José Antônio Rezende de Almeida Prado

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Almeida Prado
Informação geral
Nome completo José Antônio Rezende de Almeida Prado
Nascimento 8 de fevereiro de 1943
Origem Santos, São Paulo
País  Brasil
Data de morte 21 de novembro de 2010 (67 anos)
Gênero(s) Erudito
Ocupação(ões) Compositor
Instrumento(s) Piano
Influência(s) Heitor Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Osvaldo Lacerda, Olivier Messiaen

José Antônio Rezende de Almeida Prado (Santos, 8 de fevereiro de 1943São Paulo, 21 de novembro de 2010) foi um compositor e pianista brasileiro, membro da Academia Brasileira de Música, considerado um dos maiores expoentes da música erudita no Brasil.[1]

Formação[editar | editar código-fonte]

Estudou no Brasil com Dinorá de Carvalho[2] (piano), Osvaldo Lacerda (harmonia) e Camargo Guarnieri (composição).

Após conquistar o primeiro prêmio no "I Festival de Música da Guanabara" em 1969,[3] pela cantata "Pequenos Funerais Cantantes", sobre um texto de sua prima, a poeta Hilda Hilst, prosseguiu seus estudos na Europa. Estudou com Nadia Boulanger e Olivier Messiaen em Paris entre 1970 e 1973, além de uma breve permanência em Darmstadt para estudar com György Ligeti e Lukas Foss.

Atividades profissionais[editar | editar código-fonte]

Voltou para o Brasil em 1974, assumindo o cargo de professor no "Conservatório Municipal de Cubatão". Pouco tempo depois foi contratado pelo então reitor da Unicamp, Zeferino Vaz, para ser professor do curso de música do Instituto de Artes da universidade, na qual lecionou por 25 anos, até sua aposentadoria em 2000.

Também em 2000, por encomenda do Ministério da Cultura, compôs a obra Cartas Celestes n°8 para violino e orquestra, em comemoração dos 500 anos da Descoberta do Brasil.[4]

Em janeiro de 2007, estreou no Carnegie Hall a sua peça Hiléia - Um Mural da Amazônia, uma cantata para baixo e orquestra, inspirada no poema homônimo de Ives Gandra Martins, com a Orquestra Bachiana Filarmônicade São Paulo regida pelo maestro brasileiro João Carlos Martins.

Em 2010 residia em São Paulo, onde ministrava alguns cursos de análise musical e cursos sobre sua obra, além de apresentar um programa de música contemporânea, Kaleidoscópio, na rádio Cultura FM.

O compositor e pianista tinha uma saúde frágil, em decorrência de diabetes. Foi internado em um hospital de São Paulo, depois de sofrer uma parada cardiorrespiratória. Faleceu dez dias depois, na manhã de 21 de novembro de 2010, aos 67 anos de idade, vítima de um edema pulmonar agudo.[5] [6] .

Obra parcial[editar | editar código-fonte]

  • Música orquestral: Cidade de São Paulo (1981); Sinfonia dos orixás (1985-86); Sinfonia Apocalipse (1987); Variações concertantes para marimba, vibrafone e cordas (1984); Concert Fribourgeois (1985) e Concerto para piano e orquestra (1983).
  • Música coral: Ritual para a Sexta-feira Santa para coro e orquestra (1966); Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (1967); Pequenos funerais cantantes para coro, solistas, orquestra (1969); Carta de Patmo para coro, solista e orquestra (1971); Thèrèse ou l’Amour de Dieu para coro e orquestra (1986); Cantata Bárbara Heliodora para solistas, coro misto e orquestra de câmara (1987); Cantata Adonay Roi Loeçar para solistas, coro e orquestra de câmara.
  • Música instrumental: Sonata para violoncelo (1980); Três Sonatas para violino e piano; Sonata para viola e piano (1983); Réquiem para a paz (1985); Sonata para flauta e piano (1986); Trio marítimo para violino, viola e piano (1983); Livro mágico de Xangô para violino e violoncelo (1984).
  • Música para piano: Cartas Celestes (1974, 1982-83, 1985), considerada uma das grandes obras pianísticas do século XX; Sonatas; Noturnos; Prelúdios; Momentos; Rios; Ilhas; Itinerário idílico e amoroso ou Livro de Helenice (1976); Rosário de Medjugorje (1987); Três Croquis de Israel (1989); Quinze Flashes de Jerusalém (1989). Outras obras, como Dezesseis Poesilúdios para piano (1983-1985).

Ao todo, Almeida Prado criou mais de 300 obras, parte das quais foi publicada pela editora alemã Tonos Musikverlags.

Referências

  1. Bitondi, Matheus G. Um mestre da música contemporânea no Brasil (em português) Trópico. UOL. Página visitada em 11 de outubro de 2010.
  2. Professora, compositora e pianista, nascida em Uberlândia em 1895 e falecida em São Paulo, em 1980. Estudou em Paris e apresentou-se em diversos países da Europa e América. Sua obra foi executada por nomes como Guiomar Novaes, Bidu Sayão, Camargo Guarnieri, Souza Lima e Eleazar de Carvalho.
  3. Almeida Prado (em português) Academia Brasileira de Música. Página visitada em 11 de outubro de 2010.
  4. Morre o compositor e pianista Almeida Prado, por Thaís Nucci. Cosmo, 22 de novembro de 2010.
  5. SP: pianista José Antônio de Almeida morre aos 67 anos. Portal Terra, 21 de novembro de 2010.
  6. Compositor Almeida Prado morre aos 67 anos em SP. Último segundo, 21 de novembro de 2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Academia Brasileira de Música
  • Expressividade intervalar nos Poesilúdios de Almeida Prado (em português), pesquisa e dissertação de Mestrado realizada na Universidade de Brasília (UnB, 2007-2009) por Edson Hansen Sant ' Ana. O autor deste trabalho foi aluno em Composição de Almeida Prado na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) entre 1992 a 1995. É professor e compositor, atuando no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT). É doutorando pelo Programa de Pós Graduação em Música da UNESP.
  • Expressividade intervalar no Poesilúdio n.º 13 de Almeida Prado (SANT ' ANA, 2009). Conceituação desenvolvida a partir de considerações de Almeida Prado. Uma ampliação dessas considerações em busca de formar um corpus de entendimento da ordem dos materiais construídos a partir da lógica de intervalos. O intervalo recursivo entendido também como marca indelével no aspecto de conferir unidade e coesão da peça.
  • Almeida Prado: aspectos contextuais relevantes à ruptura e à direcionalidade estética nas fases subsequentes (SANT ' ANA, 2012). Estudo que aborda aspectos do contexto sócio cultural no que tange a direcionalidade estética na composição de Almeida Prado a partir das influências de seus mestres e professores. Aponta o momento de cisão e ruptura estética que o leva à estabilização de um corpo poético e resulta nas produções composicionais significativas a partir da segunda fase pós-tonal às fases subsequentes.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]