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História da Região Sul do Brasil: diferenças entre revisões

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O melhor aproveitamento dos enormes rebanhos propiciou, no início, a produção de couros e depois a [[indústria]] do [[Charque|charque]], dando origem à cidade de [[Pelotas]]. O desempenho da [[pecuária]] no povoamento da Região Sul e mesmo no de todo o [[interior do Brasil]] foi extraordinário pela posse da maior parte do [[Geografia do Brasil|território nacional]]. Esta etapa do [[povoamento]], que se convencionou denominar de inicial, teve resultados modestos: litoral escassamente povoado e interior com ocupação limitada, praticamente, às áreas campestres.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 150"/>
O melhor aproveitamento dos enormes rebanhos propiciou, no início, a produção de couros e depois a [[indústria]] do [[Charque|charque]], dando origem à cidade de [[Pelotas]]. O desempenho da [[pecuária]] no povoamento da Região Sul e mesmo no de todo o [[interior do Brasil]] foi extraordinário pela posse da maior parte do [[Geografia do Brasil|território nacional]]. Esta etapa do [[povoamento]], que se convencionou denominar de inicial, teve resultados modestos: litoral escassamente povoado e interior com ocupação limitada, praticamente, às áreas campestres.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 150"/>

== Povoamento definitivo ==

O povoamento definitivo verificou-se graças à [[Cafeicultura|cultura do café]], à [[Colonização|colonização]] européia e à ação das Frentes Pioneiras. Papel semelhante a que exerceu no povoamento da terra bandeirante teria o [[Café|café]] no [[norte]] do [[Paraná]]. Esta zona, por suas características [[Geografia física|fisiográficas]], constitui a parte tropical da Região Sul, o que explica o transbordamento natural da cultura cafeeira paulista para ela, sua extraordinária expansão e êxito econômico.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 150"/>

Viu-se que foram os jesuítas os primeiros a se estabelecerem no norte paranaense ([[século XVII]]). Após a destruição das [[Missões jesuíticas na América|Missões]], a zona ficou à margem das correntes povoadoras até [[1855]], quando o [[governo]] [[Império do Brasil|imperial]] houve por bem instalar a colônia militar de [[Jataizinho|Jataí]] e, em seguida, os núcleos de São Pedro de Alcântara e de [[São Jerônimo da Serra]]. Jataí e São Pedro de Alcântara transformar-se-iam na atual cidade de Jataizinho; São Jerônimo daria origem a Araporangas. Estes núcleos não passaram de singelos povoados perdidos em pleno sertão até que, sob o impulso da onda cafeeira, a região seria definitivamente ocupada.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 150"/>

Em duas áreas distintas realizou-se a moderna ocupação da parte setentrional do [[Paraná]]. Na primeira, as penetrações fizeram-se pelos cursos superior e médio do [[rio Itararé]], com elementos vindos das áreas paulistas de povoamento antigo; eram fazendeiros
plantadores de café.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 150"/><ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 151">{{citar livro|autor=MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares|título=Geografia do Brasil|local=Rio de Janeiro|editora=IBGE|ano=1977|página=151|volume=5|id=}}</ref> Lançaram as bases dos núcleos de [[Siqueira Campos]] (1862), a princípio denominado Colônia Mineira, de [[Santo Antônio da Platina]] (1866), de [[Venceslau Brás]] e de [[São José da Boa Vista]] (1867), de [[Carlópolis]] e de outros. Na segunda área, a do [[Terceiro planalto paranaense|Terceiro Planalto]], teve duas fases: a mais antiga, realizada no trecho entre os rios Itararé e [[Rio Tibaji|Tibaji]] e a mais nova, do [[Planalto (geografia)|planalto]] do Tibaji às margens do [[Rio Paraná|Paraná]]. Na inicial assemelhou-se a uma invasão da vaga cafeeira paulista, processada através de [[Ourinhos]], sobretudo depois que esta cidade foi alcançada pela [[Estrada de Ferro Sorocabana]], em 1908. Floresceram [[Jacarezinho]] (1900), [[Cambará]] (1904), [[Bandeirantes (Paraná)|Bandeirantes]] (1921) e [[Cornélio Procópio]] (1924), mas vastas áreas permaneceram vazias, só posteriomente sendo ocupadas, inclusive com colonos [[japoneses]] (colônia de [[Assaí|Açaí]], 1931).<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 151"/>

Na porção ocidental do Tibaji efetuou-se a maior obra de povoamento planejado do [[Brasil]]. Começou em 1919 com três glebas que o governo estadual cedeu a particulares; elas originaram as colônias "[[Primeiro de Maio]]" (1923), "[[Sertanópolis]]" (1924) e, posteriomente, "[[Zacarias de Góis]]". Estes núcleos marcaram o início do povoamento da área; a sua ocupação intensiva data
de 1929 quando uma organização particular, a "[[Companhia de Terras Norte do Paraná]]", encarregou-se desta tarefa, planejando-a sob moderna orientação e executando-a com denodo. O empreendimento incluiu a construção de [[ferrovia]] e [[rodovia]]s. Ao primeiro núcleo fundado, o de [[Londrina]] (1929), instalado em clareira aberta em plena mata, sucederam-se muitos outros, mesmo quando a companhia passou às mãos de capitalistas paulistas (1944), com o nome de "[[Companhia de Melhoramentos Norte do Paraná]]", de modo que, já em 1946, [[Maringá]], a 127 quilômetros a oeste de Londrina, era centro pioneiro. Seguindo o exemplo da Companhia, o governo do Estado e mesmo particulares dedicaram-se ao povoamento das glebas vizinhas às daquela empresa. Entre as colônias oficiais ressaltaram-se Içara, [[Jaguapitã]], [[Centenário do Sul|Centenário]] e [[Paranavaí]], entre as particulares, destacou-se [[Ibiporã]].<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 151"/>

Completou-se assim o povoamento do norte paranaense que se transformou, em poucas décadas, de área desabitada na mais próspera do [[Estado (subdivisão)|Estado]]. Sua colonização, estreitamente ligada à expansão paulista e à jornada cafeeira, teve caráter diverso da efetuada no restante do Brasil Meridional. Não se tratou de colonização européia; a ocupação fez-se espontâneamente, com nacionais; os estrangeiros eram, em geral, colonos das [[fazenda]]s de café.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 151"/>

Os núcleos de imigrantes de determinada nacionalidade são pouco numerosos. Até a metade do [[século XIX]] o povoamento da Região Sul abrangia, de modo geral, as áreas de Campo, como referido; a ocupação das Matas restringia-se aos trechos em que elas eram entremeadas com os Campos. Patenteando-se a necessidade de efetuar a posse destas zonas, o governo decidiu-se pela colonização com pequenos proprietários livres, dispostos à prática da [[agricultura]]. À iniciativa [[República|federal]] ou [[Estado (subdivisão)|estadual]] aliou-se a particular e ambas levaram a colonização às áreas florestais, contribuindo para complementar o povoamento e estendê-lo em direção aos limites ocidentais, expansão esta que é um dos traços principais da história contemporânea do povoamento do Sul.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 151"/>

Os [[alemães]] foram os primeiros a chegar, estabelecendo-se na década de 20, em três colônias: [[São Leopoldo]] (RS), [[Rio Negro (Paraná)|Rio Negro]] (PR) e [[São Pedro de Alcântara]] (SC).<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 151"/>

[[São Leopoldo]], a ''célula mater'' da colonização alemã, surgiu em [[1824]] no ponto onde terminava o último trecho florestal do "caminho do sul".<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 151"/> Estendeu-se rapidamente pela encosta e logo progrediu valendo-se da proximidade de [[Porto Alegre]] e contando não apenas com a [[Agricultura|atividade agrícola]] mas com a industrial, que surgiu por existirem entre os colonos já estabelecidos muitos artesãos.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 151"/><ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152">{{citar livro|autor=MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares|título=Geografia do Brasil|local=Rio de Janeiro|editora=IBGE|ano=1977|página=152|volume=5|id=}}</ref> A colônia de [[Rio Negro (Paraná)|Rio Negro]], por seu isolamento e condições difíceis de acesso, não teve êxito. Só bem mais tarde recebeu nova leva de alemães procedentes de Joinvíle, iniciando fase de desenvolvimento. A colônia de São Pedro de Alcântara, localizada no caminho [[Florianópolis]] - [[Lages]], não regrediu, porém até hoje contínua na categoria de povoado, embora próspero.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/>

Depois destes núcleos, a colonização esteve interrompida por alguns anos; foi reiniciada pelo governo das províncias, ainda com imigrantes alemães.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/>

Restaurando-se a colonização, os núcleos contribuíram para realizar a expansão do povoamento para oeste. Das cinco colônias instaladas, as principais foram [[Santa Cruz do Sul|Santa Cruz]] e [[Santo Ângelo |Santo Ângelo]]. O objetivo do estabelecimento destes núcleos' (abertura das comunicações e o tráfego entre a depressão do [[Rio Jacuí|Jacuí]] e os campos do [[planalto]]) foi alcançado: a zona serrana entre São Leopoldo e Santa Cruz, até então coberta de florestas e penetrada somente por alguns "intrusos" luso-brasileiros, passou a ser chamariz para especuladores e capitalistas que se assenhorearam de consideráveis áreas, loteando-as e vendendo aos colonos oriundos de São Leopoldo ou chegados da Alemanha.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/>

A obra colonizadora prosseguiu rumo a oeste e logo a área da encosta da [[Serra Geral (sul do Brasil)|Serra Geral]] povoado por germânicos estendeu-se de Torres às proximidades de Santa Maria. Entre os núcleos coloniais figuram Conventos (1853), [[Estrela (Rio Grande do Sul)|Estrela]] (1853), [[Teutônia]] (1858), [[Arroio do Meio]] (1853) e [[São Lourenço do Sul|São Lourenço]] (1858). Pelo Rescrito de Heydt (1859), interrompeu-se a [[Imigração alemã no Brasil|imigração alemã]], porém continuou a expansão das colônias.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/>

Em 1870 e 1871 vieram novos imigrantes - [[italianos]] - encaminhados inicialmente para três colônias: [[Caxias do Sul|Caxias]], [[Garibaldi]] e [[Bento Gonçalves (Rio Grande do Sul)|Bento Gonçalves]], na encosta superior do Planalto. O êxito foi de tal monta que, em seguida, seriam criadas outras como Alfredo Chaves (atual [[Veranópolis]]) e Antônio Prado.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/>

Após a [[Proclamação da República no Brasil|Proclamação da República]], o movimento colonizador atingiu o auge, dele passando a participar também imigrantes de outras etnias ([[russos]], [[poloneses]], [[suecos]]). As terras de Mata da parte ocidental do Estado foram ocupadas, muito contribuindo para isto a construção da [[Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande]] e de seus ramais para oeste. As colônias que serviram de base à expansão do povoamento nas matas do [[rio Uruguai]] foram: [[Erechim]] (1908), [[Santa Rosa do Sul|Santa Rosa]] (1915) e Guarita (1917).<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/>

Completou-se, assim, a ocupação do [[Rio Grande do Sul]], caracterizando-se pela presença dos luso-brasileiros nas áreas campestres e do imigrante europeu e de seus descendentes nas zonas florestais.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/>

Em [[Santa Catarina]] a colonização oficial teve pouco êxito; os méritos couberam à particular. Duas áreas se distinguiram, uma antiga, colonizada ainda no [[século XIX]], e outra nova, ocupada no século XX. A primeira corresponde à encosta dissecada do Planalto onde se estabeleceram [[alemães]] e [[italianos]]; a outra, à parte ocidental do Estado onde a ocupação baseou-se em colonização mista, feita sobretudo com elementos nacionais e descendentes de antigos colonos vindos do noroeste do Rio Grande do Sul.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/>

Na zona antiga sobressaíram as colônias alemãs de [[Joinville]], [[Blumenau]] e [[Brusque]], fundadas entre 1850 e 1860, responsáveis pela expansão do povoamento em todo o [[vale do Itajaí]], e as italianas (1836) na bacia do [[rio Tijucas]] (Nova Itália e [[Nova Trento]]) e, a partir de 1875, na zona litorânea meridional, especialmente nos vales do [[Rio Tubarão|Tubarão]] e do [[Rio Urussanga|Urussanga]].<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 152"/><ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153">{{citar livro|autor=MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares|título=Geografia do Brasil|local=Rio de Janeiro|editora=IBGE|ano=1977|página=153|volume=5|id=}}</ref> Entre estas zonas e a nova estendia-se uma área na qual o povoamento se efetuara na segunda metade do século anterior com a penetração de paulistas que a atravessavam para chegar às áreas campestres do Estado; em função da criação de gado seria reforçado ou realmente realizado com a colonização européia. Trata-se do [[planalto]] de [[Canoinhas]], cortado no início do povoamento pelo "caminho do sul"; [[Porto União]] (1769) é desta fase. Em 1870 uma corrente povoadora oriunda de [[Joinville]] estabeleceu-se na colônia de [[São Bento do Sul|São Bento]]; seguiram-se outras menores. A expansão foi favorecida, a partir de 1910, pela ligação ferroviária entre Porto União e Joinville. Esta zona, apesar da freqüência de núcleos de colonização européia, não se desenvolveu como as restantes do Planalto Cristalino.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/>

Na zona nova, a do [[Mesorregião do Oeste Catarinense|oeste]], o movimento colonizador aproveitou o [[vale]] do [[rio do Peixe]] e a ferrovia como eixos para a sua expansão. A [[Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande]], vendendo glebas a companhias particulares rio-grandenses e atraindo [[imigrante]]s e excedentes das velhas colônias, estimularia o povoamento feito sobretudo com alemães e italianos. Houve também ação de companhias teuto-brasileiras (vale do [[Rio Peperi-Guaçu|Peperi-Guaçu]]) e no extremo da área, a de povoadores vindos do leste que se entrosaram com a Frente Pioneira proveniente do [[Rio Grande do Sul]].<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/>

No Paraná a colonização variou quanto ao seu processo e quanto à constituição dos elementos colonizadores, por dois motivos: condições geográficas do Estado e tardio interesse pela colonização.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/>

O litoral acanhado e insalubre e a serra cristalina estreita e de encosta Íngreme, fizeram fracassar as primeiras colônias fundadas por [[italianos]] e [[franceses]], bem como a colônia federal de [[Rio Açungui|Açungui]]. A coincidência do desenvolvimento colonizador com o Rescrito de Heydt restringiu o número de germânicos; [[poloneses]] e [[ucranianos]] foram mais numerosos.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/>

As condições naturais influíram de tal maneira que se distinguiram duas situações: a que adveio da colonização processada no [[Primeiro planalto paranaense|Primeiro]] e no [[Segundo planalto paranaense|Segundo Planalto]] até 1920 e a que se realizou no oeste, a partir daquele ano.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/>

No Primeiro e no Segundo Planalto as colônias foram pequenas e isoladas. A explicação é fácil: localizaram-nas em zonas mistas de [[Floresta|Mata]] e [[Pradaria|Campo]]. Como os trechos florestais onde se estabeleceram os núcleos formavam pequenas manchas e os Campos que os separavam cobriam grandes extensões, as colônias ficaram como "ilhas" nestes Campos. Duas foram estas zonas: uma nos arredores de [[Curitiba]] e outra em torno de [[Ponta Grossa]], [[Palmeira (Paraná)|Palmeira]] e [[Lapa (Paraná)|Lapa]].<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/>

Em Ponta Grossa criaram uma grande colônia, "Rodrígo Otávio", composta de 17 núcleos; em Palmeira instalaram a de "Sinimbu" formada
por 6 núcleos; e no município de Lapa fundaram os núcleos de Wirmond, Marienthal e Johannisdorf.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/>

No trecho ocidental do Segundo Planalto houve colônias maiores, aproveitando as [[Floresta ombrófila mista|Matas de Araucárias]] e a presença da [[Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande]]. A principal foi a de [[Prudentópolis]], estadual, iniciada em 1896, a maior de composição eslava. Entre 1907 e 1914 chegaram alguns milhares de alemães e quase 30.000 [[poloneses]] e [[ucranianos]]. O governo federal instalou a maior parte deles em colônias que criou ao longo da [[ferrovia]]. Das que tiveram êxito citam-se as de Gonçalves Júnior (1908) e Vera Guarani (1909).<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/>

O oeste do Estado (Terceiro Planalto) pode ser dividido em duas áreas quanto ao povoamento: a setentrional, conhecida como norte do [[Paraná]], já referida, e o oeste propriamente dito, onde não houve uma colonização européia específica, mas a expansão natural
dos [[imigrante]]s [[Europa|europeus]] ou de seus descendentes.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 153"/><ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154">{{citar livro|autor=MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares|título=Geografia do Brasil|local=Rio de Janeiro|editora=IBGE|ano=1977|página=154|volume=5|id=}}</ref> Nesta segunda, ocupada desde o início do [[século XIX]] em seus trechos campestres de Palmas, Guarapuava, [[Clevelândia]], [[Campo Erê]], Xagu e, mais tarde, com as colônias de [[Chopim]] (1882) e [[Foz do Iguaçu]] (1889) que o governo instalou para preservar a posse do território em face da questão de limites com a [[Argentina]], a colonização evoluiu lentamente até 1930, quando a construção de estradas de rodagem acabou com seu isolamento e facilitou a canalização de povoadores para suas matas.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

O povoamento ampliou-se sob o signo da colonização oficial e particular, ou livremente com a ocupação de terras devolutas ou privadas, deixadas em abandono. Das colônias governamentais a principal foi Bom Retiro (1918) denominada posteriormente [[Pato Branco]].<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

Entre as particulares, Santa Bárbara, no atual município de Palmas e [[Virmond]] ou Coronel Queiroz, no de [[Laranjeiras do Sul]], foram as que alcançaram estágio mais elevado. Delas resultou povoamento irregular e em grande parte dos casos não permanente.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

A outra modalidade de colonização, a ocupação espontânea e desordenada feita com [[caboclo]]s e colonos que se apossavam indiferentemente das terras, firmou-se à medida que se dava a abertura de estradas pelas quais penetravam.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

Visando à ocupação definitiva das terras após o trabalho desses exploradores dos ervais e pinhais ou espalhadores de roças em terrenos devolutos, o governo reorganizou a colonização através do Departamento de Terras e Colonização do Estado, fundando
entre outras colônias Cantu, Piquiri, Goio-Bang e [[Goioerê]]. Seguiram-se companhias particulares que venderam terras a colonos vindos de [[Santa Catarina]], [[Rio Grande do Sul]] e do próprio Estado.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

No divisor de águas do [[Rio Ivaí|Ivaí]]-[[Rio Piquiri|Piquiri]] as correntes povoadoras chegam também do norte do Paraná; o movimento data de poucos anos (1951) e faz-se com paulistas e [[Região Nordeste do Brasil|nordestinos]] vindos de São Paulo. Enfim, a ocupação do oeste foi irregular, em núcleos isolados, sem a presença da Frente Pioneira clássica observada no norte do Estado.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

O povoamento do Paraná completou-se nos últimos anos com elementos provenientes do noroeste do [[Rio Grande do Sul]], na Zona do [[Rio do Peixe]] (SC) e das próprias colônias eslavas do Estado.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

A colonização européia influiu de modo considerável no povoamento da Região Sul, contribuindo para elevá-la à posição que hoje desfruta no País, não somente sob o aspecto populacional mas, sobretudo, pelo econômico e social. Ela constituiu, em suma, um reforço para a [[agricultura]] e para a [[indústria]], no que diz respeito à força de trabalho, aos capitais e às técnicas.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

O povoamento que assim se processou no Sul do [[Brasil]], tão intimamente ligado às condições naturais da [[Região]], influiu não apenas sobre a distribuição atual da [[população]], mas sobre sua organização econômica e social. Dele resultou a terceira concentração demográfica do País, com população que, exercendo [[Atividade econômica|atividades econômicas]] variadas, concorreu para a formação de paisagens culturais diversas.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

Neste quadro distinguem-se, em primeiro lugar e nitidamente, duas áreas: o sul [[Clima tropical|tropical]] e o [[Clima subtropical|subtropical]]. A parte tropical, constituída pelo norte do Paraná, embora bastante exígua em relação à extensão total da Região, tem características especiais condicionadas ao [[desenvolvimento econômico]] e cultural que nela ocorreu com a marcha do [[café]], estabelecida com a derrubada da [[Floresta pluvial tropical|floresta pluvial]] que a cobria.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 154"/>

É fundamental a diferença entre estas terras ao norte do [[trópico de Capricórnio]] e as que se encontram ao sul, nas quais a vegetação de [[Campo limpo (vegetação)|Campos Limpos]] e de Matas determinou o aparecimento de duas paisagens típicas: a das regiões campestres latifundiárias pastoris e a das áreas florestais agrícolas de pequenas propriedades.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 155">{{citar livro|autor=MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares|título=Geografia do Brasil|local=Rio de Janeiro|editora=IBGE|ano=1977|página=155|volume=5|id=}}</ref>

O sul tropical foi transformado rapidamente pelo café, que o fez passar de área desabitada à mais próspera do Estado, com um desenvolvimento agrícola incentivado pela expansão dos mercados urbanos e pela [[industrialização]] no [[Setor primário|setor de bens primários]].<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 155"/>

O sul subtropical estruturou-se em função da produção de [[Produtos alimentícios|gêneros alimentícios]] destinados ao [[mercado interno]], à qual se vincula a maior parte de suas [[indústria]]s.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 155"/>

Estas diferenciações mais evidentes contribuem de modo especial para que os aspectos gerais econômicos e sociais façam do Estado do [[Paraná]] uma área de organização espacial e, conseqüentemente, de comportamento e evolução demográficas bastante diversos
dos outros dois Estados integrantes da Região.<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 155"/>

Diferenciações em escala menor ocorrem, porém, em zonas menos extensas, com características próprias, resultantes de condições naturais locais e de sua evolução [[História|histórico]]-[[Economia|econômica]]. Por isto, não são iguais as Zonas Coloniais Velhas e Novas do Brasil Meridional; o [[litoral]] de [[Santa Catarina]] e a faixa de terra correspondente nas outras [[Unidades federativas do Brasil|Unidades Federativas]]; a área de [[pecuária]] dos [[Campos Gerais do Paraná|Campos Gerais]] e a da [[Campanha Gaúcha]], discrepâncias em termos de comparação estadual que necessariamente repercutem na evolução e distribuição das populações urbanas e rurais, nas densidades demográficas, na evolução e nas atividades econômicas da população, já que esta "é o reflexo de todas as condições que influem sobre a combinação geográfica".<ref name="MAGNANINI & SOUTO MAIOR 155"/>


==Cronologia por século==
==Cronologia por século==

Revisão das 20h21min de 2 de abril de 2013

Predefinição:História do Brasil/Regionais

Ruinas de São Miguel das Missões

Sumário

Os primeiros e milenares habitantes da região Sul do Brasil são os povos indígenas naturais da terra, principalmente os charruas e os povos gês como os os kaingangs. Depois vieram osguaranis (mbyás) e os carijós.[1]

Posteriormente, vieram os padres jesuítas espanhóis para catequizar os índios e a dominar a terra. Esses religiosos fundaram aldeias denominadas missões ou reduções. Os índios que habitavam as missões criavam gado, ou seja, dedicavam-se à pecuária, trabalhavam na agricultura e aprendiam ofícios.[1]

Os bandeirantes paulistas atacaram as missões para aprisionar os índios. Com isso, os padres jesuítas e os índios abandonaram o lugar e o gado ficou solto pelos campos. Muitos paulistas foram aos poucos se fixando no litoral de Santa Catarina. Eles fundaram as primeiras vilas no litoral.[1]

Os paulistas interessaram-se também pelo comércio do gado. Os tropeiros, isto é, os comerciantes de gado, reuniam o gado espalhado pelos campos. Eles levavam os animais para vender nas feiras de gado, em Sorocaba. No caminho por onde as tropas passavam sugiram povoados. Os tropeiros também organizaram as primeiras estâncias, ou seja, fazendas de criação de gado.[1]

Para defender as estâncias que tinham sido criadas, o governo português mandou construir fortes militares na região. Em volta dos fortes surgiram povoados. Durante muitos anos, os portugueses e os espanhóis lutaram pela posse de terras do Sul. As brigas continuaram e apenas foram resolvidas com a assinatura de tratados. Esses tratados determinaram os limites das terras localizadas no sul do Brasil.[1]

A população da região Sul aumentou muito com a chegada dos primeiros imigrantes europeus. Os primeiros imigrantes foram os açorianos. Depois vieram principalmente os alemães (1824, São Leopoldo, Rio Grande do Sul), e os italianos (1870). Outros grupos (árabes, poloneses e japoneses) também procuraram a região para morar. Os imigrantes fundaram colônias que se tornaram cidades importantes.[1]

As terras do norte e oeste do Paraná e do oeste de Santa Catarina foram as últimas regiões a serem povoadas. O norte do Paraná foi povoado com a criação de colônias agrícolas financiadas por uma companhia inglesa. Pessoas de outros Estados do Brasil e de mais de 40 países vieram para a região trabalhar como colonos no plantio de café e de cereais. No oeste catarinense, desenvolveram-se a pecuária, a exploração da erva-mate e da madeira.[1]

Visão geral

A Região Sul do Brasil, ao contrário do Nordeste e do Sudeste, esteve muito tempo fora do alcance dos interesses de Portugal em virtude de fatores diversos entre os quais a posição geográfica no litoral das terras lusitanas no continente americano, posição que a tornava distante das células iniciais da colonização e, portanto, afastada do eixo econômico estabelecido entre o Brasil e a Metrópole. Processou-se o desenvolvimento do Brasil nordeste com base na indústria açucareira e na mineração, mas o sul, embora em parte já desbravado, chegou ao século XX, praticamente povoado.[2]

Do povoamento que se processou até a metade do século XIX resultou em uma ocupação pouco expressiva constituída por uma população rural muito rarefeita. Esta população tinha como principais atividades econômicas a criação de gado nos campos, o cultivo da cana-de-açúcar em certos pontos da faixa costeira, extrativismo vegetal de erva-mate e incipientes culturas temporárias nas orlas florestais. Era, ainda, um povoamento inicial. Foi a partir do século XIX e principalmente nos últimos 50 anos doem pleno século XX, que a ocupação humana evoluiu em marcha acelerada da qual sobreveio a ocupação permanente de toda a região.[2]

Fase inicial da Colonização Portuguesa

Principalmente no período inicial portuguesa da ocupação, os fatores fisiográficos se fizeram sentir de tal maneira que, graças a eles, se distinguem duas etapas na evolução efetuada: o povoamento do litoral e o do interior.[2]

O povoamento inicial da área litorânea paranaense baseou-se na mineração praticada por antigos habitantes de São Vicente, chegados no começo do século XVII, e da qual resultou, em 1648,a fundação da vila de Paranaguá.[2][3] Em 1654, a divulgação da existência de minas de prata na região levou ao povoamento de vários outros lugares ao sul de Paranaguá, tais como São Francisco do Sul (1658), ilha de Santa Catarina (1675), localidades nas quais a ocupação espanhola processada no século anterior quase não deixara vestígios e, por fim, Laguna (1676), povoações que foram, respectivamente, nas épocas em que surgiram, as mais avançadas da costa meridional e os núcleos básicos do povoamento eatarinense.[3]

A divulgação destas riquezas minerais — prata que não existia e ouro de lavagem, logo esgotado — não só atraiu os portugueses para o trecho litorâneo como os levou a procurar realizar o plano de domíná-lo até o rio da Prata antes que os espanhóis novamente se estabelecessem em alguns portos desta faixa, garantindo a posse das minas que por ventura existissem e estendendo a fronteira sul ao estuário platino que consideravam como o limite natural do território brasileiro. Levando a cabo as suas pretensões, edificaram, em 1680, à margem esquerda do rio da Prata, não ocupada pelos castelhanos a Colônia do Sacramento.[3]

Entre Laguna, até então a povoação mais avançada do litoral sul, e a Colônia do Sacramento foi aberto o caminho destinado, sobretudo, a atender ao comércio do gado. Nas idas e vindas, portugueses e lagunistas tornaram-se conhecedores da existência do grande rebanho de bovinos e caprinos que ali existia à solta e aproveitaram-no. Surgiram os currais de preia e depois as invernadas que assinalaram a ocupação temporária da região, na qual não havia núcleo de povoamento. Afinal, em 1733, habitantes de Laguna deslocaram-se para lá, fixando-se em estâncias nas restingas entre o mar e as lagoas. Laguna foi, em fins do século XVII, o ponto de apoio da ocupação brasileira no Sul. Dela partiram os elementos que se estabeleceram no litoral rio-grandense. Seus habitantes abriram os caminhos terrestres para as Missões e outros que completaram as ligações de São Paulo ao Rio Grande do Sul.[3]

O primeiro embrião de núcleo urbano surgiu quatro anos depois, quando, o governo português ordenou, a fundação de um forte que teria como objetivo a posse oficial e efetiva do Rio Grande do Sul e a defesa desta parte do litoral compreendida entre Laguna e a Colônia do Sacramento. Foi o forte Jesus Maria José (1737) erguido à margem do canal sangradouro. da Lagoa dos Patos. Em tomo dele formou-se o núcleo original da primeira vila instalada no Estado, Rio Grande de São Pedro (1751), hoje cidade do Rio Grande.[3]

Após a fundação do forte, foram concedidas sesmarias até Santa Vitória do Palmar, cujos proprietários se dedicaram especialmente à criação de gado o segundo núcleo populacional foi São José do Norte (1763); nasceu quando os espanhóis bloquearam a Colônia do Sacramento e atacaram a vila de Rio Grande de São Pedro cujos habitantes fugiram para Laguna, Rio de Janeiro e alguns para o outro lado do canal, onde fizeram florescer São José do Norte.[3]

Estes núcleos esparsos existentes não só na costa gaúcha mas também na catarinense, não constituíam garantia para manter a posse destas áreas próximas à fronteira e ameaçadas de agressão externa. Tal fato levou o governo português a introduzir aí, em 1748, o sistema de colonização com "casais açorianos" a fim de completar a ocupação, estabelecendo um povoamento contínuo de Santa Catarina ao Rio Grande do Sul.[3]

Levando em conta a questão de defesa, a localização dos açorianos foi estratégica, fazendo-se em pontos espaçados do caminho litorâneo.[3][4] Em Santa Catarina estabeleceram-se em dois trechos: ilha de Santa Catarina - área continental fronteira a ela (núcleos São Miguel, São José e Enseada do Brito) e em tomo de Laguna (núcleos Vila Nova e Campos de Santa Maria). No Rio Grande do Sul não se limitaram ao litoral (Rio Grande, Estreito, Mostardas, Conceição do Arroio - atual Osório), estabeleceram-se, também, em núcleos ao longo da Depressão Central (Viamão, Morro de Santana, Porto Alegre, Taquari e Rio Pardo).[4]

O objetivo do governo era a utilização do braço açoriano na agricultura, não só pelo fato de até então a atividade quase exclusiva da região ser a criação de gado, responsável pela rarefação da sua população, mas sobretudo pelo interesse de prender o homem à terra, contribuindo para reforçar a ocupação do litoral e acelerando o adensamento demográfico. O êxito não foi total.[4]

No litoral rio-grandense a agricultura iniciada pelos açorianos não evoluiu com o correr dos anos. As terras fracas intercaladas por lagoas seriam naturalmente desprezadas por outras mais férteis do interior do Estado. Como as condições geográficas da zona não sofreram transformação e a criação de gado continuou a ser a sua maior riqueza, até hoje é a menos povoada do Estado.[4]

Em Santa Catarina, embora o litoral oferecesse melhores condições, os ilhéus limitaram-se a plantar para sua subsistência, preferindo concentrar-se nas vilas e povoados que logo se desenvolveram. Ao contrário do que sucedeu no Rio Grande do Sul, a área costeira catarinense receberia, posteriormente, imigrantes europeus e evoluiria de modo bem significativo.[4]

O povoamento do litoral caracterizou-se, em resumo, por se haver prendido bastante à influência dos fatores naturais pouco propícios, do que resultou ocupação inexpressiva em relação às demais zonas do Brasil Meridional, excetuando-se a faixa correspondente a Santa Catarina, onde as condições foram favoráveis ao estabelecimento da população, e alguns trechos isolados dos outros Estados. Quanto ao povoamento, o interior, teve como base a criação de gado.[4]

Foram os jesuítas espanhóis, os precursores da ocupação do Planalto Ocidental e os responsáveis pela introdução e difusão do gado no sertão sulino. Em 1609 partiram eles de Assunção, no Paraguai, e alcançaram o oeste paranaense onde, no mesmo ano, fundaram a República do Guairá, composta por várias reduções. Embora o objetivo dos padres fosse a catequese, trataram também da disciplinação do elemento nativo numa diretriz econômica, desenvolvendo a agricultura, a pecuária e a exploração de madeira. Sabedores da existência e do progresso destas Missões, os Bandeirantes para lá se dirigiram com a intenção de realizar mais facilmente o apresamento dos índios já agrupados e acostumados ao trabalho. As reduções foram destruídas, grande número de indígenas conduzido para São Paulo e os que escaparam, levados pelos jesuítas para o Rio Grande do Sul onde, além das seis Missões que fundaram na parte central do Estado - Tape entre os rios Ibícuí e Jacuí - iniciaram dez outras na área correspondente ao atual noroeste do Rio Grande do Sul e ao território argentino de Misiones. O ataque a estas Missões não tardou. Antes de se retirarem das de Tape, os missionários soltaram o seu gado que se dispersou pelos campos ao sul da bacia do rio Camaquã, área que se tornou conhecida como Vacaria do Mar.[4]

Decorridos mais de 50 anos, os jesuítas retomaram ao Rio Grande do Sul, aldeiando os indígenas em menor número de reduções, nas quais eles foram armados e treinados para a defesa contra as incursões dos Bandeirantes. Foram os Sete Povos das Missões Orientais do Uruguai.[4][5]

O gado deixado pelos Inacianos na Vacaria do Mar iria originar o rebanho da Campanha Gaúcha. Ele era constantemente requestado por espanhóis vindos do sul, o que levou os padres, após seu regresso, a salvar as cabeças restantes, reunindo-as em outra vacaria em local mais protegido, a nordeste do Rio Grande do Sul. Foi esta a origem da Vacaria dos Pinhais, assim denominada por se tratar de zona de Campos, cercada de Mata de Araucária.[5]

Esse fato, aparentemente sem grande importância, foi a verdadeira base do povoamento da região, pois estabeleceu-se o comércio entre Laguna e as vacarias e depois entre elas e São Paulo, tornando conhecida a vasta zona dos Campos meridionais.[5]

Quando os lagunistas souberam da existência da Vacaria dos Pinhais, para lá rumaram, abrindo o caminho que atravessava a encosta da Serra Geral entre Santo Antônio da Patrulha e São Francisco de Paula e alcançava os referidos Campos, assenhoreando-se da região após expulsarem jesuítas e indígenas. Santo Antônio da Patrulha e São Francisco de Paula seriam os embriões das atuais cidades do mesmo nome.[5]

Enquanto isto se passava no extremo sul do território nacional, a descoberta da riqueza aurífera de algumas áreas do rio das Velhas, do rio Doce, do rio das Mortes e do Jequitinhonha atraíra a atenção de todo o País e determinou o deslocamento de verdadeira massa de exploradores para as "Minas Gerais". O abastecimento destas áreas provinha, em geral, da marinha, por onde também se escoava a produção das minas.[5]

No início, a falta de animais de carga, de tração e mesmo de sela era quase absoluta em Minas Gerais e em São Paulo. O índio e o negro escravizados e o mameluco assalariado é que se constituíam nos meios de transporte usuais.[5]

O relevo acidentado entre o litoral e as "Minas Gerais", fosse pelo caminho inicial através de São Paulo ou depois pelo caminho aberto por Garcia Rodrigues Pais, ligando diretamente a região da mineração ao Rio de Janeiro, não permitia o uso de carroças ou carros de bois; a solução seria o uso de animais de carga, escassos em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, Por este motivo, os paulistas, que até então haviam incursionado pelo sul em demanda das reduções jesuíticas para prear índios, resolveram alcançar os campos rio-grandenses a fim de obter aqueles animais lá encontrados em abundância, que venderiam facilmente e por alto preço nas áreas de mineração. Surgiu, assim, o famoso "caminho do sul", entre Sorocaba e Viamão, caminho que seria o marco inicial do povoamento da vasta zona dos campos meridionais, juntamente com o que já se estabelecera ligando Laguna às vacarias.[5]

O novo caminho se estendia através dos Campos; as Matas eram cortadas somente em certos trechos inevitáveis pelo fato de serem de mais difícil acesso e pela presença dos indígenas.

Às margens do caminho, nas áreas campestres, surgiram os primeiros estabelecimentos nos quais se fazia o tratamento do gado, muitos dos quais seriam futuros núcleos urbanos, como, entre outros, a cidade de Bom Jesus (RS) e depois sesmarias onde se fixaram criadores. Nas matas originaram-se pousos que evoluíam, passando a formar o povoado, a vila e, por fim, a cidade.[5]

Com a abertura do novo caminho, Laguna perdeu a invejável posição de ponto obrigatório de passagem para o sul e principal centro do extremo meridional do País. Curitiba sobrepujou-a realizando aquele papel de convergência e teve seu povoamento iniciado por elementos procedentes de Paranaguá que, buscando novas jazidas auríferas, alcançaram o Planalto.[5][6]

O arraial de Curitiba aparece oficialmente pela primeira vez quando Eleodoro Ébano Pereira, lá chegado em 1645, o assinalou no mapa em que representou os Campos de Curitiba; todavia, sabe-se que ele não data desta época; já tinha cerca de 20 anos. A mineração foi a atividade inicial de seus habitantes; a partir de 1668 introduziu-se a criação de gado. Os rebanhos eram pequenos porque, em virtude do isolamento em que se encontrava, Curitiba não mantinha relações comerciais com outros centros do País. A situação melhorou quando seus moradores atingiram os Campos Gerais através da Mata de Araucária correspondente à zona de Campo Largo, devassada pelos exploradores de ouro, e passaram a levar gado para vender em São Paulo: o entanto, o grande incremento da criação de gado dar-se-ia após a abertura do "caminho do sul", quando Curitiba se tornou "registro". À medida que se comprovaram os lucros de negócios de gado, processou-se a transformação econômica dos campos de Curitíba, aos poucos, mineradores se fizeram tropeiros, invernistas e criadores. Da necessidade de subsistência surgiu a agricultura; praticou-se, ainda, a extração da erva-mate no extremo oriental desses Campos, onde já aparece a mata que cobre a serra.[6]

A ocupação do Planalto Meridional propiciada pelo "caminho do sul" fez-se sobretudo com paulistas, organizados em Bandeiras, diversas das anteriores, por serem colonizadoras. Desbravaram os sertões do Paraná e de Santa Catarina e alcançaram o Rio Grande do Sul. Os lagunenses limitaram-se às áreas que ocuparam: costa gaúcha, campos de Viamão e de Vacaria.[6]

O povoamento dos Campos Gerais começou nos primeiros anos do século XVIII com criadores de gado vindos dos campos de Curitiba, mas expandiuse graças às investidas paulistas em direção ao sul, que os transformaram na via natural para atingir a campanha río-grandense, constituindo, portanto, parte do famoso "caminho do sul". A intensa circulação que se processou acarretou o estabelecimento de uma série de pousas de tropas, dispostos em distâncias regulares ao longo dos Campos Gerais, tais como Jaguariaíva, Furnas (atual Piraí do Sul), Iapó (Castro), Ponta Grossa, Palmeira, Campo do Tenente e Vila do Príncipe (Lapa).[6]

Depois desses campos, após transpor o rio Negro, o caminho atravessava um trecho ocupado por mata de araucária até alcançar os campos de Lajes.[6]

Nesse percurso nasceria Capela da Mata que daria origem a Rio Negro (Paraná) e Mafra (Santa Catarina), cidades gêmeas separadas por aquele curso fluvial.[6]

Os campos de Lajes estavam sob a jurisdição do Rio Grande e neles já se haviam estabelecido alguns povoadores esparsos, vindos de Vacaria, do litoral e mesmo de São Paulo, porém quando as Bandeiras povoadoras paulistas lá chegaram (1766) tiveram a missão de edificar uma povoação, o que realmente fizeram apesar dos protestos da província gaúcha. O povoado foi Nossa Senhora dos Prazeres de Lajes (1767); cresceu rapidamente, sendo, desde cedo, o centro da região. Ainda em Santa Catarina foram fundados nessa época outros núcleos que originaram povoados e cidades tais como Curitibanos, Ponte Alta e São Joaquim.[6]

No Rio Grande do Sul, lagunenses e paulistas haviam ocupado os Campos da antiga Vacaria dos Pinhais, mas viviam dispersas. A cidade de Vacaria nasceria da necessidade que estes fazendeiros tinham de um centro onde pudessem adquirir artigos que precisavam. Foi também centro de romarias em honra a Nossa Senhora das Oliveiras, para cujo culto construíram, em 1761, uma capela em torno da qual se firmaria o povoado.[6][7] Os campos de Guarapuava e de Palmas, por se acharem fora do percurso do "caminho do sul", já no oeste, foram os últimos a serem povoados. A descoberta oficial data de 1768; realizou-a uma Bandeira ordenada pelo governador da capitania de São Paulo.[7]

A posse definitiva coube a outra Bandeira (1771), que encontrou resistência dos indígenas. O primeiro povoado, chamado Atalaia, surgiu em 1809 quando uma expedição colonizadora expulsou os índios.[7]

Em 1819, os paulistas, em mais uma expedição oficial, escolheram novo Sítio no qual lançaram as bases para a instalação definitiva do núcleo que originaria Guarapuava, primeira vila do oeste do Paraná e atual cidade do mesmo nome.[7]

De Guarapuava processou-se nova expansão dos criadores de gado, desta feita rumo aos campos de Palmas, conhecidos desde 1726 sob a denominação de "Campos de Biturunas", A ocupação verificou-se a partir de 1839-40 e firmou-se depois de 1845 quando foram abertas estradas ligando-os aos do Rio Grande do Sul. Graças a essas veredas, os campos de Guarapuava e de Palmas deixaram de ser simples complementos dos Gerais; organizou-se uma sociedade pastoril própria. Ainda graças a elas seriam ocupados os últimos Campos do Sul do País, quando alcançaram a zona de Passo Fundo. Sucedeu-se a irradiação de Passo Fundo para Cruz Alta, Palmeira, Soledade, Nonoai, Santo Ângelo e São Borja, este último já povoado por conquistadores oriundos de Porto Alegre. Complementou-se, com o povoamento da antiga zona das Missões jesuíticas, a ocupação dos Campos do Brasil Meridional.[7]

O melhor aproveitamento dos enormes rebanhos propiciou, no início, a produção de couros e depois a indústria do charque, dando origem à cidade de Pelotas. O desempenho da pecuária no povoamento da Região Sul e mesmo no de todo o interior do Brasil foi extraordinário pela posse da maior parte do território nacional. Esta etapa do povoamento, que se convencionou denominar de inicial, teve resultados modestos: litoral escassamente povoado e interior com ocupação limitada, praticamente, às áreas campestres.[7]

Cronologia por século

  • XVI: Inicia a colonização espanhola no Guayrá
  • XVII: Destruição das reduções jesuíticas do Guayrá, fundação das reducões de Tapes. Incursões banderirantes.
  • XVIII: Início da pecuária, produção charqueado em Pelotas.
  • XIX: A pecuária argentina e uruguaia ameaçam a economia sulina. O mesmo fenômeno de encarecimento da produção que ocorreu no Nordeste do século XVIII chegou ao Sul. A guerra dos Farrapos acabou sendo inevitável. A imigração alemã e padânica no norte do RS faz a demografia gaúcha, tornando o RS uma das maiores províncias do país. O RS é o primeiro estado do Sul onde a imigração gerou um grande fator de crescimento demográfico se somando ao anterior ciclo da pecuária no RS meridional.
  • XX: A imigração impacta finalmente o PR e SC. O Sul passa a ter a segunda economia do país, superando o Nordeste.
  • XXI: A forte emigração pelo encarecimento das terras gera uma migração de capital humano da região rumo ao Centro-Oeste e países vizinhos. Isso faz a participação da região pela primeira vez em séculos decair no conjunto demográfico do país.

Ver também

Notas

Referências

  1. a b c d e f g Ingrid (2012). «História da região sul do Brasil». Jornal Livre. Consultado em 1º de junho de 2012 
  2. a b c d MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares (1977). Geografia do Brasil. 5. Rio de Janeiro: IBGE. p. 145 
  3. a b c d e f g h MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares (1977). Geografia do Brasil. 5. Rio de Janeiro: IBGE. p. 146 
  4. a b c d e f g h MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares (1977). Geografia do Brasil. 5. Rio de Janeiro: IBGE. p. 147 
  5. a b c d e f g h i MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares (1977). Geografia do Brasil. 5. Rio de Janeiro: IBGE. p. 148 
  6. a b c d e f g h MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares (1977). Geografia do Brasil. 5. Rio de Janeiro: IBGE. p. 149 
  7. a b c d e f MAGNANINI, Ruth da Cruz; SOUTO MAIOR, Ariadne Soares (1977). Geografia do Brasil. 5. Rio de Janeiro: IBGE. p. 150 

  • MAROTE, João Teodoro d'Olim. Estudos sociais, ciências e programas de saúde, volume 4, primeiro grau: livro do professor. São Paulo: Ática, 1990.

Ligações externas