Lista de telenovelas brasileiras com maior audiência

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Esta é uma lista de telenovelas brasileiras com maior audiência. O gênero telenovela foi criado no Brasil em 1951, com a exibição de Sua Vida Me Pertence e tornou-se popular deste então, sendo por diversas vezes o formato televisivo com maior audiência dentre as emissoras e sua programação, além de serem vendidas para diversos países.[1][2]

Metodologias de medição da audiência[editar | editar código-fonte]

Representatividade do ponto de audiência do Ibope (Na Região Metropolitana de São Paulo)
Período Quantidade
de domicílios
Janeiro—Março de 1985 28 170
Março—Outubro de 1985 28 470
Outubro de 1985—Março de 1987 29 070
Março—Maio de 1987 30 560
Maio—Setembro de 1987 31 190
Setembro de 1987—Junho de 1988 31 830
Junho—Setembro de 1988 37 260
Setembro de 1988—Dezembro de 1989 38 080
1990—1995 39 250
1996 39 700
1997 40 530
1998 41 470
1999 42 720
2000—2001 43 000
2002 47 000
2003—2004 48 500
2005 49 500
2006—2007 52 300
2008—2009 55 500
2010 59 864[3]
2011 58 236[3]
2012 60 200
2013 61 952[4]
2014 65 201[4]
2015 67 112[5]
2016 69 417[6]
2017 70 500[7]
2018 71 855[8]
2019 73 015[9]
2020 74 987[10]
2021 76 577[11]
2022 74 666[12]

O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) iniciou a pesquisa de audiência da televisão em abril de 1954, quatro anos após ocorrer a primeira transmissão televisiva no Brasil, realizada pela Rede Tupi.[13] A metodologia utilizada era a pesquisa por flagrante, semelhante à feita para medir a audiência do rádio, onde os pesquisadores batiam à porta dos domicílios selecionados para a amostra e perguntavam se o aparelho de televisão estava ligado e, se sim, em qual emissora.[13] As pesquisas regulares de audiência tiveram início após o Ibope cadastrar 18 000 domicílios em São Paulo,[14][15] gerando os índices de audiência domiciliar (AD), que correspondiam a porcentagem de domicílios com televisor sintonizado em determinada emissora e/ou programa.[13] Os primeiros relatórios do Instituto receberam o nome de Boletins de Assistência de Televisão (BAT), que traziam os índices de audiência por dia da semana e faixa horária.[14] As pesquisas eram feitas entre 9 e 22 horas.[13]

A metodologia de pesquisa por flagrante domiciliar tornou-se ineficiente de modo que a televisão crescia substancialmente no país: o número de aparelhos de televisão passou de 25 mil na década de 1950[15] para 200 mil na década de 1960[16] e chegou a 4 milhões na década de 1970.[17] Além disso, havia uma limitação apenas a medição de audiência domiciliar, não havendo a possibilidade de qualificação de acordo com segmentos populacionais.[13] A precisão dos dados era questionável, de modo que havia a possibilidade de o entrevistado mudar de canal após o flagrante, sem ser contabilizado no índice de audiência, além de que a cada entrevista eram sorteados novos domicílios para compor a amostra, tornando o método insuficiente para o desenvolvimento de técnicas de planejamento de mídia.[13] Pensando na evolução da televisão no país e a necessidade de aprimorar as técnicas de pesquisa, o Ibope introduziu, em 1977, os Cadernos Diários, que era uma metodologia baseada em uma amostra fixa de 920 domicílios na Região Metropolitana de São Paulo.[13] Nos domicílios era deixado um diário onde as pessoas anotavam o que assistiam na televisão em intervalos de 15 minutos, permitindo monitorar a mudança de hábito e perfil das pessoas que estavam assistindo televisão, além do cálculo da audiência individual por sexo e faixa etária.[13]

Em 1985 o Ibope incorporou o instituto AudiTV e passou a utilizar uma tecnologia conhecida como setmeter,[13][18] desenvolvida e financiada em 1969 por um grupo de publicitários que demandavam uma modernização da pesquisa de audiência, eliminando as restrições que haviam nas metodologias do Ibope.[19] Inspirando em modelos utilizados no Japão e Estados Unidos, o setmeter consistia em um aparelho eletrônico acoplado nos aparelhos de televisão dos domicílios da amostra que registravam o canal sintonizado conforme faixas horárias, perfurando fitas em intervalos de 15 minutos.[13][19] Essa metodologia começou a ser utilizada simultaneamente com os Cadernos Diários no ano seguinte, colocando fim no método de pesquisa por flagrante.[13]

Em 1989 o Ibope introduziu o método people meter, implementado através de uma amostra de 256 domicílios. Através desse método, os índices de audiência domiciliar e individual eram emitidos a cada minuto através de um aparelho eletrônico, representando uma grande evolução na medição da audiência televisiva no país.[13] O peoplemeter unia a precisão no recolhimento dos dados e a eficiência na transmissão deles do método setmeter com a individualização da audiência do método dos Cadernos Diários.[13] No método people meter, o reconhecimento do programa que está sendo assistido é feito através da análise e identificação do áudio que está sendo tocado no televisor, com os dados sendo transmitidos via rede celular e enviados à central do Ibope para a consolidação dos dados e posterior análise.[20] A partir de fevereiro de 1991 começam a ser emitidos relatórios de audiência domiciliar mensurada com base na metodologia people meter, cuja amostra se expande para 600 domicílios no ano seguinte. A partir de julho de 1992 começam a ser emitidos relatórios de audiência individual, por segmentos populacionais.[13] Atualmente, este é o método utilizado para medição da audiência.[13]

Telenovelas por média geral[editar | editar código-fonte]

# Informações sobre a telenovela Audiência em São Paulo Ref.
Título Emissora Capítulos Exibição original Média geral Total de domicílios
1 Roque Santeiro Globo 209 24 de junho de 1985
até
22 de fevereiro de 1986
74 pontos 2,11 milhões [21]
2 Tieta Globo 196 14 de agosto de 1989
até
31 de março de 1990
65 pontos 2,51 milhões [22]
3 Top Model Globo 197 18 de setembro de 1989
até
4 de maio de 1990
64 pontos 2,47 milhões [23]
4 O Salvador da Pátria Globo 185 9 de janeiro de 1989
até
11 de agosto de 1989
62 pontos 2,36 milhões [24]
5 Pai Herói Globo 178 29 de janeiro de 1979
até
18 de agosto de 1979
61 pontos [25]
6 Rainha da Sucata Globo 179 2 de abril de 1990
até
27 de outubro de 1990
61 pontos 2,39 milhões [26]
7 Renascer Globo 213 8 de março de 1993
até
13 de novembro de 1993
60 pontos 2,35 milhões [27]
8 Dancin' Days Globo 174 10 de julho de 1978
até
27 de janeiro de 1979
59 pontos [28]
9 Pedra sobre Pedra Globo 178 6 de janeiro de 1992
até
1 de agosto de 1992
57 pontos 2,23 milhões [29]
10 Vale Tudo Globo 204 16 de maio de 1988
até
6 de janeiro de 1989
56 pontos 2,10 milhões [30]
11 De Corpo e Alma Globo 185 3 de agosto de 1992
até
5 de março de 1993
52,7 pontos 2,09 milhões [31]
12 A Viagem Globo 167 11 de abril de 1994
até
21 de outubro de 1994
52,4 pontos 2,05 milhões [32]
13 O Rei do Gado Globo 209 17 de junho de 1996
até
14 de fevereiro de 1997
52 pontos 2,08 milhões [33]
14 A Próxima Vítima Globo 203 13 de março de 1995
até
3 de novembro de 1995
51 pontos 2 milhões [34]
15 Senhora do Destino Globo 221 28 de junho de 2004
até
11 de março de 2005
50,4 pontos 2,46 milhões [35]
16 Mulheres de Areia Globo 201 1 de fevereiro de 1993
até
25 de setembro de 1993
50 pontos 1,96 milhão [36]
17 América Globo 203 14 de março de 2005
até
5 de novembro de 2005
49,4 pontos 2,44 milhões [37]

Notas e referências

Notas

Referências

  1. «Primeira novela brasileira completa hoje sessenta anos». NaTelinha. 21 de dezembro de 2011. Consultado em 16 de maio de 2012. Arquivado do original em 3 de março de 2016 
  2. «Qual foi a primeira telenovela brasileira?». Mundo Estranho 
  3. a b Teresa Levin (21 de fevereiro de 2011). «Ibope Mídia atualiza cálculo do Painel Nacional de Televisão». Exame. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  4. a b Daniel Castro (21 de dezembro de 2018). «Saiba quanto um ponto no Ibope vai valer a partir de 1º de janeiro». Notícias da TV. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  5. «Ponto do Ibope contempla mais lares». Meio e Mensagem. 8 de janeiro de 2015. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  6. Thiago Forato (7 de janeiro de 2016). «Ibope atualiza representatividade de 1 ponto de audiência; veja comparativo». Na Telinha. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  7. «Kantar Ibope atualiza ponto de audiência em 2017». Meio e Mensagem. 2 de janeiro de 2017. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  8. Kantar Ibope (21 de dezembro de 2017). «Kantar IBOPE Media atualiza representatividade do ponto de audiência de TV para 2018». Kantar Ibope Media. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  9. «Ponto de audiência tem novo valor em 2019». Meio e Mensagem. 3 de janeiro de 2019. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  10. «Ibope atualiza ponto de audiência para 2020». Meio e Mensagem. 20 de dezembro de 2019. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  11. Daniel Castro (31 de dezembro de 2020). «Saiba quanto um ponto no Ibope vai valer a partir de 1º de janeiro de 2021». Na Telinha. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  12. «Saiba quanto um ponto no Ibope vai valer a partir de 1º de janeiro de 2022». Notícias da TV - UOL. 23 de dezembro de 2021. Consultado em 29 de janeiro de 2022 
  13. a b c d e f g h i j k l m n o Tirza Aidar; Esther Império Hamburguer; Heloisa Buarque de Almeida (2006). «O que dizem os númerros sobre a audiência de TV: Grande São Paulo, 1970 a 1997» (doc). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  14. a b Rodrigo Felício (13 de dezembro de 2020). «EXCLUSIVO: Ibope iniciou as medições de audiência das emissoras de TV em 1954. Saiba como era e veja o primeiro relatório em detalhes!». Memória da TV. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  15. a b «Sua majestade o Ibope». Museu da TV. 6 de março de 2017. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  16. Radio Difusão e Negócios. «História da Televisão - Década de 60». Rádio Difusão e Negócios. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  17. Radio Difusão e Negócios. «História da Televisão - Década de 70». Rádio Difusão e Negócios. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  18. Monica Franchi Carniello; Moacir José dos Santos (2016). «Proposta metodológica para avaliação de perfil de audiência para veículos de comunicação públicos, comunitários e governamentais» (PDF). Universidade de Taubaté, Taubaté. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  19. a b Gilberto Stam (7 de fevereiro de 2006). «Hegemonia da Globo no veículo prioritário de consumo». Observatório da Imprensa. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  20. Rafael Pezzotti (6 de dezembro de 2019). «Como são os aparelhos de medição de audiência do Ibope?». Universo Online. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  21. Assessoria de Imprensa Oficial (24 de setembro de 2021). «Memória da TV: Conheça as 5 novelas mais assistidas do Brasil». NaTelinha. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  22. Daniel César (2 de janeiro de 2020). «De Tieta a Senhora do Destino: os fenômenos de Aguinaldo Silva - Novelas». NaTelinha. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  23. Mariana Trigo (20 de dezembro de 2011). «Novela 'Top Model' volta ao ar; veja como estão os atores». Terra. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  24. Trentini, Danelise (10 de maio de 2015). «Top 10 de Audiência: Renascer e o Salvador da Pátria». Território da Novela. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  25. Na Telinha (24 de setembro de 2021). «Memória da TV: Conheça as 5 novelas mais assistidas do Brasil». Na Telinha. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  26. James Cimino (8 de julho de 2013). «Silvio de Abreu conta que Globo esticava "Rainha da Sucata" para "Pantanal" perder anunciantes». Universo Online. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  27. Elaine Guerini (9 de fevereiro de 1997). «'Rei do Gado' exibiu belas imagens, bons atores e festival de mancadas». Folha de S. Paulo. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  28. Maria Claudia Bonadio (agosto de 2018). «Dancin' Days - Trajetória e consumos de uma imagem» (pdf). Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Consultado em 27 de setembro de 2021 
  29. Marcelo Cunha Bueno (abril de 2013). «Aguinaldo Silva divulga lista das novelas com maior audiência da história». Revista Crescer. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  30. Jeff Benício (2 de março de 2017). «Três ganhadores do Emmy são a esperança da Globo no Ibope». Terra. Consultado em 27 de setembro de 2021 
  31. Correio do Povo (8 de abril de 2020). «"De Corpo e Alma" tem o maior índice de audiência das novelas de Glória Perez». Correio do Povo do Paraná. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  32. «Globo vai reprisar novela "A Viagem"». Folha Ilustrada. 27 de janeiro de 2006. Consultado em 30 de março de 2014 
  33. Mariana Botta (12 de janeiro de 2015). «Estrelas de O Rei do Gado sofrem com doenças, mortes e alucinações». Notícias da TV. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  34. Paulo Pacheco (12 de março de 2015). «A Próxima Vítima faz 20 anos; relembre cinco mortes misteriosas». Notícias da TV. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  35. Paulo Pacheco (27 de junho de 2014). «Maior ibope da Globo desde 1996, Senhora do Destino faz dez anos». Notícias da TV. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  36. Karina Matias (28 de março de 2021). «'Mulheres de Areia': Relembre cinco curiosidades da novela de Ruth e Raquel». Folha de S. Paulo. Consultado em 28 de setembro de 2021 
  37. Ricardo Feltrin (18 de setembro de 2008). «Ibope de novelas desaba na Globo; veja a queda». Universo Online. Consultado em 28 de setembro de 2021