Golpe de Estado na Guiné-Bissau em 2012

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Golpe de Estado na Guiné-Bissau em 2012
Guinea bissau sm03.png
Mapa da Guiné-Bissau.
Período 12 de abril de 2012
Local Guiné-Bissau
11° 51′ N 15° 34′ W
Resultado
Participantes do conflito
Guiné-Bissau Governo Civil
Guiné-Bissau PAIGC
Angola Forças Armadas Angolanas
Guiné-Bissau Comando Militar
Guiné-Bissau Conselho Nacional de Transição
Líderes
Guiné-Bissau Raimundo Pereira
Guiné-Bissau Adiato Djaló Nandigna
Guiné-Bissau Carlos Gomes Júnior
Guiné-Bissau Mohamed Ialá Embaló
Angola Cândido Pereira
Guiné-Bissau Antonio Indjai
Guiné-Bissau Mamadu Ture Kuruma
Guiné-Bissau Fernando Vaz
Forças
+200[1] 50% das Forças Armadas[2]

Em 12 de abril de 2012, na véspera do início da campanha para a segunda volta da eleição presidencial guineense, militares ocuparam a rádio nacional, a sede do PAIGC e atacaram com foguetes, morteiros e granadas a residência do primeiro-ministro em fim de mandato, Carlos Gomes Júnior.[3] A rádio nacional e a Televisão Estatal deixaram de emitir ao serem tomadas pelos militares Revoltosos.[4] Os acontecimentos deram-se entre as 19 e as 21 horas, hora local.[5]

O presidente da República interino, Raimundo Pereira, foi preso na sua residência por militares,[4] tal como o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior. Desconhece-se o paradeiro de Adiato Djaló Nandigna, a primeira-ministra interina da Guiné-Bissau.

O evento sucede ao conflito militar de 2010 e a uma tentativa de golpe de Estado falhada em 2011.[6][7][8]

O Exército da Guiné-Bissau atribuiu o golpe a um suposto acordo militar secreto entre os governos da Guiné-Bissau e Angola.[9]

O porta-voz do Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau no passado dia 12 disse hoje que qualquer força estrangeira enviada para o país seria considerada pelos militares uma força invasora «porque o país não está em guerra».

Segundo o tenente-coronel Daba Na Walna, não se justifica o envio de uma força estrangeira «seja de interposição como de manutenção da paz» para a Guiné-Bissau porque «o país não se encontra em nenhuma guerra».

O porta-voz do Comando Militar guineense falava numa conferência de imprensa para «responder às declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau e do senhor Georges Chicoti (chefe da diplomacia angolana)», na quinta-feira, na sede das Nações Unidas.[10]

Manuel Serifo Nhamadjo, designado presidente da República de transição na Guiné-Bissau após o golpe de Estado, anunciou que havia recusado esta nomeação, considerando que estava fora da legalidade[11].

Reações internacionais[editar | editar código-fonte]

  • Portugal Portugal - O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, condenou o Golpe Militar. Foi elevado o Estado de Prontidão da Força de Reação Imediata (Forças Armadas Portuguesas) para possível evacuação de cidadãos portugueses devido ao agravamento da situação no país. Em 15 de abril, foram deslocados meios aéreos e marítimos para próximo da Guiné-Bissau.[12]
  • China China - Liu Weimin (porta-voz do Ministro dos Negócios Estrangeiros da China) mostrou que a China está chocada e preocupada com a situação.
  • Estados Unidos Estados Unidos - O Governo dos Estados Unidos da América emitiu um Alerta de Segurança não aconselhando viagens e advertindo os residentes estadunidenses na Guiné Bissau.
  • Brasil Brasil - Pediu reunião de emergência no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas sobre a violência na Guiné-Bissau.
  • Rússia Rússia - Apelou à restauração do Governo Civil.
  • Canadá Canadá - Condenou o golpe.
  • Nigéria Nigéria - Condenou o golpe.
  • União Africana - Descreveu o golpe de estado como "ultrajante".
  • Organização das Nações Unidas - Condena o golpe e exige a libertação do presidente e do primeiro-ministro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Nossiter, Adam (14 de abril de 2012). «Guinea-Bissau coup removes presidential runner». The New York Times. 
  2. Dado, Alberto (13 de abril de 2012). «Bissau soldiers control capital in apparent coup». Reuters. 
  3. . Yahoo!. 17 de setembro de 2012 http://www.webcitation.org/6Ak2ZQekj.  Texto "título-Military: Guinea-Bissau prime-minister arrested" ignorado (Ajuda); Falta o |titulo= (Ajuda)
  4. a b publico.pt. «Presidente e primeiro-ministro da Guiné-Bissau detidos na sede do Estado Maior». 13-4-2012. Consultado em 13-4-2012. 
  5. Associated Press. «Military seizes Guinea-Bissau’s capital, possible coup; leader’s whereabouts unknown». The Washington Post. Consultado em 2012-04-13. 
  6. Lona, Armando (29 December 2011). «Guinea-Bissau Lawyers Call for Investigation of Clash». Bloomberg BusinessWeek [S.l.: s.n.] Consultado em 1 January 2012. 
  7. Embalo, Allen Yero (29 December 2011). «Guinea Bissau says coup-plotter executed». AFP [S.l.: s.n.] Consultado em 1 January 2012. 
  8. Staff (27 Dec 2011). «Army foils coup attempt on tiny island of Guinea-Bissau». The Telegraph (London [s.n.]). Consultado em 1 January 2012. 
  9. Agência Estado. «Golpe na Guiné-Bissau é atribuído a acordo com Angola». 13 de abril de 2012. Consultado em 13 de abril de 2012. 
  10. http://www.tvi24.iol.pt/internacional/guine-bissau-guine-comando-militar-nacoes-unidas-golpe-de-estado-tvi24/1342424-4073.html
  11. Guiné-Bissau: futuro presidente recusa posto
  12. http://www.tvi.iol.pt/noticia/sociedade/portugal-guine-guine-bissau-meios-militares-tvi24/1340985-4071.html