James Clerk Maxwell

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Nota: Para outros significados de Maxwell, ver Maxwell (desambiguação)
James Clerk Maxwell
Matemática, física
Nacionalidade Reino Unido Britânico
Nascimento 13 de junho de 1831
Local Edimburgo
Morte 5 de novembro de 1879 (48 anos)
Local Cambridge
Atividade
Campo(s) Matemática, física
Instituições Marischal College, King's College de Londres, Universidade de Cambridge
Alma mater Universidade de Edimburgo, Universidade de Cambridge
Tese 1854:
Orientador(es) William Hopkins
Orientado(s) Horace Lamb, George Chrystal
Conhecido(a) por Equações de Maxwell, distribuição de Maxwell-Boltzmann, demônio de Maxwell
Prêmio(s) Prêmio Smith (1854), Prêmio Adams (1857), Medalha Rumford (1860)
Assinatura
James Clerk Maxwell sig.svg

James Clerk Maxwell (Edimburgo, 13 de junho de 1831Cambridge, 5 de novembro de 1879) foi um físico e matemático britânico. É mais conhecido por ter dado forma final à teoria moderna do eletromagnetismo, que une a eletricidade, o magnetismo e a óptica. Esta é a teoria que surge das equações de Maxwell, assim chamadas em sua honra e porque foi o primeiro a escrevê-las juntando a lei de Ampère, modificada por Maxwell, a lei de Gauss, e a lei da indução de Faraday.[1] Maxwell demonstrou que os campos eléctricos e magnéticos se propagam com a velocidade da luz. Ele apresentou uma teoria detalhada da luz como um efeito electromagnético, isto é, que a luz corresponde à propagação de ondas eléctricas e magnéticas, hipótese que tinha sido posta por Faraday. Foi demonstrado em 1864 que as forças elétricas e magnéticas tem a mesma natureza: uma força elétrica em determinado referencial pode tornar-se magnética se analisada noutro, e vice-versa. Ele também desenvolveu um trabalho importante em mecânica estatística, estudou a teoria cinética dos gases e descobriu a distribuição de Maxwell-Boltzmann. Seu trabalho em eletromagnetismo foi a base da relatividade restrita de Einstein e o seu trabalho em teoria cinética de gases fundamental ao desenvolvimento posterior da mecânica quântica.

Importância[editar | editar código-fonte]

Maxwell é geralmente lembrado como o cientista do século 19 a ter mais influência sobre a física do século 20. Responsável por contribuições básicas nos modelos naturais, sendo considerado uma ponte entre a matemática e a física. Poucos anos após a morte de James Clerk Maxwell seus trabalhos científicos foram aceitos mundialmente a partir de suas explorações sobre eletromagnetismo.

Em 1931, comemorando o centenário do nascimento de Maxwell, descrevendo seu trabalho Albert Einstein disse "o mais profundo e frutífero que a física descobriu desde Newton".

Vida[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

James Clerk Maxwell nasceu em 13 de junho de 1831 na Rua India, 14, em Edimburgo, filho de John Clerk Maxwell, um advogado, e Frances Maxwell[2] O pai de Maxwell era um homem com confortáveis meios financeiros, aparentado com a família Clerk de Penicuik, Midlothian, os titulares do baronato de Clerk de Penicuik, sendo seu irmão o sexto barão.[3] Nascera John Clerk,[4] adicionando o sobrenome Maxwell ao seu próprio depois de ter herdado uma propriedade rural em Middlebie, Kirkcudbrightshire, a partir das conexões com a família de Maxwell, eles próprios membros do pariato.[2]

Os pais de Maxwell não se conheceram e se casaram, até que tivessem passado dos trinta anos, o que era incomum para a época, sua mãe, Frances Maxwell, tinha quase 40 quando James nasceu. Eles tinham tido anteriormente uma criança, uma filha, Elizabeth, que morreu na infância. Chamaram seu único filho sobrevivente de James, um nome que tinha sido usado não só pelo seu avô, mas também por muitos outros de seus ancestrais. Seus pais John Clerk Maxwell e Frances Maxwell possuíam extensas terras no campo escocês, onde Maxwell cresceu. Sua mãe adoeceu, provavelmente com cancro, e morreu em 1839.

Aos 10 anos de idade, Maxwell foi para escola em Edimburgo. Maxwell publicou seu primeiro artigo aos quatorze anos. Esse trabalho foi incentivado pela necessidade do artista e decorador D. R. Hay de construir uma figura oval "perfeita" (artisticamente e matematicamente). Nessa época, Maxwell redescobriu as ovais de Descartes. Elas já tinham sido estudadas anteriormente por Descartes,[5] mas Maxwell também as generalizou para mais de dois focos. Desconhecendo o trabalho de Descartes, a originalidade do trabalho de Maxwell foi a forma simples apresentada por ele para resolver o problema de desenhá-las, e a definição de uma classe mais geral de curvas (que agora são por vezes chamadas de "curvas de Maxwell").[6] Três do quatro artigos seguintes foram sobre geometria. On the Theory of Rolling Curves (Sobre a teoria das curvas rolantes), de 1848, estuda a geometria diferencial de curvas geradas como a cicloide, com uma figura rolando sobre outra. O artigo de 1853 foi uma curta investigação sobre óptica geométrica, e este trabalho levou à descoberta da lente "olho-de-peixe". O terceiro trabalho dessa época, Transformation of Surfaces by Bending (Transformações de superfícies por flexão), ampliação de um trabalho iniciado por Gauss. O único artigo desse período a abordar apenas física foi On the Equilibrium of Elastic Solids (Sobre o equilíbrio de sólidos elásticos), escrito em 1850, pouco antes da ida para Cambridge.[7]

Em 1847 matriculou-se na universidade de Edimburgo, pensando que aí teria mais possibilidade de vir a ser cientista do que em uma universidade mais prestigiosa, como por exemplo, Cambridge onde também foi aceito. Na universidade de Edimburgo, graduou-se em Filosofia Natural (como era nessa época denominada a Física), Filosofia Moral e Filosofia Mental.[1] Em 1850 foi estudar matemática na Universidade de Cambridge, mais precisamente no Trinity College. É nesta época que Maxwell inicia o seu estudo das equações de eletromagnetismo, que continuaria praticamente toda a sua vida. Em 1854, graduou-se, entre os melhores estudantes do seu ano, e imediatamente depois apresenta um brilhante artigo à Sociedade Filosófica de Cambridge com o título On the Transformation of Surfaces by Bending, um dos poucos artigos puramente matemáticos que escreveu.

Vida adulta[editar | editar código-fonte]

James e Katherine Maxwell em 1869.

Em 1856 Maxwell se tornou professor em Aberdeen, e casa-se aos 27 anos com Katherine Mary Dewar, com quem nunca teve filhos. De 1855 a 1872 publicou com intervalos uma série de investigações sobre a percepção da cor e o daltonismo pela qual receberia a medalha Rumford da Royal Society em 1860. Em 1859 recebeu o prémio Adams por um artigo sobre a estabilidade dos anéis de Saturno, em que demonstra que estes não podem ser completamente sólidos nem fluidos.[1] A estabilidade destes anéis implica que eles têm de ser constituídos por numerosas pequenas partículas sólidas. Do mesmo modo provou que o sistema solar não podia ser formado pela condensação de uma nébula puramente gasosa, mas que esta nébula tinha que conter também pequenas partículas sólidas. Foi também nesta época que Maxwell fez os seus trabalhos mais importantes em física estatística, tendo generalizado o trabalho iniciado por Clausius em que este punha a hipótese de que um gás era formado por moléculas que se movem a uma certa velocidade e que vão mudando de velocidade ao chocar entre si. Maxwell considerou que as partículas se tinham que mover a diferentes velocidades e estudou a distribuição da velocidade destas. Em 1868 a continuação deste trabalho feita por Boltzmann daria origem à chamada distribuição de Maxwell-Boltzmann e ao campo da mecânica estatística.

Em 1860 foi nomeado professor no King's College de Londres e em 1861 foi eleito membro da Royal Society. Durante este período investigou temas em elasticidade e em geometria pura, mas também prosseguiu os seus estudos em visão e óptica, tendo por exemplo demonstrado que se pode produzir uma fotografia a cores utilizando filtros vermelho, verde e azul e sobrepondo as três imagens assim obtidas (ver ao lado imagem da primeira fotografia a cores na história, obtida por este método). [8]

A primeira fotografia colorida, feita por Maxwell, em 1861.

Após a morte de seu pai, em 1865, Maxwell se aposentou para cuidar das terras da família. Nesta época faz importantes contribuições à física experimental, realizando com a sua esposa uma série de experiências sobre a viscosidade dos gases, em que demonstraram por exemplo que a viscosidade de um gás é independente da sua densidade.

Maxwell tinha como hábito trabalhar ao mesmo tempo em vários assuntos, com intervalos longos entre artigos sucessivos no mesmo campo. Por exemplo, seis anos se passaram entre o primeiro e o segundo de seus artigos sobre eletricidade (1855, 1861), doze anos entre o segundo e o terceiro artigos mais notáveis sobre teoria cinética (1867, 1879).[9]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Em 1870 publicou o livro "A teoria do calor", que dá forma final à termodinâmica moderna e será enormemente influente na física do século XX, e em 1871 inventou o conceito de Demónio de Maxwell, para demonstrar que a segunda lei da termodinâmica, que diz que a entropia nunca decresce, tem um carácter estatístico. Neste ano ainda aceita dirigir o novo Laboratório Cavendish, em Cambridge.[1] Ele mesmo supervisionou a construção do edifício e a compra de todos os aparelhos científicos. Professor Cavendish de Física, de 1871 a 1879, tinha acabado de estabelecer o laboratório como centro de excelência científica quando morreu. Durante este período, Maxwell preparou zelosamente a publicação das investigações completas de Henry Cavendish, incluindo os seus estudos de electricidade, o que viria a ser a sua última importante contribuição para a ciência.

Em 1873 Maxwell publicou o Tratado sobre Electricidade e Magnetismo, livro que continha todas as suas ideias sobre este tema e que condensa todo o trabalho que foi fazendo ao longo dos anos. Ele estava preparando uma revisão abrangente deste tratado com as suas novas descobertas neste tema quando morreu em Cambridge prematuramente de cancro do abdómen. Foi enterrado em Parton Kirk, na Escócia.[1]

Referências

  1. a b c d e James Clerk Maxwell (em português) Enciclopédia Mirador Internacional; Oxford Dictionary of Scientists UOL - Educação. Visitado em 04 de novembro de 2012.
  2. a b Oxford Dictionary of National Biography, p506
  3. John Clerk-Maxwell of Middlebie, thePeerage.com, http://www.thepeerage.com/p22717.htm#i227165, visitado em 2008-02-16 
  4. James Clerk, thePeerage.com, http://www.thepeerage.com/p22717.htm#i227169, visitado em 2008-02-16 
  5. http://www-history.mcs.st-and.ac.uk/Biographies/Maxwell.html
  6. http://etd.lsu.edu/docs/available/etd-06122006-192002/unrestricted/Beverlin_thesis.pdf
  7. Dicionário de biografias científicas - Maxwell, James Clerk. P 1861. Volume III
  8. Tolstoy, Ivan. James Clerk Maxwell: A Biography. [S.l.]: University of Chicago Press, 1982. ISBN 0-226-80787-8. pg.103 ISBN 0-226-80787-8
  9. Dicionário de biografias científicas - Maxwell, James Clerk. P 1860. Vulume III

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lewis, Campbell; Garnett, William. The Life of James Clerk Maxwell (em <código de língua não-reconhecido>). Edinburgh: MacMillan, 1882. Visitado em 04 de novembro de 2012.
  • Tolstoy, Ivan. James Clerk Maxwell: A Biography (em <código de língua não-reconhecido>). Chicago: University of Chicago Press, 1982. ISBN 0-226-80787-8.
  • Timoshenko, Stephen. History of Strength of Materials (em <código de língua não-reconhecido>). [S.l.]: Courier Dover Publications, 1983. ISBN 0-486-61187-6.
  • Glazebrook, R. T.. James Clerk Maxwell and Modern Physics (em <código de língua não-reconhecido>). [S.l.]: MacMillan, 1896. ISBN 978-1-4067-2200-0.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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