Frederico Guilherme von Hoonholtz
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Frederico Guilherme von Hoonholtz[1][2] (em alemão: Friedrich Wilhelm von Hoonholtz; Prússia, c. 1795 - Itaguaí, 31 de dezembro de 1837), foi um nobre, militar e engenheiro prussiano que emigrou para o Brasil.
Um dos seus primos foi o barão von Schneeburg.[3]
[editar] Biografia
Estudava engenharia na Universidade de Leipzig, quando teve que abandonar o curso para participar militarmente das guerras Napoleônicas,[4] tendo participado das batalhas de Leipzig e Waterloo na patente de capitão. Durante a guerra, em 1813, seu pai faleceu e o castelo da família foi destruído.[4] Terminada a guerra, retornou aos estudos de engenharia e se graduou. Foi recrutado pelo major Schäffer para vir para o Brasil como mercenário a serviço de D. Pedro I, transferindo-se para o Brasil em 1824, no posto de alferes.
No navio que o transportava conheceu a jovem Johanne Cristine van Engel Alt, bisneta do Almirante batavo van Engel,[5] vinha ao Brasil acompanhada de seu meio-irmão e de seu pai, o médico Peter Alt, recrutado como cirurgião no 27.º Batalhão de Caçadores, do Corpo de Estrangeiros, mesmo regimento no qual Frederico Guilherme von Hoonholtz estava alistado. Três meses depois de chegarem ao Rio de Janeiro, casaram-se na capela do 27.º Batalhão de Caçadores.
Como militar, participou da guerra da Cisplatina (1825-1828), com o 27.º Batalhão de Caçadores, sendo parte do Estado-Maior do exército, juntamente a seu sogro Peter Alt (filho do barão D'Alt[carece de fontes]).[6] Foi ferido por lança e sofreu inúmeras queimaduras no incêndio do campo da batalha do Passo do Rosário, em 20 de fevereiro de 1827.[7]
Desmobilizado depois de mais de três anos de serviço militar no exército brasileiro,[4] volta ao Rio de Janeiro com a família. Em julho de 1830, enquanto cavalgava na praia do Botafogo em direção ao morro do Pasmado, encontra Dom Pedro I, que também cavalgava acompanhado de dois oficiais. O então imperador do Brasil saía do Forte da Praia Vermelha[4][8] e, após algumas conversas, convida-o para visitar a Fazenda Imperial de Santa Cruz. Em seguida, propõe a Frederico Guilherme que coordene a instalação de amplos quartéis para cerca de dez mil homens na região, tirando o grosso do exército do centro urbano da Corte, de forma que as tropas passariam a permanecer sob controles mais eficazes do imperador. Para realizar o seu projeto, von Hoonholtz muda-se para Itaguaí,[4] onde se fixou com a família perto do "Sítio da Grimaneza", considerada a região mais bonita de toda a região. Porém, o projeto, que já estava em andamento, é cancelado com a abdicação de D. Pedro I[4] e seu retorno a Portugal.
Frederico Guilherme von Hoonholtz se dedica então ao comércio de café e transporte de mercadorias,[4] constrói juntamente com Antônio Vicente Danemberg o primeiro porto marítimo de Itaguaí e um canal de escoamento de produtos primários e mercadorias. Em 1837, retorna de uma viagem de negócios ao Rio de Janeiro com febre forte, falecendo poucos dias depois.[4]
Após sua morte, a dragagem do canal de Itaguaí é concedida a um concorrente, o empresário Francisco José Cardoso, o que leva a família von Hoonholtz a se desfazer de suas propriedades e mudar-se para o Rio de Janeiro.[4]
[editar] Descendência
O casal von Hoonholtz teve os seguintes filhos:
- Carlos von Hoonholtz – foi o primogênito, nasceu em Porto Alegre em 19 de dezembro de 1826.[9] Faleceu na Amazônia, em 1874, contaminado por beribéri, durante expedição junto com seu irmão Antônio Luís que buscava a nascente do Rio Javari,[10][11] expedição da qual era o agrimensor.[4]
- José Paulino von Hoonholtz, o Juca – nasceu em São Gabriel, em 11 de abril de 1828.[4] Estabeleceu-se em Manaus, onde era deputado provincial do Amazonas em 1871.[12] Posteriormente mudou-se para Santo Ângelo, onde manteve um clube e um cinema, assim como a sua sobrinha Nair de Teffé von Hoonholtz, proprietária do antigo Cinema Rian no Rio de Janeiro. José Paulino é o ascendente de todo o ramo da família von Hoonholtz do Rio Grande do Sul.
- Guilhermina Eulália von Hoonholtz - nasceu em Desterro em 12 de fevereiro de 1830, não teve descendência.[4]
- Frederico José von Hoonholtz, o Fritz - nasceu em Itaguaí em 14 de abril de 1832.[4]
- Antônio Luís von Hoonholtz, o Bubchen – nasceu em Itaguaí em 9 de maio de 1837.[4] Foi almirante da marinha brasileira, diplomata e veador da última imperatriz do Brasil, tendo recebido do Império o título nobiliárquico de barão de Tefé com honras de grandeza. Foi pai de Nair de Tefé von Hoonholtz, de Oscar de Tefé von Hoonholtz, de Álvaro de Tefé von Hoonholtz e de Otávio de Tefé von Hoonholtz, além de avô de Manuel de Tefé von Hoonholtz.
[editar] Título nobiliárquico de conde von Hoonholtz
Em algumas obras brasileiras Frederico Guilherme von Hoonholtz é citado como conde, na maioria das vezes sem muitas explicações,[13][14][15][16][17] outras obras brasileiras não mencionam o título.[18][19][20][21][22][23][24][25][26][27][28][29][30] No livro Barão de Teffé, militar e cientista, biografia do Almirante Antônio Luís von Hoonholtz,[31] a obra brasileira mais completa sobre Friedrich Wilhelm von Hoonholtz pois dedica um capítulo inteiro ao biografado, não há menção ao título nobiliárquico, somente ao facto de Frederico Guilherme pertencer à uma família nobre que fazia parte da aristocracia prussiana, da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos.
[editar] Bibliografia
- TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista, Biografia do Almirante Antônio Luís von Hoonholtz, Centro de Documentação da Marinha, Rio de Janeiro, 1977.
- BENTO, Cláudio Moreira. Estrangeiros e descendentes na História Militar do Rio Grande do Sul (1635-1870).
- ROSA, Gilson Justino da. Imigrantes Alemães, 1824-1853.
- XAVIER, Carlos Feliciano. Elogio geográfico-histórico do Almirante Barão de Teffé.
- Anônimo. Memórias do Almirante Barão de Teffé (Livro datado de junho de 1865, poucos dias depois da batalha do Riachuelo, como carta à família do Barão Antônio Luis von Hoonholtz)
- BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias.
- PALHA, Américo. Soldados de Marinheiros do Brasil
Notas
- ↑ Conforme mencionado por Carl Schlichthorst, seu companheiro no embarque as terras brasileiras, em sua obra sobre o Brasil, o sobrenome seria von Hohnhorst, que é o nome de uma família nobre alemã, da Baixa Saxônia, região cuja capital atual é Hanôver. Sendo que na Alemanha há importantes referências a dois generais e um almirante com o sobrenome von Hohnhorst [1] General Ernst von Hohnhorst, e [2][3], Almirante Ludolf von Hohnhorst. Há também um vilarejo perto de Hanôver que tem o nome Hohnhorst.
- ↑ Para mais detalhes sobre o título nobiliárquico de conde von Hoonholtz, visite a seção específica: Título nobiliárquico de conde von Hoonholtz.
- ↑ TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista - Biografia do Almirante Antônio Luís von Hoonholtz. Centro de Documentação Geral da Marinha, Rio de Janeiro, 1977. O livro têm bastante credibilidade pois além de ter sido editado e publicado por um órgão governamental de extrema importância, ele foi escrito após minuciosa pesquisa da autora e de seu filho. A obra, edição comemorativa da marinha, foi elogiada por um importante Almirante da marinha do Brasil e cita as suas fontes em todo o corpo do texto. Página 66.
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista - Biografia do Almirante Antônio Luís von Hoonholtz. Centro de Documentação Geral da Marinha, Rio de Janeiro, 1977. O livro têm bastante credibilidade pois além de ter sido editado e publicado por um órgão governamental de extrema importância, ele foi escrito após minuciosa pesquisa da autora e de seu filho. A obra foi elogiada por um importante Almirante da marinha do Brasil e cita as suas fontes em todo o corpo do texto.
- ↑ Na obra Barão de Teffé, militar e cientista, Biografia do Almirante Antônio Luís von Hoonholtz, páginas 39 e 40.
- ↑ PORTO, Aurélio. O Trabalho alemão no Rio Grande do Sul, Graf, Santa Terezinha, Porto Alegre, 1934, p.99.
- ↑ BENTO, Cláudio Moreira. São Gabriel - A Atenas e Esparta Gaúchas, parágrafo 17
- ↑ [4]
- ↑ Imigrantes alemães, 1824-1853.
- ↑ [5]
- ↑ Segundo Tetra de Tefé teria nascido na Barra de Rio Grande, no navio que trouxe o casal e o batalhão de estrangeiros e teria se formado posteriormente na Academia Imperial de Belas Artes.
- ↑ Obra Barão de Teffé, militar e cientista, Biografia do Almirante Antônio Luís von Hoonholtz, pág. 240.
- ↑ Academia de História Militar Terrestre do Brasil BENTO, Cláudio Moreira. São Gabriel - A Atenas e Esparta Gaúchas, parágrafo 17, diz: Merece destaque em sua obra o trato da figura humana do Marechal Hermes e seu histórico e feliz casamento com Nair de Tefé, filha do Almirante Barão de Tefé e neta do Alferes e Conde von Hoonholtz.
- ↑ Site Nação Mestiça Cita Frederico Guilherme von Hoonholtz como conde.
- ↑ Dicionário Amazonense de Biografias por Agnello Bittencourt
- ↑ Soldados de Marinheiros do Brasil por Américo Palha
- ↑ Estrangeiros e descendentes na História Militar do Rio Grande do Sul (1635-1870), Friedrich Wilhelm von Hoonholtz é referido como conde, sem mais detalhes, citando como referência o trabalho de Frederico Villar, O almirante Luís von Hoonholtz, barão de Tefé. in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Rio de Janeiro, agosto de 1942, nr. 2, p. 38.
- ↑ Transcrição do Archivo Nobiliárchico Brasileiro com adendas e correções Página na Wikipedia: Arquivo Nobiliárquico Brasileiro. O título não é mencionado na biografia do barão de Tefé do Archivo nobiliarchico brasileiro acessável na Digitalização do Archivo nobiliarchico brasileiro pela Universidade de Toronto
- ↑ BARATA, Carlos Eduardo de Almeida; BUENO, Antonio Henrique da Cunha. Dicionário de Famílias Brasileiras. 4 volumes, Rio de Janeiro, 1999.
- ↑ Associação Turma Barão de Tefé - formandos do Colégio Naval de 1981 e aspirantes do primeiro ano da Escola Naval de 1984.
- ↑ Biografia do seu filho o barão de Tefé no Senado Federal
- ↑ SANTOS, Presalindo de Lery. Pantheon fluminense: esboços biographicos, Typ. G. Leuzinger, 1880, 667 pp.
- ↑ OBERACKER, Karl Heinrich. A contribuição teuta à formação da nação brasileira, 4.a ed., Presença Edições, 1985, vol. 519pp.
- ↑ MENEZES, Raimundo de. Dicionário literário brasileiro, ilustrado. Edição Saraiva, 1969, vol. 5, 1499 pp.
- ↑ DREYFUS, Jenny. Louça da aristocracia no Brasil. Monteiro Soares Editores e Livreiros, 1982, 349 pp.
- ↑ PAIVA, Melquíades Pinto. Instituições de pesquisas marinhas do Brasil. IBAMA, 1996, ISBN 8573000244, 9788573000245, 463 pp.
- ↑ BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento Blake. Diccionario bibliographico brazileiro. 7 vols, 1883.
- ↑ Sobre a família von Hoonholtz no Brasil, a obra Famílias Brasileiras de Origem Germânica (6 v.) (1962 e segs.) indica os descendentes de Friedrich Wilhelm von Hoonholtz e sua mulher, Johanne Cristine van Engel Alt, mas não menciona qualquer título de nobreza de nenhum dos dois.
- ↑ Imigrantes Alemães, 1824-1853 menciona Friedrich Wilhelm von Hoonholtz e sua esposa, Johanne Cristina van Engel Alt, mas sem qualquer título de nobreza a eles associado.
- ↑ Instituto Histórico e Geográfico de Santos
- ↑ Barão de Teffé, militar e cientista, Biografia do Almirante Antônio Luís von Hoonholtz, Biografia do barão de Tefé, editado e publicado pelo Centro de Documentação da Marinha, Rio de Janeiro, 1977, escrito pela nora do barão, Tetra de Tefé.