William Lyon Mackenzie King

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O Muito Honorável William L. Mackenzie King
William L. Mackenzie King
10º Primeiro-ministro do Canadá
1º Termo de ofício 29 de dezembro de 1921
28 de junho de 1926
Predecessor Arthur Meighen
1º Sucessor Arthur Meighen
2º Termo de ofício 25 de setembro de 1926
6 de agosto de 1930
2º Sucessor Richard Bedford Bennett
3º Termo de ofício 23 de outubro de 1935
14 de novembro de 1948
3º Sucessor Louis St. Laurent
Data de nascimento 17 de dezembro de 1874
Data de falecimento: 22 de julho de 1954 (79 anos)
Local de nascimento Kitchener, Ontário
Local de falecimento Ottawa, Ontário
Profissão Advogado
Partido político: Partido Liberal do Canadá

William Lyon Mackenzie King (Kitchener, 17 de dezembro de 1874Ottawa, 22 de julho de 1950) foi o décimo primeiro-ministro do Canadá, tendo sido eleito seis vezes pela população canadense, e governado o país entre 29 de dezembro de 1921 até 28 de junho de 1926, entre 25 de setembro de 1926 a 6 de agosto de 1930, e entre 23 de outubro de 1935 e 14 de novembro de 1948, tendo sido reeleito nas eleições de 1940 e 1945, além de ter sido elegido nas eleições de agosto de 1926 - onde o antigo primeiro-ministro, Arthur Meighen, governou o país por apenas três meses, tendo sido derrotado pelo congresso em um voto de não-confiança, o que fez com que novas eleições fossem realizadas.

Mackenzie King é a pessoa que mais tempo passou como o primeiro-ministro de um país da Commonwealth, tendo governando o Canadá por quase 22 anos.

Infância e estudos[editar | editar código-fonte]

Mackenzie King nasceu na cidade de Berlin, atual Kitchener, província de Ontário. Mackenzie King é um neto de William Lyon Mackenzie, líder da Rebelião do Canadá Superior, ocorrida em 1837. A mãe de Mackenzie King, Isabel, é filha de Mackenzie. O pai de Mackenzie King é John King. Os King eram uma família de classe média.

Mackenzie King, segundo de quatro filhos do casal, era o filho predileto de Isabel. A influência de Isabel na vida de King foi enorme, sendo que ela o tipo de mãe perfeccionista, sempre querendo o melhor para seu filho. Embora John King, o pai de Mackenzie King, estivesse ativamente presente na vida de Mackenzie King, John King teve muito menos influência sobre Mackenzie King do que Isabel tivera. John sustentava a família, trabalhando como um advogado em Berlin (atual Kichener), e, posteriormente, em Toronto, enquanto Isabel cuidava da casa e dos filhos do casal.

Mackenzie King estudou na Universidade de Toronto, onde recebeu três diplomas de bachalerados. Enquanto estudava em Toronto, Mackenzie King começou a ter cada vez mais interesse sobre o mundo que o cercava. Quando podia, ajudava os necessitados, através de leituras para pacientes infantis no Sick Children Hospital, por exemplo.

Relações trabalhistas[editar | editar código-fonte]

Depois de completar seus estudos na Universidade de Toronto, Mackenzie King estudou na Universidade de Chicago, tendo mudado-se para a Universidade de Harvard, onde completou um mestrado em economia política em 1898 e um dotourado em economia em 1908.

Enquanto estudava, Mackenzie King aproveitava seu tempo livre analisando as condições das sweatshops, pequenos estabelecimentos industriais que existiam aos montes nas grandes cidades americanas e canadenses. As condições dentro de tais estabelecimentos eram péssimos. Trabalhadores eram mal pagos, não tinham direitos trabalhistas, e usavam abertamente de mão de obra infantil.

Em 1897, William Mulock, um amigo do pai de Mackenzie King, ao conversar com Mackenzie King sobre as sweatshops, interessou-se pelos comentários dados por King sobre tais sweatshops, e comissionou King para que fizesse um detalhado estudo sobre estes estabelecimentos industriais. Foi o início da carreira profissional de Mackenzie King. O relatório feito por Mackenzie King sobre as sweatshops fez com que algumas reformas fossem implementadas na Constituição do Canadá.

Em junho de 1900, em uma viagem pela cidade italiana de Roma, Mackenzie King recebeu um telegrama de Mulock. Este oferecia a King um posto de editor da recém-fundada Labour Gazette. King retornou a Ottawa para ser nomeado alguns dias depois como o chefe-oficial do Departamento de Trabalho (Department of Labour), que havia sido recém-criada pelo governo canadense. Mackenzie King tinha então 25 anos, e juntaria estudo e trabalho pelos próximos oito anos.

Início da vida política[editar | editar código-fonte]

Mackenzie King competiu nas eleições de 1908, na chapa do Partido Liberal do Canadá, e foi escolhido por Wilfrid Laurier para ser o Ministro do Trabalho, no recém-criado Ministério do Trabalho. Porém, em 1911, perdeu seu posto quando o partido Liberal perdeu as eleições.

Em 1914, Mackenzie King deixou o Canadá para trabalhar nos Estados Unidos, trabalhando como um advogado trabalhista para os Rockefellers. Retornou em 1917, para acompanhar as eleições de 1917, em plena Primeira Guerra Mundial. Wilfrid Laurier, líder do Partido Liberal e líder da oposição, estava cercado por dois lados. Por ser de origem francesa, Laurier era contra o alistamento forçado de civis. Por outro lado, Laurier sabia que a grande maioria da população anglófona apoiava a guerra e apoiava o alistamento forçado de civis. Logo, a grande maioria dos membros anglófonos começaram a sair do partido, sendo que King decidiu continuar no partido. Nas eleições de 1917, a grande maioria dos membros do Partido Liberal eram francófonos. O partido sofreu uma esmagadora derrota, tendo sido apoiada apenas pela província de Quebec.

Após a morte de Laurier, em 1919, Mackenzie King foi eleito o líder do Partido Liberal do Canadá, e ocuparia este posto até sua aposentadoria, em 1948.

1º mandato: 1921 - 1925[editar | editar código-fonte]

O Partido Liberal venceu as eleições de 1921, conseguindo 117 cadeiras no senado de um total de 235, e Mackenzie King tornou-se o mais novo primeiro-ministro do Canadá. No seu primeiro mandato, o principal partido da oposição era o Partido Progressivo do Canadá. Os principais problemas do primeiro mandato foram impostos e tarifas cobradas ao transporte de carga. Embora King reduzisse tais impostos, não foi o suficiente para agradar aos fazendeiros do interior canadense (que estavam localizados longe dos principal mercado do país, o leste canadense.

2º e 3º mandatos: 1925 - 1931[editar | editar código-fonte]

Mackenzie King dissolveu o parlamento em 1925 e pediu uma nova eleição, onde o Partido Conservador saiu vitorioso, embora não tivesse a maioria, sendo que o Partido Liberal e Mackenzie King continuariam a ficar no poder, com o apoio do Partido Progressivo. Um escândalo fiscal no Departamento da Alfândega, porém, foi descoberto logo após as eleições, o que levou a mais suporte popular aos Conservadores e os Progressistas, e levantou a possibilidade de renúncia para Mackenzie King. King, então, pediu ao governador-geral, Lord Byng, permissão para dissolver o parlamento e fazer mais uma eleição.

King-Bing Affair[editar | editar código-fonte]

Supreendetemente, Lord Byng recusara-se a atender ao pedido de Mackenzie King, e este decidiu renunciar. Byng pediu a Arthur Meighen que este formasse um novo governo. Porém, apenas quatro dias depois, Mackenzie King pediu ao parlamento uma votação, sobre as capacidades de Meighen de governar o país. Meighen foi derrotado na votação (no-confidence vote), e Bing, somente então, dissolveu o parlamento e pediu novas eleições. Usando o pretexto de que o Governador General abusara de seus poderes, e pedindo por menos intromissão da Inglaterra em assuntos internos, os Liberais e King voltariam de volta ao poder, e desta vez, até 1935.

Os principais feitos de King no seu 2º mandato foram a introdução de pensões a aposentados, em 1930, e a redução gradual da altíssima dívida contraída pelo país na Primeira Guerra Mundial. Nas eleições de 1931, Mackenzie King e os Liberais perderiam para Richard Bedford Bennett e o Partido Conservador, sendo que o próprio King havia ficado supreso com o resultado da eleição. À esta época, porém, a Grande Depressão abatia em cheio o Canadá, e Bennett mostrou-se incapaz de resolver os grandes problemas socio-econômicos causados pela Depressão. Nas eleições de 1935, Mackenzie King e os Liberais voltariam novamente ao poder, com uma confortável maioria.

4º e 5º mandatos: 1935 - 1945[editar | editar código-fonte]

Em seu terceiro mandato, Mackenzie King lideraria o país por dez longos anos. O pior da Grande Depressão havia passado, e King implementou alguns programas de ajuda social como a National Housing Act e a National Employment Commission. Seu governo também criou as empresas públicas Canadian Broadcasting Corporation (comunicações), em 1936; a Trans-Canada Airlines (atual Air Canada), em 1937; e o National Film Board of Canada, em 1939.

O Canadá na Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Mackenzie King, Alemanha, 1937

Mackenzie King tinha esperança de que uma possível Segunda Guerra Mundial poderia ser evitada. King encontrou-se pessoalmente com Hermann Göring e Adolf Hitler. King descreveu Hitler como um líder trabalhando duro para tirar uma Alemanha em frangalhos dos efeitos da Grande Depressão, e escreveu em seu diário que Hitler pode ser descrito como um dos salvadores do mundo, e certa vez disse a uma delegação judeu que a Kristallnacht poderia tornar-se uma bênção.

A Segunda Guerra Mundial começara em 1939, quando Hitler invadiu a Polônia. King esperou até 10 de setembro, onde uma votação foi iniciada na Casa dos Comuns, onde o Canadá declarou guerra aos poderes do Eixo. Mackenzie King prometeu aos canadenses que não imporia alistamento forçado, em sua campanha eleitoral de 1940, e que as forças que seriam enviadas à Europa (e, futuramente, à Ásia) seriam compostas apenas de voluntários. Logo após a queda da França, em 1940, Mackenzie King instituiu alistamento forçado, onde os alistados atuariam na defesa interna do Canadá.

Em 1942, com voluntários em falta, os militares pressionavam King para uma instalação de alistamento militar forçado e total, válido a todos as pessoas do sexo masculino entre 17 a 30 anos, aptos a lutar. Mackenzie King procedia com cautela, temendo não repetir os erros do Alistamento militar forçado canadense de 1917. Em 1942, King fez um plesbecito em caráter nacional, que pedia se a população permitia que King descumprisse sua promessa de não enviar soldados que foram alistados forçadamente para campos de batalha. King dizia que o alistamento militar forçado seria instituído se necessário, mas que não seria necessariamente um alistamento militar forçado (conscription if necessary, but not necessarily conscription). A maioria esmagadora dos francófonos canadenses votaram contra, enquanto a maioria dos anglófonos canadenses votaram a favor. Mesmo assim, King evitou mandar soldados que foram alistados forçadamente até 1944, e tais soldados, quando chegaram à Europoa, quase não participaram da guerra, uma vez que esta chegava já ao fim.

Ao longo da Segunda Guerra Mundial, o Canadá duplicou seu produto interno bruto, e praticamente todos os efeitos negativo da Grande Depressão haviam acabado. A taxa de desemprego era quase zero e a economia do Canadá cresceu a um ritmo de 6% ao ano (19% média anual nos anos da Segunda Guerra Mundial). Outros feitos do governo de King entre 1935 e 1945 foram a instalação de um programa de assistência social, primeiramente, a desempregados, em 1940, e de um incentivo a famílias com filhos, em 1944.

6º mandato: 1945 - 1948[editar | editar código-fonte]

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Partido Liberal saiu-se vitorioso novamente, e Mackenzie King venceu sua quarta e última eleição. Foi considerado um líder de menor importância ao longo da guerra por Franklin Delano Roosevelt e Winston Churchill, mesmo tendo sediado uma importante conferência de guerra na cidade de Quebec, em 1943. Mesmo assim, Mackenzie King ajudou a fundar a Organização das Nações Unidas, em 1945.

Aposentadoria[editar | editar código-fonte]

Mackenzie King aposentou-se em 1948, após 22 anos como primeiro-ministro do Canadá e quase 30 anos à frente do Partido Liberal. Antes de aposentar-se, Mackenzie King indicou Louis St. Laurent como o próximo líder do Partido Liberal. Após a aposentadoria de King, Laurent foi efetivamente escolhido como líder do Partido Liberal, em agosto de 1948. O Partido Liberal continuaria no poder nos próximos oito anos.

Mackenzie King morreu em sua casa, em Ottawa, de causas naturais, em 22 de julho de 1950, apenas dois anos depois de ter aposentado-se. Suas últimas palavras, dirigidas a uma enfermeira que o cuidava, foram: muito obrigado.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Mackenzie King foi uma pessoa que possuiu poucos amigos ao longo de sua vida, totalmente dedicada à vida política. Era também uma pessoa muito cuidadosa. Sua resposta mais comum, quando pressionado, era: O parlamento irá decidir.

Muito do que se sabe de sua vida pessoal vêm de seus diários pessoais, que Mackenzie King mantinha. Ele era uma pessoa que, quando precisava de um conselho, consultava um astrólogo, para consultar espíritos como os de Leonardo da Vinci, Louis Pasteur, e constantemente usava uma bola de cristal para comunicar-se com sua mãe e seu cachorro. Dado a natureza fechada de Mackenzie King, um dos astrólogos que King consultou não sabia que King era um político. A este astrólogo, Mackenzie King havia perguntado se o Partido Liberal iria vencer as eleições de 1935.

Mackenzie King nunca casou, e não teve descendentes, embora tivesse uma amiga próxima, Joan Patteson, uma mulher casada. Os dois passavam muito de seus tempos livres juntos. Mackenzie King está enterrado no Mount Pleasant Cemetery, em Toronto. Ele está retratado nas notas de 50 dólares canadenses.

Em sua homenagem uma das ilhas no Arquipélago Ártico Canadiano recebeu o seu nome: ilha Mackenzie King.

Precedido por
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