Passeio Público (Curitiba)

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Passeio Público de Curitiba
Portal de entrada do Passeio Público de Curitiba
Localização Curitiba, Paraná, Brasil
Tipo Público
Área 69.285 m2
Inauguração 2 de maio de 1886
Administração Prefeitura de Curitiba

O Passeio Público é o parque mais antigo do município de Curitiba, capital do estado brasileiro do Paraná. Está localizado no Centro da cidade[1]

História[editar | editar código-fonte]

Passeio Público de Curitiba e o seu portão (réplica do Le Cimetière Asnières). Foto de 1930
Passeio Público, espaço de lazer dos curitibanos desde o século XIX
Portão francês que originou os portões do Passeio Público em Curitiba
Às margens do lago no Passeio Público, espaço de lazer curitibano. Foto de 1923

O Passeio Público de Curitiba foi uma iniciativa do presidente da província, Alfredo d'Escragnolle Taunay, para resolver os problemas de terreno local, que era um banhado. Para que a obra fosse iniciada, dois baluartes e moradores da região deram uma grande contribuição na empreitada, pois a verba municipal destinada ao projeto, sempre discutida pelos camaristas, nunca era efetivamente disponibilizada, e assim, Ildefonso Pereira Correia e Francisco Fasce Fontana, empresários ervateiros, abraçaram a causa. Francisco Fontana, além de doar o terreno, foi o primeiro administrador do "Passeio"[2] [3] [4] .

O Rio Belém, que cortava a região, foi saneado com obras de engenharia, transformando-se em um plácido lago, que recebeu algumas canoas para o lazer dos curitibanos.

A obra (inicial) foi adiantada para que a inauguração do parque ocorresse ainda no mandato de Taunay, e assim, em 2 de maio de 1886 a população da capital ganhou o seu primeiro parque público. A “Gazeta Paranaense”, de Romário Martins, na edição do dia, pormenorizou o que representou a inauguração do Passeio Público para o povo da cidade. No dia seguinte (3 de maio de 1886) o presidente Taunay entregou o cargo, e seu sucessor, Joaquim Faria Sobrinho, arcou com as despesas para finalizar e corrigir os defeitos decorrentes da pressa para a inauguração, e portanto, talvez até mesmo por vaidade, reinaugurou o local em 8 de agosto de 1886. O engenheiro responsável foi João Lazzarini, que lealmente iniciou e finalizou o projeto [2] [5] .

Na comemoração do 33° aniversário da província (19 de dezembro de 1886), foi instalada uma lâmpada elétrica no local, o primeiro no Paraná a ter o benefício da iluminação artificial elétrica para uso público. Era alimentada por uma pequena usina geradora. A luz elétrica definitiva só veio dois anos mais tarde, quando a companhia de energia elétrica iniciou as operações.[2] .

Na década de 1910, portões foram construídos nas entradas do passeio, que seguiam as linhas arquitetônicas do portão do Cemitério dos Cães de Asnières, localizado a noroeste da cidade de Paris, na margem esquerda do Sena. A réplica curitibana foi idealizada pelo arquiteto alemão, radicado curitibano, Frederico Kirchgässner. Esta obra foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná no ano de 1974 [6] .

Estrutura[editar | editar código-fonte]

O Passeio Público ocupa 69.285 m² da área Central de Curitiba e é considerado um dos mais importantes símbolos da capital paranaense, com uma grande área verde em plena área urbana e espécies da fauna e flora paranaenses e algumas espécies estrangeiras, como: sanhaço, garça branca, carvalho, jacarandá, canela, ipé-amarelo, etc.[7] .

O parque é formado por diversos lagos e ilhotas, das quais se destaca a Ilha da Ilusão, que foi sede, em 20 de agosto de 1911, da "coroação" de Emiliano Perneta como o "Príncipe dos Poetas Paranaenses"[8] .

Parque infantil[editar | editar código-fonte]

Com a reinauguração do parquinho das crianças, em julho de 2010, foi instalada uma réplica metálica do Balão Granada, com altura de 5,39m, que é uma referência ao balão que agitou o "Passeio" em 21 de maio de 1909[9] , quando alçou voo de dentro do Passeio Público, sob o comando da espanhola Maria Aida. Após 34 minutos no ar e ao atingir a altura de 970 metros, o Granada terminou o seu percurso pendurado em uma das torres da então Igreja Matriz, hoje Catedral Basílica de Curitiba.[10]

Zoológico e Museu Botânico[editar | editar código-fonte]

O Passeio Público foi o primeiro zoológico da cidade e até meados da década de 1980, era uma das sedes do Zoológico de Curitiba, chegando a possuir animais de grande porte, como leões e até um búfalo branco.[11] [12] [13] Com a transferência dos animais para o zoológico da cidade, atualmente sedia o departamento administrativo da entidade e expõe aves e outros animais de pequeno porte, como cobras.

Além de ser a antiga sede do zoológico, o Passeio Público foi a primeira sede do Museu Botânico de Curitiba, fundado em 1965 e ali permanecendo até 1975[14] .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Daliane Nogueira (16 de maio de 2010). Passeio Público, o mais valorizado – Gazeta do Povo. Visitado em 17 de maio de 2010.
  2. a b c ANDRADE, 1997, p16.
  3. HOERNER, 2002, p155.
  4. SGANZERLA, 1996, p69.
  5. HOERNER, 2002, p156.
  6. Brasil Viagem Curitiba - acessado em 17 de maio de 2010
  7. Infografia Gazeta do Povo (16 de maio de 2010). Saiba mais – Veja mais informações sobre o Passeio Público – Gazeta do Povo. Visitado em 16 de maio de 20109.
  8. Curitiba de musas e símbolos Portal GRPCOM (Gazeta do Povo) - acessao em 3 de abril de 2011
  9. Cidades / Notícias - Parque do Passeio Público ganha réplica de balão Site parana-online: Curitiba - acessado em 29 de junho de 2010
  10. Vida e Cidadania - História - Balão Granada pousou em cima da Catedral Jornal Gazeto do Povo: Curitiba - acessado em 29 de junho de 2010
  11. MAZZA, Luiz Geraldo. Bicho, ficcção e fricção. Revista Ideias, fev. 2014, p. 27
  12. Luiz Geraldo. O búfalo da madrugada Revista Ideias, jun. 2011
  13. O pedalinho do Raulzito Jornal Gazeta do Povo abril de 2013
  14. Curitiba decreta luto pela morte de Gerdt Hatschbach, fundador do Museu Botânico Portal de Notícias Bem Paraná - 16 de abril de 2013

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LIMA, Dinarte G. de. Guia Turístico de Curitiba e do Paraná de 1987. Curitiba; Ed. Mapas e Guias, 1987. 168p
  • ANDRADE, Luis Carlos R. de. Conheça Curitiba. Curitiba, ed. Estética, 1997. 116p
  • SGANZERLA, Eduardo, RODRIGUES, Júlio C.. Curitiba. Curitiba: P.M.C., 1996. 310p
  • HOERNER Jr, Valério. Ruas e Histórias de Curitiba, 2° edição. Curitiba: Artes & Textos, 2002. 183p
  • FENIANOS, Eduardo Emílio. Centro, Aqui Nasceu Kúr`ýt`ýba: Coleção Bairros de Curitiba, vol.4. Curitiba: Ed. UniverCidade, 1996. 100p