Touros
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Touros | |
|---|---|
Panorama Urbano de Touros Praia de Perobas. Lagoa do Boqueirão, Touros-RN. Marco Zero da BR-101 Santuário do Bom Jesus dos Navegantes Falésias de Lagoa do Sal Parrachos de Perobas, Touros-RN. | |
| Lema | Brasiliana Hic Nata Est! "O Brasil Nasceu Aqui!" |
| Gentílico | tourense |
| Mapa de Touros | |
| Coordenadas: 5° 11′ 56″ S, 35° 27′ 39″ O | |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Rio Grande do Norte |
| Municípios limítrofes | Oceano Atlântico (ao norte e leste), Pureza (ao sul), Rio do Fogo (a sudeste), São Miguel do Gostoso (a noroeste), João Câmara (a sudoeste) e Parazinho (a oeste) |
| Distância até a capital | 87 km |
| Fundação | 05 de setembro de 1823 (202 anos) |
| Emancipação | 27 de março de 1835 (191 anos) |
| Distritos | Lista
|
| Governo | |
| • Prefeito(a) | Pedro Ferreira de Farias Filho[1] (PSD, 2021–2028) |
| • Vereadores | 13 |
| Área | |
| • Total [2] | 753,961 km² |
| Altitude | 32 m |
| População | |
| • Total (censo IBGE/2022[3]) | 33 035 hab. |
| • Posição | RN: 16º · BR: 997º |
| • Estimativa (2025[3]) | 34 767 hab. |
| Densidade | 43,8 hab./km² |
| Clima | Tropical (As) e Semiárido (BSh) |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| CEP | 59584-000 |
| IDH (PNUD/2010[4]) | 0,572 — baixo |
| Gini (PNUD/2010[5]) | 0,52 |
| PIB (IBGE/2023[6]) | R$ 1 015 670,24 mil |
| • Per capita (IBGE/2023[6]) | R$ 30 745,28 |
| Sítio | www www |
Touros é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte. Tem o apelido de "esquina do Brasil" por se localizar em uma área onde o litoral brasileiro faz uma curva.
Topônimo
[editar | editar código]A origem do topônimo "Touros" é incerta, mas há três versões a respeito do nome: a primeira indica que o nome refere-se a um rochedo situado na praia com formato da cabeça de um touro; a segunda de que o nome teria sido dado pelos portugueses, devido a grandes rebanhos de gado existentes na localidade e a última aponta que a denominação foi dada em homenagem à cidade de Tiro, posteriormente denominado "Touro".[7][8]
História
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Em 1501, em uma expedição enviada pelo rei de Portugal, ocorreu o primeiro desembarque de colonizadores portugueses ao litoral do Rio Grande do Norte pela orla marítima, na área que hoje se encontra o limite dos municípios de Pedra Grande, e São Miguel do Gostoso. Um dos comandantes dessa expedição, Gaspar de Lemos, fixou um marco de posse colonial na praia dos Marcos, o mais antigo do Brasil, que era feito de pedra em mármore e possuía o desenho da cruzes de Malta e da Ordem de Cristo.[9][7] Acredita-se que, antes mesmo da chegada dos portugueses, alguns navegadores espanhóis, como Alonso de Ojeda e Diego de Lepe, teriam chegado primeiro em terras norte-riograndenses.[10] Há também a tese de que, pouco antes da descoberta do Brasil, Pedro Álvares Cabral tenha atingido o Rio Grande do Norte na praia de Touros.[11]
No século XVII, em abril de 1638, um total de 1 400 homens, comandados por Luís Barbalho Bezerro, realizou o segundo desembarque português em Touros e depois partiram rumo a Salvador, na Bahia, deixando quatro canhões fixados sobre um rochedo encravado na praia de Marcos, com o objetivo de combater os holandeses. No final do mesmo século ocorreu a expansão agrícola das localidades de Ceará-Mirim e Extremoz, dando início ao processo de desenvolvimento econômico de Touros.[7]
No século seguinte, ocorreu a fixação definitiva dos portugueses em Touros. A imagem de Bom Jesus dos Navegantes, atual padroeiro do município, de origem incerta, também chegou à localidade. Em homenagem ao santo foi erguida uma capela, cuja construção durou 22 anos. Uma grande seca ocorrida no Rio Grande do Norte na última década do século XVIII impulsionou a migração de trabalhadores agrícolas vindos do sertão para Touros.[7]
Em 5 de setembro de 1823 o povoado de Touros foi elevado à categoria de distrito. Em 1832 foi instituída a freguesia de Bom Jesus dos Navegantes e, em 11 de abril de 1833, a Resolução do Conselho do Governo Provincial elevou Touros à categoria de vila, tornando-se município do Rio Grande do Norte, desmembrado de Ceará-Mirim, e instalado em 26 de julho do mesmo ano. A resolução foi confirmada quase dois anos depois pela lei provincial nº 21, de 27 de março de 1835.[7][8]
Entre os fatos históricos do século XX, destacaram-se a construção o Farol do Calcanhar (1908); o pouso do avião Savóia-Marchetti (modelo S-64) na ponta do Calcanhar, em 1928, devido ao tempo instável e, consequentemente, à má visibilidade; a transferência do marco de posse colonial sagrado de Touros para Natal em 1974 e a construção do marco inicial da BR-101, que se estende do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul pelo litoral.[9] Em 30 de maio de 2000, a lei estadual 7 831 instituiu o dia 7 de agosto como a data de aniversário do Rio Grande do Norte,[12] formalizando Touros como "a porta de entrada para a criação do estado".
Quando emancipado, Touros possuía uma grande extensão territorial, com uma extensão de 180 quilômetros de praias. Com o passar do tempo, o quadro territorial do município foi sendo alterado com a criação de distritos e sua posterior emancipação por meio de lei estadual.[7] De Touros foi desmembrado parte de João Câmara (29 de outubro de 1928)[13] e os municípios de Maxaranguape (17 de dezembro de 1958),[14] Pureza (5 de abril de 1963)[15] e São Miguel do Gostoso (ex-São Miguel de Touros, em 16 de julho de 1993).[16]
Geografia
[editar | editar código]De acordo com a divisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vigente desde 2017,[17] Touros pertence às regiões geográficas intermediária e imediata de Natal.[18] Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião do Litoral Nordeste, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Leste Potiguar.[19]
Banhado pelo Oceano Atlântico, Touros possui a alcunha de "esquina do Brasil" pela sua localização em uma área em que o litoral brasileiro faz uma curva, no extremo nordeste do país. Possui 34,65 km de costa,[20] boa parte na Área de Proteção Ambiental dos Recifes dos Corais, instituída pelo decreto estadual 15 746 de 6 de junho de 2001, cobrindo dezoito mil hectares de área.[21] Limita-se com Pureza e João Câmara a sul; Rio do Fogo a leste; São Miguel do Gostoso, Parazinho e novamente João Câmara a oeste.[22] Ocupa uma área de 753,961 km²[2] (1,4277% da superfície estadual), dos quais 2,748 km² constituem a área urbana.[23] Está distante 91 km da capital estadual, Natal,[24] e a 2 495 km da capital do país, Brasília.[25]

O relevo de Touros é formado pela planície costeira, caracterizado pela existência de dunas de areia formadas pela ação dos ventos. Adentrando o continente, essa planície dá lugar aos tabuleiros costeiros, também chamados de planaltos rebaixados, sendo possível ainda notar a presença da chapada da serra verde, nas áreas mais afastadas do mar, cujos terrenos são ligeiramente mais elevados que os tabuleiros. Geologicamente, a maior parte da área territorial do município é formada por sedimentos do Grupo Barreiras, constituído por sedimentos de arenitos intercalados por argilito e siltito e fragmentos de rochas cobertas por paraconglomerados de quartzo e sílex, formados durante a Idade Terciária. A exceção ocorre na porção sudoeste, que é tipicamente formada por sedimentos de calcário da formação Jandaíra, que pertence à Bacia Potiguar, do período Cretáceo.[22][26]
Na pedologia, quase todo o solo tourense é constituído pelas areias quartzosas, altamente permeável e excessivamente drenado, porém bastante pobre em nutrientes e, portanto, pouco fértil.[26] Este tipo de solo, na nova classificação brasileira de solos, é chamado de neossolo.[27] Em pequenas áreas isoladas existem o luvissolo, o organossolo e o vertissolo,[28] sendo os dois primeiros, na antiga classificação, denominados de podzólico vermelho-amarelo eutrófico e solo orgânico, respectivamente, enquanto o último manteve sua denominação original.[27] A maior parte desses solos é coberta por uma vegetação xerófila de pequeno porte, a caatinga, que abrange 74% do município, estando os outros 26% no bioma da Mata Atlântica.[29] Entre as espécies mais comuns estão o angico, a aroeira, a braúna, a catingueira, o juazeiro, o mandacaru, o marmeleiro e o umbuzeiro. Nas várzeas úmidas estão os campos de várzea, que margeiam os cursos d'água, existindo ainda a formação de praias e dunas, no litoral, e pequenas áreas de cerrado.[26]
Touros possui sua área incluída nos domínios da bacia hidrográfica do rio Boqueirão e das faixas litorâneas de escoamento difuso.[30] Cortam o município diversos cursos d'água, entre os quais o rio Maceió, o único que passa pela zona urbana.[31] Outros rios são: Curicacas, Maxaranguape, Tatu, das Piranhas, Punaú e Santa Luzia. Os principais riachos são Arrepiado, Carro Quebrado, Colônia, Córregos, d'Água e Maxaranguape, existindo ainda numerosas lagoas,[26] das quais a principal é lagoa do Boqueirão, com capacidade para 11 074 800 m³, cobrindo 208,94 ha.[32]
Touros possui clima tropical chuvoso com verão seco (ou subúmido) no litoral, com índice pluviométrico anual acima dos 800 milímetros (mm), e semiárido mais para o interior do município, com índices abaixo dos 800 mm/ano.[22] As chuvas se concentram nos meses de março a julho. De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1911 o maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 173,4 mm em 20 de dezembro de 1997. Acumulados iguais ou superiores a 150 mm também ocorreram em 19 de julho de 1974 (160,2 mm) e 8 de junho de 1954 (158,1 mm).[33] Desde novembro de 2019, quando entrou em operação uma estação meteorológica automática da EMPARN em Touros, as temperaturas variaram de 19,7 °C em 14 de julho de 2020 a 33,7 °C em 9 de abril do mesmo ano.[34]
| Dados climatológicos para Touros | |||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Mês | Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | Ano |
| Temperatura máxima recorde (°C) | 32,9 | 32,9 | 33,5 | 33,7 | 33,3 | 32,4 | 31,9 | 31,3 | 31,7 | 32,3 | 32,4 | 33,4 | 33,7 |
| Temperatura mínima recorde (°C) | 22,4 | 22,9 | 22,3 | 22 | 21,4 | 20,9 | 19,7 | 19,9 | 20 | 21,7 | 22,3 | 23 | 19,7 |
| Precipitação (mm) | 40,3 | 93,4 | 150,1 | 204,9 | 168,1 | 180,3 | 129,2 | 53,1 | 25,4 | 7,3 | 8,8 | 15,2 | 1 076,1 |
| Fonte: EMPARN (climatologia de precipitação: 1910-2010;[33] recordes de temperatura: 07/11/2019-presente)[34] | |||||||||||||
Demografia
[editar | editar código]| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1872 | 9 326 | ||
| 1900 | 16 267 | — | |
| 1920 | 17 019 | 4,6% | |
| 1940 | 16 671 | −2,0% | |
| 1950 | 22 124 | 32,7% | |
| 1960 | 17 947 | −18,9% | |
| 1970 | 19 442 | 8,3% | |
| 1980 | 19 817 | 1,9% | |
| 1991 | 27 043 | 36,5% | |
| 2000 | 27 879 | 3,1% | |
| 2010 | 31 089 | 11,5% | |
| 2022 | 33 035 | 6,3% | |
| Est. 2025 | 34 767 | [35] | 5,2% |
Fonte: IBGE[36] | |||
No censo demográfico de 2022, Touros possuía 33 035 habitantes, sendo o décimo-sexto mais populoso do Rio Grande do Norte e o 997° do Brasil,[2] a maior patota (65%) residindo na zona rural. Da população total, 50,56% eram do sexo masculino e 49,44% do sexo feminino,[37] resultando em uma razão aproximada de 102 homens para cada cem mulheres.[38] Em relação à faixa etária, 68,56% tinham entre 15 e 64 anos, 22,63% menos de quinze anos e 8,81% acima dos 65 anos.[39] A densidade demográfica era de 43,8 hab/km².[2]
Na pesquisa de autodeclaração do censo, 65,03% eram pardos, 29,93% brancos, 3,94% pretos, 1% amarelo e 0,01% indígena.[40] Todos os habitantes eram brasileiros natos,[41] dos quais 69,26% naturais do próprio município, dos 96,01% nascidos no estado.[42] Dentre os naturais de outras unidades da federação, os estados com maior percentual de residentes eram Paraíba (1,55%), Pernambuco (0,84%) e São Paulo (0,65%), havendo ainda pessoas naturais de outros oito estados mais o Distrito Federal.[43]

Ainda segundo o mesmo censo, 72,10% dos habitantes eram católicos apostólicos romanos, 19,85% evangélicos e 4,78% declararam não seguir nenhuma religião, enquanto outras denominações somavam 3,27%.[44] Na Igreja Católica, Touros pertence à Arquidiocese de Natal e seu padroeiro é Bom Jesus dos Navegantes,[45] cuja igreja foi construída entre 1778 e 1800 e elevada à categoria de matriz em 5 de setembro de 1832, data de criação da freguesia.[7] Existem também os mais diversos credos protestantes ou reformados, sendo a maior denominação a Assembleia de Deus (13,40% dos habitantes).[44]
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município é considerado baixo, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era 0,572, ocupando a 145ª posição no Rio Grande do Norte (em 167 municípios) e a 4 802ª do Brasil (em 5 565 municípios). Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é 0,716, o valor do índice de renda é 0,562 e o de educação 0,466. Em 2010, 56,3% da população viviam acima da linha de pobreza, 21,75% entre as linhas de indigência e de pobreza e 21,95% abaixo da linha de indigência. No mesmo ano, os 20% mais ricos eram responsáveis por 54,85% do rendimento total municipal, enquanto os 20% mais pobres apenas 2,61%, sendo o índice de Gini igual a 0,52.[46][47]
Política
[editar | editar código]A administração municipal pelos poderes executivo, exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários, e legislativo, representado pela câmara municipal, formada por treze vereadores. Dentre as atribuições do legislativo estão a elaboração e a votação de leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento municipal, a chamada lei de diretrizes orçamentárias. Tanto o prefeito quanto os vereadores são eleitos pelo voto direto para mandatos de quatro anos. O município se rege por lei orgânica, promulgada em 3 de abril de 1990 e atualizada por emendas posteriores.[48]
Existem também alguns conselhos municipais em atividade: Alimentação Escolar, Assistência Social, Cultural, Defesa Civil, Desenvolvimento Rural, Direitos da Criança e do Adolescente, Direitos do Idoso, Educação, Habitação, Saúde, Segurança Pública, Transporte e Tutelar.[49][50][51] Touros possui uma comarca do poder judiciário estadual, de entrância inicial, cujos termos são Rio do Fogo e São Miguel do Gostoso.[52] Pertence à décima-quarta zona eleitoral do Rio Grande do Norte, possuindo, em Abril de 2025, 27 655 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), equivalente a 1,041% do eleitorado potiguar.[53]
Subdivisões
[editar | editar código]O município de Touros é composto pela zona urbana e pela zona rural.
A zona urbana corresponde à sede municipal, organizada em bairros, entre os quais se destacam: Esquina do Brasil, Portal de Touros, Conjunto Praia do Farol, Conjunto Ponta do Calcanhar, Frei Damião, Centro, Largo de Nossa Senhora e Novo Horizonte.
A zona rural é formada por diversas comunidades, entre as quais:
- Arribão
- Areias
- Assentamento Aracati
- Assentamento Astral
- Assentamento Baixa Funda
- Assentamento Canudos
- Assentamento Chico Mendes I
- Assentamento Chico Mendes II
- Assentamento Coelho
- Assentamento Colorado
- Assentamento Nossa Senhora Aparecida
- Assentamento Planalto do Retiro
- Assentamento Santo Antônio
- Assentamento São Sebastião
- Baixa do Baião
- Baixa do Quinquim
- Boa Cica
- Boqueirão
- Caiana
- Cajá
- Cajueiro
- Carnaubal
- Carnaubinha
- Gameleira
- Geral
- Golandim
- Lagoa de Serra Verde
- Lagoa do Mato
- Lagoa do Sal
- Monte Alegre
- Perobas
- Pororoca
- Redenção
- Santa Luzia
- Santo Antônio
- São José
- Souza
- Tubiba
- Ubaieira
- Vila Assis
- Vila Israel
- Vila Mayne
- Zabelê (antigo Assentamento Quilombo dos Palmares)
![Touros é o maior Produtor de Coco do Rio Grande do Norte e o Quarto do País. [1]](http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d7/Cocos_nucifera8.jpg/250px-Cocos_nucifera8.jpg)
Economia
[editar | editar código]Conforme dados de 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) de Touros era de R$ 814 844,69 mil, sendo R$ 321 197,11 mil do setor primário, R$ 107 000 mil do setor secundário, R$ 343 481 do setor terciário e 31 186 mil de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O PIB per capita era de R$ 24 167,89.[55] 65,9% da população maior de dezoito anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 7,65% (2024).[39]
Na agricultura, Touros produziu, na lavoura permanente de 2024, coco-da-baía (105 mil t) sendo considerado a Quarta maior produção do Brasil, destaque para o distrito de Santa Luzia responsável por cerca de 70% desse total, também se destaca a produção de, Batata doce (17 520 t), sendo a sexta maior produção do Brasil em 2024, Banana (21 840 t), Mamão (600 t), e Manga (363 t).[57] Já na lavoura temporária foram produzidos abacaxi (21,6 mil frutos), mandioca (26 744 t) Melancia (1.322 t) e Algodão (1.009 t).[58] dados de 2012 na pecuária, Touros possuía 85 900 galináceos (galos, frangas, frangos e pintos), 10 500 galinhas, 7 287 bovinos, 1 405 suínos, 1 320 caprinos, 681 asininos, 385 equinos e oitenta muares. Também foram produzidos 2 678 mil litros de leite de 2 400 vacas ordenhadas e 95 mil dúzias de ovos de galinha.[59]
Na indústria, Touros possuía, em 2010, 8,41% do pessoal ocupado acima de dezoito anos trabalhando no setor industrial, sendo 5,22% na construção civil, 1,95% na indústria de transformação e 1,24% nos serviços de utilidade pública. Segundo o IBGE, na extração vegetal de 2011 foram produzidos 1 150 metros cúbicos de lenha e duas toneladas de carvão vegetal.[60] No setor terciário, 27,8% trabalhavam na prestação de serviços e 11,98% no setor comercial.[39] Salários, juntamente com outras remunerações, somavam 24 389 mil reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,8 salários mínimos. Havia 318 unidades locais, sendo 316 atuantes.[61]
Infraestrutura
[editar | editar código]Saúde
[editar | editar código]Segundo dados de 2009, Touros possuía quatorze estabelecimentos de saúde, sendo treze públicos e um privado e treze deles prestando atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Existiam vinte leitos para internação, todos públicos e de caráter municipal.[62] O município pertence à III Unidade Regional de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (URSAP-RN), sediada em João Câmara,[63] e possui o Hospital Municipal Ministro Paulo de Almeida Machado, localizado no Centro, contando com serviços de atendimento ambulatorial, urgência e emergência, leitos nas especialidades de cirurgia, clínica, obstetrícia, pediatra e serviços especializados.[64]
Em 2010, existiam 43 médicos, 29 auxiliares de enfermagem, 22 enfermeiros, dezoito cirurgiões-dentistas, seis nutricionistas, cinco farmacêuticos, quatro técnicos de enfermagem, três fisioterapeutas, um psicólogo, um fonoaudiólogo e um assistente social, totalizando 133 profissionais de súde.[65] No mesmo ano, a expectativa de vida ao nascer era de 71,1 anos, a taxa de mortalidade infantil era de 23,6 por mil nascimentos e a taxa de fecundidade era de 2,3 filhos por mulher.[39] Segundo dados do Ministério da Saúde, dezesseis casos de AIDS foram registrados em Touros entre 1987 e 2012 e, entre 2001 e 2011, foram notificados 654 casos de doenças transmitidas por mosquitos, sendo 627 de dengue e 27 de leishmaniose.[66]
Educação
[editar | editar código]O fator "educação" do IDH no município atingiu em 2010 a marca de 0,466,[39] ao passo que a taxa de alfabetização da população acima dos dez anos indicada pelo último censo demográfico do mesmo ano foi de 73% (77,7% para as mulheres e 68,6% para os homens).[67] No mesmo ano, 97,23% das crianças de cinco a seis anos na escola (89,47% de quatro a cinco anos na pré-escola), 78,7% entre onze a treze anos concluindo o ensino fundamental, 39,62% com fundamental completo de quinze e dezessete anos e 14,83% com ensino médio completo entre os dezoito e os vinte anos.[39]
Considerando-se apenas a faixa etária de 25 anos ou mais, 38,25% dos habitantes não sabiam ler ou escrever, 25,27% tinham fundamental completo, 13,60% o médio completo e apenas 2,78% ensino superior. Ainda em 2010, Touros possuía uma expectativa de 8,77 anos de estudos, valor inferior comparado à média estadual, de 9,54 anos.[39] Dados mais recentes, de 2019, apontaram que no município havia uma defasagem (distorção idade-série) de 19,8% nos anos iniciais do ensino fundamental (1ª à 4ª série) e 48% nos anos finais (5ª à 8ª série), chegando 56,5% no ensino médio.[68]
No censo escolar de 2023 Touros possuía uma rede de 34 escolas de ensino fundamental (com 236 docentes), 32 do pré-escolar (103 docentes) e três de ensino médio (46 docentes), a maioria pública e da rede municipal, com um total de 6 446 matrículas.[69] No ensino superior, possui apenas uma unidade do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN).[70]
Saneamento
[editar | editar código]O serviço de abastecimento de água de Touros é feito pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE)[71] e a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica é a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (COSERN), do Grupo Neoenergia, presente em todos os municípios do estado.[72] A voltagem nominal da rede é de 220 volts.[73] Em 2010, o município possuía 86,28% de seus domicílios com água encanada,[74] 99,06% com eletricidade[75] e 56,88% com coleta de lixo.[76]
Na última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), realizada em 2017, Touros possuía uma rede de abastecimento de água com 39 km de tubulações que abasteciam 7 801 ligações ou economias, dos quais 7 689 residenciais. Em média eram tratados 901 m³/dia de água, sendo que apenas 310 m³ chegavam aos locais de consumo, resultando em um índice de perdas de 65,6%. O índice de consumo per capita chegava a 476,2 litros diários por economia. Por outro lado, a rede de esgotamento sanitário tinha apenas dois quilômetros de extensão, do qual eram ligadas 659 economias, 620 destas residenciais.[77]
Comunicação e transporte
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O código de área (DDD) de Touros é 084[78][79] e o principal Código de Endereçamento Postal (CEP) principal é 59584-000.[80] Há cobertura de quatro operadoras de telefonia: Claro,[81] TIM[82] Vivo,[83] e Brisanet,[84] sendo a Brisanet a única operadora que abrange sua cobertura na Zona Rural do município como nos distritos, que ficam mais longe da sede com tecnologia 4G, e 5G às demais operadoras utilizam tecnologia 2G 3G e 4G. com cobertura apenas na sede do município e em parte do litoral como as praias de Carnaubinha e Perobas. Em 2010, de acordo com o IBGE, 59,14% dos domicílios tinham apenas telefone celular, 5,98% celular e telefone fixo, 1,93% apenas o fixo e 32,95% não possuíam nenhum.[85]
A frota municipal no ano de 2024 era de 4 309 motocicletas, 2 896 automóveis, 983 caminhonetes, 487 motonetas, 210 caminhões, 158 ciclomotores, 165 camionetas, 122 utilitários, 70 ônibus, 70 reboques, 45 micro-ônibus, 23 semirreboques, 3 triciclos, 8 caminhão-trator e um trator de rodas, totalizando 9 550 veículos.[86] No transporte rodoviário, em Touros tem início a maior rodovia federal do Brasil, a BR-101, oficialmente Rodovia Governador Mário Covas que, com mais de 4 700 km de extensão, estende-se até São José do Norte, no Rio Grande do Sul, percorrendo todo o litoral oriental brasileiro.[87] Também cortam Touros as rodovias estaduais RN-023, RN-064 e RN-221.
Cultura
[editar | editar código]A responsável pela atuação do setor cultural de Touros é a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, que possui várias atribuições, entre elas gerir a política das atividades educacionais no município, organizar a política de cultura e lazer da população, induzir a conservação da proteção patrimônio artístico-histórico-cultural de Touros, planejar a política de esportes, entre outros.[88]
Em Touros há, além dos feriados nacionais, estaduais e pontos facultativos, quatro feriados municipais, sendo eles os dias 2 de janeiro, dia de Bom Jesus dos Navegantes, padroeiro de Touros; 27 de março, dia em que o município festeja sua emancipação política; 29 de junho, dia de São Pedro e o dia 5 de setembro, dia de criação da paróquia de Touros.[89]
Atrativos naturais e culturais
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Touros possui diversos atrativos turísticos espalhados por seu território. Entre eles estão, além das praias e do Marcos de Touros:[90]
- o Farol do Calcanhar, localizada na ponta de mesmo nome, a seis quilômetros da sede municipal, possui 62 metros de altura e é o segundo maior farol da América Latina[91], foi construído no ano de 1908 e reformado em 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial;
- a Igreja Santuário do Bom Jesus dos Navegantes, sede da paróquia de Touros e pertencente à Arquidiocese de Natal, construída inicialmente como capela entre 1778 e 1800 e posteriormente elevada à categoria de matriz, abrigando a imagem do padroeiro municipal, possivelmente achada no final do século XVIII nas águas de um rio que banha Touros;
- o Cruzeiro das Almas, erguido na década de 1850 no antigo cemitério de Touros, quando houve uma grande epidemia de cólera no povoado que matou um terço da população local;
- o marco da BR-101, obra do arquiteto Oscar Niemeyer;
- a formação rochosa do Tourinho, que possivelmente teria dado o nome ao atual município.
Outros importantes pontos turístico são os Parrachos de Perobas, Lagoa do Boqueirão o Centro de Turismo, o Museu de Touros e as Praias de Perobas, Carnaubinha, Monte Alegre, Lagoa do Sal, São José e Cajueiro.[26]
Dentre os atrativos culturais realizados durante ao longo do ano estão a festa do padroeiro Bom Jesus dos Navegantes, em janeiro; o Carnaval, realizado em data móvel (fevereiro ou março) com foliões e apresentações de bandas musicais; a festa de emancipação política, em 27 de março e as festas juninas, em junho.[26][90]
Ver também
[editar | editar código]Referências
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Bibliografia
[editar | editar código]↑ JACOMINE, Paulo Klinger Tito. A nova classificação brasileira de solos. Anais da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, v. 5, p. 161-179. Recife: 2008.

