Palacete Faciola

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O casarão em 2008

O Palacete Facióla é um casarão histórico localizado na cidade de Belém, Pará. É referência histórica da cidade de Belém. Está localizado na Avenida Nazaré, na esquina com a Travessa Doutor Moraes. Foi construído em 1901, para abrigar a família Faciola.[1][2]

O edifício chegou a estar em estado de abandono. O estudo de desapropriação do Palacete Faciola e suas duas casas adjacentes iniciou no ano de 2008 para servir como sede do antigo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social do Pará (IDESP), mas sua desapropriação só se concretizou em 2016, quando passou a integrar o patrimônio do Governo do Estado, como mais um equipamento da Secult.[3]

História[editar | editar código-fonte]

No local, residiu o arquiteto, pianista, livreiro (era proprietário da livraria Maranhense), banqueiro e político Antônio Almeida Facióla, patriarca de uma tradicional família de comerciantes de Belém. Antonio estudou e diplomou-se em piano pelo Conservatório de Milão e era amigo de Carlos Gomes. Durante a época da extração da borracha, também conhecida como "belle-époque", Belém foi considerada uma das mais importantes cidades do Brasil e o crescimento da economia da borracha impulsionou sua urbanização, com a construção de avenidas, edificações e palacetes residenciais de luxo no centro da cidade.

O palacete foi projetado em 1895 e concluído em 1901, por José de Castro Figueiredo, arquiteto e desenhista paraense, reconhecido como um dos primeiros engenheiros-arquitetos da região. A edificação é o resultado de um período de mudanças sociais e urbanas, marcado pela modernização da cidade inspirada pela chamada sociedade da borracha.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

O palacete, localizado em uma esquina, tinha sua fachada principal alinhada à rua, com um afastamento lateral, onde também existia uma outra entrada social para a casa, feita por um alpendre com lambrequins de madeira e guarda-corpo em ferro. O piso no interior da casa era feito de acapu e pau-amarelo, formando diferentes desenhos. O forro em madeira também era ricamente trabalhado.[4]

Tinha o primeiro pavimento destinado à área social, com as diferentes salas (saleta e sala de estar, saleta nobre, sala de jantar e sala de café), gabinete, varanda, quartos (provavelmente de hóspedes) e onde também se encontravam a área de serviços, a cozinha, os quartos de empregada e os banheiros. Neste pavimento também se encontravam assentados azulejos de origem alemã com motivos florais.[4] O segundo pavimento, de caráter mais privado, contava com os seis quartos da família, integrados por portas, que formavam um grande salão. Neste pavimento havia também um oratório, além do escritório e um banheiro.[4]

Em seu interior, o palacete possui tetos com pinturas em profusões de flores e guirlandas, como se fossem desenhados à mão. O estilo arquitetônico neoclássico do local é herança do artista Antônio José Landi [carece de fontes?]. Quando o palacete foi apropriado pelo Estado, este teve a oportunidade de adquiri-lo com todo o mobiliário de época e a diversificada coleção de obras de arte, que fora reunida por Antonio Facióla desde 1936, como vasos de cristal, esculturas, lustres e quadros. As peças desta coleção de Antonio eram assinadas por artistas consagrados no mercado europeu e internacional, como Antonin Larroux, Émile Gallé, Félix Charpentier, entre outros. Foram adquiridos por ele em Paris. Porém essa compra acabou não se concretizando e o acervo cuidadosamente guardado por sua filha foi dissipado após a morte dela em 1982.[4]

O palacete possui duas iniciais, "SF", sobre sua porta principal que foi uma homenagem de Antonio para sua esposa Servita Facióla.[carece de fontes?]

Restauração[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2020, o governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), publicou o edital de licitação para as obras de restauração completa do Palacete Faciola, que estava fechado havia quase dezoito anos. O investimento previsto foi de aproximadamente R$ 16 a 18 milhões, com previsão inicial de duração de dois anos e três meses. A expectativa foi entregar o palacete restaurado em 2023. Todo o inventário do palacete já havia sido realizado anteriormente, e a proposta contempla a recomposição completa, desde a fachada com seus azulejos até a parte interna.[5]

A primeira fase do processo para as obras de restauro, revitalização e requalificação do Palacete iniciou em outubro de 2020, com os técnicos do Departamento de Projetos e do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (DPHAC) da Secult acompanhando a limpeza e catalogação de peças. No canteiro, foram separadas peças como azulejos, ladrilhos e cerâmicas, gradis, portas e adereços de fachada enquanto a equipe aguarda as licenças dos órgãos para poder iniciar as obras.[6]

A obra do Palacete envolve a restauração das fachadas, recomposição espacial dos edifícios, portas e janelas em madeira, reintegração de pisos e forros, recomposição do sistema de cobertura, reintegração de rebocos e revestimentos internos além da urbanização e paisagismo da área externa. Também serão necessários a instalação de sistemas elétricos, hidro sanitários, acústico, de ar condicionado, logística e de prevenção e combate a incêndio.[5][7]

Commons
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Referências

  1. «ROTEIRO AE». belempara. Consultado em 1 de abril de 2021 
  2. «Belém Époque: Palacete Faciola». Belém Époque. Consultado em 1 de abril de 2021 
  3. «Palacete Faciola será totalmente restaurado em 2020». agenciapara.com.br. Consultado em 1 de abril de 2021 
  4. a b c d Soares, Karol Gillet (2008). «AS FORMAS DE MORAR NA BELÉM DA BELLE-ÉPOQUE (1870-1910)» (PDF). Universidade Federal do Pará. Consultado em 1 de abril de 2021 
  5. a b «Secult inicia primeira fase do projeto de requalificação do Palacete Faciola». SEPLAD - Secretaria de Planejamento e Administração. Consultado em 1 de abril de 2021 
  6. «Governo autoriza início das obras no Palacete Faciola». Agência Pará de Notícias. Consultado em 1 de abril de 2021 
  7. Belém.com.br. «Há quase 18 anos fechado, palacete Faciola será restaurado». Belém.com.br. Consultado em 1 de abril de 2021