João Rosado Correia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
João Rosado Correia
Nascimento 2 de novembro de 1936
Ervedal, Avis
Morte 24 de novembro de 2002 (63 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Cônjuge Delmira de Jesus Calado de Carvalho Alberto
Ocupação arquitecto, político
Prémios Prémio de Arquitectura de Fundação Eng. António de Almeida 1971
Cargo Ministro do Equipamento Social no IX Governo Constitucional

João Rosado Correia ComM (Avis, Ervedal, 2 de novembro de 1939Lisboa, 24 de Novembro de 2002) foi um arquitecto, professor de Arquitectura, humanista e político português. Ocupou o cargo de Ministro do Equipamento Social no IX Governo Constitucional.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

João Rosado Correia, nasceu na aldeia do Ervedal, concelho de Avis, no Alentejo, sendo oriundo de uma família alentejana. Foi registado a 2 de Novembro de 1939. Fez a instrução primária no Ervedal e depois na aldeia de Pias. Rumou seguidamente a Évora, onde fez o ensino secundário no Liceu de Évora, e ali conheceu a jovem Delmira de Jesus Calado de Carvalho Alberto, que viria a ser a sua mulher e também colega em Arquitectura. Casam a 8 de Dezembro de 1962. Do casamento nasceram seis filhos, três rapazes e três raparigas.

Concluído o curso dos Liceus, João Rosado Correia, segue para a Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa (ESBAL), e depois para a Escola de Belas Artes do Porto (ESBAP). Entretanto ingressa no serviço militar, faz uma comissão de serviço em Angola, e regressa ao Porto, onde conclui a sua licenciatura na ESBAP, no ano de 1971, com a classificação de 17 valores. Ganha o prémio de Arquitectura 1971, da Fundação Eng. António de Almeida, para o aluno finalista melhor classificado.

Doutorou-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, em 1 de Março de 1990, na área da Planificação Urbanística - Reabilitação, com uma tese sob o título "Monsaraz e o seu Termo - Plano de Salvaguarda/Uma Estratégia de Desenvolvimento" (publicada em 1994), tendo sido classificado com distinção e cum laude.

Como arquitecto, iniciou a sua carreira profissional na Direcção Geral dos Monumentos Nacionais. Realizou e coordenou inúmeros projectos de Arquitectura e Urbanismo, pelo País e em Macau. Tem um número significativo de publicações técnicas e científicas e muita actividade no domínio de várias associações técnicas, científicas e de solidariedade social.

Foi um mestre de concepção humanista, em que no estudo e concepção da reabilitação do Património e do Ambiente Construído, os sabia associar numa interacção profunda entre as pessoas, primeiro, a ecologia, a natureza, e o território. Olhou as cidades e os campos, numa afirmação plena de respeito pelas suas gentes, pela sua história, pelo património, pelas características dos lugares. Visionava o homem holístico, sempre no centro das suas intervenções, na procura plena do seu equilíbrio intelectual e cultural, valorizando a paisagem e a simplicidade, no mundo que nos rodeia. A sua concepção de Património, em harmonia com a Ecologia, o Ordenamento do Território e o Urbanismo Sustentável. Integra-se nas novas correntes de Arquitectura, em que a perspectiva minimalista, se relaciona com a visão holística e orgânica, que emana fortemente das escolas de Frank Lloyd Wright e Alvar Aalto. Conseguiu interligar de forma simples, criteriosa e interactiva, a realidade do mundo rural com o urbano, do campo com a cidade, do seu Alentejo, com o Norte, que tanto amou. Na visão sábia do Arquitecto construtor de templos, centrados no homem global e nos caminhos luminosos do trabalho e da reflexão, foi um homem para além do seu tempo.

Foi vereador e vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, nos anos de 1976 a 1989, e membro da comissão nacional do Partido Socialista de 1982 a 1989. Foi deputado à Assembleia da República, eleito pelo Partido Socialista, pelo círculo do Porto, na III Legislatura, de 31 de Junho de 1983 a 3 de Novembro de 1985, na IV Legislatura, de 4 de Novembro de 1985 a 12 de Agosto de 1987, e na V Legislatura, de 13 de Agosto de 1987 a 3 de Novembro de 1991. Presidiu à comissão parlamentar do Equipamento Social, tendo sido um participante activo na concepção da Lei de Bases do Ambiente, e nas leis relativas à Habitação Social e ao Património, aprovadas pela Assembleia da República de 1983 a 1991. Em 1985, quando das eleições legislativas e candidato a primeiro-ministro do seu amigo Dr. António Almeida Santos,assumiu as funções de director da sua campanha, tendo o mesmo perdido as eleições, para o candidato do PSD, Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva.

Foi conselheiro do Conselho da Europa, do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR), da Secretaria do Estado da Cultura e do Ministério da Defesa Nacional. Em 1988, cria a Fundação do Convento da Orada (FCO), Fundação para a Salvaguarda e a Reabilitação do Património Arquitectónico. Compra o Convento da Orada, em ruínas, cuja construção se situa no século XVII, mas cujas origens se remontam a D. Nuno Álvares Pereira (1360 - 1431), tendo albergado até aos princípios do século XIX, a Ordem dos Agostinhos Descalços. A Fundação,dentro dos seus objectivos, orienta preferencialmente as suas actividades, para a cultura, o ensino e a formação.

Como professor doutorado em Arquitectura, ensinou na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, nos cursos de licenciatura e pós-graduações, nas Universidades Lusíada e Lusófona. Coordenou até 2001, o curso de mestrado em Reabilitação da Arquitectura e Núcleos Urbanos, na Faculdade de Arquitectura de Lisboa. Dirigiu desde 1994, a Escola Superior Gallaecia, em Vila Nova de Cerveira, com licenciaturas em Arquitectura e Urbanismo, Ecologia, Paisagismo e Design. Foi ainda responsável pelo Master em Arquitectura Ecológica e Património, realizado em 1995,parceria entre a FCO e o San Francisco Institut of Architecture(EUA).

Exerceu as funções de ministro do Equipamento Social(Obras Públicas, Habitação, Transportes e Comunicações), de 1982 a 1985, durante o Governo do Bloco Central, presidido pelo Dr. Mário Soares, tendo o Prof. Carlos Mota Pinto, como vice-primeiro-ministro. Deste Governo faziam parte 16 ministérios. Teve duas condecorações internacionais em 1984. É condecorado nessa data, com a Ordem do Rei Leopoldo, pelo Governo Belga, e nesse ano, é ainda condecorado com a Grã-Cruz do Mérito Civil, pelo Governo espanhol. De 1985 a 1987 é condecorado com a Medalha de Mérito, em ouro, e Cidadão Honorário dos seguintes concelhos: Celorico do Basto, Baião, Felgueiras, Paredes de Coura, Reguengos de Monsaraz, Vila Nova de Cerveira, Amarante, e Fafe. A 9 de Julho de 1999, é condecorado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito, por Sua Excelência o Sr. Presidente da República Portuguesa.[2] Tem uma avenida com o seu nome, na cidade de Pombal, uma rua também com o seu nome, na vila de Monforte, e um pavilhão desportivo, na cidade de Reguengos de Monsaraz.

Foi Grão-Mestre da Maçonaria Portuguesa, Grande Oriente Lusitano, no triénio 1993 - 1996.[3]

Envolvimento em escândalo de corrupção[editar | editar código-fonte]

João Rosado Correia viu o seu nome envolvido num escândalo de financiamento do Partido Socialista. No dia 15 de Agosto de 1987, dois anos após a sua saída do Governo do Bloco Central presidido por Mário Soares, a foto João Rosado Correia foi publicada na primeira página do semanário Expresso, com a notícia "Ex-ministro trouxe dinheiros de Macau para o PS". Segundo o próprio, João Rosado Correia teria sido interpelado no aeroporto de Hong Kong por António Vitorino, na época governante em Macau, que o intimou a devolver três milhões de patacas (300 mil euros) que tinha em seu poder. Uma fonte citada pelo na notícia afirmava que o dinheiro era proveniente de "extorsão" a empresários macaenses, embora Rosado Correia garantisse que obtivera o dinheiro numa "colecta de fundos" de que fora encarregado pelo PS. Ainda na mesma notícia, fontes do Governo de Macau revelavam que o empresário de construção chinês Ng Fok teria contribuído com dinheiro a troco do perdão de uma multa.[4]

Obras publicadas[5][editar | editar código-fonte]

  • O Porto passado e futuro
  • Monsaraz e o seu termo : plano de salvaguarda : uma estratégia de desenvolvimento
  • A maçonaria e a República
  • Fortificações portuguesas no Brasil : dos descobrimentos à época pombalina : catálogo : a fundação do sistema português de comunicação ultramarina : uma redescoberta da origem cultural do Brasil / [org.] Fundação Convento da Orada
  • Fortificações portuguesas no Brasil : dos descobrimentos à época pombalina : a fundação do sistema português de comunicação ultramarina : uma redescoberta da origem cultural do Brasil
  • Vasco da Gama e os humanistas no Alentejo : de D. João II (1481-1495) a D. João III (1521-1557) : o pensamento e a técnica : do tardo-Gótico ao Maneirismo
  • De Monsaraz o seu termo ao cromeleque do Xarez (junto com António Carlos Silva)
  • Monsaraz e o seu termo : plano de salvaguarda : uma estratégia de desenvolvimento

Funções governamentais exercidas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Morreu Rosado Correia». TSF Rádio Notícias. 24 de Novembro de 2002. Consultado em 8 de Fevereiro de 2012. 
  2. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João Rosado Correia". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 1 de agosto de 2013. 
  3. «Grão-Mestres do GOL – 1803 – 2011». Consultado em 9 de Outubro de 2015. 
  4. «O pai, o filho, a maçonaria e as suspeitas». Público. 01 de Maio de 2014. Consultado em 03 de Maio de 2015.  Verifique data em: |acessodata=, |data= (ajuda)
  5. «Correia, Rosado, 1939». Biblioteca Nacional de Portugal. Consultado em 16 de Fevereiro de 2012. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Ramón Machado de La Féria
Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano
1993 – 1996
Sucedido por
Eugénio Óscar Filipe de Oliveira
Ícone de esboço Este artigo sobre um(a) arquiteto(a) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.