Fernando Holiday

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Fernando Holiday
Fernando Holiday
Vereador de São Paulo
Período 1º de fevereiro de 2017
até a atualidade
Dados pessoais
Nascimento 22 de setembro de 1996 (22 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade brasileiro
Partido Democratas (DEM)
Profissão Coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL)

Fernando Silva Bispo, mais conhecido como Fernando Holiday (São Paulo, 22 de setembro de 1996), é um político brasileiro, filiado ao Democratas (DEM) e vereador da cidade de São Paulo[1]. Foi eleito com 48.055 votos nas eleições de 2016,[2] sendo o primeiro homossexual assumido a ocupar tal cargo.[3]

É coordenador nacional do Movimento Brasil Livre (MBL) e estudante de direito.[4][5] Ficou conhecido por convocar protestos favoráveis ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.[6]

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Foi eleito, aos 20 anos, o vereador mais jovem da história do município de São Paulo, com 48.055 votos.[7]

Ao se candidatar vereador, Holiday foi apoiado pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) ao destacar que "Holiday possui total capacidade de representar os brasileiros que nele confiar a esperança de ver a política renovada. É importante ressaltar também, que os paulistanos que tenham o real interesse em ver a diminuição dos privilégios que são concedidos a políticos, como por exemplo, os altos salários e pesados benefícios sustentados pelos eleitores, será diminuído, conforme Holiday já prometeu."[8]

Posições[editar | editar código-fonte]

Em seu primeiro mandato como vereador, comprometeu-se a doar 20 por cento do seu salário.[9] Holiday ainda assinou um termo onde se compromete a renunciar 50% dos gastos da verba de gabinete vigente, renúncia à utilização do carro oficial e motorista e renúncia de 50% da verba destinada ao custeio das despesas operacionais, indo de acordo com as reivindicações populares de que o corte deve ser para todos em momento de crise econômica.[10]

Mesmo sendo negro e homossexual[11], não vê nenhum benefício em secretarias para tratar destes temas. Segundo Holiday, tais secretarias nunca ajudaram a combater o racismo ou homofobia, pelo contrário, ele as considera como secretarias para servirem de cabides de emprego e para sustentar o discurso da separação, da segregação, do ódio e do preconceito. Entretanto, Fernando é contrário a retirada de direitos de negros e LGBTs: “Não devem ter direitos a menos, mas também não devem ter direitos a mais”.[12]. Holiday é contra a política de cotas raciais no Brasil[13], por considerar que elas incentivam o racismo. "Não estou fazendo nada mais que trazer as ideias para dentro da Câmara. Uma das minhas propostas, não a principal, mas uma das que pretendo propor ao longo do próximo ano, é a revogação das cotas raciais nos concursos públicos municipais. Acredito que acaba incentivando o racismo. (…) Acredito que é uma medida prejudicial para o estado de São Paulo e prejudicial, inclusive, para os próprios negros.”, afirmou Holiday.[14]

Holiday, Kim Kataguiri (sentados, ao celular) e Joice Hasselmann (direita, de branco) em 29 de agosto de 2016 no Senado, acompanhando uma das votações do processo de impeachment.

Em entrevista ao Brasil-Post, disse ser contrário a invasões nas escolas. "Estudar é um direito garantido e não é por meia dúzia de alunos que sequer sabem contra o que estão protestando." Sobre a PEC 241, é a favor da proposta e também a favor da medida e das reformas previdenciária e trabalhistas defendidas pelo presidente Michel Temer.[14] Nesta mesma entrevista, Holiday disse que vai combater o vitimismo, e disse ser a favor das 10 Medidas contra corrupção, um projeto de lei de autoria do Ministério Público Federal.[14]

Tem um posicionamento político liberal,[15] e de que todos devem ser iguais perante a lei, como diz a Constituição brasileira[14], mesmo que admita ser uma nova figura do Conservadorismo brasileiro[16].

Em dezembro de 2016 se posicionou publicamente contrário ao aumento dos salários dos vereadores de São Paulo,[17] aprovado em 20 de dezembro pelos próprios, um reajuste de 26,3%, em plena crise financeira.[18] Em 25 de dezembro, o juiz Alberto Alonso Munoz através de uma liminar suspendeu o aumento salarial com argumento de que fere a Lei de Responsabilidade Fiscal.[18] A liminar foi uma ação popular.[19]

Em 2016, deu entrevista ao Congresso Brasil Paralelo, um grupo que em seus documentários, dentre outros, explicou o impeachment de Dilma Rousseff.[20]

Supostos ataques raciais[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 2016, o redator d’O Sensacionalista Marcelo Zorzanelli, escreveu um artigo com tom irônico, sobre Fernando Holiday, intitulado Vereador do MBL quer que negros tenham cota para capitão do mato. Desde então Fernando Holiday foi alvo de afirmações do gênero nas redes sociais por outros grupos de esquerda. Em tom de brincadeira, colocando a fotografia de Holiday ao lado de um retrato de um capitão do mato, o portal escreveu:

Em ocasião posterior a esta publicação, Fernando Holiday participou de um pequeno debate promovido na rádio Jovem Pan com Thiago Pará, membro do Levante Popular da Juventude. Na pauta, as primeiras ações do governo Temer. Em dado momento, depois que Holiday falou sobre como partidos de esquerda veem os negros (sempre como integrantes de grupos de rap e de hip hop, ou, nas palavras do próprio Holiday, "como ratos, como animais, como sub-humanos", Thiago respondeu:

O jornalista e escritor Alexandre Versignassi argumentou que Fernando Holiday é ostensivamente chamado de “fantoche” pela esquerda branca e rica, e por todas as outras esquerdas, por ser negro, pobre, de direita e primeiro vereador gay assumido em São Paulo. Versignassi sustenta sua argumentação equiparando Holiday com Kim Kataguiri, que apesar de defender a mesma ideologia, o mesmo discurso, de ter a mesma idade que Holiday, sendo igualmente articulado, enquanto Kim é chamado, por quem não gosta dele de “imbecil”, Holiday é chamado de “manipulado”, “fantoche” e “capitão do mato” – termo que designava o escravo carcereiro dos outros escravos. Embora Kim e Holiday sejam, ideologicamente, equiparáveis, somente Kim tem o direito de pensar por conta própria.[23] O portal Esquerda Diário publicou um artigo argumentando sobre um vídeo em que Holiday criticou as cotas raciais. O portal o apresentou como um dos participantes do pró-impeachment que atuam de forma assídua a favor do sistema capitalista, sendo o seu discurso o favorito da Casa Grande,...

O compositor Nêggo Tom, através da página de esquerda 241, publicou um artigo intitulado O capitão do mato do neoliberalismo golpista, no qual rotula Holiday como tal e dá argumentos de porque ele seria uma “um capitão do mato”.[25] O blogger Altamiro Borges, pela página de esquerda Brasil 247, também defendeu a mesma posição, publicando um texto intitulado Vereador do DEM é um capitão do mato.[26] O escritor e analista político Flavio Morgenstern saiu em defesa de Holiday, contra os seus acusadores de esquerda. Para Morgensterna “piada” feita, inicialmente pelo portal Sensacionalista / UOL, houve porque Holiday é negro, equiparando tal racismo com os xingamentos racistas feitos por petistas contra Joaquim Barbosa.[27]

Em 2016, foi chamado de capitão do mato por Tico Santa Cruz.[28] Fernando acusa seus detratores de racismo e defende o engajamento político de negros e pobres no Brasil.

Em 2018 o político Ciro Gomes chamou Fernando Holiday de capitão do mato. Em entrevista para a rádio Jovem Pan, enquanto apresentava suas propostas políticas, Ciro, sem que fosse perguntado sobre Fernando Holiday, disse:

Holiday afirmou em vídeo que pretende processá-lo.[30][31][32] No dia 12 de julho de 2018 foi aberto inquérito policial para investigar a natureza das alegações.[33]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Por defender bandeiras como o fim das cotas raciais, o fim do Dia da Consciência Negra e o fim da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo,[34][35] foi chamado por Rui Costa Pimenta de "fascista"[36]

No 13 de março de 2017, foi acusado pelo site de notícias BuzzFeed pelo uso de Caixa dois, (crime que criticou fortemente enquanto militante do Movimento Brasil Livre) em sua campanha para vereador do município de São Paulo. Holiday negou as acusações, e em contra-resposta protocolou um pedido de investigação a sua própria candidatura. O Ministério Público Eleitoral (MPE) iniciou uma análise do caso a seu próprio pedido[37] e do Partido dos Trabalhadores [38].

Em uma nova denúncia no jornal El País em matéria no dia 3 de novembro de 2017 trouxe uma reportagem com o ex-advogado da campanha de Fernando Holiday, Cleber Teixeira, acusando o vereador de ter feito caixa dois, além de afirmar ter "sido ameaçado de morte por pessoas ligadas ao MBL" apesar de não apresentar boletim de ocorrência do fato[39]. Em entrevista, Holiday se defendeu dizendo que o ex-advogado mentiu após não ser escolhido como chefe de gabinete[40]. Cleber Teixeira rompeu com o vereador do DEM e entrou com ação para comprovar o que diz. Na denúncia, segundo ele, teria se recusado a assinar a prestação de contas apresentada à Justiça, ainda que o Tribunal Superior Eleitoral tenha recebido o documento[41] e aprovado as contas de campanha. Em 2017 o jornal Folha de S.Paulo noticiou que a Polícia Civil do Estado de São Paulo abriu inquérito para investigar Cléber Teixeira por estelionato e formação de quadrilha[42], a pedido do Movimento Brasil Livre (MBL).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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Referências

  1. «Fernando Holiday». fernandoholiday. Consultado em 5 de junho de 2018 
  2. «Fernando Holiday». Eleições 2016. Consultado em 25 de outubro de 2016 
  3. «Jovem de 20 anos é o primeiro gay assumido da Câmara de São Paulo». Uol. Consultado em 19 de novembro de 2016 
  4. «Holiday/história». Site pessoal. Consultado em 26 de outubro de 2016 
  5. «Eleito mais jovem mora em 'cafofo' e se dividirá entre Câmara e faculdade - 04/10/2016 - Poder - Folha de S.Paulo». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 5 de junho de 2018 
  6. «Eleito mais jovem mora em 'cafofo' e se dividirá entre Câmara e faculdade». Folha de S.Paulo. Uol. Consultado em 25 de outubro de 2016 
  7. «Biografia». Câmara dos Deputados. Consultado em 18 de abril de 2017 
  8. «CAIADO DECLARA APOIO A FERNANDO HOLIDAY E DIZ: "TENHO CERTEZA QUE ELE VAI ORGULHAR O SEU VOTO"». MBL. Consultado em 4 de janeiro de 2016 
  9. «'Vou doar 20% do meu salário para instituições de caridade', afirma o vereador Fernando Holiday». Radio Globo. Globo.com. 24 de outubro de 2016. Consultado em 4 de janeiro de 2017 
  10. «Termo de Declaração Pública». Fernando Holiday. Consultado em 4 de janeiro de 2017 
  11. «Precisamos falar sobre Fernando Holiday». Abril. 4 de outubro de 2016. Consultado em 19 de novembro de 2016 
  12. «Vereador eleito em São Paulo, Fernando Holiday, defende fim de secretarias para negros e LGBTs». Correio 24 horas. Consultado em 25 de outubro de 2016 
  13. http://noticias.band.uol.com.br/cidades/noticia/100000829868/vereador-negro-quer-acabar-com-cotas-e-feriado.html
  14. a b c d «Fernando Holiday: 'Cotas incentivam o racismo, são prejudiciais para o Estado e para os negros'». Brasilpost. 18 de novembro de 2016. Consultado em 19 de novembro de 2016 
  15. Reinaldo Azevedo. «Como é que um negro, pobre e gay decide ser liberal? Isso ofende os ricos de esquerda! Todo negro tem de ser vítima!». VEJA. Abril. Consultado em 19 de novembro de 2016 
  16. «FERNANDO HOLIDAY: Adeus, antiga juventude!». Folha de S.Paulo 
  17. «O milagre da pressão popular: liminar faz com que vários vereadores sejam contra reajuste». Jornal Livre. 27 de dezembro de 2016. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  18. a b «Justiça suspende aumento de salário de vereadores de São Paulo». Uol. 25 de dezembro de 2016. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  19. «Juiz do TJ-SP suspende aumento salarial dos vereadores de São Paulo». Ultimo Segundo. iG. Consultado em 28 de dezembro de 2016 
  20. «Brasil Paralelo». Brasil Paralelo. Consultado em 10 de abril de 2017 
  21. «Vereador do MBL quer que negros tenham cota para cargo de capitão do mato». O Sensacionalista. Consultado em 18 de junho de 2018 
  22. «Fernando Holiday e os capitães do mato. Ou a progressista de volta». Sul connection. Consultado em 18 de junho de 2018 
  23. «Precisamos falar sobre Fernando Holiday». SuperInteressante Abril. Consultado em 18 de junho de 2018 
  24. «Holiday, capitão do mato». Esquerda Diário. Consultado em 18 de junho de 2018 
  25. «O capitão do mato do neoliberalismo golpista». Brasil 247. Consultado em 18 de junho de 2018 
  26. «Vereador do DEM é um capitão do mato». Brasil 247. Consultado em 18 de junho de 2018 
  27. «Fernando Holiday, vereador do MBL, foi chamado de "capitão do mato" pelo Sensacionalista». Brasil 247. Consultado em 18 de junho de 2018 
  28. «Tico Santa Cruz cobra CPI para investigar contas do MBL». 27 de maio de 2016 
  29. «Fernando Holiday é um capitãozinho do mato, diz Ciro Gomes». Jornal da Manhã. Junho de 2018 
  30. «Ciro chama Holiday de 'capitãozinho do Mato' e vereador o acusa de racismo». Folha de S.Paulo. 18 de Junho de 2018 
  31. «Ciro Gomes chama Holiday de "capitãozinho do mato" e vereador promete processá-lo». Zero Hora. 18 de Junho de 2018 
  32. «Fernando Holiday afirmou que vai processar pedetista por racismo». O Globo. 18 de Junho de 2018. Fernando Holiday afirmou que vai processar pedetista por racismo 
  33. «Inquérito por injúria racial contra Ciro em SP». 16 de julho de 2018 
  34. http://www.guiagaysaopaulo.com.br/1/n--fernando-holiday-defende-fim-de-secretaria-lgbt-que-nao-existe--06-10-2016--3292.htm
  35. «Vereador Fernando Holiday quer acabar com cotas raciais e revogar Dia da Consciência Negra». 5 de novembro de 2016 
  36. «Análise Política da Semana: como combater o fascismo». 19 de novembro de 2016 
  37. «PF vai analisar se investiga campanha de Holiday após representações dele mesmo e do PT - Notícias - Política». Política 
  38. Janaina Garcia (17 de Março de 2017). «MP analisa suspeita de caixa 2 contra vereador ligado ao MBL». UOL 
  39. «Ex-advogado da campanha de Fernando Holiday acusa o vereador de ter feito caixa dois». El País, 3 nov 2017 
  40. «"Os cinco conselheiros do TCM são cinco pesos mortos"» 
  41. [blob:http://divulgacandcontas.tse.jus.br/ec3412dd-2519-4f6a-9db3-1dbfc534c0ad «Divulgação de cotas»] 
  42. «Mônica Bergamo: Polícia Civil vai investigar Alexandre Frota por usar nome do MBL». Folha de S.Paulo 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]