A Liberdade Guiando o Povo

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A Liberdade Guiando o Povo
Autor Eugène Delacroix
Data 1830
Técnica óleo sobre tela
Dimensões 260 cm × 325 cm
Localização Louvre-Lens, Lens

A Liberdade Guiando o Povo (em francês: La Liberté guidant le peuple) é uma pintura de Eugène Delacroix em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X.[1] Uma mulher representando a Liberdade, guia o povo por cima dos corpos dos derrotados, levando a bandeira tricolor da Revolução francesa em uma mão e brandindo um mosquete com baioneta na outra.[1] A pintura é talvez a obra mais conhecida de Delacroix.

História[editar | editar código-fonte]

No momento em que Delacroix pintou o quadro, ele já era o líder reconhecido na escola era romântica na pintura francesa.[2] Delacroix, que nasceu na Era do Iluminismo, foi dando lugar às ideias e estilo do romantismo, rejeitando a ênfase no desenho preciso que caracterizou a arte académica de seu tempo, e ao invés dar uma nova importância à cor livre.

Delacroix pintou o seu trabalho no Outono de 1830. Numa carta ao seu irmão de 12 de Outubro, ele escreveu: "O meu mau humor está desaparecendo graças ao trabalho árduo. Embarquei num tema moderno - a barricada. Mesmo que não tivesse lutado pelo meu país, pelo menos pinto-a". A pintura foi exibida pela primeira vez no Salão de Maio de 1831.

Simbolismo[editar | editar código-fonte]

Delacroix retratou a Liberdade, tanto como figura alegórica de uma deusa como uma mulher robusta do povo, uma abordagem que os críticos contemporâneos denunciaram como "ignóbil". O monte de cadáveres actua como uma espécie de pedestal de onde a Liberdade passa, descalça e com os seios nus, de lona e no espaço do espectador.[3] O barrete que ela usa simbolizou a liberdade durante a primeira Revolução Francesa, de 1789-1794. A pintura tem sido vista como um marco para o fim da Era do Iluminismo, assim como muitos estudiosos vêem o fim da Revolução Francesa como o início da era romântica.[4]

Os lutadores são uma mistura de classes sociais, que vão desde as classes mais altas, representadas pelo jovem com uma cartola, para a classe média ou a revolucionária burguesia, como exemplificado pelo menino segurando as pistolas (que pode ter sido a inspiração para o personagem Gavroche em Les Misérables de Victor Hugo).[5] O que todos têm em comum é o ardor e a determinação nos olhos. Além da bandeira empunhada pela Liberdade, em tricolor, em segundo plano, pode ser vista também uma bandeira igual, muito longe, nas torres de Notre Dame.

A identidade do homem da cartola tem sido amplamente debatida. A sugestão de que era um auto-retrato de Delacroix foi eliminada pelos historiadores da arte moderna. No final do século XIX, foi sugerido o modelo de teatro Etienne Arago, outros têm sugerido o futuro provedor do Louvre, Frédéric Villot; mas não há um consenso firme sobre este ponto.[5]

Compra e Exibição[editar | editar código-fonte]

O governo francês comprou a pintura em 1831 por 3.000 francos com a intenção de exibi-lo na sala do trono do Palais du Luxembourg como uma lembrança para o "rei-cidadão" Louis-Philippe da Revolução de Julho. Delacroix foi autorizado a enviar o quadro para Félicité, sua tia, para o preservar. Ele foi exibido por pouco tempo no Salão de 1855. Em 1874, a pintura entrou no Louvre.

Nota de 100 francos, 1993

Legado[editar | editar código-fonte]

A pintura inspirou a Estátua da Liberdade, em Nova York,[6] , que foi dado para os Estados Unidos como um presente dos franceses, 50 anos depois do quadro ter sido pintado. A estátua, que segura uma tocha na mão, tem uma posição mais estável, ao contrário da mulher na pintura.

Uma versão gravada desta pintura, junto com uma representação do próprio Delacroix, foi destaque na nota de 100 francos no início dos anos 90.

A pintura teve ainda influência na música clássica; o americano George Antheil intitulada na "Sinfonia n º 6 - After Delacroix", afirmou que o trabalho foi inspirado pelo quadro.[7]

Uso Na Cultura Moderna[editar | editar código-fonte]

Em 2008, a banda britânica de rock alternativo Coldplay usou a pintura na capa do seu álbum Viva la Vida or Death and All His Friends.

Também, o rosto da mulher, é a efígie da República, gravada nas notas do Real, a moeda brasileira, que foi usada de inspiração, desde a proclamação da República, até os dias atuais. E acabou por se tornar um símbolo da República Federativa do Brasil.

Referências

  1. a b WebMuseum Paris (em inglês)
  2. Noon et al. 2003, p. 58.
  3. Toussaint, Hélene, (1982). La Liberté guidant le peuple de Delacroix. Paris: Editions de la Réunion des Musées Nationaux
  4. Renwick, William Lindsay (1889). The Rise of the Romantics 1789-1815: Wordsworth, Coleridge, and Jane Austen / W. L. Renwick. Oxford: Clarendon Press, 1990, c1963
  5. a b Pool 1969, p.33.
  6. The Private Life of a Masterpiece, Part 3, Liberty Leading the People, BBC, 2004
  7. http://www.classical.net/~music/recs/reviews/c/cpo99604a.php

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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