discografia de Cds da Composição Musical em Portugal: Do Século XIII aos Nossos Dias, INCM. [100-104]

Dalton, James (1998), “Iberian organ music before 1700”, in Thistlethwaite, Nicholas e Webber, Geoffrey (ed.), The Cambridge Companion to the Organ, pp. 164-175, Cambridge, Cambridge University Press.

Kastner, Macário Santiago (1950), “Los manuscritos musicales n.º 48 y 242 de la Biblioteca General de la Universidad de Coimbra”, Anuário Musical, Barcelona, CSIC, vol. V, pp. 78-96.

Kastner, Macário Santiago (1966), “Vestigios de la Arte de Cabezón en Portugal”, Anuário Musical, Barcelona, CSIC, vol. XXI, pp. 105-121.

Kastner, Macário Santiago e Fernandes, Cremilde Rosado (1969), Antologia de Organistas do Séc. XVI, Portugaliae Musica, vol. XIX, Fundação Calouste Gulbenkian.

Kastner, Macário Santiago (1973), Kompositionen fur Tasteninstrumente: Antonio de Cabezón und Zeitgenossen, Antonio de Cabezón y Contemporáneos, Composiciones para Instrumentos de Tecla, Musikverlag Wilhelm Zimmermann.

Kastner, Macário Santiago (1973), “Orígenes y evolución del tiento para instrumentos de tecla”, Anuário Musical, Barcelona, vol. XXVIII, pp. 11-86. [ver em especial pp. 52-56]

Kastner, Macário Santiago (1979), Três Compositores Lusitanos: António Carreira, Rodrigues Coelho, Pedro de Araújo, Fundação Calouste Gulbenkian. [pp. 11-26]

Kastner, Macário Santiago (1980), “Carreira, António”, The New Grove Dictionary of Music and Musicians, London, MacMillan, volume 3, pp. 824-825.

Lessa, Elisa (1992), A Actividade Musical na Sé de Braga no Tempo do Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus (1588-1609), Tese de Mestrado em Ciências Musicais, Coimbra, Faculdade de Letras, Universidade de Coimbra, Policopiado [pp. 69-73].

López-Calo, José (1972), Catálogo musical del Archivo de la Santa Iglesia Catedral de Santiago, Cuenca, Instituto de Música Religiosa. [pp. 43-44 e pp. 323-324]

Mazza, José (1944-1945), Dicionário Biográfico de Músicos Portugueses, ed. e notas de José Augusto Alegria, Ocidente, Lisboa, Tipografia da Editorial Império.

Nery, Rui Vieira (1984), A Música no Ciclo da Bibliotheca Lusitana, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

Nery, Rui Vieira (1992), “António Carreira, o Velho, Fr. António Carreira e António Carreira, o Moço: Balanço de um Enigma por Resolver”, Livro de Homenagem a Macário Santiago Kastner, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, pp. 405-430.

Nery, Rui Vieira (2002), António Carreira: Tentos e Fantasias, Notas ao Disco de João Vaz, Lisboa, Portugaler, Audiopro Lda, Portugal, DDD 2004-2 SPA.

Oliveira, Filipe Santos Mesquita de (2011), A Génese do tento no testemunho dos manuscritos P-Cug MM 48 e MM 242: com uma edição crítica dos ricercari de Jacques Buus e das suas versões recompostas, Tese de Doutoramento, Évora, Universidade de Évora, Policopiado.

Pinho, Ernesto Gonçalves de (1981), Santa Cruz de Coimbra: Centro de Actividade Musical nos Sécs. XVI e XVII, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

Rees, Owen (1995), Polyphony in Portugal c. 1530-1620: Sources from the Monastery of Santa Cruz, Coimbra, New York and London, Garland Publishing, pp. 325-364.

Rees, Owen (2001), “Carreira, António”, The New Grove Dictionary of Music and Musicians, London, MacMillan, 2ª Edição, Volume 5, pp. 886-888.

Sousa, D. António Caetano de (1948), Provas da História Genealógica da Casa Real Portuguesa, ed. M. Lopes de Almeida e César Pegado, Tomo II, Parte II, Coimbra, Atlântida Livraria Editora. [p. 457 e p. 460]

Talésio, Pedro (1618), Arte de Canto Chão com huma breve instrucção, pera os sacerdotes, diaconos, subdiaconos, & moços de coro, conforme ao uso romano, Coimbra, Na Impressão de Diogo Gomez de Loureyro, p. 70.

Valença, Manuel (1990), A Arte Organística em Portugal: c. 1326-1750, volume I, Braga, Província Portuguesa da Ordem Franciscana.

Vasconcelos, Joaquim de (1870), Os Músicos Portuguezes: Biografia, Bibliografia, 2 volumes, Porto, Imprensa Portugueza.

Vieira, Ernesto (2007/1900), Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, Lisboa, Lambertini, Edição Facsimilada de Arquimedes Livros.

Viterbo, Francisco Marques de Sousa (1907), Os Mestres da Capella Real nos Reinados de D. João III e D. Sebastião, Lisboa, Separata do Arquivo Histórico Portuguez, volume 4. [pp. 20-30]

Viterbo, Francisco Marques de Sousa (1907), Os Mestres da Capella Real desde o dominio filipino (inclusivé) até D. José I, Lisboa, Extracto do Arquivo Histórico Portuguez, volume 5. [pp. 5-7]

Viterbo, Francisco Marques de Sousa (2008/1932), Subsídios para a História da Música em Portugal, Coimbra, Imprensa da Universidade, Edição Facsimilada de Arquimedes Livros.

Discografia Mínima[editar | editar código-fonte]

Hora, Joaquim Simões da (1994), Lusitana Musica: Órgãos Históricos Portugueses: Évora e Porto, Volume I, EMI Classics, AAD Digital remastering of LP 7497301 and LP 6540391, 777 7 547 55 2 4. [Contém a gravação de 5 Peças de Carreira].

Torrent, Montserrat (1971), Portugaliae Musica: Orgelwerke Des 16. Jahrhunderts: António Carreira, Manuel Rodrigues Coelho, Heliodoro de Paiva, Alemanha, Archiv, [LP, vinil], [Contém a gravação de 7 Peças de Carreira], Notas de Programa do disco: Macário Santiago Kastner, Gravado em Évora (Portugal), Catedral, 26. 6. 1970, 
Órgão construído em 1562, Este disco foi feito em colaboração com a Fundação Gulbenkian, Estúdio Musikhistorisches da Deutschen Grammophon Gesellschaft, Manufacturado pela Deutsche Grammophon, Hamburg, 
Imprimido na Alemanha, Contracapa inclui notas em Alemão, Inglês e Francês e registações do órgão, Número de Matriz (Lado A Run-out): ℗ 1971 A71 ◇V 00 2533 069 S1; Número de Matriz (Lado B Run-out): ℗ 1971 A71 ◇V 00 2533 069 S2.

Vaz, João (2002), António Carreira: Tentos e Fantasias, Portugaler, Audiopro Lda, Lisboa, Portugal, DDD 2004-2 SPA. [Contém a gravação de 15 Peças de Carreira].

Lista das Obras para Tecla de António Carreira[editar | editar código-fonte]

1- Tento a Quatro em Fá

2- Primeiro Tento a Quatro em Sol

3- Segundo Tento a Quatro em Sol

4- Tento a Quatro sobre o Vilancico “Con qué la lavaré”

5- Primeira Fantasia a Quatro de 8º Tom

6- Tento a Quatro em Ré

7- Terceiro Tento a Quatro em Sol

8- Tento a Quatro de 2º Tom

9- Canção a Quatro Glosada [Esta Peça está Anónima no Manuscrito]

10- Tento a Quatro sobre um Tema de Canção

11- Segunda Fantasia a Quatro de 8º Tom [Esta Peça está Anónima no Manuscrito]

12- Fantasia a Quatro em Lá-Ré

13- Quarto Tento a Quatro em Sol

14- Outro Tento a Quatro de 8º Tom sobre um Tema de Canção

15- Fantasia a Quatro em Ré

16- Terceira Fantasia a Quatro de 8º Tom

17- Fantasia a Quatro de 1º Tom

18- Fantasia a Quatro de 4º Tom [Esta Peça está Anónima no Manuscrito]

19- Tento com Cantus Firmus a Cinco

20- Ave Maria, a Quatro [Esta Peça está Anónima no Manuscrito]

21- Sexti Toni, Fantasia a Quatro

22- Tento a Quatro de 7º Tom [Esta Peça está Anónima no Manuscrito]

23- Quartus Tonus, Fantasia a Quatro

24- Obra a Quatro sobre Cantus Firmus [Esta Peça está Anónima no Manuscrito]

25- Fabordões (8 Fabordões) [Esta Peça está Anónima no Manuscrito]

26- Tento a Quatro em Lá-Ré.


Wiki letter w.svg Este artigo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o. Editor: considere marcar com um esboço mais específico.