Exame de consciência
Exame de consciência é uma revisão de pensamentos, palavras e ações, com a finalidade de verificar a sua conformidade com a lei moral. Entre os cristãos, essa é geralmente uma revisão privada. Na Igreja Católica fiéis que desejarem receber o sacramento da confissão são encorajados a examinar sua consciência usando os dez mandamentos como um guia. Uma doutrina similar é ensinada pela Igreja Luterana, onde os penitentes que desejarem receber a Santa Absolvição também são convidados a utilizar os dez mandamentos como um guia. O processo é muito similar à prática islâmica de Muhasaba, ou auto-reflexão.
Santo Inácio de Loyola incluiu o exame de consciência em seus Exercícios espirituais e nos exercícios, ele apresenta duas formas diferentes de exames, específico e geral. Desde então, o método de Santo Inácio tornou-se conhecido sob vários nomes na literatura espiritual, e é chamado às vezes “Exame de Conscientização”1
Em geral, há uma distinção entre o "Exame Particular", que visa mudar uma característica particular ou defeito no próprio comportamento, o “Exame Diário”, que é uma oração de revisão de um dia e, finalmente, o “Exame Geral de Consciência”. Este último método é chamado exame de "consciência" porque é uma revisão de suas ações a partir de um ponto de vista moral, refletindo sobre a própria responsabilidade e olhando para os pecados e as fraquezas em preparação para o arrependimento, em contraste com o exame "diário" que não se concentra sobre a moralidade, mesmo que pecados venham a surgir durante a revisão do dia.2 3
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Filosofia [editar]
Alguns dos antigos filósofos—os Estóicos em particular—estudaram para serem irrepreensíveis em seu próprio conceito, e para isso eles fizeram uso freqüente de auto-inspeção. Eles professavam a doutrina de que a felicidade e a dignidade do homem consistem no cumprimento das leis da razão, ou da consciência; com isso, exames de consciência foram uma prática regular nas escolas dos estóicos e dos seus seguidores, como Quintus Sextius e Séneca.4
Cristianismo [editar]
O Exame de consciência foi ordenado por São Paulo de Tarso a ser realizado pelos fiéis todas as vezes que forem receber a Eucaristia: “Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe, come e bebe juízo para si, se não distinguir o corpo”.5 E, como os primeiros cristãos recebiam a Comunhão com muita freqüência, o exame de consciência tornou-se um exercício comum de sua vida espiritual. Em muitos casos, isso se tornou uma prática diária da vida dos primeiros membros do clero e os que viviam uma vida monástica, tais como o eremita Santo Antão do Deserto, que dizia examinar sua consciência todas as noites, enquanto São Basílio de Cesareia, Santo Agostinho de Hipona e São Bernardo de Claraval, e fundadores de Ordens religiosas em geral, fizeram do exame de consciência um exercício regular diário de seus seguidores. Membros leigos de congregações foram encorajados a assumir a prática, bem como uma medida salutar por seus padres e bispos, como meio de promover a sua formação religiosa.6
São Bernardo ensinou: "Como um investigador em busca da integridade de sua própria conduta, submeta sua vida a um exame diário. Considere cuidadosamente o progresso que você fez ou o que você regrediu. Esforce-se para conhecer a si mesmo. Coloque todos os seus defeitos diante de seus olhos. Fique cara a cara com você mesmo, como se você fosse outra pessoa, e depois reflita seus erros."
No catolicismo, isso deve ser mantido distinto do Sacramento da Reconciliação, um exame de consciência apenas mostra as falhas, mas não as perdoa, pois segundo a fé católica, só a intercessão de Deus através de um sacerdote pode perdoar pecados.7 No entanto, os católicos acreditam que um exame completo de consciência é um passo eficaz e necessário para fazer uma plena reconciliação.
Quanto ao exame diário de consciência, dois tipos devem ser distinguidos, o geral e o particular. O primeiro visa a correção de todos os tipos de falhas, e o último visa a prevenção de algumas falhas ou a aquisição de alguma virtude particular.
"A excelência desta prática e sua fecundidade para a virtude cristã, são claramente estabelecidos pelos ensinamentos dos grandes mestres da vida espiritual." (Papa São Pio X)8
Autocrítica [editar]
Entre os intelectuais seculares, principalmente os marxistas, o termo autocrítica, derivado do francês: autocritique, é amplamente usado. E era muito popular na França após a Guerra da Argélia. Edgar Morin e Jawaharlal Nehru ficaram bastante conhecidos pelo estudo desse tema.9
Referências
- ↑ “Daily Examination of Consciousness” (3 de setembro de 2011)
- ↑ Finding Our Way Together with St. Ignatius (3 de setembro de 2011)
- ↑ The Spiritual Exercises of St. Ignatius(3 de setembro de 2011)
- ↑ Mundo dos Filósofos - O Estoicismo (3 de setembro de 2011)
- ↑ 1 Coríntios 11:28-29
- ↑ Catholic Encyclopedia "Examination of Conscience"
- ↑ Confissão (sacramento)
- ↑ Haerent Animo - Exortação apostólica dada pelo Papa São Pio X em 04 de agosto de 1908.
- ↑ Le Sueur, James D.; Uncivil War: Intellectuals and Identity Politics During the Decolonization, University of Pennsylvania press, 2001