Galinhos

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Galinhos
  Município do Brasil  
Fotografia de Galinhos a partir do estuário do Rio Aratuá
Fotografia de Galinhos a partir do estuário do Rio Aratuá
Hino
Gentílico galinhense
Localização
Localização de Galinhos no Rio Grande do Norte
Localização de Galinhos no Rio Grande do Norte
Mapa de Galinhos
Coordenadas 5° 06' 50" S 36° 16' 48" O
País Brasil
Unidade federativa Rio Grande do Norte
Região intermediária[1] Natal
Região imediata[1] João Câmara
Municípios limítrofes Caiçara do Norte, Guamaré, Jandaíra e Oceano Atlântico
Distância até a capital 160 km
História
Emancipação 26 de março de 1963 (58 anos)
Administração
Prefeito(a) Francinaldo Silva da Cruz (PL, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [2] 340,769 km²
População total (estimativa IBGE/2021[3]) 2 903 hab.
Densidade 8,5 hab./km²
Clima Semiárido
Altitude 2 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4]) 0,564 baixo
PIB (IBGE/2018[5]) R$ 70 961,66 mil
PIB per capita (IBGE/2018[5]) R$ 26 031,42
Sítio galinhos.rn.gov.br (Prefeitura)

Galinhos é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte. Localiza-se na Península de Galinhos, litoral norte do estado, rodeado por dunas, salinas, manguezais, praias e um rio.[6] Galinhos tem seu acesso feito pela BR-406 e pela RN-402, distando 160 km da capital estadual, Natal.

O nome do povoado de Galinhos surgiu naturalmente na boca do povo, em referência ao pequeno tamanho dos peixes-galos existentes na área. Foi por causa da abundante quantidade de peixe-galo daquela área que um grande número de pescadores abandonou suas terras de origem, armou suas tendas na localidade e começou a formar pequenas aldeias, tornando-se os pioneiros do povoamento.

O desenvolvimento da povoação deu-se a partir de uma produtividade econômica baseada no pescado de peixes-galos e de voadores, na facilidade em produzir salinas naturais, onde o sal é bastante farto, e também, na cultura de algodão e sisal. Em 26 de março de 1963, Galinhos desmembrou-se de São Bento do Norte, através da Lei n° 2.838, tornando-se município do Rio Grande do Norte.

Atualmente, Galinhos vem despontando como um novo destino turístico devido às suas praias desertas e a paisagem preservada da região. Sua principal atração é a Praia do Farol juntamente com o Farol de Galinhos. Também pode-se destacar a Praia do Capim, onde a alta salinidade proporciona uma flutuação incomum. Nesta mesma praia, existe um parque Eólico que proporciona uma paisagem incrivelmente insólita. No trajeto entre Galinhos e a Praia do Capim, ainda é possível avistar alguns exemplares da Ararinha-Azul.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Na divisão territorial do Brasil vigente desde 2017, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Galinhos pertence à região geográfica intermediária de Natal e à região imediata de João Câmara.[1] Até então, na divisão em mesorregiões e microrregiões que vigorava desde 1989, o fazia parte da microrregião de Macau, dentro da mesorregião Central Potiguar.[7] Está a 160 km da capital potiguar, Natal,[8] e a 2 399 km da capital nacional, Brasília.[9] Banhado pelo Oceano Atlântico a norte, Galinhos possui 24,5 km de litoral,[10] limitando-se com Jandaíra a norte, Caiçara do Norte a leste e Guamaré a oeste.[11] Sua área territorial é de 340,769 km²[2] (0,6453% da superfície estadual), dos quais apenas 0,417 km² em perímetro urbano.[12]

O estuário do Rio Aratuá

O relevo de Galinhos, com baixas altitudes está inserido na planície costeira, caracterizada pela presença de dunas constituídas por areia e quartzo, modeladas pela ação dos ventos. Essa planície é sucedida pelos tabuleiros costeiros ou planaltos rebaixados, de geologia sedimentar, apresentando teores de argila em sua constituição. Nas áreas mais afastadas do mar predomina a Chapada da Serra Verde que, diferente dos tabuleiros costeiros, possui geologia cristalina. Em Galinhos predominam sedimentos do Grupo Barreiras, constituídos de arenitos e conglomerados de argilito e siltito, oriundos do período Terciário Superior. A geologia local também é marcada pela existência de sedimentos da Bacia Potiguar, provenientes do período Cretáceo, e ainda pela Formação Jandaíra, constituída por calcário, coberto pelos sedimentos do Grupo Barreiras.[11]

Os solos de Galinhos, em sua maioria, são arenosos e pouco férteis, porém bastante permeáveis e bem drenados, caracterizando as areias quartzosas ou neossolos,[11] existindo ainda uma área de gleissolos,[13] chamado de solonchak na antiga classificação brasileira de solos.[14] Esses solos são cobertos principalmente pela caatinga, uma vegetação xerófila, de pequeno porte, que perde suas folhas na estação seca. As áreas costeiras são cobertas pela restinga, com depósitos de areia, havendo ainda áreas de manguezais no estuário do rio Aratuá que, por estar constantemente sujeito ao regime de marés, possui um maior grau de salinidade.[11]

Apesar de sua localização defronte ao mar, Galinhos possui clima semiárido, com baixo índice pluviométrico e chuvas concentradas no período de março a junho. No regime hidrográfico, Galinhos possui todo o seu território na faixa litorânea norte de escoamento difuso, sendo cortado pelos rios Aratuá, Camurupim, Catanduba, Galinhos, Pisa Sal, do Tomás e Volta do Sertão, além dos riachos do Boi, do Cabelo, da Mutuca, Santa Maria e Tubabau e dos lagos da Catanduva e Salgado.[11]

Dunas do André, ponto turístico de Galinhos, cujo nome é uma referência a um antigo morador da área[15]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
19701 838
19801 272−30,8%
19911 265−0,6%
20001 76739,7%
20102 15922,2%
Est. 20212 903[2]34,5%
Fonte: IBGE[16]

Com 2 159 habitantes no último censo demográfico, Galinhos era o terceiro município menos populoso do Rio Grande do Norte, ocupando a 165ª posição dentre os 167 municípios de seu estado, à frente de Ipueira e Viçosa, e a 5 395ª colocação no Brasil (de 5 565 municípios).[17] A razão de sexo era de aproximadamente 107 homens para cada cem mulheres,[18] com 51,64% dos habitantes do sexo masculino e 48,36% do sexo feminino, e 57,34% da população vivendo na zona urbana.[19] Quanto à faixa etária, 64,98% tinham entre 15 e 64 anos, 29,09% abaixo de quinze anos e 5,93% 65 anos ou mais.[20] A densidade demográfica era de apenas 6,31 hab/km², a menor de todo o estado.[21]

Em pesquisa de autodeclaração do censo, 47,89% dos habitantes eram pardos, 35,62% brancos, 13,72% pretos e 2,76% amarelos.[22] Quase toda a população era brasileira nata (99,3%), havendo também estrangeiros (0,7%).[23] Da população em geral, 58,82% eram naturais do próprio município, dos 96,53% nascidos no estado.[24] Dentre brasileiros naturais de outras unidades da federação, os estados com maior percentual de residentes eram Rio de Janeiro (0,69%), Ceará (0,67%) e Paraíba (0,54%).[25]

Ainda segundo o mesmo censo, 72,52% eram católicos apostólicos romanos, 17,61% evangélicos e 0,1% budistas. Outros 9,67% declararam não seguir nenhuma religião e 0,11% não tinham religião determinada ou múltiplo pertencimento.[26] Na Igreja Católica, Galinhos tem como padroeira Nossa Senhora dos Navegantes[27] e pertence à Paróquia São José de Operário de Jandaíra.[28] Existem ainda alguns credos protestantes ou reformados, sendo a Assembleia de Deus a principal denominação.[26]

Galinhos possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) considerado baixo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era 0,564, estando na 156ª posição a nível estadual e na 4 965ª colocação a nível nacional. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é 0,723, o valor do índice de renda é 0,578 e o de educação 0,429. Em 2010, 59,02% da população viviam acima da linha de pobreza, 22,4% abaixo da linha de indigência e 18,58% entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos acumulavam 60,05% do rendimento total municipal, enquanto os 20% mais pobres apenas 1,99%, sendo o índice de Gini, que mede a desigualdade social, igual a 0,575.[29][30]

Referências

  1. a b c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2017). «Base de dados por municípios das Regiões Geográficas Imediatas e Intermediárias do Brasil». Consultado em 10 de fevereiro de 2018 
  2. a b c IBGE. «Brasil / Rio Grande do Norte / Galinhos». Consultado em 15 de julho de 2021 
  3. «Estimativa populacional 2021 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 28 de agosto de 2021. Consultado em 10 de setembro de 2021 
  4. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). «IDHM Municípios 2010». Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil. Consultado em 4 de setembro de 2013 
  5. a b IBGE. «Produto Interno Bruto dos Municípios». Consultado em 3 de janeiro de 2021 
  6. [1]
  7. IBGE (1990). «Divisão regional do Brasil em mesorregiões e microrregiões geográficas» (PDF). Biblioteca IBGE. 1: 44–45. Consultado em 15 de julho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 25 de setembro de 2017 
  8. «Distância de Galinhos a Natal». Consultado em 15 de julho de 2021 
  9. «Distância de Galinhos a Brasília». Consultado em 15 de julho de 2021 
  10. IBGE (2020). «Anuário Estatístico do Brasil» (PDF). Consultado em 15 de julho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 6 de julho de 2021 
  11. a b c d e Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA-RN) (2008). «Galinhos» (PDF). Consultado em 15 de julho de 2021 
  12. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) (2015). «Áreas Urbanas no Brasil em 2015». Consultado em 15 de julho de 2021 
  13. EMBRAPA. «Mapa Exploratório-Reconhecimento de solos do município de Galinhos, RN» (PDF). Consultado em 15 de julho de 2021. Cópia arquivada (PDF) em 15 de julho de 2021 
  14. JACOMINE, 2008, p. 177.[2]
  15. VESSONI, Eduardo (20 de novembro de 2014). «Com dunas que se mexem, Galinhos (RN) se mantém intocada há décadas». UOL. Consultado em 15 de julho de 2021. Cópia arquivada em 15 de julho de 2021 
  16. IBGE. «Demografia - População Total». Confederação Nacional de Municípios (CNM). Consultado em 28 de agosto de 2021. Cópia arquivada em 15 de julho de 2021 
  17. IBGE (2010). «Censo». Consultado em 15 de julho de 2021 
  18. IBGE (2010). «Razão de sexo, população de homens e mulheres, segundo os municípios – 2010». Consultado em 15 de julho de 2021 
  19. IBGE (2010). «Tabela 608 - População residente, por situação do domicílio e sexo - Sinopse». Consultado em 15 de julho de 2021 
  20. «Galinhos, RN». Consultado em 15 de julho de 2021 
  21. IBGE (2010). «Sinopse municipal». Consultado em 15 de julho de 2021 
  22. IBGE (2010). «Tabela 2093 - População residente por cor ou raça, sexo, situação do domicílio e grupos de idade - Características Gerais da População». Consultado em 15 de julho de 2021 
  23. IBGE (2010). «Tabela 1497: População residente, por nacionalidade». Consultado em 15 de julho de 2021 
  24. IBGE (2010). «Tabela 1505 - População residente, por naturalidade em relação ao município e à unidade da federação». Consultado em 15 de julho de 2021 
  25. IBGE (2010). «Tabela 631 - População residente, por sexo e lugar de nascimento». Consultado em 15 de julho de 2021 
  26. a b IBGE (2010). «Tabela 2094 - População residente por cor ou raça e religião». Consultado em 15 de julho de 2021 
  27. «Galinhos recebe Dorgival Dantas na festa de Nossa Senhora dos Navegantes no dia 19 de agosto». 31 de julho de 2017. Consultado em 15 de julho de 2021. Cópia arquivada em 15 de julho de 2021 
  28. «Paróquia de São José Operário – Jandaíra». Consultado em 15 de julho de 2021 
  29. «ODS 01 Erradicação da pobreza». Consultado em 15 de julho de 2021 
  30. «ODS 10 Redução de desigualdades». Consultado em 15 de julho de 2021 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

JACOMINE, Paulo Klinger Tito. A nova classificação brasileira de solos. Anais da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, v. 5, p. 161-179, 2008.

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