Música pop

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Música pop
Origens estilísticas R&BJazzDoo-wopFolclóricaDanceClássicaRock and roll
Contexto cultural Anos de 1950 nos Estados Unidos e no Reino Unido
Instrumentos típicos VozGuitarra elétricaBaixo elétricoBateriaTecladosViolão acústicoPianoSintetizadorMáquina de ritmosSequenciadorSampler • Uso ocasional de diversos outros instrumentos
Popularidade Contínua em todo mundo desde seu surgimento
Subgêneros
BarrocaBubblegumCristãDance-popElectropopEuropopIndie popOperáticaPower popSophisti-popSpace age popSunshine popSynthpopTeen popTradicionalTrilha sonora
Gêneros de fusão
Country popBubblegumDiscoDream popHip popIndie popJangle popPop punkPop rockPsicodélicaTechnopopUrban popWonky pop

A música pop (em inglês: pop music; um termo que deriva da abreviação de "popular") é geralmente entendida como a música gravada para fins comerciais, muitas vezes direcionada a uma audiência juvenil e que em sua maioria consiste de canções relativamente curtas e simples com o uso de inovações tecnológicas.

Definições[editar | editar código-fonte]

Os escritores David Hatch e Stephen Millward definem a música pop como "um conjunto musical que é distinguível da música popular, folclórica e do jazz".[1] Embora seja normalmente vista como orientada às tabelas de sucessos, não abrange todas as listas de canções mais vendidas, que sempre tiveram obras de diversas origens como a clássica, o jazz, o rock e faixas humorísticas, ao passo que é um gênero notado como separadamente contínuo e em desenvolvimento.[2] Assim, a "música pop" pode ser usada para descrever um gênero distinto, visado a um público jovem e caracterizado como uma versão mais leve do rock and roll.[3]

Origem do termo[editar | editar código-fonte]

O termo "canção de pop" tem registro de uso do ano de 1926, no sentido de uma obra musical "com um apelo popular".[4] Hatch e Millward indicam que muitos eventos na história da música nos anos de 1920 podem ser vistos como o nascimento da moderna indústria de música pop, incluindo na country, no blues e na old-time music.[5]

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Grupos como The Beatles (à esquerda), Rolling Stones (ao centro) e ABBA (à direita) tinham como característica da música pop a de concertos a amplas audiências com suas canções contrapostas à clássica.

De acordo com o Grove Music Online, o termo "música pop" "foi criado no Reino Unido em meados dos anos de 1950 como uma descrição para o rock and roll e os novos estilos musicais juvenis que influenciou...".[6] O The Oxford Dictionary of Music afirma que ao passo que a pop "tinha um significado inicial de concertos recorrentes a uma ampla audiência (...) desde o final daquela década, entretanto, o gênero tinha uma conotação especial de música não-clássica, geralmente na forma de canções, interpretadas por artistas como The Beatles, Rolling Stones, ABBA, etc".[7] A fonte também declara que "(...) no início dos anos de 1960, [o termo] 'música pop' competiu de forma terminológica com a beat [na Inglaterra], enquanto que nos Estados Unidos sua cobertura sobrepôs-se com a do rock and roll".[6] O Chamber's Dictionary menciona o uso contemporâneo da expressão "pop art", da mesma forma que o Grove Music Online declara que "a música pop (...) parece ter sido uma continuação dos termos da pop art e da cultura pop, inventados um pouco antes e referenciando-se a uma completa cadeira de novos produtos de meios de cultura geralmente americana".[8] [6]

A partir de 1967, o termo foi crescentemente usado em oposição ao do rock, uma divisão que gerou um significado geral às duas expressões.[9] Enquanto o rock desejava a autencidade e uma expansão das possibilidades da música popular, o pop era mais comercial, efêmero e acessível.[10] De acordo com o sociomusicologista Simon Frith, a música pop é produzida "como uma questão de empreendimento, não de arte", é "desenvolvida para agradar a todos" e "não vem de um lugar específico nem delimita a um gosto particular". Não "é direcionada a um desejo significativo, mas sim o de lucro e de recompensa comercial. (...) e, em termos musicais, é basicamente conservador" e "é fabricada por um grupo financeiro (gravadoras, programadores de rádios e patrocinadores de eventos) ao invés de uma elaboração de baixo custo. (...) A pop não é um gênero independente, mas sim profissionalmente produzido e distribuído".[11]

Influências e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Durante seu desenvolvimento, a música pop foi influenciada pela maioria dos outros gêneros populares. Seu início foi caracterizado pela forma da balada sentimental, obtendo o uso de harmonias vocais da evangélica e do soul, a instrumentação do jazz, da country e do rock, a orquestração da clássica e o andamento da dance music, sendo sustentada pela eletrônica e por elementos rítmicos do hip hop e recentemente apropriou-se de passagens faladas do rap.[3]

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Madonna, Rotterdam, 26-8-1987.jpg
Michael Jackson (à esquerda) e Madonna (à direita) foram alguns dos artistas favorecidos pelo surgimento do canal televisivo MTV nos anos de 1980 pela atração visual que transmitiam.

O gênero também fez uso de inovações tecnológicas. Nos anos de 1940, o design do microfone aperfeiçoado permitiu um estilo de canto mais pessoal[12] e uma ou duas décadas depois, gravações de 45 rotações por minuto mais baratas e duráveis para canções lançadas como singles "revolucionaram a maneira na qual a pop foi disseminada" e auxiliou a inserir músicas de pop em sistemas de fonografia, rádio e filmes.[12] Outra mudança tecnológica foi a larga disponibilidade da televisão nos anos de 1950: com apresentações televisionadas, "estrelas de pop tinham de ter uma presença visual". Nos anos de 1960, a iniciação de rádios portáteis e baratos fez com que adolescentes pudessem ouvir música fora de casa.[12] A gravação multicanal (da década de 1960) e a extração da melodia de outras músicas (da de 1980) foram também utilizadas como métodos para a criação e a elaboração da música pop.[3] No início dos anos de 1980, sua divulgação foi altamente afetada pela ascensão de canais televisivos musicais como a MTV, que "favoreceu aqueles artistas como Michael Jackson e Madonna que possuíam grande apelo visual".[12]

A música pop foi dominada pelas indústrias musicais americana (a partir de meados dos anos de 1960) e britânica, cuja influência fez dela algo de uma monocultura internacional, mas a maioria de regiões e nações têm a sua própria forma do gênero, às vezes produzindo versões locais de tendências mais amplas e dando a elas características das suas terras de origem.[13] Algumas destas tendências (por exemplo, o subgênero europop) tiveram um impacto significante para o desenvolvimento da pop.[3]

De acordo com o Grove Music Online, "estilos de pop derivados do Ocidente, se coexistem com ou marginalizam distintamente gêneros locais, têm espalhado-se por todo o mundo e vieram a formar denominações de estilo comuns nas culturas musicais a nível do comércio global".[14] Algumas culturas orientais como a japonsesa criaram uma indústria de música pop próspera, da qual grande parte é devota à ocidental, e produziram uma quantidade de música maior do que em qualquer lugar, exceto nos Estados Unidos.[14] A expansão do estilo de pop ocidental foi interpretada variadamente como representante de processos de americanização, homogenização, modernização, apropriação criativa, imperialismo cultural e ou um método mais geral de globalização.[14]

Características[editar | editar código-fonte]

Musicologistas geralmente identificam as características seguintes como normais ao gênero de música pop:

  • Um objetivo de atração a um público geral ao invés de a uma subcultura específica ou uma ideologia;[3]
  • Uma ênfase no artesanato em vez das qualidades "artísticas" padronizadas;[3]
  • Uma ênfase na gravação, na produção e na tecnologia em vez de apresentações ao vivo;[10]
  • Uma tendência de refletir tendências atuais a desenvolvimentos contínuos;[10]
  • Muito da música pop é feito em função de dançar ou usa batidas e ritmos destinados à dança.[10]

O ponto principal da música pop é a canção, normalmente entre dois ou três minutos e meio de duração e marcada por um elemento rítmico consistente e perceptível, por um estilo dominante e por uma estrutura tradicional simples.[15] Variantes comuns incluem a forma verso-e-refrão e a de versos curtos, que focam nas melodias e batidas cativantes, com um refrão que contrasta-se melodica, ritmica e harmonicamente em relação ao verso.[16] A produção e as melodias tendem a ser simples, com um acompanhamento harmônico limitado.[17] As letras das canções de pop modernas tipicamente focalizam-se em assuntos comuns — comumente o amor e relacionamentos afetivos —, embora haja exceções notáveis.[3]

A harmonia na música pop geralmente é "como a da tonalidade europeia clássica, só um pouco mais simples".[18] Clichês incluem a harmonia a capela (isto é, o movimento de uma harmonia secundária a uma dominante e consequentemente a uma tônica) e à escala pentatônica influenciada pelo blues.[19] "A inserção de paradigmas de círculos de quintas decaiu desde meados dos anos de 1950. As linguagens harmônicas do rock e do soul distanciaram-se da influênca abrangente da função dominante. (...) Há outras tendências (talvez ainda identificáveis pelo uso do violão como um instrumento de composição) — harmonias de ponto pedal, movimento firme por construção diatônica, organização harmônica de modo e melódica — que fogem da tonalidade prática e chegam a um sentido de tom menos direto, mas sim de mais livre flutuação."[20]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. D. Hatch e S. Millward, From Blues to Rock: an Analytical History of Pop Music (Manchester: Manchester University Press, 1987), ISBN 0-7190-1489-1, p. 1.
  2. R. Serge Denisoff e William L. Schurk, Tarnished Gold: the Record Industry Revisited (New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 3ª edição, 1986), ISBN 0-88738-618-0, p. 2–3.
  3. a b c d e f g S. Frith, W. Straw, e J. Street. The Cambridge Companion to Pop and Rock, (Cambridge: Cambridge University Press), ISBN 0-521-55660-0, p. 95-6.
  4. J. Simpson e E. Weiner, Oxford English Dictionary (Oxford: Oxford University Press, 1989), ISBN 0-19-861186-2, Consultar "pop".
  5. D. Hatch e S. Millward, From Blues to Rock: an Analytical History of Pop Music, ISBN 0-7190-1489-1, p. 49.
  6. a b c R. Middleton e outros, "Pop", Grove music online, acessado em 14 de março de 2010. Assinatura necessária para acesso.
  7. "Pop", The Oxford Dictionary of Music, acessado em 9 de março de 2010.
  8. A. M. Macdonald, Chambers' Twentieth Century Dictionary (Edinburgh: Chambers Harrap, 1977), ISBN 0-550-10231-0. Consultar "pop".
  9. Kenneth Gloag em The Oxford Companion to Music, (Oxford: Oxford University Press, 2001), ISBN 0-19-866212-2, p. 983.
  10. a b c d T. Warner, Pop Music: Technology and Creativity: Trevor Horn and the Digital Revolution (Aldershot: Ashgate, 2003), ISBN 0-7546-3132-X, p. 3-4.
  11. S. Frith, "Pop music", na obra de S. Frith, W. Straw e J. Street The Cambridge Companion to Pop and Rock (Cambridge: Cambridge University Press), ISBN 0-521-55660-0, p. 95–6.
  12. a b c d D. Buckley, "Pop" "II. Implications of technology", Grove Music Online, acessado em 15 de março de 2010.
  13. J. Kun, Audiotopia: Music, Race, and America (Berkeley, CA: University of California Press, 2005), ISBN 0-520-24424-9, p. 201.
  14. a b c P. Manuel, "Pop. Non-Western cultures 1. Global dissemination", Grove Music Online, acessado em 14 de março de 2010.
  15. W. Everett, Expression in Pop-rock Music: A Collection of Critical and Analytical Essays (London: Taylor & Francis, 2000), p. 272.
  16. J. Shepherd, Continuum Encyclopedia of Popular Music of the World: Performance and production (Continuum, 2003), p. 508.
  17. V. Kramarz, The Pop Formulas: Harmonic Tools of the Hit Makers (Mel Bay Publications, 2007), p. 61.
  18. Winkler, Peter (1978). "Toward a theory of pop harmony", In Theory Only, 4, p. 3-26.
  19. Sargeant, p. 198. citado na obra de Winkler (1978), p. 4.
  20. Winkler (1978), p. 22.

Notas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Adorno, Theodor W., (1942) "On Popular Music", Institute of Social Research.
  • Bell, John L., (2000) The Singing Thing: A Case for Congregational Song, GIA Publications, ISBN 1-57999-100-9
  • Bindas, Kenneth J., (1992) America's Musical Pulse: Popular Music in Twentieth-Century Society, Praeger.
  • Clarke, Donald, (1995) The Rise and Fall of Popular Music, St Martin's Press.
  • Dolfsma, Wilfred, (1999) Valuing Pop Music: Institutions, Values and Economics, Eburon.
  • Dolfsma, Wilfred, (2004) Institutional Economics and the Formation of Preferences: The Advent of Pop Music, Edward Elgar Publishing.
  • Frith, Simon, Straw, Will, Street, John, eds, (2001), The Cambridge Companion to Pop and Rock, Cambridge University Press, ISBN 0-521-55660-0.
  • Frith, Simon (2004) Popular Music: Critical Concepts in Media and Cultural Studies, Routledge.
  • Gillet, Charlie, (1970) The Sound of the City. The Rise of Rock and Roll, Outerbridge & Dienstfrey.
  • Hatch, David and Stephen Millward, (1987), From Blues to Rock: an Analytical History of Pop Music, Manchester University Press, ISBN 0-7190-1489-1
  • Johnson, Julian, (2002) Who Needs Classical Music?: Cultural Choice and Musical Value, Oxford University Press, ISBN 0-19-514681-6.
  • Lonergan, David F., (2004) Hit Records, 1950-1975, Scarecrow Press, ISBN 0-8108-5129-6.
  • Maultsby, Portia K., (1996) Intra- and International Identities in American Popular Music, Trading Culture.
  • Middleton, Richard, (1990) Studying Popular Music, Open University Press.
  • Negus, Keith, (1999) Music Genres and Corporate Cultures, Routledge, ISBN 0-415-17399-X.
  • Pleasants, Henry (1969) Serious Music and All That Jazz, Simon & Schuster.
  • Roxon, Lillian, (1969) Rock Encyclopedia, Grosset & Dunlap.
  • Shuker, Roy, (2002) Popular Music: The Key Concepts, Routledge, (2nd edn.) ISBN 0-415-28425-2.
  • Starr, Larry & Waterman, Christopher, (2002) American Popular Music: From Minstrelsy to MTV, Oxford University Press.
  • Watkins, S. Craig, (2005) Hip Hop Matters: Politics, Pop Culture, and the Struggle for the Soul of a Movement, Beacon Press, ISBN 0-8070-0982-2.