Bonifácio José Tamm de Andrada

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Bonifácio de Andrada
Deputado federal Bonifácio Andrada
Deputado federal por Minas Gerais
Período 1 de fevereiro de 1979
até 31 de janeiro de 2019
(10 mandatos consecutivos)
Deputado estadual de Minas Gerais
Período 1959 - 1975
(4 mandatos consecutivos)
Vereador de Barbacena
Período 1954 - 1958
Dados pessoais
Nascimento 14 de maio de 1930
Barbacena, MG
Morte 5 de janeiro de 2021 (90 anos)
Belo Horizonte, MG
Partido UDN (1950-1965)
ARENA (1966-1979)
PDS (1980-1993)
PTB (1994-1996)
PSDB (1997-2017)
DEM (2018-2021)
linkWP:PPO#Brasil

Bonifácio José Tamm de Andrada (Barbacena, 14 de maio de 1930Belo Horizonte, 5 de janeiro de 2021)[1] foi um advogado, jornalista, cientista político, professor universitário e político brasileiro filiado ao Democratas (DEM). Foi deputado federal de 1979 até 2019, tendo exercido dez mandatos consecutivos.

Anteriormente, foi vereador de Barbacena, de 1954 a 1958, e deputado estadual em Minas Gerais, de 1959 a 1975, tendo assim exercido cargos legislativos durante sessenta anos. Também foi candidato a vice-presidente da República nas eleições de 1989, compondo a chapa de Paulo Maluf.

É filho de José Bonifácio Lafayette de Andrada e de Vera Raymunda Tamm de Andrada, e irmão do já falecido deputado José Bonifácio Tamm de Andrada. É ainda descendente[2] do estadista José Bonifácio de Andrada e Silva – irmão de seu trisavô, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, casado com a filha do patriarca da independência.

O parlamentar era casado com Amália Borges de Andrada e deixou 8 filhos, dentre eles políticos como Antônio Carlos Doorgal de Andrada e Lafayette Luiz Doorgal de Andrada, o ex-advogado geral da União e vice-procurador-geral da República José Bonifácio Borges de Andrada, e o desembargador do TJMG Doorgal Gustavo Borges de Andrada.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Bonifácio foi um dos fundadores da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos - CNEC na década de 1950 e bacharelou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro após ter feito os primeiros anos do curso na Faculdade Mineira de Direito.

Após formado, iniciou a advocacia privada em sua cidade natal, na qual foi eleito vereador por um mandato (1954 a 1958) pela UDN. Foi deputado estadual em Minas Gerais por quatro mandatos consecutivos (1959 - 1975), pela UDN nos dois primeiros e pela ARENA nos demais[3] [4] [5] [6].

Foi deputado federal por Minas Gerais pelo décimo mandato consecutivo (desde 1979), eleito pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) no seu primeiro mandato, pelo Partido Democrático Social (PDS) nos 3 seguintes, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) nas eleições de 1994 e pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) desde então[7].

Fundou em Barbacena, juntamente com o seu pai, o semanário Correio da Serra em 1954, jornal de oposição aguerrida de linha "udenista" do qual foi redator-chefe por muitos anos. Foi filiado à UDN (1954-1965) - pelo qual foi eleito vereador e deputado estadual, ocasião em que defendeu dentre outros temas o regime parlamentarista (sobre o qual, inclusive, possui obras publicadas), à ARENA (1966-1979), ao PDS (1980-1993), ao PTB (1994-1996) e ao PSDB (desde 1997).

Ausentou-se da votação da Emenda Dante de Oliveira em 1984 que propunha Eleições Diretas para Presidência da República, faltaram vinte e dois votos para a emenda ser aprovada.[8]

Foi membro da Assembleia Nacional que elaborou a Constituição de 1988[7].

Como deputado estadual, presidiu a Assembleia Legislativa de Minas Gerais em 1968. E como deputado federal, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados em Brasília. Atualmente é o deputado federal mais velho do Brasil.

Foi candidato a vice-presidente da República do Brasil na Eleição presidencial de 1989 na chapa de Paulo Maluf tendo esta chapa obtido 5.986.575 votos ficando em quinto lugar, atrás do vencedor Fernando Collor de Mello, de Luiz Inácio Lula da Silva, de Leonel Brizola e de Mário Covas, e derrotando nomes conhecidos como o de Ulysses Guimarães, Aureliano Chaves e Enéas Carneiro.

Foi eleito deputado federal em 2014, para a 55.ª legislatura (2015-2019), pelo PSDB. Votou a favor do Processo de impeachment de Dilma Rousseff.[9] Já no Governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos.[9] Em agosto de 2017 votou contra o processo em que se pedia abertura de investigação do então presidente Michel Temer, ajudando a arquivar a denúncia do Ministério Público Federal.[9][10]

Em setembro de 2017, foi escolhido pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para ser o relator da segunda denúncia contra o presidente da república Michel Temer pelos crimes de obstrução à Justiça e organização criminosa. Em 10 de outubro, recomendou a rejeição da denúncia na CCJ.[11][12]

Cargos públicos[editar | editar código-fonte]

Começou a vida pública como oficial de gabinete do Ministro da Agricultura (1955) no governo Eurico Gaspar Dutra. Após ter exercido vários mandatos eletivos, foi nomeado secretário de Estado da Educação e Cultura de Minas Gerais (1965) na gestão do então governador Magalhães Pinto. Posteriormente, ocuparia a secretaria de Estado do Interior e Justiça de Minas Gerais (1974-1977) durante o governo Aureliano Chaves.

E após sucessivos mandatos parlamentares federais, foi convidado durante o governo Hélio Garcia para ser mais uma vez o titular de secretaria estadual - agora da secretaria de Administração e Recursos Humanos (1994-1997).

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • Ideias e propostas para um Brasil livre;
  • Seminário Minas e a Constituição;
  • Parlamentarismo e a evolução brasileira: breve ensaio sobre o parlamentarismo, presidencialismo e a evolução política brasileira (1962);
  • A educação e segurança nacional (1966);
  • Os poderes da Assembleia Nacional Constituinte;
  • Migrações sazonais no Nordeste: relatório de pesquisa (1981);
  • Constituição, regime democrático e revisão constitucional (1993);
  • Parlamentarismo e a realidade nacional (1993);
  • A revolução de 1930: marco histórico (1995);
  • Ciência política, ciência do poder (1998)

Morte[editar | editar código-fonte]

Bonifácio morreu em 5 de janeiro de 2021 no hospital Mater Dei em Belo Horizonte, aos 90 anos, de COVID-19, durante a pandemia da doença.[13]

Homenagens e condecorações[editar | editar código-fonte]

Durante a carreira, Bonifácio tem recebido homenagens e condecorações. Dentre elas, destacam-se:

  • Medalha da Inconfidência, governo de Minas Gerais (1966);
  • Medalha Santos Dumont, governo de Minas Gerais (1968);
  • Medalha Santos Dumont da FAB (1969);
  • Medalha Alferes Tiradentes, PM de Minas Gerais (1977);
  • Ordem do Mérito do Barão do Rio Branco (1980);
  • Mérito Legislativo de Minas Gerais (1982);
  • Mérito do governo do Chile;
  • Mérito do Superior Tribunal do Trabalho;
  • Medalha do Mérito Militar do Exército;
  • Mérito Militar da Marinha;
  • Mérito Militar da Aeronáutica.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Obituário: Falece o ex-deputado Bonifácio Andrada». Barbacena Online. Consultado em 5 de janeiro de 2021 
  2. www.bonifacioandrada.com.br/ Bonifácio Andrada
  3. ALMG 3ª Legislatura Site da Assembléia Legislativa de Minas Gerias - acessado em 13 de julho de 2010
  4. ALMG 4ª Legislatura Site da Assembléia Legislativa de Minas Gerias - acessado em 13 de julho de 2010
  5. ALMG 5ª Legislatura Site da Assembléia Legislativa de Minas Gerias - acessado em 13 de julho de 2010
  6. ALMG 6ª Legislatura Site da Assembléia Legislativa de Minas Gerias - acessado em 13 de julho de 2010
  7. a b Câmara Site da Câmara - acessado em 13 de julho de 2010
  8. Primeira página: Folha de S.Paulo - Coletânea das mais importantes primeiras páginas do jornal desde 1921. São Paulo: Publifolha. p. 170 
  9. a b c G1 (2 de agosto de 2017). «Veja como deputados votaram no impeachment de Dilma, na PEC 241, na reforma trabalhista e na denúncia contra Temer». Consultado em 11 de outubro de 2017 
  10. Deutsche Welle (3 de agosto de 2017). «Como votou cada deputado sobre a denúncia contra Temer». Carta Capital. Consultado em 18 de setembro de 2017 
  11. G1 (28 de setembro de 2017). «Denúncia contra Temer: Bonifácio de Andrada é anunciado relator na CCJ». G1. Consultado em 30 de setembro de 2017 
  12. G1 (10 de outubro de 2017). «Relator na CCJ recomenda rejeição da denúncia contra Temer, Padilha e Moreira». G1. Consultado em 10 de outubro de 2017 
  13. Santos, Júlio; Fiúza, Patrícia (5 de janeiro de 2021). «Ex-deputado Bonifácio Andrada morre aos 90 anos, por complicações decorrentes da Covid-19, em hospital de BH». G1. Consultado em 6 de janeiro de 2021 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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