The Man in the High Castle

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The Man in the High Castle
Autor (es) Philip K. Dick
Idioma Inglês
País Estados Unidos
Género distopia, ficção científica
Editora Putnam
Lançamento 1 de Janeiro de 1962
Páginas 239

The Man in the High Castle (O Homem do Castelo Alto em português) é um livro de distopia, romance e ficção científica de 1962 escrito pelo norte-americano Philip K. Dick. O romance se passa em um Estados Unidos em 1962, quinze anos após as Potências do Eixo derrotarem os Aliados na Segunda Guerra Mundial, onde os Estados Unidos foram entregues à Alemanha nazista e ao Império do Japão.[1]

Embora não seja a primeira peça de distopia, o livro ajudou a definir as obras literárias do gênero. Ele ganhou o Prêmio Hugo e tornou Dick conhecido em meios de ficção científica. É também uma das obras de Dick mais bem-estruturadas e com personagens bem centrados no romance.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

O Homem do Castelo Alto tem um ponto de divergência com o mundo real, onde o presidente Franklin D. Roosevelt foi assassinado em 1933 por Giuseppe Zangara. Ele foi sucedido pelo Vice-Presidente John Nance Garner, que foi posteriormente substituído por John W. Bricker. Nenhum deles foi capaz de superar a Grande Depressão, e ambos instalaram uma política isolacionista ao se aproximar a guerra. Isto significava que os Estados Unidos não tinham capacidade militar suficiente para ajudar o Reino Unido e a União Soviética contra a Alemanha nazista, quando ele próprio ou o império japonês entraram na guerra, em 1941, neste mundo.

Mapa político do mundo no livro.

A URSS ruiu em 1941 e foi ocupada pelos nazistas, enquanto a maioria dos povos eslavos foram exterminados. Os eslavos sobreviventes da guerra foram confinados a "reservas em regiões fechadas". Os japoneses, por outro lado, destruíram totalmente as tropas dos Estados Unidos no ataque a Pearl Harbor. Devido ao fato de o Japão expandir as capacidades militares, ele foi capaz de invadir e ocupar o Havaí, Austrália, Nova Zelândia e o Sudoeste do Pacífico, no início dos anos 1940. Posteriormente, os Estados Unidos caíram no controle do Eixo, com muitas e importantes cidades que sofreram grandes prejuízos nesta época.

Em 1948, as forças Aliadas haviam sido entregues ao controle do Eixo. A Costa Leste dos Estados Unidos ficou sob controle alemão, enquanto a Califórnia, Washington, Oregon, Nevada e outras partes foram cedidas aos japoneses. A região de Mountain States, o Centro-Oeste e grande parte do Sudoeste permaneceram em tensão pelo controle entre as potências do Eixo. O Sul foi ressuscitado como um quase-estado fantoche nazista, parecido com a França de Vichy. O Reich Alemão e o Império japonês tornaram-se superpotências, e entraram em Guerra Fria como resultado disso.

Depois que Adolf Hitler foi incapacitado por sífilis, a chefia da Chancelaria do Partido Nazista coube a Martin Bormann, que assumiu a liderança da Alemanha. Os nazistas criaram um império colonial e continuaram seu massacre de raças que consideravam inferiores, assassinando judeus no estado fantoche dos Estados Unidos e em outras áreas controladas, e também realizando um maciço genocídio na África.

A Alemanha nazista desenvolveu um programas de mísseis, de modo que em, 1962, tinham um sistema funcional de foguetes comerciais utilizados para viagens intercontinentais e desenvolveram também a exploração espacial, através do envio de foguetes para a Lua, Marte e Vénus (tal como referido no início do livro, os alemães foram capazes de enviar homens para Marte no final dos anos 50). Mais tarde, o sistema espacial nazista semelhante à NASA, "monta fábricas robotizadas em todo o sistema solar". O romance retrata a televisão como uma nova tecnologia na Alemanha. O Império japonês é retratado como atrás do Terceiro Reich em desenvolvimento tecnológico. No entanto, o romance menciona que há grave escassez de oferta na Alemanha, devido a investimentos em exploração espacial, e que a economia está à beira do colapso. Durante o livro, Martin Bormann morre e outros nazistas, tais como Joseph Goebbels e Reinhard Heydrich, lutam para se tornarem o chanceler do Reich.

Nesse cenário um livro proibido pelos nazistas — escrito pelo "Homem do Castelo Alto" — toma conta da imaginação das pessoas por descrever um mundo em que a guerra não foi perdida pelos norte-americanos. E é nesse contexto que as vidas de várias pessoas se ligam através do I Ching, o oráculo chinês.

Personagens[editar | editar código-fonte]

Ao invés de apresentar uma história linear, o romance segue cada um de seus personagens em suas vidas. Há ligações entre eles, alguns diretamente, outros indiretamente, e alguns quase imperceptivelmente. Três dos principais personagens usam o I Ching para orientar as suas vidas:

  • Nobusuke Tagomi é um representante do Comércio japonês em São Francisco.
  • Frank Frink (nascido Fink) inicialmente trabalha no Wyndham-Matson Corporation, uma empresa especializada na reprodução americana da época em que os Estados Unidos eram uma nação independente (apesar de distorcer os fatos) e é demitido após uma explosão no local de trabalho. Ele é judeu, mas esconde sua etnia para evitar a prisão e morte.

Outros personagens que têm diferentes sistemas de crença:

  • Robert Childan é o proprietário do "Artesanato Artístico Americano", uma loja que vende antiguidades americanas para colecionadores, principalmente japoneses. Childan obtém suas peças a partir da Wyndham-Matson Inc., mas não acredita que esses itens sejam verdadeiros. Porque ele lida com pessoas japonesas, Childan adotou as boas maneiras japonesas, versões do japonês em modos de expressão e de pensamento. Tagomi é um dos melhores clientes de Childan. Ele olha com desprezo os japoneses que se dão com ele, acreditando que as pessoas brancas sejam superiores às de outras raças, incluindo os chineses e africanos. Ele é muito consciente de sua imagem e, muitas vezes, delibera sobre a forma como suas ações podem aparecer para outros.
  • "Mr. Baynes", na verdade Capitão Rudolf Wegener, da Contra-Inteligência Naval do Reich, está disfarçado como um rico industrial sueco que está viajando para ver o Sr. Tagomi. Ele é surpreendido quando Tagomi o cumprimenta e lhe dá um "verdadeiro Mickey Mouse", comprado a partir de Childan.

Uso do I Ching[editar | editar código-fonte]

O I Ching é caracterizado em todo o The Man in the High Castle. No livro, ele teria sido disseminado através do Pacífico após os japoneses começarem a sua atividade profissional. Vários personagens, tanto japoneses quanto americanos, consultam-no para as decisões importantes. Dick, em uma entrevista, disse que consultou várias vezes o I Ching para escrever o desenvolvimento do enredo do livro. Também Hawthorne Abendsen usou o I Ching ao escrever The Grasshopper Lies Heavy, fazendo perguntas sobre a os temas e tópicos do livro.

Inspiração[editar | editar código-fonte]

Dick mais tarde explicou que ele teve a idéia deste livro a partir da leitura de Bring the Jubilee por Ward Moore (1953), uma história alternativa que retrata os Estados Unidos após os Estados Confederados da América vencerem a Guerra Civil Americana, em 1860. Na sua seção de "Agradecimento", Dick cita várias outras influências. Em particular, ele reconhece o trabalho do historiador da Segunda Guerra Mundial William L. Shirer, e seu Ascensão e Queda do Terceiro Reich de 1960. Também ao longo do livro há referências a autores nipônicos.

Referências

  1. Pringle 1990, p. 193.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • DiTommaso, Lorenzo, 1999. "Redemption in Philip K. Dick's The Man in the High Castle", Science-Fiction Studies # 77, 26: , pp. 91–119.
  • Fofi, Goffredo 1997. "Postfazione", Philip K. Dick, La Svastica sul Sole, Roma, Fanucci, pp. 391–5.
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  • Jakubowski, Maxim; Edwards, Malcolm. The Complete Book of Science Fiction and Fantasy Lists. St Albans, Herts, UK: Granada Publishing Ltd., 1983. 350 p. ISBN 0-586-05678-5
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]