Bem-te-vi

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Pitangus sulphuratus 3.jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Família: Tyrannidae
Género: Pitangus
Espécie: P. sulphuratus
Nome binomial
Pitangus sulphuratus
(Linnaeus, 1766)
Sinónimos
Saurophagus sulphuratus Swainson, 1832

O bem-te-vi (português brasileiro) ou grande-kiskadi (português europeu) é uma ave passeriforme da família dos tiranídeos de nome científico Pitangus sulphuratus, que provêm de pitanga guassu, ou seja, pitanga grande, forma pela qual os índios brasileiros tupi-guarani o chamavam; e do latim sulphuratus, pela cor amarela como enxofre no ventre da ave. A espécie é ainda conhecida pelos índios como pituã, pitaguá ou puintaguá. Outras apelações existentes são triste-vida, bentevi, bem-te-vi-verdadeiro, bem-te-vi-de-coria, tiuí, teuí, tic-tiui e siririca (somente para fêmeas). A versão portuguesa da palavra se assemelha com a anglófona: great kiskadee. Na Argentina é conhecido como bichofeo, vinteveo e benteveo; na Bolívia como frío; e na Guiana Francesa como quiquivi ou qu'est-ce qu'il dit.1

Os únicos representantes do género Pitangus eram o bem-te-vi e a espécie Pitangus lictor,2 porém atualmente só uma espécie enquadra-se neste género, o próprio bem-te-vi. A espécie Pitangus lictor agora é sinonímia da atual Philohydor lictor, o bem-te-vizinho.3

A escrita bentevi não é reconhecida pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.4

Medindo cerca de 23,5 cm, caracteriza-se principalmente pela coloração amarela viva no ventre e uma listra branca no alto da cabeça, além do canto que nomeia o animal. Considerado um dos pássaros mais populares do Brasil, é um dos primeiros a vocalizarem ao amanhecer.

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Bem-Te-Vi.jpg

Constitui em uma ave de médio porte, medindo entre de 22 e 25 cm de comprimento para aproximadamente 60 gramas. Tem uma coloração parda no dorso; amarela viva na barriga; uma listra (sobrancelha) branca no alto da cabeça, acima dos olhos; cauda preta. O bico é preto, achatado, longo, resistente e um pouco encurvado. A garganta (zona logo abaixo do bico) é de cor branca. Não há dimorfismo sexual entre a espécie.

Ocorrência[editar | editar código-fonte]

É uma ave típica da América Latina, com uma distribuição geográfica que se estende predominantemente do sul do México à Argentina, uma área estimada em 16.000.000 km².5 Entretanto, pode também ser encontrada no sul do Texas e na ilha de Trinidad. Foi introduzida nas Bermudas em 1957, importadas de Trinidad,6 e na década de 1970 em Tobago. Nas Bermudas, são a terceira espécie de ave mais comum, podendo atingir densidades populacionais de 8 a 10 pares por hectare.7

É um habitante bem conhecido em todas as regiões brasileiras, podendo ser encontrado em cidades, matas e ambientes aquáticos como lagoas e rios. Pode-se vê-lo facilmente cantando em fios de telefone, em telhados ou banhando-se nos tanques ou chafarizes das praças públicas. Como podemos ver, possui grande capacidade de adaptação.

É uma das aves mais populares no Brasil. Anda geralmente sozinho, mas pode ser visto em grupos de três ou quatro que se reúnem habitualmente em antenas de televisão.

Lista de países e locais onde pode ser encontrado
Argentina Belize Bermudas Bolívia Brasil Chile
Colômbia Costa Rica Equador El Salvador Ilhas Malvinas Guiana Francesa
Guatemala Guiana Honduras México Nicarágua Panamá
Paraguai Peru Geórgia do Sul Sanduíche do Sul Suriname Trinidad e Tobago
Estados Unidos Uruguai Venezuela

Para uma melhor visualização da sua área de distribuição poderá consultar este mapa (nota: ocorrência/ausência por país/região e não área de distribuição concreta). A ave não ocorre nem na costa ocidental da América do Sul nem no extremo sul (exemplo: Terra do Fogo).

Canto[editar | editar código-fonte]

Sound-icon.png Escutar o canto

O seu canto trissilábico característico enuncia as sílabas BEM-te-VI, que dão o nome à espécie. Portanto, seu nome popular possui origem onomatopéica. Seu canto pode ser também dissilábico, emitindo um BI-HÍA ou ainda monossilábico, quando escutamos um TCHÍA.

Os cantos têm sonoridades diferentes consoante o local. É uma das razões de serem utilizados vários nomes comuns para esta espécie.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Ovos de Bem-te-vi
Bem-te-vi enfrentando um gavião.
Um bem-te-vi se alimentando de uma banana

Constrói o ninho com pequenas ramas de vegetais em galhos de árvores geralmente bem cerradas. Pode inclusive utilizar para construir o seu ninho, sobretudo em zonas urbanas, material de origem humana: papel, plástico e fios. Seu ninho tem uma forma fechada e esférica com a entrada na parte lateral (diferentemente dos ninhos em forma de xícara, a entrada é pelo lado), medindo cerca de 25 cm de diâmetro, geralmente é construído no topo de árvores altas, na forquilha de um galho, mas é muito comum também vê-lo nas cavidades dos geradores de postes, podendo ficar entre 3 e 12 m do solo.

Além de construir o ninho o casal divide as tarefas de cuidar da prole. Na época do acasalamento próximo ao ninho, macho e fêmea cantam em dueto, batendo as asas ritmicamente.8

Põe cerca de três a quatro ovos cônicos e brancos com pintinhas pretas (lembrando ovos de codorna). Eles são brancos logo após a postura, mas após um tempo passam a ficar amarelados. Os ovos medem 31 x 21 milímetros e são incubados pelo casal. São cônicos com pintinhas pretas como os ovos de codorna, após a eclosão seu desenvolvimento é altricial (nasce quase sem penas com olhos fechados, não voa nem anda): 9

Época de reprodução: setembro a dezembro.
Número de ovos: 3 a 4 ovos.
Incubação:17 dias.

São aves monogâmicas e quando da nidificação o território circundante ao ninho é defendido vigorosamente, podendo vir a ser agressivo com outros pássaros e até mesmo outros animais ao se sentir ameaçado. Por esta razão que faz parte da família dos tiranídeos (de tirano). É comum vê-los dando rasantes em aves de rapina (principalmente gaviões) que entram no seu território.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Possui uma variada alimentação. É insetívoro, podendo devorar centenas de insetos diariamente. Mas também come frutas (como bananas, mamões, maçãs, laranjas, pitangas e muitas outras, flores de jardins, minhocas, cobras, pequenas cobras, lagartos, crustáceos, além de peixes e girinos de rios e lagos de pouca profundidade. Costuma comer parasitas (carrapatos) de bovinos e equinos. Atrapalha a apicultura por ser predador de abelhas. Apesar de ser mais comum vê-lo capturar insetos pousados em ramos, também é comum atacá-los durante o vôo.

Em suma, é uma ave que está sempre descobrindo novas formas de alimento. Devido ao seu regime alimentar generalista, por vezes poderá ajudar a controlar pragas de insectos, como por exemplo, sabe-se que esta ave se alimenta de répteis do género Anolis. Estes répteis, por sua vez, alimentam-se de escaravelhos predadores de insectos. A ave, ao fazer diminuir o número de répteis, fará com que sobrevivam mais escaravelhos, que aumentando o seu número, poderão controlar (diminuir) o número das suas presas (neste caso, insectos, que poderão em certas circunstâncias serem consideradas pragas, prejudicando as actividades humanas).7

Como é uma ave de hábitos que se adaptam muito rapidamente pode, também, se alimentar da ração de cachorros, gatos, e outros animais de estimação.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Tem um importante papel na dispersão de sementes. Em áreas de cerrado do estado de São Paulo, é uma das aves mais importante na dispersão de sementes da espécie Ocotea pulchella Mart.10

Em certas regiões poderá ser migratória.

Segundo a Lista Vermelha de Espécies ameaçadas da IUCN, esta ave tem um estado de conservação de Segura ou pouco preocupante (Least Concern) 11 . A população mundial está estimada em 5.000.000 a 50.000.000 indivíduos (Rich et al. 2003).

Subespécies[editar | editar código-fonte]

Um bem-te-vi se banhando.

Segundo a Avibase - The World Bird Database as subespécies são:

  • Pitangus sulphuratus argentinus
  • Pitangus sulphuratus bolivianus
  • Pitangus sulphuratus caucensis
  • Pitangus sulphuratus derbianus
  • Pitangus sulphuratus guatimalensis
  • Pitangus sulphuratus maximiliani
  • Pitangus sulphuratus rufipennis
  • Pitangus sulphuratus sulphuratus
  • Pitangus sulphuratus texanus
  • Pitangus sulphuratus trinitatis

Denominações noutras línguas[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. (em francês) Armand Massé (1878-1884), Journal, Volume 2, publicado como De la Vendée aux Caraïbes, Armand Massé, Dominique Rézeau, 1995, L'Harmattan, p. 364.
  2. BirdLife Internacional
  3. FRISH, JOHAN DALGAS e FRISH, CHRISTIAN DALGAS. Aves Brasileiras e Plantas que as Atraem. 3ª ed. São Paulo, SP. 2005.
  4. Sistema de Normalização de Documentos da UnB
  5. IUCN Red List of Threatened Species: Pitangus sulphuratus
  6. Bermuda's Fauna
  7. a b Hsiao, A. 2001. "Pitangus sulphuratus" (On-line), Animal Diversity Web. Acesso a 17 de julho de 2006 em http://animaldiversity.ummz.umich.edu/site/accounts/information/Pitangus_sulphuratus.html.
  8. http://www.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/Animais_JD_Botanico/aves/aves_biologia_geral_ninhos.htm
  9. http://www.ibb.unesp.br/Museu_Escola/Ensino_Fundamental/Animais_JD_Botanico/aves/aves_biologia_geral_ninhos.htm
  10. FRANCISCO, MERCIVAL R. and GALETTI, MAURO. Birds as potential seed dispersers of Ocotea pulchella Mart. (Lauraceae) in a cerrado area from southeastern Brazil. Rev. bras. Bot. [online]. Mar. 2002, vol.25, no.1 [acesso em 17 de julho de 2006], p.11-17. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-84042002000100003&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0100-8404.
  11. (em inglês) {{{assessores}}} (2004). [1]. 2006 IUCN Red List of Threatened Species. IUCN 2006. Acesso a 18 de junho de 2006.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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