Cemitério da Consolação

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Vista geral do Cemitério da Consolação.

O Cemitério da Consolação é a mais antiga necrópole em funcionamento na cidade de São Paulo e uma das principais referências brasileiras no campo da arte tumular [1] . Localiza-se no distrito da Consolação, na região central da capital paulista. Primeiro cemitério público da cidade, foi inaugurado em 15 de agosto de 1858 com o nome de Cemitério Municipal, com o objetivo de garantir a salubridade e evitar epidemias, substituindo o hábito então recorrente de sepultar os mortos nos interiores das igrejas [2] . Atualmente, é um dos 22 cemitérios públicos administrados pelo Serviço Funerário do Município de São Paulo.

Com a prosperidade advinda da aristocracia da cafeicultura e o surgimento de uma expressiva burguesia em São Paulo, o Cemitério da Consolação passou a abrigar obras de arte produzidas por escultores de renome, para ornamentar os jazigos de personalidades importantes na história do Brasil, como Campos Sales, Washington Luís, marquesa de Santos, Carlos Augusto Bresser, Monteiro Lobato e Plínio Correia de Oliveira. Entre os artistas que produziram obras para o cemitério encontram-se Rodolfo Bernardelli, Victor Brecheret, Bruno Giorgi e Celso Antônio de Menezes. Mantém visitas guiadas, por meio do projeto “Arte Tumular”.

História[editar | editar código-fonte]

Antes da sua construção os sepultamentos eram realizados nas igrejas e em seus arredores, o que trazia problemas de saúde pública. Com a aparição de idéias de sanitarismo e higiene, os governos das cidades criaram os primeiros cemitérios públicos.

Em São Paulo, por força do Ato Institucional do Imperador, foi-se consolidando a idéia da construção de um cemitério público de uso geral pela população. Assim, Carlos Rath incumbiu-se da missão de arquitetar o novo cemitério. Foram anos de discussão na Câmara Municipal antes de sua efetiva inauguração.

Túmulo de Olívia Guedes Penteado, escultura de Victor Brecheret.

Em seus primeiros anos, o cemitério da Consolação era o lugar de sepultamento de pessoas de todas as classes sociais, incluídos os escravos, que foram transferidos do cemitério dos Aflitos.

Já a partir do século XX, o cemitério passa a receber quase que exclusivamente pessoas da alta classe média e da burguesia - notadamente os nouveaux riches - devido ao loteamento dos terrenos em jazigos perpétuos vendidos pela prefeitura. À época, um túmulo suntuoso era visto como sinal inequívoco de status social. Havia verdadeira competição entre as famílias abastadas, que construíam jazigos cada vez mais sofisticados, em materiais nobres como mármore e bronze. A ornamentação ficava a cargo de artistas de primeira grandeza, que tinham na arte tumular uma atividade com demanda estável e altamente lucrativa.

Desde então, o cemitério abriga túmulos de personalidades e famílias ilustres da sociedade brasileira e paulista, sendo também referência em arte tumular no Brasil, com importantes obras de arte de escultores como Victor Brecheret, Celso Antônio Silveira de Menezes, Nicola Rollo, Luigi Brizzolara e Galileo Emendabili.

Localização[editar | editar código-fonte]

Portão principal do Cemitério, na Rua da Consolação, projetado por Ramos de Azevedo.

Localizado inicialmente na periferia de São Paulo, no ponto mais distante, acaba depois de um crescimento da economia cafeeira cercado de casarões da elite paulista.

O cemitério tem acesso pela Rua da Consolação.

Personalidades sepultadas[editar | editar código-fonte]

Sarcófago do ex-presidente Campos Salles.

No Cemitério da Consolação encontram-se os restos mortais de muitas personalidades importantes da História do Brasil.

Lá se encontra a tríade Modernista: Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Mário de Andrade,o escritor modernista Alcântara Machado, sepultado ao lado do pai, o jurista José de Alcantara Machado, e do avô Brasílio Machado, nomes da politica brasileira como os presidentes Campos Sales, e Washington Luís e os governadores Jorge Tibiriçá, Ademar de Barros, Bernardino José de Campos Júnior, Carvalho Pinto, Roberto Costa de Abreu Sodré, os prefeitos Fábio da Silva Prado e Wladimir de Toledo Piza e a sua esposa, Alcina Pimentel de Toledo Piza, personalidades como a Marquesa de Santos, o Barão de Antonina (João da Silva Machado) e sua filha Maria Antonia da Silva Ramos, em capela em mármore carrara século XIX, com brasão de armas em bronze, tombada pelo CONDEPHAAT, a família Souza Aranha, o Barão de Anhumas (Manuel Carlos Aranha), o tenente coronel José Egídio de Sousa Aranha, o jurista Alcebíades Delamare Nogueira da Gama, a antropóloga e ex-primeira-dama Ruth Cardoso, a família Rudge Ramos, o escritor Monteiro Lobato, o arquiteto Ramos de Azevedo, empresários como Cândido Fontoura, Francesco Matarazzo, Oscar Americano, Roberto Simonsen e Rodolfo Crespi, o fazendeiro e "rei do café" Geremia Lunardelli, os aristocratas paulistas e mecenas das artes Armando Álvares Penteado, Olívia Guedes Penteado e a sua sobrinha Yolanda Penteado, a ativista política e médica Carlota Pereira de Queirós, Otávio Gabus Mendes, os atores Armando Bógus , Rubens de Falco e Paulo Goulart , acordeonista Mario Zan, o compositor Alexandre Levy, o abolicionista Luís Gama e santos populares como Antoninho da Rocha Marmo. Também está sepultado neste cemitério o pensador católico Plínio Correia de Oliveira, fundador da Tradição, Família e Propriedade (TFP).

Um dos destaques do cemitério é o colossal mausoléu da família Matarazzo, o maior da América Latina, que do subsolo ao pico possui 25 metros de altura. Tem o tamanho aproximado de um prédio de 3 andares, ocupando uma área de 150 metros quadrados. É ornamentado por um impressionante conjunto escultório em bronze italiano, obra de Luigi Brizzolara. Segundo jornalistas à época de sua construção, teria custado praticamente o mesmo que o Hospital Umberto I. Assim, o empreendedor italiano Matarazzo contrapunha-se ao elitismo da aristocracia cafeeira paulista, que ignorava abertamente os imigrantes recém-enriquecidos nos círculos sociais.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FIX, Reinaldo Guilherme. Os muros que separam os mortos: um estudo de caso dos cemitérios da Consolação, dos Protestantes e da Ordem Terceira do Carmo. Trabalho de Graduação Individual. USP, São Paulo, 2007. (disponível na biblioteca da FFLCH-USP e na administração do cemitério)
  • REZENDE, Eduardo Coelho Morgado. O Céu Aberto na Terra: Uma leitura dos cemitérios de São Paulo na geogrfia urbana. São Paulo: Necrópolis. 2006

Referências

  1. Robson Rodrigues (7 de outubro de 2010). Cemitério da Consolação. São Paulo Turismo. Página visitada em 21 de dezembro de 2011.
  2. Paulo Toledo Piza (15 de agosto de 2008). Cemitério da Consolação, marco histórico e turístico de SP, completa 150 anos. Folha Online. Página visitada em 21 de dezembro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]