Lúcifer

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Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Lúcifer (desambiguação).

Lúcifer é a tradução da Bíblia em Latim de Luciferum para a palavra em hebraico לוציפר em Isaiah 14:12.[1] Esta palavra, transliterada hêlêl[1] ou heylel,[2] aparece apenas uma vez na Bíblia Hebraica[1] e de acordo com a influência da versão do Rei Jaime significa "o brilhante, estrela da manhã, Lúcifer".[2] A palavra Lúcifer provém da Vulgata,[3][4] que traduz לוציפר como lúcifer, Isaías 14:12[5][6] significando "a estrela da manhã, o planeta Vênus", ou, como um adjetivo, "portador da luz".[7] O Septuaginta traduz הֵילֵל para grego como ἑωσφόρος[8][9][10][11][12] (heōsphoros),[13][14][15] um nome, literalmente "o que traz o anoitecer", para a estrela da manhã.[16]

Significado[editar | editar código-fonte]

O substantivo Lúcifer ocorre seis vezes na Vulgata, versão latina da Bíblia, e uma vez em algumas Traduções da Bíblia em língua portuguesa. Lúcifer se refere literalmente à "Estrela da Manhã" ou "Estrela D'Alva", à "luz da manhã",[17] aos "signos do zodíaco",[18] e à "aurora" [19] ou, metaforicamente, ao "rei da Babilônia",[20] ao sumo sacerdote Simão, filho de Onias,[21] à Glória de Deus,[22] ou a Jesus Cristo.[23][24] Jesus Cristo, no livro de apocalipse (22:16) se auto denomina "resplandescente estrela da manhã", o que é diferenciado quando o termo é usado separadamente "estrela da manhã" como "poder sobre nações". (Apocalipse 2:26, 28, Isaías 14:12)

Por exemplo, Tradução Brasileira da Bíblia:

E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações.
 
2 Pedro 1:19 Tradução Almeida Fiel.

Este mesmo trecho em latim, na Vulgata é:

Et habemus firmiorem propheticum sermonem cui bene facitis adtendentes quasi lucernae lucenti in caliginoso loco donec dies inlucescat et lucifer oriatur in cordibus vestris.
 
2 Pedro 1:19[25].

É por esta razão que é possível encontrar pessoas com nome "Lúcifer" entre os primeiros cristãos, sendo o exemplo mais famoso São Lúcifer, bispo de Sardenha, onde existe a única igreja à São Lúcifer conhecida.[26]

O rei da Babilônia[editar | editar código-fonte]

Na tradução de Figueiredo verte Isaías 14:12: "Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante?"

Lúcifer (do latim Lux fero, portador da Luz, em hebraico, heilel ben-shahar, הילל בן שחר; em grego na Septuaginta, heosphoros) significa "o que leva a luz", representando ao portador de luz, o planeta Vênus, que é visível antes do alvorecer. Provém duma raiz que significa "brilhar" (Jó 29:3), e aplicava-se a uma metáfora aplicada aos excessos de um "rei de Babilônia", não a uma entidade em si, como afirma o pesquisador iconográfico Luther Link,[27] "Isaías não estava falando do Diabo.Usando imagens possivelmente retiradas de um antigo mito cananeu, Isaías referia-se aos excessos de um ambicioso rei babilônico."

A expressão hebraica (heilel ben-shahar) é traduzida como "O que brilha", nas versões NM, MC, So. A tradução "Lúcifer" (portador de luz), (Fi, BMD) deriva da Vulgata latina de São Jerónimo e isso explica a ocorrência desse termo em diversas versões da Bíblia.

Mas alguns argumentam que Lúcifer seja Satanás e por isso, também foi o nome dado ao anjo caído, da ordem dos Querubins (Ez 28.14). Assim, muitos nos dias de hoje, numa nova interpretação da palavra, o chamam de Diabo (caluniador, acusador), ou Satã, cuja origem é o hebraico Shai'tan יריב (Em Português,Adversário)

Judaísmo[editar | editar código-fonte]

A religião judaica não possui um ser todo malévolo, que combata contra o Criador. Por outro lado, o nome hilel ben shachar (הילל בן שחר, filho d'alva), achado nos livros dos Profetas Isaías e Ezequiel a quem muitos atribuem ao Diabo, no contexto judaico relevo nenhum tem, pois se trata de uma referência ao rei da Babilônia, Nabucodonosor, que era daquela alcunha chamado. Atribui-se ao erro de interpretação, segundo a visão hebraica, a leitura da frase fora do contexto geral, pelo qual o profeta fazia uma exortação direta ao monarca.[28][29][30]

Conceito da Igreja Católica[editar | editar código-fonte]

De acordo com São Jerônimo, Lúcifer era o nome do principal anjo caído, e seu nome em hebraico, helel, é derivado do verbo lamentar, pois ele lamenta a sua queda e a perda do seu brilho. Esta visão prevaleceu entre os Padres da Igreja, de forma que Lúcifer não fosse o nome próprio do diabo, mas apenas o seu estado anterior à queda.

Conforme o teólogo e parapsicólogo, Óscar G. Quevedo, Lúcifer passou a ser identificado como Satã, após Orígenes, sendo a passagem de Isaías 14:12 como sendo uma queda do reinado tirânico de Nabucodonosor II, rei da Babilônia; a queda de Hélél ben Shadar da mitologia fenícia. Sendo assim, uma ameaça divina meramente metafórica, sendo posteriormente materializada por judeus e cristãos, convertendo esses deuses pagãos em demônios, algo alheio a revelação, ou seja, metafórico. Não existindo nada com relação ao um anjo caído, nem relação direta com a terminologia Diabo, que provem do latim, Satã originária do hebraico ou demônio que provem do grego.[31]

"A queda de Lúcifer", ilustração de Gustave Doré para o livro O Paraíso Perdido de John Milton.

A visão teosófica[editar | editar código-fonte]

Corroborando outras opiniões, o Glossário Teosófico de Helena Blavatsky diz que Lúcifer é a Estrela da Manhã, o planeta Vênus, e literalmente a palavra significa O Portador da Luz. Rejeita a atribuição a Lúcifer dos defeitos do orgulho e da arrogância que o cristianismo lhe imputou, nem diz que ele é a origem do mal e tampouco o identifica com o diabo e similares, que considera produtos apenas da imaginação humana sem existência autônoma real. Blavatsky faz notar, como já foi dito acima, que o próprio Cristo, em Apocalipse 22:16 chama a si mesmo de "Estrela da Manhã". Blavatsky, entretanto, não leva em conta o fato de que a atribuição do termo "Estrela da Manhã" a Lúcifer diz respeito à época anterior a sua queda. Nada há, portanto, de contraditório ou estranho no uso que Cristo faz da expressão ao falar de si mesmo. É também digno de nota o fato de que o orgulho e a arrogância de Lúcifer não se configuram como criações do Cristianismo, mas foram por este recebidos e acolhidos a partir do Primeiro ou Antigo Testamento.

Outras opiniões[editar | editar código-fonte]

São Jerônimo, ao traduzir a Vulgata no século 4 DC, atribuiu Lúcifer ao anjo caído, a serpente tentadora das religiões antigas, embora antes dele esta interpretação não existisse. Oficialmente a Igreja não atribui a Lúcifer o papel de Diabo, mas apenas o estado de "caído" (Petavius, De Angelis, III, iii, 4).[32]

Por exemplo, a enciclopédia Estudo Perspicaz das Escrituras, vol.1, pág, 379, explica que "o termo "brilhante", ou "Lúcifer", é encontrado na "expressão proverbial contra o rei de Babilônia" que Isaías mandou profeticamente que os israelitas proferissem. De modo que faz parte duma expressão dirigida à dinastia babilônica.

Lúcifer na Mídia[editar | editar código-fonte]

  • No anime Ao no exorcist, Lúcifer é o rei da luz. E o mais forte dos 8 Reis Demônios.
  • Na Animação Cinderela da Disney, Lúcifer é o nome do gato da Madrasta[33]
  • No mangá Beelzebub Lúcifer é o maior rei entre os demônios
  • No mangá HunterXHunter Lúcifer é o sobrenome do líder do Genei Ryodan, Kuroro
  • Na série Supernatural da CW, Lucifer é um arcanjo caído, o Diabo, e pai de todos os demônios. também conhecido como a Estrela da Manhã.
  • No anime Shingeki no Bahamut: Gênesis, Lúcifer é o ser soberano do Inferno, que junto com os anjos e outros demônios, selou o Bahamut.
  • Na obra de Neil Gaiman, Sandman, Lúcifer é um dos três Reis do Inferno, além de ser o segundo dos caídos do paraíso.
  • Na obra literária de Eduardo Spohr, A Batalha do Apocalipse, Lúcifer é o mais belo e carismático dentre os cinco arcanjos e o rebelde que jáz em Sheol.
  • No anime Hataraku maou-sama! Lúcifer é um dos quatro generais do rei demônio Satã.
  • Na série tokusatsu Cybercops, há um personagem com uma unidade(armadura tecnológica) de mesmo nome, que inclusive não é um dos vilões, sendo uma espécie de anti-herói.
  • Na série Lúcifer da FOX, Lúcifer entediado e infeliz como o Senhor do inferno, ele abdica de seu trono e abandona seu reinado para ir para Los Angeles
  • Nas obras literárias de Marcelo de Lima Lessa, "Gênesis Proibido - A Tragédia de Adão e Lilith" e "Evangelho Perdido - a História Oculta de Jesus".
  • Na série de jogos Shin Megami Tensei, Lúcifer ja fez diversas participações. [34]

Referências

  1. a b c «Hebrew Concordance: hê·lêl – 1 Occurrence - Bible Suite». Bible Hub. Leesburg, Florida: Biblos.com. Consultado em 10 de julho de 2014. 
  2. a b Strong's Concordance, H1966: "o brilhante, estrela da mnhão, Lucifer; do rei da Babilônia e Satã (fig.)"
  3. QUINSON, Marie-Therese (1999). Dicionário cultural do cristianismo. Edicoes Loyola. p. 186. ISBN 978-85-15-01330-2.
  4. Kohler, Dr. Kaufmann (1923). Heaven and hell in Comparative Religion with Special Reference to Dante's Divine Comedy. New York: The MacMillanCompagny. pp. 4–5. ISBN 0-76616608-2. Lúcifer, é retirado da versão latina, a Vulgata 
  5. «Latin Vulgate Bible: Isaiah 14». DRBO.org. Consultado em 10 de julho de 2014. 
  6. «Vulgate: Isaiah Chapter 14» (em Latin). Sacred-texts.com. Consultado em 10 de julho de 2014. 
  7. «Charlton T. Lewis, Charles Short, "A Latin Dictionary"». Perseus.tufts.edu. Consultado em 10 de julho de 2014. 
  8. «LXX Isaiah 14». Septuagint.org. Consultado em 10 de julho de 2014.  Parâmetro desconhecido |lígua= ignorado (ajuda)
  9. «Greek OT (Septuagint/LXX): Isaiah 14» (em grego). Bibledatabase.net. Consultado em 10 de julho de 2014. 
  10. «LXX Isaiah 14» (em Greek). Biblos.com. Consultado em 10 de julho de 2014. 
  11. «Septuagint Isaiah 14» (em grego). Sacred Texts. Consultado em 6 de maio de 2014. 
  12. «Greek Septuagint (LXX) Isaiah - Chapter 14» (em grego). Blue Letter Bible. Consultado em 6 de maio de 2014. 
  13. Neil Forsyth (1989). The Old Enemy: Satan and the Combat Myth. [S.l.]: Princeton University Press. p. 136. ISBN 978-0-69101474-6. Consultado em 22 de dezembro de 2012. 
  14. Nwaocha Ogechukwu Friday (30 de maio de 2012). The Devil: What Does He Look Like?. [S.l.]: American Book Publishing. p. 35. ISBN 978-1-58982662-5. Consultado em 10 de julho de 2014. 
  15. Adelman, Rachel (2009). The Return of the Repressed: Pirqe De-Rabbi Eliezer and the Pseudepigrapha. Leiden: BRILL. p. 67. ISBN 9-00417049-9 
  16. Taylor, Bernard A.; with word definitions by J. Lust (2009). Analytical lexicon to the Septuagint Expanded ed. Peabody, Mass.: Hendrickson editoras, Inc. p. 256. ISBN 1-56563516-7  Parâmetro desconhecido |coautors= ignorado (ajuda)
  17. Jó 28:32
  18. Jó 38:32
  19. Salmos 109:3
  20. Isaías 14:12
  21. Eclesiástico 1:6
  22. Apocalipse 2:28
  23. II Pedro 1:19
  24. Apocalipse 22:16
  25. «2 Pedro 1:19» (em latim). Biblos.org. Consultado em 8 de setembro de 2011. 
  26. Wikisource-logo.svg "Lucifer of Cagliari" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.
  27. (LINK, Luther.O Diabo: máscara sem rosto. São Paulo: Companhia das Letras, 1998)
  28. Drane, John (2009). Enciclopédia da Bíblia. São Paulo: Loyola. p. 285 
  29. «Nabucodonosor». Consultado em 27.jun.2012.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  30. Russel, Jeffrey Burton (1984). Lucifer. the devil in the middle ages. Nova Iorque: CUP. p. 192-193 
  31. GONZÁLEZ- QUEVEDO, Oscar. Antes que os demônios voltem, Ed. Loyola, São Paulo,1989. p. 321-322
  32. Wikisource-logo.svg "Lucifer" na edição de 1913 da Enciclopédia Católica (em inglês). Em domínio público.
  33. Cine Players. «Cinderela (1950)». Consultado em 22 de setembro de 2010. 
  34. «Lucifer». Megami Tensei Wiki (em inglês) 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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