Otto Maria Carpeaux
| Otto Maria Carpeaux | |
|---|---|
| Nascimento | 09 de Março de 1900 Viena |
| Morte | 03 de Fevereiro de 1978 (77 anos) Rio de Janeiro |
| Nacionalidade | |
| Magnum opus | História da Literatura Ocidental |
Otto Karpfen, mais conhecido como Otto Maria Carpeaux (Viena, 9 de março de 1900 — Rio de Janeiro, 3 de fevereiro de 1978) foi um ensaísta, crítico literário e jornalista austríaco por nascimento e brasileiro por opção.
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[editar] Vida
Filho único[1] de pai judeu e mãe católica, nasceu em Viena (Áustria), em 9 de Março de 1900, onde cursou o ginasial. Ingressou na faculdade de direito por sugestão familiar, abandonando-a um ano depois.
Estudou no Instituto de Química da Universidade de Viena entre os anos 1920 e 1925, mas nunca exerceu a profissão.[1]
Na década de 20, frequentava os círculos literários de Viena e conferências públicas de Karl Kraus.[1]
Estudou filosofia (doutorou-se em 1925), matemática (em Leipzig), sociologia (em Paris), literatura comparada (em Nápoles) e política (em Berlim); além de dedicar-se à música.
Em março de 1930 casou com Helena Carpeaux que o acompanhou por toda a vida.[1]
Dedicou-se intensamente à literatura e ao jornalismo político, carreiras que deixou em Viena com passagens como redator da revista semanal Berichte zur Kultur und Zeitgeschichte articulistas do jornal Neue Freie Presse.[1]
Abandonou o Judaísmo em 1933[1], converteu-se à religião católica e acrescentou Maria e Fidelis ao seu nome, este último por pouco tempo.
Tornou-se homem de confiança de dois primeiros-ministros em Viena, Engelbert Dollfuss e Kurt Schuschnigg, respectivamente os últimos primeiro-ministros antes da Aústria ser incorporada ao Reich alemão. Com a queda deste último, foi obrigado a seguir para o exílio.
Em princípios de 1938, foge com a mulher para Antuérpia (Bélgica), onde ainda trabalha como jornalista na Gaset van Antwerpen, maior jornal belga de língua holandesa.
[editar] No Brasil
Diante da escalada nazista, Carpeaux se sente inseguro e foge com a mulher, em fins de 1939, para o Brasil. Durante a viagem de navio, estoura a guerra na Europa. Recusando qualquer ligação com o que estava acontecendo no Reich, muda seu sobrenome germânico Karpfen para o francês Carpeaux.
Ao desembarcar, nada conhecia da literatura brasileira, nada sabia do idioma e não tinha conhecidos. Na condição de imigrante, foi enviado para uma fazenda no Paraná, designado para o trabalho no campo.
O cosmopolita e erudito Carpeaux ruma para São Paulo. Incialmente passa dificuldades; sem trabalho, sobrevive à custa de desfeitas de seus próprios pertences, inclusive livros e obras de arte. Poliglota, o homem que já sabia inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, flamengo, catalão, galego, provençal, latim e servo-croata, sem dificuldades, em um ano aprendeu e dominou o português.
Em 1940, tentou ingressar no jornalismo nacional, mas não consegue. É então que escreve uma carta a Álvaro Lins a respeito de um artigo sobre Eça de Queiroz. A resposta veio em forma de um convite, em 1941, para escrever um artigo literário para o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Seu artigo é publicado e assim ganhou um emprego. Iniciava uma publicação regular. Até 1942, Carpeaux escrevia os artigos em francês, que eram publicados em tradução.
Mostrando sua grande inteligência e erudição, divulgou autores estrangeiros pouco ou mal conhecidos entre nós e tornou-se um grande crítico literário. Nesse mesmo ano de 1942, Otto Maria Carpeaux naturalizou-se brasileiro. Ainda nesse ano, publica o livro de ensaios Cinzas do Purgatório.
Entre 1942 e 1944 Carpeaux foi diretor da Biblioteca da Faculdade Nacional de Filosofia. Em 1943, publica Origens e Fins.
De 1944 a 1949 foi diretor da Biblioteca da Fundação Getúlio Vargas. Em 1947 publica sua monumental História da Literatura Ocidental - o mais importante livro do gênero em língua portuguesa - no qual analisa a obra de mais de oito mil escritores a partir de Homero aos mestres modernistas.[2] Em 1950, torna-se redator-editor do Correio da Manhã. Em 1951, publica Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira, obra singular na literatura nacional - reunindo, em ordem cronológica, mais de 170 autores de acordo às suas correntes, da literatura colonial até nossos dias. Sua produção crítica literária é intensa, escrevendo em jornais semanalmente.
Em 1953, publicou Respostas e Perguntas e Retratos e Leituras. Em 1958, publicou Presenças, e em 1960, Livros na Mesa.
Carpeaux foi forte opositor do Golpe Militar, em 1964, redigindo artigos acerca da retrógrada autoridade da então nova ordem militar, participando de debates e eventos políticos.
Em 3 de fevereiro de 1978, morreu no Rio de Janeiro de ataque cardíaco.
[editar] Perfil
José Roberto Teixeira Leite, outro homem de vasta erudição, que conheceu Carpeaux quando vivia no Rio de Janeiro descreve a figura do sábio austríaco: Carpeaux foi um dos homens mais feios que conheci ... sua aparência neandarthalesca, todo mandímbulas e sobrancelhas, fazia a delícia dos caricaturistas: parecia, sem tirar nem por, um troglodita, mas troglodita de ler Homero e Virgílio no original, de se deliciar com Bach e Beethoven e de diferenciar entre Rubens e Van Dyck. E acrescenta que Carpeaux era totalmente gago o que o afastou da cátedra e das universidades para confiná-lo em bibliotecas, gabinetes e redações.
[editar] Obras
[editar] Publicadas no Brasil
- 1942 - Cinza do Purgatório
- 1943 - 'Origens e Afins
- 1947 - História da Literatura Ocidental (8 volumes)
- 1951 - Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira
- 1953 - Perguntas e Respostas
- 1953 - Retratos e Leituras
- 1958 - Presenças
- 1958 - Uma Nova História da Música
- 1960 - Livros na Mesa
- 1964 - A Literatura Alemã
- 1965 - A Batalha na América Latina
- 1965 - O Brasil no Espelho do Mundo
- 1968 - As Revoltas Modernistas na Literatura
- 1968 - 25 Anos de Literatura
- 1971 - Hemingway: Tempo, Vida e Obra
- 1978 - Alceu Amoroso Lima (biografia)
- 1992 - Sobre Letras e Artes
- 2005 - Ensaios Reunidos 1942-1978 (Vol.1) De A Cinza do Purgatório até Livros na Mesa
- 2005 - Ensaios Reunidos 1946-1971 (Vol.2)
[editar] Bibliografia
- VENTURA, Mauro Souza. De Karpfen a Carpeaux. Rio de Janeiro: Topbooks, 2002.
- LEITE, José Roberto Teixeira. Di Cavalcanti e outros perfís. São Paulo: Edifieo, 2009.
- MENEZES, Raimundo de. Dicionário literário brasileiro. Rio de Janeiro: LTC, 1978.
Referências
[editar] Ligações externas
- Otto Maria Carpeaux, Cultura e Política (Correio Braziliense)
- O Historiador das Idéias (Digestivo Cultural)
- O Melhor Presente que a Áustria nos Deu (Digestivo Cultural)
- Carpeaux, o Digno Farejador do Universo (texto de Antonio Fernando Borges)