Alberto Martins Torres

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Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo político brasileiro que foi senador pelo Rio de Janeiro, veja Manuel Martins Torres.
Alberto Martins TorresCombatente Militar
Torres durante a Guerra.
Conhecido(a) por Torres
Nascimento 10 de dezembro de 1919
Norfolk
Morte 30 de dezembro de 2001 (82 anos)
São Paulo
País  Brasil
Força Força Aérea Brasileira
Anos em serviço 1941 – 1945
Hierarquia Segundo-Tenente FAB.gif Segundo-Tenente Aviador
Unidade 1º Grupo de Patrulha

Distintivo da FEB 1 GC.PNG1° Grupo de Aviação de Caça

Batalhas/Guerras Segunda Guerra Mundial

Batalha do Atlântico Campanha da Itália

Condecorações

Alberto Martins Torres (Norfolk, 10 de dezembro de 1919 - São Paulo, 30 de dezembro de 2001) foi um aviador brasileiro, nascido nos Estados Unidos, que serviu na Força Aérea Brasileira, jundo da FEB na campanha da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho do diplomata Aluizio Martins Torres[1] em missão no estrangeiro, nasceu nos Estados Unidos, morou em Barbados, Munique, Constantinopla e, finalmente, aos 15 anos veio morar em Ipanema no Rio de Janeiro.

Após a guerra foi advogado, aviador e empresário, tendo sido o fundador da TABA (Transporte Aéreo da Bacia Amazônica) e em 1966 implementou no Brasil a empresa de transporte de valores Brinks, onde atuou como superintendente por mais de 25 anos.[2]

Em janeiro de 1941 é oficialmente criada a Força Aérea Brasileira e com o intuito de capacitar jovens aviadores para uma possível entrada na Segunda Guerra Mundial, a FAB implanta seu programa de Formação de Oficiais da Reserva Aérea e passa a enviar voluntários aos Estados Unidos para treinamento junto à USAAC (Corpo Aéreo do Exército). Torres foi um dos primeiros voluntários e embarca com destino ao aeródromo de Randolph Field, cinco dias após o ataque japonês à Pearl Harbour. Com o curso finalizado e após retornar ao Brasil, o então Aspirante Aviador Torres é destacado a servir junto ao 1º Grupo de Patrulha, sediada na cidade do Rio de Janeiro e que contava com as aeronaves Lockheed A-28 Hudson e Consolidated PBY Catalina. Realizou o estágio operacional na Base Aeronaval da marinha americana (US Navy) localizada em Aratú - BA, tornando-se apto a realizar missões de patrulhamento marítimo e escolta de comboios navais.[3]

Na manhã do dia 31 de julho de 1943, Torres embarca como tripulante extra no PBY-5 batizado de Arará, (em homenagem ao navio brasileiro afundado por submarino alemão) e decola da Base Aérea do Galeão para cumprir missão de proteção ao comboio JT-3. Após meia hora de voo, Torres assume os controles do aerobote, minutos antes das nove horas localizam o alvo, o submarino alemão U-199 que estava em missão de patrulha nas proximidades da cidade fluminense de Cabo Frio e o atacaram:

"Iniciamos o mergulho raso, eu nos comandos e Miranda como comando das bombas. Foram reiteradas as instruções para que, quando fosse dada a ordem, todas as metralhadoras deveriam atirar, mesmo as sem ângulo, segundo a doutrina, para efeito moral. Já a uns 300 metros de altitude e as menos de um quilômetro do submarino podíamos ver nitidamente as suas peças de artilharia e o traçado poligônico de sua camuflagem que variava do cinza claro ao azul cobalto. Para acompanhar sua marcha havíamos guinado um pouco para boreste, ficando situados, por coincidência, exatamente entre o submarino e o sol às nossas costas. Até então nenhuma reação das peças do submarino.

Quando acentuamos um pouco o mergulho para o início efetivo do ataque, o U-199 guinou fortemente para boreste completando uma curva de 90 graus e se alinhou exatamente com o eixo da nossa trajetória, com a proa voltada para nós. Percebi uma única chama alaranjada da peça do convés de vante, e, por isso, efetuei alguma ação evasiva até atingir uns cem metros de altitude, quando o avião foi estabilizado para permitir o perfeito lançamento das bombas. Com todas as metralhadoras atirando nos últimos duzentos metros, frente a frente com o objetivo, soltamos a fieira de cargas de profundidade pouco à proa do submarino.

Elas detonaram no momento exato em que o U-199 passava sobre as três, uma na proa, uma a meia-nau e outra na popa. A proa do submersível foi lançada fora d’água e, ali mesmo ele parou, dentro dos três círculos de espuma branca deixadas pelas explosões."[4]

Após o ataque, foram atirados botes salva-vidas para o resgate de 12 tripulantes sobreviventes. Alberto Martins Torres é reconhecido como o único piloto brasileiro responsável por um afundamento confirmado de um submarino do Eixo em águas nacionais, e pelo feito foi condecorado pelos EUA com a Distinguished Flying Cross.[5]

No início de 1944, desliga-se do 1º Grupo de Patrulha, após completar 64 missões de patrulhamento e seguiu voluntário junto ao 1º Grupo de Aviação de Caça, para combater na Itália. Com o final das hostilidades, sagrou-se como o piloto brasileiro com maior número de missões de combate sendo creditado na Frente do Mediterrâneo com 99 (noventa e nove) missões de ataque e 1 (uma) missão de defesa, totalizando 100 missões; tendo sido integrante e líder da esquadrilha Red, parte do 1 Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, comandado pelo Brigadeiro Nero Moura.[6]

Escreveu um livro contando as suas aventuras aeronáuticas, "Overnight Tapachula", publicado em 1985 pela editora Revista da Aeronáutica.

Faleceu no dia 30 de dezembro se 2001, aos 82 anos.

Condecorações[editar | editar código-fonte]

 Brasil[editar | editar código-fonte]

 Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

 França[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Moreira Lima, Rui (1980). Senta a Pua¹. [S.l.: s.n.] CDD 940.5381 
  2. de Lima Arantes, Marcus Vinicius. «Série Heróis Esquecidos: 1º Ten Av Alberto Martins Torres do 1º GAvCa». Portal Feb. Consultado em 23 de fevereiro de 2016 
  3. de Lima Arantes, Marcus Vinicius. «Série Heróis Esquecidos: 1º Ten Av Alberto Martins Torres do 1º GAvCa». Portal FEb. Consultado em 23 de fevereiro de 2016 
  4. Galante, Alexandre (8 de novembro de 2008). «O Brasil na WWII: 'Arará', o Catalina que destruiu o U-199». Poder Naval. Consultado em 23 de fevereiro de 2016 
  5. Carvalho, Maurício. «www.naufragiosdobrasil.com.br/Especialu199historiacompleta.htm». Naufráfios do Brasil. Consultado em 23 de fevereiro de 2016 
  6. Moreira Lima, Rui (1980). Senta a Pua!. [S.l.: s.n.] CDD 940.5381 
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