Ética judaica

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A ética na cultura judaica é pautada pela Talmud, que consiste da Torá escrita (o Pentateuco ou os primeiros cinco livros da Bíblia, atribuídos a Moisés) e a Torá oral codificada. O senso ético do judaísmo contempla todos os aspectos da vida, sendo impossível separar o campo religioso do secular, uma vez que quase todas as mitsvót (obrigações) têm esse duplo caráter. O povo hebreu estabeleceu um dos códigos étnicos mais antigos, foi estabelecido por volta de 1500 a.C., que foi liderado por Moisés, quando recebeu os dez mandamentos (é o conjunto de leis que segundo a bíblia foi criado por Deus, escritos em tábuas de pedra e entregue ao profeta Moisés). A ética Hebraica, tem como base a revelação de Deus aos seres humanos e a sua obediência a Ele. O judaísmo é uma religião orientado por regras de moral e ética muito amplas transmitidas através da Tóra, os dez mandamentos, e que envolvem todas as áreas da vida. Para uma pessoa que segue o judaísmo ela precisa ser, antes de mais nada, ética. Religioso significa ser ético, aquele que pratica atos justos e bons. Um judeu sem ética não é considerado um bom religioso, e apesar de cumprir cuidadosamente as leis do judaísmo entre o homem e Deus, enquanto permanecer não-ético, também não chegará a entender que o Criador rejeita a observância (Ação ou efeito de observar, de praticar com fidelidade alguma coisa; execução, cumprimento do que prescreve uma regra, uma lei) de leis entre o indivíduo e Deus por aqueles que agem de forma imoral. Esta é a marca que deve reger o comportamento de qualquer judeu em todos os campos, tanto nos relacionamentos interpessoais, dele com outros seres humanos, quanto dele em relação a Deus.

            Desde a Criação do mundo, do homem, da mulher e a confiança depositada neles pelo criador (Deus) logo definiu qual deveria ser o padrão de conduta para merecer o recebimento das bênçãos divinas: um compromisso estabelecido, uma palavra dada sempre devem ser mantidos, é uma entre tantas lições que se aprende do pecado ocorrido no jardim do éden, Paraíso. O Dilúvio que devastou o mundo a fim de purificá-lo com suas águas, poupou um único homem, Nôach (Noé) e sua família, fornecendo uma prova sobre a importância de quem se conduz com moralidade no mundo.

         A Torá segue com tantos e incontáveis exemplos nos dando uma visão de qual caminho devemos seguir e de como devemos agir durante todos os anos de nossa vida: devemos ser o espelho de Deus aos olhos do mundo. Yaacov (Jacó), foi muitas vezes enganado por seu Lavan (Labão), homem sem escrúpulos, que trocava um sem número de vezes sua palavra, mas apesar disso, cumpriu compromissos mesmo duvidosos afim de manter intacta sua integridade, o que o levou a sacrificar 20 anos de sua vida trabalhando sem trégua.

            Existem muitos judeus religiosos que não são éticos. Esse problema é ocasionado quando parte da comunidade observante transforma e ensina a lei judaica como um fim em si mesma, ao invés de um meio para aperfeiçoar o mundo sob o domínio de Deus. Infelizmente há judeus que acostumaram-se a restringir suas preocupações religiosas à prática de rituais repetitivos. Os Profetas censuraram fervorosamente aqueles judeus cuja observância mecânica destas leis demonstraram uma falta de preocupação pelos princípios éticos nelas contidos. Aquele que é observante das leis entre o indivíduo e Deus, dedica cuidado especial às regras que regem a cashrut, alimentação judaica, ou a suas preces, por exemplo, deve dedicar a mesma atenção e ser minucioso ao tratar com educação e respeito seu próximo. A observância das leis entre pessoa-a-pessoa, amar ao próximo como a si mesmo, é uma mitsvá de tanto peso que deve ser levada à prática em todos os atos que interlaçam os relacionamentos humanos.

            A Torá mostra como a má inclinação, a que todos estamos sujeitos, pode ser driblada e dominada, dependerá muito mais do nível de discernimento espiritual, do refinamento em que cada alma se encontra pelo mérito de seu esforço pessoal, do que simplesmente relegar a justificativa de atos negativos simplesmente como obra do azar ou do acaso. A ética é o equilíbrio permanente na balança onde o bem está acima do mal, e os atos são direcionados seguindo a orientação apontada pela própria Torá. Dominar nossos maus instintos, vencer obstáculos e tentações da vida é uma forma de exercer nosso livre arbítrio de forma efetiva, isto é, positiva. Espera-se sempre dos judeus um excelente comportamento ético, pois não é difícil constatar em seu currículo o que os dados estatísticos comprovam: homicídios, raptos, crimes hediondos é praticamente inexistente entre judeus, e isto ocorre tanto em sociedades onde constituem a maioria da população (como em Israel), como onde os judeus estão em minoria. Consequentemente, as pessoas esperam que atos maus jamais sejam cometidos por pessoas consideradas praticantes, pois presume-se que sejam regidas pelo mesmo código legal de conduta.

            O termo hebraico Halachá, Código das Leis Judaicas, significa caminho. A Halachá fornece todos os instrumentos necessários para se chegar a um determinado lugar, que deve ser o da santidade, moralidade e ética. As Leis da ética e conduta do povo judeu é o meio, mas depende exclusivamente de cada um de nós usá-lo da maneira certa para realmente nos tornarmos exemplos vivos da Torá, judeus verdadeiros, por dentro e por fora.

Ícone de esboço Este artigo sobre judaísmo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.