Palacete provincial de Manaus

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O palacete provincial de Manaus é um prédio histórico localizado na cidade homônima, tendo servido entre 1875 e 1888 como sede da presidência da então província do Amazonas.[1] Após a proclamação da república, a partir de 1892, o palacete passou a ser sede da Polícia Militar do Amazonas.[1] Na atualidade, o prédio abriga um conjunto de 5 museus, sendo administrado pela secretaria de cultura amazonense.[2]

Museus abrigados[editar | editar código-fonte]

Museu Tiradentes[editar | editar código-fonte]

O Museu Tiradentes retrata a história da Corporação da Polícia Militar do Estado, com mobiliário original da época, bem como um arquivo integrado com cadernos de registros individuais dos membros da corporação, além de armamentos, uniformes, armaduras do século XVI e equipamentos utilizados pelo Corpo de Bombeiros do Estado.[3] Na exposição 'Flagrante da História', o visitante poderá assistir a vídeos de eventos festivos e ouvir o som de algumas armas.[4]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Foi organizado e inaugurado em 1984, por iniciativa do então comandante-chefe da Polícia Militar do Amazonas, Coronel Elcio Motta, sob orientação técnica da Fundação Joaquim Nabuco.[5] Sua primeira sede era então num salão no andar térreo do Comando Geral da PMAM na Praça Heliodoro Balbi, em Manaus. No ano de 2009, o museu é reinstalado para o seu antigo local, agora denominado Palacete Provincial, representando uma parte importante da história do Estado do Amazonas e da corporação a qual pertence, devendo por isso a preservação e disponibilizando à sociedade o acervo histórico da entidade. Seu acervo é composto por dezenas de objetos, como: armas antigas, equipamentos do Corpo de Bombeiros, uniformes, distintivos e decorações, documentos, fotografias entre outros..[6]

Pinacoteca do estado do Amazonas[editar | editar código-fonte]

A Pinacoteca do Estado do Amazonas é uma instituição pública estadual, subordinada à Secretaria da Cultura do Amazonas. Foi oficialmente instituída em 18 de julho de 1965, durante o governo de Artur César Ferreira Reis, fruto de uma iniciativa acalentada desde os anos 50 por um grupo de intelectuais ligados ao Clube da Madrugada, nomedamente Moacir de Andrade. Destacou-se nas décadas seguintes por sua atuação didática, formando toda uma geração de artistas contemporâneos de expressão regional.[7]

A Pinacoteca do Amazonas possui um acervo composto por mais de mil peças de técnicas variadas, abrangendo a produção artística brasileira entre os séculos XIX e XX, com ênfase especial nos artistas amazonenses.[8] Também conserva uma coleção didática de cópias de obras consagradas da arte universal. Promove exposições permanentes e temporárias e organiza eventos culturais diversos.

História[editar | editar código-fonte]

Entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, a cidade de Manaus, como as demais capitais da região amazônica, vivia um momento de grande prosperidade, impulsionado pelo ciclo da borracha. Tal conjuntura histórica teria grande impacto no desenvolvimento do ambiente artístico-cultural da cidade (cujo símbolo maior seria a construção do luxuoso Teatro Amazonas, inaugurado em 1896), estimulando a vinda de artistas, fotógrafos e arquitetos de outras partes do Brasil e de outros países, sobretudo da Itália, atraídos pelo aquecido mercado de trabalho. Pintores como Crispim do Amaral, Fernandes Machado, Aurélio de Figueiredo e Antônio Parreiras passariam longas temporadas na cidade, executando um grande número de obras encomendadas por famílias abastadas e pelo poder público. O estímulo ao desenvolvimento artístico se consolidaria, por fim, com a adoção da educação artística em escolas públicas (como o Ginásio Amazonense, onde estudaria Manoel Santiago) e com a fundação da Academia Amazonense de Belas Artes.[9]

Antônio Parreiras - Quarta-feira de cinzas (1904). Acervo da Pinacoteca do Estado
Edifício da Biblioteca Pública Estadual do Amazonas, primeira sede da Pinacoteca do Estado.

A crescente concorrência dos seringais africanos e asiáticos e o fim da Primeira Guerra Mundial, entretanto, ocasionariam o fim do ciclo da borracha, resultando na decadência econômica das regiões produtoras brasileiras e, conseqüentemente, no arrefecimento dos acontecimentos artísticos e culturais da capital amazonense. Somente décadas mais tarde Manaus voltaria a presenciar alguma agitação em seu ambiente cultural, por meio da atuação do Clube da Madrugada. De ideologia anárquico-libertária, o clube havia sido criado pelos pintores Moacir Andrade, Afrânio de Castro, Oscar Ramos e Anísio Mello, e pelos escritores Antístenes Pinto, Alencar e Silva e Jorge Tufic, com o objetivo de promover uma série de ações vanguardistas nos campos das artes visuais e da literatura.[10]

No âmbito das artes visuais, o Clube da Madrugada organizou os Salões Madrugada e as Feiras de Artes Plásticas, além de ter patrocinado exposições individuais e coletivas de artistas amazonenses. É nesse contexto que surge a ideia de criar um espaço museológico permanente para a divulgação e preservação do patrimônio artístico regional. Moacir de Andrade alimentava essa ideia desde o começo dos anos 50 e em diversas ocasiões manifestou tal desejo ao historiador Artur César Ferreira Reis. Em 1964, após o golpe militar, Artur Reis foi indicado pelo general Castelo Branco para assumir o governo amazonense, substituindo Plínio Ramos Coelho. Já no ano seguinte, em 18 de julho de 1965, instituiu, por meio da Lei n.º 233, a Pinacoteca do Estado do Amazonas.[7][10]

A Pinacoteca funcionou a princípio em um salão na ala direita do edifício da Biblioteca Pública do Amazonas, na Rua Barroso. Seu acervo inicial consistia em 90 obras de arte, entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas. Moacir de Andrade foi o primeiro diretor da instituição, sendo sucedido por Álvaro Páscoa, Afrânio de Castro e Helena Gentil. Nos primeiros anos após a fundação, a instituição sediaria as reuniões do Clube da Madrugada e tornaria-se um importante centro regional de formação artística. Na Pinacoteca eram sediados cursos de desenho (Manoel Borges), pintura (Moacir Andrade), história da arte e xilogravura (Álvaro Páscoa).[10] Cabe salientar, sobretudo, a atuação de Álvaro Páscoa como professor da Pinacoteca, responsável por formar toda uma geração de artistas plásticos contemporâneos, tais como Hahnemann Bacelar, Enéas Valle, Zeca Nazaré, Van Pereira, Thyrso Muñoz e Jair Jacqmont, entre outros.[7][11] Este último viria a se tornar diretor da instituição na década de 1990.

Acervo[editar | editar código-fonte]

A Pinacoteca do Estado conserva um acervo de aproximadamente mil obras, entre pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, realizadas por aproximadamente 300 artistas, amazonenses, brasileiros e estrangeiros. A coleção oferece um panorama da produção artística brasileira entre os séculos XIX e XX, ilustrado, sobretudo, por obras de artistas regionais.[8]

Aurélio de Figueiredo - O último baile da Ilha Fiscal (1905).
Joaquim Fernandes Machado - O primeiro voo de Santos Dumont (c. 1906).

O academismo oitocentista e a fase de transição do século XIX para o XX está representado por obras de pintores bastante significativos para a arte brasileira. Merece destaque a tela O último baile da Ilha Fiscal, de Aurélio de Figueiredo, versão preliminar para a obra homônima conservada no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Também de Figueiredo é a tela O banho de Ceci, exemplar do romantismo indianista.[12] Constam da coleção algumas das mais famosas pinturas de cunho histórico executadas por Joaquim Fernandes Machado, tais como A Glória coroando Gonçalves Dias e Primeiro voo de Santos Dumont.[13] De Antônio Parreiras, o museu conserva os óleos Quarta-feira de cinzas e Caçador furtivo, provavelmente adquiridas pelo governo do estado durante a exposição doartista no Palácio Rio Negro, em 1905.[14] Há ainda obras de Eliseu Visconti, Sólon Botelho e Darkir Parreiras, entre outros.[15]

O modernismo está representado por um conjunto de obras de Alfredo Volpi, Cícero Dias, Inimá de Paula, Aldemir Martins e Burle Marx, além do óleo Curupira, do amazonense Manoel Santiago, representativo da pintura de expressão nacionalista dos anos 30. As obras de Oscar Ramos, Álvaro Páscoa, Anísio Mello e Hahnemann Bacelar exemplificam a assimilação do legado da Semana de Arte Moderna na Manaus dos anos 50 e 60. Dentre os representantes da arte naïf, merecem menção o acriano Francisco da Silva e a manauara Rita Loureiro. Destacam-se ainda Anna Letycia Quadros, Dirso José de Oliveira e Roberto De Lamonica.[7][15]

No segmento referente à arte contemporânea, há obras de artistas de expressão nacional (Adhemar Guerra, Acácio Sobral, Antônio Dias, Emmanuel Nassar, Dora Basílio etc.) e regional (Afrânio de Araújo Castro, Eli Bacelar da Silva, Jefferson Rebelo, Sebastião Alves, Cristóvão Coutinho, Oscar Ramos, Claudson Mota de Ouro, Manoel Borges etc.).[7][15]

Por fim, a Pinacoteca do Estado conserva uma coleção didática de cópias de obras consagradas da arte universal. São 70 quadros e 20 esculturas, atualmente expostos na Casa da Cultura da Rua da Instalação, enfocando diversos períodos e autores relevantes da história da arte.[15]

Museu da imagem e do som do Amazonas[editar | editar código-fonte]

O Museu da Imagem e do som do Amazonas (Misam) foi fundado no ano 2000, tendo como finalidade a preservação de audiovisuais ligados a temas regionais do estado e gerais, além de atuar na realização de concursos de fotografia, bem como realizar exposições de durabilidade variável.[16] Seu acervo é composto por material relativo a cinema, fotografia, música, televisão, rádio e outros tipos que fazem parte da tecnologia de artes visuais.[17]

Museu de Numismática Bernardo Ramos[editar | editar código-fonte]

É composto por um acervo de mais de 17 mil peças da coleção pessoal de Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, incluindo moedas, cédulas, medalhas e condecorações nacionais e internacionais.[18]

Referências

  1. a b Albino Oliveira (20 de junho de 2011). «Palacete Provincial, Manaus, AM». Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 25 de outubro de 2018 
  2. Marcos Dantas (12 de julho de 2012). «Palacete Provincial abriga cinco museus no Centro de Manaus». G1 Amazonas. Consultado em 25 de outubro de 2018 
  3. «Acervo/ Iconografia». Instituto Durango Duarte. Consultado em 26 de setembro de 2018 
  4. «Amazonia de A a Z». Portal Amazonia. Consultado em 26 de setembro de 2018 
  5. «Museu Tiradentes – Palacete Provincial». PUC-Rio. Consultado em 26 de setembro de 2018 
  6. Girlene Medeiros (24 de outubro de 2011). «Conheça os museus de Manaus». G1 Amazonas. Consultado em 25 de outubro de 2018 
  7. a b c d e «Pinacoteca do Estado». Biblioteca Virtual do Amazonas. Consultado em 4 de agosto de 2010 
  8. a b «Curadoria». Pinacoteca do Estado do Amazonas. Consultado em 4 de agosto de 2010 
  9. Páscoa, 2007, pp. 1-7.
  10. a b c Páscoa, 2007, pp. 8-9.
  11. Páscoa, 2007, pp. 10.
  12. Páscoa, 2007, pp. 5.
  13. Páscoa, 2007, pp. 4.
  14. Páscoa, 2007, pp. 6.
  15. a b c d «A pinacoteca do Amazonas». Biblioteca Virtual do Amazonas. Consultado em 4 de agosto de 2010 
  16. «Museu da Imagem e do Som do Amazonas completa 17 anos». Correio da Amazônia. 31 de outubro de 2017. Consultado em 25 de outubro de 2018 
  17. «Museu da Imagem e do Som do Amazonas recebe 116 novos títulos». G1 Amazonas. 10 de junho de 2013. Consultado em 25 de outubro de 2018 
  18. Girlene Medeiros (24 de outubro de 2011). «Conheça os museus de Manaus». G1 Amazonas. Consultado em 25 de outubro de 2018 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]