Nootrópico

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Nootrópico (do grego νους nous, mente, τρέπειν trepein, dobrar) é o termo usado para descrever uma classe de compostos que supostamente aumentam o desempenho cognitivo no ser humano.

São substâncias - sintéticas ou naturais - que melhoram os vários aspectos da cognição (tais como memória, aprendizado, concentração), enquanto não apresentam toxicidade ou potencial para adicção.

Piracetam (o primeiro nootrópico, sintetizado em 1964) [1]

História[editar | editar código-fonte]

O termo foi usado pela primeira vez em 1972 pelo Dr. Corneliu E. Giurgea [2][3], psicólogo e químico romeno, para se referir a uma droga que não causaria efeitos secundários
e que aumentaria as capacidades intelectuais. Essa droga era o Piracetam, hoje usado como um suplemento e também no tratamento de diversas condições cognitivas debilitantes.[4][5][6][7]

Quem consome nootropicos?[editar | editar código-fonte]

O grupo que mais consome esse tipo de compostos são os idosos com doenças degenerativas, como o mal de Parkinson e o mal de Alzheimer, e pessoas com doenças que afetam suas capacidades cognitivas negativamente.

Algumas tentativas têm sido feitas nas deficiências mentais com o uso do ácido gama-aminobutírico. Também foram observados bons resultados com o uso de estimulantes, como Metilfenidato e Amitriptilina, nos distúrbios de aprendizagem associados ao déficit de atenção (TDAH).[8][9]

Eficácia e segurança[editar | editar código-fonte]

Grande parte dos ditos nootrópicos aumentam o fluxo de sangue ao cérebro (fornecendo mais oxigênio), promovem a neurogênese ou possuem ação estimulante do sistema nervoso central.[10]

O uso dessas substâncias deve ser, sempre que possível, supervisionado por um profissional de saúde.

Uso por estudantes[editar | editar código-fonte]

O uso de estimulantes prescritos é especialmente prevalente entre os estudantes que frequentam faculdades e concursos academicamente competitivos.[11] Pesquisas sugerem que 0,7-4,5 % dos estudantes alemães têm usado estimulantes cognitivos em sua vida acadêmica, tais como Metilfenidato e Cafeína. [12][13][14]

Com base em alguns estudos sobre uso ilícito de estimulantes, 5-35% dos estudantes universitários usam ou já usaram estimulantes prescritos para TDAH. [15][16][17]

Vários fatores podem influenciar positivamente ou negativamente o uso de fármacos para aumento cognitivo. Como as características pessoais do indivíduo, histórico de uso de drogas ilícitas, e as características do contexto social. [12][13][18][19]

Tipos de substâncias[editar | editar código-fonte]

Vitaminas e minerais essenciais[editar | editar código-fonte]

Servem de cofatores em muitas das reações no nosso organismo.

A pelagra (deficiência de niacina) é conhecida pelos distúrbios neurológicos que causa, dentre os mais severos o déficit cognitivo.[20]
A deficiência de vitamina B12 está associada a diversas manifestações neurológicas, como a polineuropatia, mielopatia e demência.[21]

Aminoácidos e compostos orgânicos[editar | editar código-fonte]

Taurina é um dos aminoácidos frequentemente utilizados em bebidas energéticas.[22]

Drogas, ervas e nutracêuticos[editar | editar código-fonte]

  • Colinérgicas:
A colina é um nutriente essencial que faz parte do complexo B, é a molécula precursora da acetilcolina, um importante neurotransmissor que integra o sistema nervoso central e periférico.[23][24][25]

Adrenérgicos, Dopaminérgicos e outros estimulantes:

A nível celular, a cafeína é um antagonista competitivo dos receptores de adenosina.[26]

Antidepressivos:

Outros:

Um copo (200ml) de chá preto natural contém aproximadamente 20mg de L-theanina e 14-61mg de cafeína.
[27][28]

Ervas e nutracêuticos:

A erva-mate é conhecida por suas propriedades estimulantes.[29]

Recreativas:

Recebem esse título pois o consumo está associado à busca do prazer farmacológico. Geralmente possuem efeitos secundários e outros perigos inerentes à sua utilização, como a possível dependência.

Os enteógenos, usados frequentemente em contextos religiosos e espirituais [30], são considerados potenciais expansores da mente.

Referências

  1. S. D. Shorvon (2004). «Piracetam». In: Simon D. Shorvon, David Fish, Emilio Perucca, W E Dodson. The treatment of epilepsy Wiley–Blackwell [S.l.] pp. 489–495. ISBN 978-0-632-06046-7. 
  2. Gazzaniga, Michael S. (2006). The Ethical Brain: The Science of Our Moral Dilemmas (P.S.) (New York, N.Y: Harper Perennial). p. 184. ISBN 0-06-088473-8. 
  3. Giurgea C (1972). «[Pharmacology of integrative activity of the brain. Attempt at nootropic concept in psychopharmacology] ("Vers une pharmacologie de l'active integrative du cerveau: Tentative du concept nootrope en psychopharmacologie")». Actual Pharmacol (Paris) (em French) [S.l.: s.n.] 25: 115–56. PMID 4541214. 
  4. Malykh AG, Sadaie MR (February 2010). «Piracetam and piracetam-like drugs: from basic science to novel clinical applications to CNS disorders». Drugs [S.l.: s.n.] 70 (3): 287–312. doi:10.2165/11319230-000000000-00000. PMID 20166767. 
  5. Skondia, V; Kabes, J (1985). «Piracetam in alcoholic psychoses: a double-blind, crossover, placebo controlled study». The Journal of International Medical Research [S.l.: s.n.] 13 (3): 185–7. PMID 3891457. 
  6. Buranji, I; Skocilić, Z; Kozarić-Kovacić, D (1990). «Cognitive function in alcoholics in a double-blind study of piracetam». Lijecnicki vjesnik [S.l.: s.n.] 112 (3–4): 111–4. PMID 2204773. 
  7. Zavadenko, NN; Guzilova, LS (2009). «Sequelae of closed craniocerebral trauma and the efficacy of piracetam in its treatment in adolescents». Neuroscience and Behavioral Physiology [S.l.: s.n.] 39 (4): 323–8. doi:10.1007/s11055-009-9146-2. PMID 19340573. 
  8. GOLFETO, José H.; MIAN, Heloísa. Tratamento psicofarmacológico aplicado à criança. Pediatr. Mod; 36(5):296:298:300:passim-296-298-301, maio 2000. Grupo Editorial Moreira Jr. Jul. 2014
  9. GUARDIOLA, ANA et al . Uso de amitriptilina na síndrome de hiperatividade com déficit de atenção. Arq. Neuro-Psiquiatr., São Paulo , v. 57, n. 3A, Sept. 1999 . PDF Jul, 2014
  10. Kewal K. Jain (2011). The Handbook of Neuroprotection Springer [S.l.] p. 547. 
  11. McCabe, Sean Esteban; Knight, John R.; Teter, Christian J.; Wechsler, Henry (January 1, 2005). «Non-medical use of prescription stimulants among US college students: prevalence and correlates from a national survey». Addiction [S.l.: s.n.] 100 (1): 96–106. doi:10.1111/j.1360-0443.2005.00944.x. PMID 15598197. Consultado em August 15, 2013. 
  12. a b Sattler, S.; Sauer, C.; Mehlkop, G.; Graeff, P. (2013). «The Rationale for Consuming Cognitive Enhancement Drugs in University Students and Teachers». PLoS ONE [S.l.: s.n.] 8 (7): e68821. doi:10.1371/journal.pone.0068821. PMC 3714277. PMID 23874778. 
  13. a b Sattler, Sebastian; Wiegel, Constantin (February 25, 2013). «Cognitive Test Anxiety and Cognitive Enhancement: The Influence of Students’ Worries on Their Use of Performance-Enhancing Drugs». Substance Use & Misuse Informa Healthcare New York [S.l.] 48 (3): 220–232. doi:10.3109/10826084.2012.751426. Consultado em April 5, 2014. 
  14. Bossaer, John. «The Use and Misuse of Prescription Stimulants as "Cognitive Enhancers" by Students at One Academic Health Sciences Center». Academic Medicine. Arquivado desde o original em April 10, 2015. Consultado em October 6, 2014. «Overall, 11.3% of responders admitted to misusing prescription stimulants. There was more misuse by respiratory therapy students, although this was not statistically significant (10.9% medicine, 9.7% pharmacy, 26.3% respiratory therapy; P = .087). Reasons for prescription stimulant misuse included to enhance alertness/energy (65.9%), to improve academic performance (56.7%), to experiment (18.2%), and to use recreationally/get high (4.5%).» 
  15. Teter CJ, McCabe SE, LaGrange K, Cranford JA, Boyd CJ (October 2006). «Illicit use of specific prescription stimulants among college students: prevalence, motives, and routes of administration». Pharmacotherapy [S.l.: s.n.] 26 (10): 1501–1510. doi:10.1592/phco.26.10.1501. PMC 1794223. PMID 16999660. 
  16. Weyandt LL, Oster DR, Marraccini ME, Gudmundsdottir BG, Munro BA, Zavras BM, Kuhar B (September 2014). «Pharmacological interventions for adolescents and adults with ADHD: stimulant and nonstimulant medications and misuse of prescription stimulants». Psychol. Res. Behav. Manag. [S.l.: s.n.] 7: 223–249. doi:10.2147/PRBM.S47013. PMC 4164338. PMID 25228824. «misuse of prescription stimulants has become a serious problem on college campuses across the US and has been recently documented in other countries as well. ... Indeed, large numbers of students claim to have engaged in the nonmedical use of prescription stimulants, which is reflected in lifetime prevalence rates of prescription stimulant misuse ranging from 5% to nearly 34% of students.» 
  17. Clemow DB, Walker DJ (September 2014). «The potential for misuse and abuse of medications in ADHD: a review». Postgrad. Med. [S.l.: s.n.] 126 (5): 64–81. doi:10.3810/pgm.2014.09.2801. PMID 25295651. «Overall, the data suggest that ADHD medication misuse and diversion are common health care problems for stimulant medications, with the prevalence believed to be approximately 5% to 10% of high school students and 5% to 35% of college students, depending on the study.» 
  18. Sattler, Sebastian; Mehlkop, Guido; Graeff, Peter; Sauer, Carsten (February 1, 2014). «Evaluating the drivers of and obstacles to the willingness to use cognitive enhancement drugs: the influence of drug characteristics, social environment, and personal characteristics». Substance Abuse Treatment, Prevention, and Policy. BioMed Central Ltd. p. 8. doi:10.1186/1747-597X-9-8. ISSN 1747-597X. Consultado em April 5, 2014. 
  19. Sattler, Sebastian; Forlini, Cynthia; Racine, Éric; Sauer, Carsten (August 5, 2013). «Impact of Contextual Factors and Substance Characteristics on Perspectives toward Cognitive Enhancement». PLOS ONE PLOS [S.l.] 8 (8): e71452. doi:10.1371/journal.pone.0071452. ISSN 1932-6203. LCCN 2006214532. OCLC 228234657. PMC 3733969. PMID 23940757. Consultado em April 5, 2014. 
  20. Hegyi, J.; Schwartz, R. A.; Hegyi, V. (2004). «Pellagra: Dermatitis, dementia, and diarrhea». International Journal of Dermatology [S.l.: s.n.] 43 (1): 1–5. doi:10.1111/j.1365-4632.2004.01959.x. PMID 14693013. 
  21. VASCONCELLOS, Luiz Felipe Rocha et al . Mielopatia por deficiência de vitamina B12 apresentando-se como mielite transversa. Arq. Neuro-Psiquiatr., São Paulo , v. 60, n. 1, Mar. 2002 . Available at http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-282X2002000100028&lng=en&nrm=iso - access on 15 Aug. 2014
  22. CATHARINO, Rodrigo R. et al . Fast Analysis of Taurine in Energetic Drinks by Electrospray Ionization Mass Spectrometry. J. Braz. Chem. Soc., São Paulo , v. 22, n. 4, 2011 . Available at http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-50532011000400026&lng=en&nrm=iso - access on 14 Aug. 2014
  23. Zeisel SH; da Costa KA (November 2009). «Choline: an essential nutrient for public health». Nutrition Reviews [S.l.: s.n.] 67 (11): 615–23. doi:10.1111/j.1753-4887.2009.00246.x. PMC 2782876. PMID 19906248. 
  24. "Choline" (An interview with Steven Zeisel, Editor-in-Chief of the Journal of Nutritional Biochemistry), Radio National Health Report with Norman Swan, Monday 17 April 2000
  25. "[1]" Dietary Reference Intakes for Thiamin, Riboflavin, Niacin, Vitamin B6, Folate, Vitamin B12, Pantothenic Acid, Biotin, and Choline (1998), Institute of Medicine.
  26. GUERRA, Ricardo Oliveira; BERNARDO, Gerlane Coelho; GUTIERREZ, Carmen Villaverde. Cafeína e esporte. Rev Bras Med Esporte, Niterói , v. 6, n. 2, Apr. 2000 . Available at http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-86922000000200006&lng=en&nrm=iso - access on 15 Aug. 2014
  27. Emma K. Keenan, Mike D A Finnie, Paul S. Jones, Peter J. Rogers, Caroline M. Priestley; How much theanine in a cup of tea? Effects of tea type and method of preparation. Food Chemistry (2011); Volume: 125, Issue: 2, Pages: 588-594 Mendeley
  28. Chin JM, Merves ML, Goldberger BA, Sampson-Cone A, Cone EJ; Caffeine content of brewed teas. Journal of analytical toxicology, 2008 Oct;32(8):702-4. PubMed
  29. Benefícios do consumo da erva mate Ehow.com.br
  30. «Brazilian Archives of Biology and Technology - Jurema-Preta (Mimosa tenuiflora [Willd.] Poir.): a review of its traditional use, phytochemistry and pharmacology». scielo.br. Consultado em 2009-01-14. 

Bibliografia adicional[editar | editar código-fonte]

HALL, Stephen S. A busca da pílula da inteligência. Scientific American Brasil nº 17. 2013 Acesso Jul. 2014

WINSTON, David; MAIMES, Steven. Adaptogens: Herbs for Strength, Stamina, and Stress Relief. Vermon, Healing Arts Press, 2007. Google Books Acesso Jul. 2014

ARCHIBALDO DONOSO, S; DELGADO D, Carolina. Perspectivas en la prevención y tratamiento farmacológico de la enfermedad de Alzheimer. Rev. méd. Chile, Santiago , v. 137, n. 2, feb. 2009 . Disponible en: http://www.scielo.cl/pdf/rmc/v137n2/art16.pdf (Jul. 2014)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]