Febre dos fenos

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Febre dos fenos
Lolium perenne, uma gramínea que é causa frequente de febre dos fenos.
Classificação e recursos externos
CID-10 J30.1
CID-9 477
OMIM 607154
DiseasesDB 31140
MedlinePlus 000813
eMedicine ent/194
MeSH D006255
Star of life caution.svg Aviso médico

Febre dos fenos é uma reacção alérgica ao pólen de algumas plantas, em especial gramíneas (constituintes do feno) e árvores.[1] Os sintomas geralmente incluem espirros, congestão nasal (nariz entupido), rinorreia (pingo no nariz), olhos vermelhos e lacrimejantes, tosse e comichão no nariz, boca, garganta ou outras áreas. Ao contrário do que o nome sugere, não há febre.[2] Embora a alergia possa ocorrer durante todo o ano desde que a substância que a desencadeia (alergéneo) esteja presente, é mais frequente na Primavera e no Outono,[3] quando a quantidade de pólen no ar aumenta.

O termo é por vezes usado como sinónimo de rinite alérgica, que abrange também as alergias desencadeadas pela inalação de outras substâncias além do pólen, tais como poeiras, e pêlos de animais.[1]

Quando se diz genericamente a todos os tipos de plantas que produzem pólen, é chamada de polinose.[4]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas surgem pouco tempo após a exposição ao alergéneo, e a sua intensidade é variável quer entre indivíduos quer no mesmo indivíduo durante o dia, sofrendo um agravamento de manhã nas primeiras horas após o despertar.[5]

Os sintomas mais frequentes são:[1] [3]

  • Tosse
  • Espirros
  • Congestão nasal (nariz entupido)
  • Rinorreia (pingo no nariz)
  • Dores de cabeça
  • Comichão no nariz, boca, olhos, garganta, pele ou outras áreas
  • Olhos vermelhos e/ou lacrimejantes
  • Falta de ar
  • Fadiga
  • Dificuldade em dormir

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Teste cutâneo de sensibilidade.

A história dos sintomas, incluindo a forma como variam ao longo do dia ou do ano, é suficiente para fazer o diagnóstico de febre dos fenos.[6] Tipicamente há um agravamento ao ar livre, em dias ventosos, e noutras situações que levem a uma maior exposição ao pólen; e diminui em dias chuvosos ou no interior de edifícios climatizados (por menor contacto com pólen).

Em alguns casos podem ser feitos testes adicionais para determinar que alergéneos causam a reacção alérgica. O mais frequente é um teste de sensibilidade (teste de escarificação), em que é colocada uma gota de solução que contém um alergéneo purificado sobre a pele, e depois feita uma pequena picada para permitir que a solução entre em contacto com a derme. Geralmente são usadas várias soluções que contêm os alergéneos mais comuns na área de residência do doente. Após algum tempo (10 a 20 minutos) são analisadas as diversas picadas para verificar se alguma desencadou uma resposta alérgica.[7]

Em casos mais raros pode ser pedida a detecção ou doseamento de anticorpos IgE, feita através de testes imunoenzimáticos como o ELISA, ou exames radioalergoabsorventes (RAST).[8]

Causa[editar | editar código-fonte]

Mastócito a libertar mediadores.

A febre dos fenos, tal como todas as alergias, é uma resposta exagerada do sistema imunitário a um alergéneo, que geralmente é uma substância inócua e na maioria das pessoas não desencadeia uma resposta imune. Este tipo de resposta é designada por reacção de hipersensibilidade tipo 1.

Nas pessoas alérgicas, o pólen é inspirado e entra em contacto com a mucosa das vias aéreas. Aí, liga-se a anticorpos do tipo IgE que estão na parede de um tipo especial de glóbulos brancos, os mastócitos, fazendo com que sejam libertados vários compostos tais como a histamina, que actuam como mediadores inflamatórios.[9] São estes mediadores que causam os sintomas da febre dos fenos.

Outras doenças estão por vezes associadas à febre dos fenos, como por exemplo a asma ou o eczema.[10]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Bétulas. O seu pólen é frequente causa de alergia.

Se o alergéneo for conhecido, é possível adoptar medidas para minimizar o contacto, e portanto as crises alérgicas. Estas medidas incluem:

  • Manter os vidros do automóvel e dos edifícios fechados
  • Usar óculos (por exemplo, óculos de sol)
  • Evitar lugares abertos e com vegetação, principalmente durante o anoitecer e à noite
  • Instalar um filtro de pólen no automóvel
  • Informar-se sobre as contagens de pólen na atmosfera (em Portugal)
  • Planear períodos de férias (junto ao mar ou no estrangeiro) consoante as épocas de polinização

Como a febre dos fenos não é uma situação que ponha em risco a vida do doente, é controverso se medidas de prevenção devem ser recomendadas por rotina, já que a medicação é geralmente suficiente para controlar os sintomas sem afectar a qualidade de vida.[11]

Medicamentos[editar | editar código-fonte]

A medicação mais vezes utilizada nos casos leves a moderados são os anti-histamínicos orais que bloqueiam o receptor H1 da histamina, um dos principais mediadores responsável pelos sintomas. Alguns destes medicamentos são a terfenadina, astemizole, loratadina e fexofenadina.[11]

Em casos mais graves podem ser usados glicocorticóides por via tópica, que são mais eficazes nos sintomas nasais do que os anti-histamínicos. Em alternativa pode ser usado o cromoglicato, em especial nas crianças, já que estas podem sofrer mais facilmente dos efeitos adversos dos glicocorticóides.

Em pacientes que não respondam a esta medicação é por vezes equacionada a utilização sistémica de glicocorticóides (por exemplo a prednisolona), que geralmente causam um alívio rápido dos sintomas. A administração sistémica permite uma acção eficaz mesmo em situações de obstrução nasal completa (que limita a acção de medicamentos tópicos), embora a utilização de descongestionantes nasais de curto efeito antes da administração tópica também permita resolver este problema.[11]

Imunoterapia[editar | editar código-fonte]

A prevenção e medicação são suficientes para controlar os sintomas na maioria dos doentes. Nos casos raros em que isso não acontece, pode ser sugerida uma forma de tratamento que consiste em injectar concentrações crescentes (iniciando com uma dose muito baixa) do alergéneo, que ao longo do tempo (habitualmente anos) é gradualmente aumentada. Esta forma de imunoterapia causa uma dessensibilização do sistema imunitário, que eventualmente deixa de montar uma resposta alérgica, ou pelo menos diminui a sua intensidade.[11]

Terapêuticas alternativas[editar | editar código-fonte]

Uma grande variedade de métodos alternativos são usados para aliviar os sintomas e tratar a febre dos fenos, embora não haja evidências que suportem a sua utilização.[12] [13]

Algumas ervas frequentemente utilizadas incluem petasite, urtiga, hidraste ou beladona. Mas convém lembrar que a beladona é uma das plantas mais tóxicas encontradas no hemisfério ocidental. A ingestão de apenas uma folha pode ser fatal a um adulto, embora isto possa variar de um espécie para outra. A raíz da planta geralmente é a parte mais tóxica. Várias pessoas afirmam que mel produzido na região onde a pessoa vive pode ajudar a aliviar os sintomas. Outras terapias incluem probióticos, acupunctura e hipnose.[14]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c MedlinePlus: Allergic rhinitis. Página visitada em 8 de Abril de 2008.
  2. Mayo Clinic - Hay fever (Signs and symptoms). Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  3. a b eMedicineHealth - Hay fever (overview). Página visitada em 8 de Abril de 2008.
  4. Polinose. Página visitada em 17 de Outubro de 2013.
  5. Smolensky, MH; Reinberg A, Labrecque G. (Maio 1995). "Twenty-four hour pattern in symptom intensity of viral and allergic rhinitis: treatment implications.". The journal of allergy and clinical immunology (95(5 Pt 2)): 1084-96. PMID 7751526.
  6. NHS Direct: Hay fever diagnosis. Página visitada em 13 de Abril de 2008.
  7. Skin Prick Allergy Test. Página visitada em 13 de Abril de 2008.
  8. Folheto de informação ao paciente - NHS (PDF). Página visitada em 13 de Abril de 2008.
  9. eMedicineHealth:Hay Fever Causes. Página visitada em 9 de Abril de 2008.
  10. University of Pennsylvania - Eczema. Página visitada em 10 de Abril de 2008.
  11. a b c d Durham, Stephen. (Março 1998). "ABC of allergies: Summer hay fever .". British Medical Journal 316(7134): 843.
  12. Passalacqua G, Bousquet PJ, Carlsen KH, Kemp J, Lockey RF, Niggemann B, Pawankar R, Price D, Bousquet J. (2006). "ARIA update: I--Systematic review of complementary and alternative medicine for rhinitis and asthma". J. Allergy Clin. Immunol. 117 (5): 1054-62. PMID 16675332.
  13. Terr A. (2004). "Unproven and controversial forms of immunotherapy.". Clin Allergy Immunol. 18 (1): 703-10. PMID 15042943.
  14. Mayo Clinic - Hay fever: Complementary and alternative medicine. Página visitada em 2 de Maio de 2008.