Isabel de Espanha, Princesa das Astúrias

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Isabel de Bourbon
Infanta de Espanha
Princesa das Astúrias
Princesa das Duas Sicílias
Condessa de Girgenti
Cônjuge Caetano de Bourbon-Duas Sicílias
Casa Bourbon
Pai Francisco I de Espanha
Mãe Isabel II de Espanha
Nascimento 20 de Dezembro de 1851
Madrid, Espanha
Morte 23 de abril de 1931 (79 anos)
Paris, França
Enterro Palácio Real de La Granja de San Ildefonso, Espanha
Infanta Isabel aos treze anos de idade.

Maria Isabel Francisca de Assis de Bourbon e Bourbon (em espanhol María Isabel Francisca de Asís de Borbón y Borbón) (Madrid, 20 de dezembro de 1851 - Paris, 23 de abril de 1931), chamada La Chata, foi Infanta de Espanha, Princesa das Astúrias, herdeira presuntiva da coroa em dois períodos (1851-1857 e 1875-1880), além de Princesa das Duas Sicílias e Condessa de Girgenti pelo casamento.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Família[editar | editar código-fonte]

Isabel foi a primogênita da rainha Isabel II de Espanha e do príncipe consorte Francisco de Assis de Bourbon, duque de Cádiz (que, após o nascimento de Isabel, assumiu o título de rei consorte, como Francisco I de Espanha). Seus avós maternos foram o rei Fernando VII de Espanha e Maria Cristina de Bourbon-Duas Sicílias (filha de Francisco I das Duas Sicílias); enquanto seus avós paternos foram o infante Francisco de Bourbon e Borbon-Parma, Duque de Cádiz (filho mais novo de Carlos IV de Espanha) e Luísa Carlota de Bourbon-Duas Sicílias (também filha de Francisco I das Duas Sicílias).

Princesa das Astúrias[editar | editar código-fonte]

Em meio a tumultos carlistas e revoltas esporádicas, Isabel foi imediatamente reconhecida como herdeira do trono de sua mãe, através da concessão do tradicional título do Principado das Astúrias. A princesa ostentou esse título até 28 de novembro de 1857, quando nasceu seu primeiro irmão varão, o príncipe Afonso Francisco, sendo reservado a ela o título de Infanta de Espanha e a segunda posição na linha sucessória.

Com a ascensão de Afonso XII de Espanha, em 1875, aos 24 anos de idade, solteiro e sem filhos, Isabel retornou à posição de Princesa das Astúrias. Mas ela perdeu esse direito, definitivamente, em 1880, após o nascimento do primeiro filho de Afonso, Maria das Mercedes, Infanta de Espanha, a próxima herdeira presuntiva.

Casamento e primeiro exílio[editar | editar código-fonte]

Isabel e seu marido, o príncipe Caetano das Duas Sicílias

Isabel casou-se em Madrid, em 13 de maio de 1868, com um primo de seus pais, o príncipe Caetano de Bourbon-Duas Sicílias, filho do rei Fernando II das Duas Sicílias e de sua segunda esposa, Maria Teresa de Áustria-Teschen, arquiduquesa da Áustria. Com o matrimônio, Caetano foi nomeado Infante de Espanha.

Foi um casamento de conveniência, realizado para selar a paz entre a Espanha e a destronada família do extinto Reino das Duas Sicílias, pois as relações entre os primos estavam estremecidas desde que os Bourbon espanhóis reconheceram a unificação italiana no recém criado reino chefiado pela Casa de Sabóia.

O casal nunca teve uma relação de afeto e a união não gerou filhos. Durante a viagem de núpcias, a infanta tomou conhecimento da Revolução de 1868 (chamada La Gloriosa), que expulsou sua mãe do trono e da Espanha. Efetivamente, a princesa só foi autorizada a pisar em território espanhol seis anos depois, com a restauração monárquica de 1874.

Viuvez[editar | editar código-fonte]

Caetano pouco se dedicou à esposa, preferindo viajar pela Europa em visitas a seus familiares nos dois anos que sucederam o casamento. De comportamento soturno, destoava completamente do príncipe alegre e expansivo que costumava ser antes da unificação italiana. Atormentado e deprimido com sua saúde frágil e as constantes crises de epilepsia (doença que não foi mencionada durante as negociações de casamento), Caetano suicidou-se com um tiro na cabeça, aos vinte e oito anos de idade, em 26 de novembro de 1871, num quarto de hotel em Lucerna, na Suíça. Viúva aos dezenove anos de idade, Isabel jamais voltou a se casar e vestiu luto pelo resto de seus dias.

A Infanta em sua velhice.

Segundo exílio[editar | editar código-fonte]

Com a instauração da Segunda República Espanhola, em 14 de abril de 1931, o rei Afonso XIII, sobrinho de Isabel, renuncia aos seus direitos e parte para o exílio. A infanta gozava de grande simpatia na Espanha, especialmente entre a população de Madrid; e foi graças à sua imensa popularidade que as novas autoridades republicanas não a obrigaram a deixar o país, juntamente com sua família. Mesmo assim, a quase octogenária princesa, decidiu acompanhar seus familiares no exílio, na França.

Morte[editar | editar código-fonte]

O advento da Segunda República foi um duro golpe para a infanta Isabel. Desgostosa e com a saúde abalada, morreu de causas naturais num convento próximo a Paris, em 23 de abril de 1931, cinco dias após ter abandonado a Espanha.

Em 1991 o rei Juan Carlos I ordenou o traslado de seus restos mortais para a Espanha. A ex-Princesa das Astúrias foi finalmente sepultada na capela do Palácio Real de La Granja de San Ildefonso, junto aos túmulos do rei Filipe V e de sua esposa, a rainha Isabel Farnésio. A escolha do local se deve a identificação que a infanta sempre teve com aquela residência real, onde passava férias e organizava reuniões com mulheres da alta nobreza nos jardins apelidados de Pequena Versalhes.

Nota[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  • RUBIO, María José. La Chata. La Infanta Isabel de Borbón y la Corona de España. Madrid, La Esfera de los Libros, 2003.
  • ORTEGA-MOREJÓN, José Mª de. Doña Isabel de Borbón, infanta de España. Madrid, Ediciones Aspas, 1943.

== Ver também ==[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Isabel de Espanha, Princesa das Astúrias