Cabala

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Cabalistas)
Ir para: navegação, pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para a sociedade secreta, veja Camarilha. Para a cidade da Serra Leoa, veja Kabala (cidade).
Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Qabala.

Kabbalah[nota 1] (em hebraico: קַבָּלָה, literalmente "receber/tradição"; também romanizada como Cabala, Qabbālâ, etc.; transliterações diferentes tendem a denotar tradições diferentes[1]) é um método esotérico, disciplina e escola de pensamento que se originou no judaísmo. Os cabalistas tradicionalmente no judaísmo são chamados de Mekubalim' (em hebraico: מְקוּבָלים) ou maskilim (משכילים "iniciados")

O que é Cabalá segundo algumas escolas cabalistas aceitáveis no Brasil; dentre outras, é:

O que é a Kabbalah? Através dos ensinamentos da sabedoria Kabbalah, seus princípios e diretrizes, levamos consciência de forma clara e aplicável para todos aqueles que desejam uma melhora em suas vidas por meio da autotransformação mental, espiritual e moral, promovendo a conexão com a Luz do Criador. Acreditamos que ao compreender nosso papel no mundo, a partir do desejo da Luz, podemos gerar uma mudança pessoal e em consequência disso influenciar e apoiar de forma positiva o crescimento e evolução da humanidade...
, Site: Kabbalah Center Brasil
O QUE É? Cabala ou Kabbalah (tanto faz), é uma sabedoria universal milenar que nos ensina os princípios espirituais que regem a vida. A palavra “Cabala” vem do aramaico e significa receber. A Cabala nos ensina a receber energia na vida, através de viver em harmonia com as leis e princípios do universo. Os cabalistas ensinam que todo ser humano tem um potencial para a grandeza, para a felicidade, e que obter a plenitude só depende de nós. Nosso destino está em nossas mãos. A vida é regida por uma lei de causa e efeito, de ação e reação, e nós colhemos as sementes que plantamos. Quando usamos o livre arbítrio para ter um comportamento mais proativo, como resultado teremos uma vida mais iluminada, com menos caos.
, Site: Casa da Kabbalah
O que é Cabalá? A Sabedoria da Cabalá é uma ferramenta científica para estudar o mundo espiritual. Para explorar o nosso mundo, usamos as ciências naturais como a física, química e biologia. Mas as ciências naturais lidam apenas com o mundo físico que percebemos com nossos cinco sentidos. Para entender completamente o mundo em que vivemos, necessitamos uma ferramenta de pesquisa que possa explorar o domínio oculto, que não pode ser percebido por nossos sentidos. Essa ferramenta é a sabedoria da Cabalá. De acordo com a sabedoria da Cabalá, a realidade consiste em duas forças ou qualidades: o desejo de receber e o desejo de doar. Já que o desejo de doar quer outorgar, ele cria um desejo de receber, e por isso é mais comumente chamado de "O Criador". Assim sendo, toda a Criação, incluindo nós mesmos, somos manifestações desse desejo de receber. Usando a Cabalá, podemos trabalhar com as forças fundamentais da realidade - recepção e outorgamento - para o nosso benefício. A Cabalá nos ensina não apenas o plano da Criação, mas também como podemos nos tornar criadores, tão onipotentes e oniscientes como o Criador da realidade.
, Site: Kabbalah.info - Bnei Baruch

As definições de o que é Cabalá variam de acordo com as tradições e objetivos daqueles que lhe seguem,[2] a partir de sua origem religiosa. Como parte integrante do judaísmo, da sua posterior ramificação a Cabala cristã, também na Nova Era e suas adaptações sincréticas ocultistas. A Cabalá é um conjunto de ensinamentos, comumente sendo referidos como esotéricos feitos para explicar a relação entre o imutável, eterno e misterioso Ein Sof (sem limites) ou Ain (Nada) esse termo Ain usado no sentido de não haver possibilidade de compreensão da Sua origem ou Sua essência (Atzmut ou Atzmus) que para os judeus é visto como "O oculto ou O proibido," e a única percepção que temos é através dos nossos sentidos em relação a Sua vontade (O outorgamento) e o universo mortal e finito (Sua criação ou O desejo de receber). Embora seja muito usado por algumas denominações, não é um sistema religioso em si. Cabalá é o Yesod (fundamento) das interpretações religiosas e místicas. A Cabalá procura através de seus métodos de estudo sobre o mundo espiritual (retirar o véu que nos prende nos 5 sentidos básico de compreensão da realidade) alcançar a raiz de toda causa e efeito na nossa realidade, a natureza do universo e do ser humano, a razão e o propósito da "Criação", e de diversas outras questões ontológicas em um degrau (nível) acima do nível "Material" no nível "Espiritual." Apresentando métodos para auxiliar na compreensão desses conceitos e assim conseguindo atingir a realização espiritual do "Ser Humano" que na visão de um dos maiores Cabalistas da nossa era o Ball HaSulam só é possível em um nível "Social" apesar de ter seu inicio na intensão de cada indivíduo.

A cabalá originalmente se desenvolveu dentro do domínio do pensamento judaico, e cabalistas judeus usam fontes judaicas clássicas para explicar e demonstrar os seus ensinamentos esotéricos. Esses ensinamentos (Hokmá HaKabbalah - Sabedoria da Cabalá) são mantidos pelos seguidores do judaísmo para definir o significado interno, tanto da Bíblia hebraica e da literatura rabínica tradicional e sua dimensão transmitida anteriormente escondida, bem como de explicar o significado das observâncias religiosas judaicas.[3]

Os cabalistas tradicionais acreditam que sua origem venha da forma antiga de misticismo judaico, a saber a literatura "Heichalot e Merkavá" (ספרות ההיכלות והמרכבה) embora essa tradição seja realmente antiga a sua forma escrita foi vista a partir do século VI ou VII.[4][5][6][7] Historicamente, a cabalá surgiu, depois dessas formas anteriores de misticismo judaico, nos séculos XII e XIII, no Sul da França e da Espanha (Provence - Languedoc - Catalunha e outras regiões), tendo como obra principal de estudo o Sêfer Yetzirá, tornando-se reinterpretadas no renascimento místico judeu da Palestina otomana, no século XVI, período esse conhecido como "pós-zohar" em especial na comunidade galileia de Safed, que incluía Yosef Karo , Moshé Alshich , Cordovero, Luria e outros, Foi popularizado na forma de judaísmo hassídico do século XVIII em diante. O interesse do século XX pela cabalá tem gerado muitas controvérsias no meio judaico, enquanto os ortodoxos acreditam que o ensinamento dessa Sabedoria deve ser restrito a alguns poucos selecionados, outros como Baal HaSulam e seus seguidores acreditam que no atual estado em que se encontra esse Mundo é crucial a disseminação da Cabalá para todos. O fato é que essa Sabedoria está se propagando cada dia mais e oxalá a Tikun chegue logo.

Tradição[editar | editar código-fonte]

De acordo com o Zohar, um texto fundamental para o pensamento cabalístico,[8] o Estudo da Torá pode prosseguir ao longo de quatro níveis de interpretação (exegese).[9][10] Estes quatro níveis são chamados de pardes derivado de suas letras iniciais (PRDS em hebraico: פַּרדֵס, pomar).

  • Peshat (em hebraico: פשט lit. "simples"): as interpretações diretas do significado.
  • Remez (em hebraico: רֶמֶז lit. "sugestão"): os significados alegóricos através de alusões).
  • Darash (em hebraico: דְרָשׁ lit. "inquira" ou "busque"): significados midrashcos (rabínico) muitas vezes com comparações imaginativas com palavras ou versos semelhantes.
  • Sod (em hebraico: סוֹד lit. "segredo" ou "mistério"): os significados internos, esotéricos (metafísicos) expressos na cabalá.

A Cabalá é considerada pelos seus seguidores como uma parte necessária do estudo da Torá – o estudo da Torá (a literatura do Tanak e Rabínica) sendo um dever inerente aos judeus observantes.[11]

O estudo acadêmico-histórico moderno do misticismo judaico reserva o termo "cabalá" para designar as doutrinas particulares e distintas que surgiram textualmente plenamente expressas na Idade Média, distintas dos conceitos e métodos místicos anteriores de Merkavá.[12] De acordo com esta categorização descritiva, ambas as versões da teoria Cabalística, a medieval-Zoharica e a Cabalá Luriânica do início moderno compreendem a tradição teosófica da Cabalá, enquanto a Cabalá extática-meditativa incorpora uma tradição medieval inter-relacionada paralela. Uma terceira tradição, relacionada, mas mais evitada, envolve os objetivos mágicos da Cabalá Prática. Moshe Idel, por exemplo, escreve que esses três modelos básicos podem ser discernidos operando e competindo ao longo de toda a história do misticismo judaico, além do contexto cabalístico da Idade Média.[13] Eles podem ser facilmente distinguidos por sua intenção básica em relação a Deus:

  • A tradição teosófica da Cabalá Teórica (o foco principal do Zohar e da Lúria) procura entender e descrever o reino divino. Como uma alternativa à filosofia judaica racionalista, particularmente ao aristotelismo de Maimonides, essa especulação se tornou o componente central da Cabala.
  • A tradição extática da Cabalá Meditativa (exemplificada por Abulafia e Isaac do Acre) se esforça para alcançar uma união mística com Deus. A "Cabala Profética" de Abraham Abulafia foi o exemplo supremo disso, embora marginal no desenvolvimento cabalístico, e sua alternativa ao programa da Cabala teosófica.
  • A tradição mágico-teúrgica da Cabalá Prática (em manuscritos frequentemente inéditos) procura alterar tanto os reinos Divinos quanto o Mundo. Embora algumas interpretações da oração vejam seu papel de manipular as forças celestes, a Cabala Prática envolveu propriamente atos de magia branca e foi censurada pelos cabalistas apenas por aqueles completamente puros de intenção. Consequentemente, formou uma tradição secundária separada, afastada da Cabalá. A Cabalá prática foi proibida pelo Arizal até que o Templo de Jerusalém seja reconstruído e o estado requerido de pureza ritual seja atingível.[14]:31

De acordo com a crença tradicional, o conhecimento cabalístico inicial foi transmitido oralmente pelos Patriarcas, Profetas, e Sábios (hakhamim em hebraico), eventualmente para ser "entrelaçado" aos escritos religiosos e cultural judaico. De acordo com essa visão, a cabalá primitiva era, por volta do século X a.C, era um conhecimento aberto praticado por mais de um milhão de pessoas na primitiva congregação "Israel".[15] Conquistas estrangeiras levaram a liderança espiritual judaica da época (o Sanhedrin) a esconder o conhecimento e torná-lo secreto, temendo que ele pudesse ser mal utilizado se caísse em mãos erradas.[16]

É difícil esclarecer com precisão os conceitos exatos dentro da cabalá. Existem várias escolas diferentes de pensamento com perspectivas muito diferentes; no entanto, todos são aceitos como corretos.[17] As modernas autoridades halákicas tentaram restringir o escopo e a diversidade dentro da Cabalá, restringindo o estudo a certos textos, notadamente o Zohar e os ensinamentos de Isaac Luria, transmitidos através de Hayyim ben Joseph Vital.[18] No entanto, mesmo essa qualificação faz pouco para limitar o escopo de compreensão e expressão, como incluído nesses trabalhos estão comentários sobre escritos Abulafianos, Sefer Yetzirá, escritos Albotonianos, e o Berit Menuhah,[19] que é conhecido pelos eleitos cabalísticos e que, como descrito mais recentemente por Gershom Scholem, combinou êxtase com o misticismo teosófico. Portanto, é importante ter em mente quando se discute coisas como a sefirot e suas interações que se trata de conceitos altamente abstratos que, na melhor das hipóteses, só podem ser entendidos intuitivamente.[20]

Cabalá judaica e não judaica[editar | editar código-fonte]

Shaarei Ora Traduzido do Latim por Joseph Gikatilla, comumente usada para representar o Cabalista e a Árvore da Vida.

Desde a Renascença os textos da Cabalá judaica entraram na cultura não-judaica, onde foram estudados e traduzidos por Hebraístas Cristãos e ocultistas Herméticos.[21]As tradições sincréticas da Cabalá Cristã e da Cabalá Hermética desenvolveram-se independentemente da Cabalá Judaica, lendo os textos judaicos como sabedoria antiga universal. Ambos adaptaram os conceitos judaicos livremente de sua compreensão judaica, para se fundirem com outras teologias, tradições religiosas e associações mágicas. Com o declínio da Cabalá Cristã na Era da Razão, a Cabalá Hermética continuou como uma tradição subterrânea central no Esoterismo ocidental. Através dessas associações não-judaicas com magia, alquimia e adivinhação, a Cabalá adquiriu algumas conotações ocultas populares que são proibidas no judaísmo, onde a Cabalá Judaica Prática era uma tradição menor e permitida restrita a algumas elites. Hoje, muitas publicações sobre a Cabalá pertencem à Nova Era não-judaica e às tradições ocultas da Cabalá, em vez de dar uma imagem precisa da Cabalá Judaica.[22] Em vez disso, as publicações acadêmicas e tradicionais agora traduzem e estudam a Cabala Judaica para um grande número de leitores.

História[editar | editar código-fonte]

Origem e Evolução[editar | editar código-fonte]

Origem Acadêmica[editar | editar código-fonte]

Historicamente, a Cabalá é dividida em misticismo anterior a Cabalá,[6] e Ela, propriamente dita. Cabalá surgiu segundo os historiadores acadêmicos baseando-se em publicações, nos séculos XII e XIII, no sul da França e da Espanha, tornando-se reinterpretadas no renascimento místico judeu da Palestina otomana, no século XVI. Foi popularizada na forma de judaísmo hassídico do século XVIII em diante.

Origem Mística[editar | editar código-fonte]

Alguns acreditavam (ou ainda acreditam) que a Cabalá surgiu no próprio Éden,[23] como uma revelação elegendo justos (tzadikim), tendo sido preservada apenas, na maioria do tempo por uns poucos privilegiados, outros acreditavam (ou ainda acreditam) que começou com o patriarca Avraham. Tradicionalmente acreditava-se que a cabalá fazia parte do conhecimento conhecido como Torá oral, supostamente dada a Moisés por Deus no Monte Sinai por volta do século XV a.C.

O Judaísmo Talmúdico registra sua visão dando um protocolo apropriado para ensinar essa Sabedoria, assim como muitos de seus conceitos, no Talmude, o Tratado Hagigah , 11b-13a, "Não se deve ensinar ... o Ato de Criação em pares, nem o Ato da Carruagem para um indivíduo, a menos que ele seja sábio e possa entender as implicações de si mesmo etc."[24]

As formas mais antigas de misticismo judaico consistiam de doutrinas empíricas.[6] Mais tarde, sob a influência das filosofias neoplatônica e neopitagórica, assumiram um caráter especulativo. Estudiosos modernos identificaram várias irmandades místicas que funcionavam na Europa medieval, a partir do século XII. Algumas eram verdadeiramente esotéricas, mantendo-se em grande parte anônimas, e se desenvolveram especialmente com base nos textos místicos Sêfer Yetzirá (Livro da Formação), onde se defende a ideia de que o mundo é a emanação de Deus,e Sêfer HaBahir (Livro da Iluminação).

A Cabalá transformou-se em objeto de estudo sistemático dos "eleitos", ou baale ha-kabbalah (בעלי הקבלה "possuidores ou mestres da Cabalá"). Os estudantes da Cabalá tornaram-se mais tarde conhecidos como maskilim (משכילים "iniciados"). Do século XIII em diante, ramificou-se em extensa literatura, em paralelo com o desenvolvimento do Talmude.

Desde o final do século XIX, com o desenvolvimento do estudo da cultura judaica, a Cabala também tem sido estudada como um sistema racional de compreensão do mundo, mais que um sistema místico. Um pioneiro desta abordagem foi Lazar Gulkowitsch.

O interesse do século XXpela Cabala, incluindo os esforços de investigação acadêmica sobre o assunto, tem inspirado os movimentos de renovação judaica e contribuído para o desenvolvimento da espiritualidade contemporânea não-judaica.

Divergências[editar | editar código-fonte]

Alguns historiadores da religião afirmam que devemos limitar o uso do termo Cabalá apenas ao sistema místico e religioso que apareceu depois do século XII e de que se deve usar outros termos para referir-se aos sistemas esotéricos-místicos judeus anteriores. Outros estudiosos veem esta distinção como sendo arbitrária. Neste ponto de vista, a Cabalá pós século XII é vista como a fase seguinte numa linha contínua de desenvolvimento que surgiu dos mesmos elementos e raízes. Desta forma, estes estudiosos sentem que é apropriado o uso do termo Cabalá para referir-se ao misticismo judeu desde o primeiro século da Era Comum. O judaísmo ortodoxo discorda de ambas estas opiniões, assim como rejeita a ideia de que a Cabalá causou mudanças ou desenvolvimento histórico significativo.

O Zohar[editar | editar código-fonte]

O texto mais importante da Cabala é o Zohar (זהר "Esplendor"), elabora sobre boa parte do material encontrado no Sêfer Yetzirá e no Sêfer HaBahir. Obra cabalística por excelência, trata-se de um comentário esotérico e místico sobre a Torá (o Pentateuco do Antigo Testamento), escrito em aramaico. A tradição ortodoxa judaica afirma que o Zohar foi escrito pelo rabino Shimon Bar Yohai durante o século II. No século XII, um judeu espanhol chamado Moisés de Leon declarou ter descoberto o texto do Zohar que foi então publicado e distribuído por todo o mundo judeu. Gershom Scholem, um célebre historiador e estudante da Cabala, sustentou que o próprio de Leon teria sido o autor do Zohar. Dentre seus argumentos, um é que o texto utiliza a gramática e estruturas frasais da língua espanhola do século XII; outro é que o autor não tinha um conhecimento exato de Israel.

O Zohar registra o ciclo de morte e renascimento chamado gilgul, ("roda" ou "transformações"), ensinando que cada reencarnação é uma missão especial que inclui lições a se aprender, ordens a serem cumpridas e feitos a serem executados, para equilibrar erros cometidos em existências anteriores. O propósito mais importante do gilgul é a purificação da alma e sua libertação do ciclo de vidas terrenas.[25][26]

Conceitos[editar | editar código-fonte]

Alma humana[editar | editar código-fonte]

O Zohar propõe que a alma humana possui três elementos, nefesh, ru'ach, e neshamah. O nefesh é encontrado em todos os seres humanos e entra no corpo físico durante o nascimento; é a fonte da natureza física e psicológica do indivíduo. As outras duas partes da alma não são implantadas durante o nascimento, mas criadas lentamente com o passar do tempo. Seu desenvolvimento depende das ações e crenças do indivíduo. Elas só existiriam por completo em pessoas espiritualmente despertas.

Uma forma comum de explicar as três partes da alma é como mostrado a seguir:

  • Nefesh - A parte inferior ou animal da alma. Está associada aos instintos e desejos corporais.
  • Ruach - A alma mediana, o espírito. Ela contém as virtudes morais e a habilidade de distinguir o bem e o mal.
  • Neshamah - A alma superior, ou super-alma. Essa separa o homem de todas as outras formas de vida. Está relacionada ao intelecto, e permite ao homem aproveitar e se beneficiar da pós-vida. Essa parte da alma é fornecida tanto para judeus quanto para não-judeus no nascimento. Ela permite ao indivíduo ter alguma consciência da existência e presença de Deus.

A Raaya Meheimna, uma adição posterior ao Zohar, de autor desconhecido, sugere que haja mais duas partes da alma, a chayyah e a yehidah. Gershom Scholem escreveu que essas "eram consideradas como representantes dos níveis mais elevados de percepção intuitiva, ao alcance somente de alguns poucos escolhidos".

  • Chayyah - A parte da alma que permite ao homem a percepção da divina força.
  • Yehidah - O mais alto nível da alma, pelo qual o homem pode atingir a união máxima com Deus.

Guemátria[editar | editar código-fonte]

A Guemátria, também conhecido como "numerologia judaica", é um método hermenêutico de análise das palavras bíblicas, de origem assírio-babilônica, que atribui um valor numérico definido a cada letra do Torá (Pentateuco).

A cada letra do alfabeto hebraico é atribuído um valor numérico. Os valores guemátricos das 22 letras hebraicas são[27] :

Decimal Letra Hebraico
1 Aleph א
2 Bet ב
3 Gimel ג
4 Dálet ד
5 Heh ה
6 Vav ו
7 Zayin ז
8 Het ח
9 Tet ט
Decimal Letra Hebraico
10 Yud י
20 Kaf כ
30 Lamed ל
40 Mem מ
50 Nun נ
60 Samech ס
70 Ayin ע
80 Peh פ
90 Tzady צ
Decimal Letra Hebraico
100 Koof ק
200 Reish ר
300 Shin ש
400 Taf ת
500 Kaf (final) ך
600 Mem (final) ם
700 Nun (final) ן
800 Peh (final) ף
900 Tzady (final) ץ

O valor de uma palavra do Torá é definido como o somatório dos valores das letras que a compõem. Quando o valor de uma palavra equivale à de uma palavra diferente, a Guemátria entende que elas necessariamente têm uma ligação simbólica. Analisando estas conexões através de métodos elaborados, as escrituras sagradas são interpretadas e explicadas.

Árvore da Vida[editar | editar código-fonte]

A Árvore da Vida contemplada de uma forma analítica

Árvore da Vida é um sistema cabalístico hierárquico em forma de árvore, dividida em dez Sefirot (partes ou frutos), que tanto podem ser interpretadas como estágios do todo (Universo), quanto ser lidas como estados de consciência.

As Sefirot são consideradas como emanações de Ain Soph, que permanece não manifestado e é incompreensível à inteligência humana.

Os Sefirot emanados são, na sequência:

  1. Kether - Coroa
  2. Chokmah - Sabedoria
  3. Binah - Entendimento
  4. Chesed - Misericórdia
  5. Geburah - Julgamento
  6. Tipareth - Beleza
  7. Netzach - Vitória
  8. Hod - Esplendor
  9. Jesod - Fundamento
  10. Malkuth - Reino

A Árvore da Vida começa em Kether, a centelha divina, a causa primeira de todas as coisas. Esta centelha desce na árvore tornando-se cada vez mais densa. A décima sefirah é Malkuth, a matéria densa, e representa o estado último das coisas. Subindo na Árvore, partindo de Malkuth, o homem eleva seu estado de consciência, aproximando-se cada vez mais de Kether.

Desta forma, a Árvore da Vida pode ser usada tanto para explicar a criação do Universo quanto para hierarquizar o processo evolutivo do homem.

Críticas[editar | editar código-fonte]

Dualidade Cabalística[editar | editar código-fonte]

Embora a Cabala sustente a unidade de Deus, uma das críticas mais sérias e persistentes é que pode questionar o monoteísmo e promover o dualismo (crença de que existe um poder do bem contraposto a um poder maligno), pois alguns de seus textos mencionam a existência de uma contraparte sobrenatural de Deus.

Existem dois modelos principais de cosmologia gnóstica dualista: o primeiro, que remonta a Zoroastrismo, acredita que a criação é ontologicamente dividida entre as forças do bem e do mal. A segunda, encontrada em grande parte das filosofias greco-romanas, como o neoplatonismo, acredita que o universo conhecia uma harmonia primordial, mas que uma perturbação cósmica originou uma segunda dimensão da realidade, o mal. Este segundo modelo influenciou a cosmologia da Cabala.

De acordo com a cosmologia cabalista, as dez Sefirot correspondem a dez níveis de criação. Estes níveis da criação não devem ser entendidos como dez diferentes divindades, mas como maneiras ou níveis diferentes de revelar Deus. Não é Deus que muda, mas a capacidade de perceber Deus que muda.

Enquanto Deus pode parecer apresentar natureza dupla (masculina/feminina, compassiva/julgadora, criadora/destruidora), os seguidores da Cabala têm consistentemente salientado a unidade absoluta de Deus. A natureza oculta e ilimitada de Deus, ou Ain Soph, existiria acima de tudo, transcendendo qualquer definição. A habilidade de Deus para tornar-se escondido da percepção é chamada de tzimtzum ("restrição"). O ocultamento torna a criação possível porque Deus pode ser "revelado" em uma diversidade de formas limitadas, formando então os blocos de criação.

Trabalhos cabalísticos posteriores, incluindo o Zohar, parecem afirmar o dualismo mais fortemente. Eles atribuem todos os males do universo a uma força sobrenatural, conhecida como Achra Sitra[28] ("outro lado"), que também emana de Deus. A "esquerda" da emanação divina é um reflexo negativo do lado de "santidade", com que foi bloqueado em combate.[29] Embora neste aspecto o mal exista dentro da estrutura divina dos Sefirot, a Zohar indica que o Ahra Sitra não tem poder sobre o Ain Soph, e só existe como um aspecto necessário da criação de Deus para dar ao homem o livre arbítrio, e que o mal é a consequência dessa escolha. Não é uma força sobrenatural em oposição a Deus, mas um reflexo da luta interna moral dentro de humanidade entre os ditames da moralidade e da renúncia de instintos básicos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Também escrita Kabbalah, Qabbala, cabbala, cabbalah, kabala, kabalah, kabbala

Referências

  1. KABBALAH? CABALA? QABALAH? de kabbalaonline.org
  2. Kabbalah: A very short introduction, Joseph Dan, Oxford University Press, Chapter 1 "The term and its uses"
  3. "Imbued with Holiness" - A relação do esoterismo para o exotérico na interpretação quádrupla da Pardes da Torá e da existência. de www.kabbalaonline.org
  4. Elior, Rachel. «A literatura do Heichalot e do Merkaba em Hebraico» (PDF). A literatura do Heichalot e do Merkaba: Sua conexão ao templo, ao templo do celestial e do templo. Consultado em 2 de abril de 2018 
  5. «Kabbalah». Wikepédia (em hebraico). 2 de abril de 2018 
  6. a b c «Literatura Heichalot e Merkavá». Wikipédia (em hebraico). 3 de setembro de 2017 
  7. HaSulam, Baal. «Liberdade». kabbalah.info. Consultado em 2 de abril de 2018 
  8. «What is Kabbalah?». ReformJudaism.org (em inglês). 18 de junho de 2014. Consultado em 10 de julho de 2017 
  9. Shnei Luchot HaBrit, R. Isaiah Horowitz, Toldot Adam, Beit haChokhma, 14
  10. «ZOHAR». JewishEncyclopedia.com. Consultado em 27 de setembro de 2015 
  11. «The Written Law - Torah». Jewish Virtual Library. Consultado em 27 de setembro de 2015 
  12. Kabbalah: A very short introduction, Joseph Dan, Oxford University Press, Chapters on "the emergence of Medieval Kabbalah" and "doctrines of Medieval Kabbalah"
  13. Moshe Idel, Hasidism: Between Ecstasy and Magic, p. 31
  14. Ginsburgh, Rabbi Yitzchak (2006). What You Need to Know about Kabbalah. [S.l.]: Gal Einai. ISBN 965-7146-119 
  15. Megillah 14a, Shir HaShirim Rabbah 4:22, Ruth Rabbah 1:2, Aryeh Kaplan Jewish Meditation: A Practical Guide pp.44–48
  16. Yehuda Ashlag; Preface to the Wisdom of Truth p.12 section 30 and p.105 bottom section of the left column as preface to the "Talmud Eser HaSefirot"
  17. See Shem Mashmaon by Rabbi Shimon Agasi. It is a commentary on Otzrot Haim by Haim Vital. In the introduction he list five major schools of thought as to how to understand the Haim Vital's understanding of the concept of Tzimtzum.
  18. See Yechveh Daat Vol 3, section 47 by Rabbi Ovadiah Yosef
  19. See Ktavim Hadashim published by Rabbi Yaakov Hillel of Ahavat Shalom for a sampling of works by Haim Vital attributed to Isaac Luria that deal with other works.
  20. Wagner, Matthew. «Kabbala goes to yeshiva - Magazine - Jerusalem Post». Jpost.com. Consultado em 27 de setembro de 2015 
  21. Kabbalah: A Very Short Introduction, Joseph Dan, Oxford University Press 2007. Chapters: 5 Modern Times-I The Christian Kabbalah, 9 Some Aspects of Contemporary Kabbalah
  22. The Jewish Religion: A Companion, Louis Jacobs, Oxford University Press 1995. Entry: Kabbalah
  23. Sefer Raziel HaMalakh Primeiro Parágrafo http://hebrewbooks.org/pdfpager.aspx?req=35004&st=&pgnum=7&hilite=
  24. אין דורשין ... במעשה בראשית בשנים ולא במרכבה ביחיד אלא אם כן היה חכם ומבין מדעתו
  25. http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/shmuel-lemle/reencarnacao-judaismo-cabala-803748.html. Reencarnação, judaísmo e Cabala. Visitado em 6.1.14
  26. http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/reencarna/home.html. Reencarnação e ressurreição. Visitado em 6.1.14
  27. Retirado de: The Book of the Sacred Magic of Abramelin the Mage
  28. «The Other Side». www.kabbalaonline.org. Consultado em 3 de abril de 2018 
  29. Encyclopaedia Judaica", volume 6, "Dualismo", p. 244
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Kabbalah».

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Cabala