Leandro (cantor)

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Leandro
Informação geral
Nome completo Luis José da Costa
Nascimento 15 de agosto de 1961
Origem Goianápolis,  Goiás
País  Brasil
Data de morte 23 de junho de 1998 (36 anos)
Gênero(s) sertanejo
Instrumento(s) Voz, violão
Período em atividade 1983 - 1998
Gravadora(s) Chantecler, Warner Music e BMG
Afiliação(ões) Leandro & Leonardo

Luís José da Costa (Goianápolis, 15 de agosto de 1961São Paulo, 23 de junho de 1998), mais conhecido como Leandro, foi um cantor e compositor brasileiro, que formou com seu irmão Leonardo (Emival Eterno da Costa) a dupla sertaneja Leandro & Leonardo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

História[editar | editar código-fonte]

Leandro nasceu no dia 15 de agosto de 1961, em Goianápolis. Filho de Avelino Virgulino da Costa e Carmem Divina Eterno da Silva, morou com os pais e mais oito irmãos na roça, onde estudou até o ensino fundamental. Desde criança, Leandro ajudava os pais numa pequena plantação de tomates e jilós. Mas aquela profissão nunca agradou o sertanejo.

O primeiro emprego de Leandro, junto com o irmão mais novo Emival Eterno Costa, o Leonardo, foi no mercado central de Goiânia, como vendedor de sapatos, durante a época de Natal. Até que Leandro percebeu sua vocação para a música, e chegou a ser vocalista de uma banda chamada "Os Dominantes", que fazia covers de músicas dos Beatles e de Roberto Carlos. A dupla nasceu em 1983, depois que Leonardo, que era balconista da Farmácia São Benedito, em Goiânia, foi demitido. Depois de ser bóia-fria, Leonardo foi trabalhar como entregador de remédio. Foi promovido, mas não durou dez dias na nova função. Leonardo receitou um remédio errado para uma cliente que tinha micose. Foi despedido e, junto com seu irmão, resolveu formar a dupla.

No começo dos anos 1980, os irmãos levaram suas violas a pequenos bares de Goianópolis e outras pequenas cidades de Goiás. Mas a dupla só nasceu comercialmente depois que chegou aos ouvidos dos diretores da gravadora Continental. Eles ficaram impressionados com uma fita mal gravada com uma música de apenas três acordes. Era a canção "Entre Tapas e Beijos", que se transformaria em grande sucesso. O nome da dupla foi inspirado em filhos gêmeos de um amigo dos dois irmãos goianos. Com o nome de Leandro e Leonardo, os sertanejos começaram a batalhar no concorrido mercado da música.

Eles mostravam um ritmo sertanejo diferente da antiga moda de viola, que acabou sendo chamado de "sertanejo moderno". Em 1986, a dupla lançou o primeiro disco, que trazia a música "Contradição". O álbum não chegou a emplacar, mas vendeu a razoável quantia de 150 mil cópias. Mas foi em 1989 que Leandro e Leonardo viraram estrelas. Com a música "Entre Tapas e Beijos", do terceiro álbum, os sertanejos venderam 1 milhão e 300 mil cópias. Leandro fez parte dos apresentadores do programa "Amigos (Show)" da Rede Globo, juntamente com Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, e seu irmão, Leonardo.

O sucesso era tão grande que, no início dos anos 1990, os ex-plantadores de Goiás foram recebidos na casa do então presidente Fernando Collor de Mello para um show particular. Além das apresentações na Casa da Dinda, Leandro e Leonardo, fizeram shows no Palácio do Planalto. O quarto álbum, que vendeu quase 3 milhões de cópias, confirmou a consagração dos astros com o sucesso "Pense em Mim", que marcaria para sempre a dupla sertaneja. Foi a primeira vez que uma dupla sertaneja alcançou essa marca de vendagem. Leandro, responsável pela segunda voz da dupla, nunca negou que sua música se afastava da tradição sertaneja.

Com a renda dos shows e dos discos, Leandro tornou-se um empresário agressivo e bem-sucedido. Formou um patrimônio sólido. Era dono de duas fazendas no Estado de Tocantins e de uma fazenda e uma chácara em Goiás. No total, possuía cerca de 4.000 alqueires de terra, nos quais criava 6.000 cabeças de gado. Além disso, tinha vários imóveis em Goiânia, entre eles um prédio de três andares que chegou a hospedar um shopping center e um terreno de 15 alqueires dentro da cidade, próximo ao aeroporto. O grosso dos rendimentos do cantor vinha dos cachês de shows da dupla, que oscilavam entre 35.000 e 50.000 reais por apresentação. As várias campanhas publicitárias que Leandro & Leonardo protagonizaram também renderam um bom dinheiro.

Doença e morte[editar | editar código-fonte]

Foi durante uma pescaria, numa de suas fazendas no Estado do Tocantins, em 19 de abril de 1998, que a vida de Leandro começou a mudar. No momento em que puxava o molinete de sua vara de pescar, ele sentiu uma dor aguda nas costas. Voltou para São Paulo, onde iria passar o feriado de 21 de abril com amigos, num sítio no município de Cotia, a 25 quilômetros da capital. Após ser encontrado desmaiado enquanto tomava banho, foi levado ao hospital da cidade para tirar uma chapa do tórax. O diagnóstico foi divulgado no dia 27 de abril, durante entrevista coletiva no hotel Sheraton Mofarrej, em São Paulo. Na radiografia, apareceu uma mancha sobre o pulmão direito, do tamanho de uma laranja. Era o primeiro indício do diagnóstico que seria confirmado cerca de duas semanas depois, no dia 8 de maio, por médicos no hospital da Johns Hopkins University, em Baltimore, Estados Unidos, onde foi detectado que seu tumor era maligno e se desenvolveu em seu tórax. O cantor goiano sofria de um tipo de câncer raríssimo, conhecido por tumor de Askin, localizado junto ao seu pulmão direito. Leandro foi internado às pressas no final da tarde do dia 15, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Luiz, após sofrer uma parada cardiorrespiratória por volta das 18h em seu apartamento no Itaim Bibi (zona sudoeste de São Paulo) e foi levado imediatamente ao hospital. Antes, o cantor havia sido internado no dia 22 de abril, depois de sentir dores no peito e nas costas. Na ocasião, o cirurgião torácico do hospital São Luiz, Alli Esgaib, disse que as dores não estavam relacionadas ao tumor. No dia 18, Leandro passou por duas cirurgias, além de reiniciar a terceira etapa do tratamento quimioterápico. Leandro foi submetido à colocação de uma prótese, chamada "stent'", no interior da veia cava superior (que leva o sangue venoso da cabeça ao coração), que estava sendo comprimida pelo tumor. Depois, ele passou por uma "embolização", para obstruir algumas artérias que alimentam o tumor no sangue. Fontes do Hospital São Luiz revelaram que não houve metástase, ou seja, o tumor não se espalhou por outros órgãos do cantor Leandro.

A informação é de que os problemas foram causados pelo crescimento do tumor de Askin que, situava na região de tórax. Na verdade, os médicos perceberam já no domingo que haviam perdido a luta para prolongar a vida do sertanejo. Isso porque o tumor ficou fora de controle, comprometendo o coração e os pulmões de forma irremediável e extremamente rápida, afetando brônquios, veias e também as artérias do coração. Leandro morreu à 0h10 de 23 de junho de 1998, na Cidade de São Paulo, com falência múltipla dos órgãos, segundo médicos do hospital São Luiz. Nos seus últimos momentos, Leandro respirava com extrema dificuldade, apesar da ajuda dos aparelhos. A onda de comoção teve início na capital paulista. Na Assembléia Legislativa de São Paulo, o corpo foi velado por uma multidão. Mais de 16.000 fãs apareceram para dar o último adeus ao cantor. Políticos, como o senador Eduardo Suplicy e o então prefeito Celso Pitta, apresentadores de TV, como Hebe Camargo, Angélica e Ratinho, além das duplas sertanejas Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano estiveram lá também para a despedida. Em Goiânia, onde foi sepultado, o corpo de Leandro foi levado ao cemitério por um cortejo de 150.000 pessoas. Estima-se que 60.000 delas passaram em frente do caixão do cantor durante o velório em Goiânia. Sem pensar na carreira, o show Amigos deu problema na Rede Globo: não fez muito sucesso devido à ausência de Leandro. Assim, o cantor Leonardo e também as duplas sertanejas Chitãozinho & Xororó e Zezé Di Camargo & Luciano se alternavam. A única canção feita pela homenagem a ele foi "Canção Da Amizade", que era uma música inédita. Assim Leonardo, mesmo triste com a perda, seguiu cantando com Chitãozinho a música "Um Sonhador" e com Luciano a música "Deu Medo", também feita pela homenagem a ele, as duas feitas pelo álbum Um Sonhador, último trabalho da dupla antes do falecimento de Leandro. Sua doença foi causada pelo fato de que Leandro fumava um maço de cigarros diariamente. Especulou-se que a exposição direta de Leandro a agrotóxicos, quando trabalhava como agricultor em sua juventude, também poderia ter contribuído decisivamente para a formação do tumor.[1] Sua mãe mantém uma instituição que ajuda pessoas que sofrem de câncer. Leonardo, ex-companheiro de dupla, está hoje em carreira solo. A Rede Globo exibiu um programa especial sobre a vida de Leandro.

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Relacionamentos[editar | editar código-fonte]

Leandro se casou com Célia Gonçalves nos anos 80 e teve um filho chamado Thiago, que hoje é cantor e faz parte da dupla Pedro e Thiago. Após alguns anos de casamento, os dois se separaram por desentendimentos. Alguns anos depois começou a namorar e casou-se com a ex-modelo Andréa Mota. Em 1995 tiveram uma filha, que recebeu o nome de Lyandra Mota da Costa. Em 1998, ano de seu falecimento, nasceu o segundo filho do casal, Leandro Mota da Costa.

Em 2009 foi divulgada a existência de um outro filho de Leandro. O menino é fruto do relacionamento de Leandro com a empregada da casa de seus pais. Esse caso ocorreu nos anos 90. A menina era ainda adolescente, bem mais jovem que Leandro e ao engravidar pediu demissão, não contando que esperava um bebê, por medo da reação da família dos patrões. Por exame de DNA foi reconhecido a paternidade, o que deixou todos emocionados. O garoto tem uma enorme semelhança com o pai e foi batizado pela mãe com o nome artístico do cantor, Leandro( Leandro Ferreira Borges).

Outro caso ocorrido no ano de 1992, uma mulher afirmava ter tido um filho do cantor, devido as grandes semelhanças com seu filho, mas após ser pressionada a jovem acabou desmentindo, alegando que havia se enganado sobre o fato.

Filme[editar | editar código-fonte]

Em abril de 2011, Leonardo contou à uma emissora de TV que estariam produzindo um longa da dupla "Leandro e Leonardo", intitulado "Não Aprendi Dizer Adeus". O cantor disse que a produção irá se iniciar em julho de 2011, escolhendo os atores para seus personagens, e consequentimente, iniciando as filmagens. O filme ainda não possui data para estréia.

Discografia[editar | editar código-fonte]

Nota: todos os discos foram lançados pelo selo Continental, exceto "Um Sonhador", único trabalho da dupla pela antiga BMG.

Referências

  1. GAMA, Júlio e GITSIO, Fabiana. Leandro morre depois de 65 dias de luta. Folha da Região. 24 de junho de 1998.