Massacre de Columbine

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Massacre de Columbine
Instituto Columbine (foto de satêlite)
Local Columbine, Colorado, Estados Unidos
Coordenadas
Data 20 de Abril de 1999
11:16 am – 12:08 pm (horário local) (UTC -6)
Tipo de ataque Massacre escolar, assassinato em massa, massacre, ataque suicída, ataque com bombas improvisadas.
Arma(s) TEC-DC9, Hi-Point, Savage 67H, Stevens 311D
Mortes 15 (incluindo os 2 assassinos)
Feridos 25
Responsável(is) Eric Harris e Dylan Klebold

O Massacre de Columbine aconteceu em 20 de abril de 1999 no Condado de Jefferson, Colorado, Estados Unidos, no Instituto Columbine, onde os estudantes Eric Harris (apelido ReB), de 18 anos, e Dylan Klebold (apelido VoDkA), de 17 anos, atiraram em vários colegas e professores.

Eric Harris e Dylan Klebold eram aparentemente adolescentes típicos de um subúrbio americano de classe média alta. Moravam em casas confortáveis. O pai de Klebold é geofísico, e a mãe, especialista em crianças deficientes.

Faltavam apenas 17 dias para o fim do ano letivo. Com 1.965 alunos, Columbine é tão boa que muitas famílias se mudaram para Littleton, perto de Denver, com o objetivo de matricular os filhos na escola. 82% de seus alunos são aceitos em universidades (nos Estados Unidos não há vestibular, o que conta é o desempenho do aluno no segundo grau). Columbine também se orgulhava de não registrar casos de violência. O policial de plantão se limitava a multar alunos que estacionavam os carros nas vagas destinadas a professores. Não há, como nas escolas de Nova York, Los Angeles e Chicago, detectores de metais na entrada. Nas festas de formatura, os alunos costumavam aceitar o pedido dos pais para vedar bebidas alcoólicas. Columbine era famosa por ser conservadora e privilegiar os jogadores dos times de futebol americano, basebol e basquete. Foi esse o estopim da tragédia.

Possíveis motivações[editar | editar código-fonte]

Harris e Klebold, ótimos alunos de boas famílias, não eram populares na escola. Preferiam os computadores aos esportes. Encontraram a sua turma num grupo chamado a Máfia da Capa Preta. Ridicularizados pelos atletas, remoíam planos de vingança e extravasavam seu ódio na Internet. Harris, principal cabeça por trás do ataque, tinha um website, agora desativado, no qual colecionava suásticas e sinistros vídeos neonazistas e até dava receitas para a fabricação de bombas. Em seu auto-retrato, escreveu: "Mato aqueles de quem não gosto, jogo fora o que não quero e destruo o que odeio". Já Klebold dizia que seu número pessoal era "420", possivelmente uma referência à data de nascimento de Hitler, 20 de Abril.

Os diários dos jovens foram encontrados, mas ainda não se chegou a uma conclusão sobre o motivo do ataque. «Não eram rapazes comuns que foram importunados até retaliarem», escreveu o psicólogo Peter Langman no seu livro, "Why Kids Kill: Inside the Minds of School Shooters" ("Por que Crianças Matam: Dentro das Mentes dos Atiradores Escolares") «Não eram rapazes comuns que jogavam jogos de videogame demais», «Não eram rapazes comuns que queriam apenas ser famosos», «Eles simplesmente não eram rapazes comuns», «Eram rapazes com problemas psicológicos sérios».

No seu diário Harris mostrava toda a sua revolta e seu "desejo de ser Deus", enquanto Klebold mostrava grande depressão:

Harris escreveu certa vez: "Eu me sinto como Deus, e gostaria que fosse assim, para que todos estivessem OFICIALMENTE abaixo de mim" Enquanto Klebold escreveu "Eu sou um deus, um deus da tristeza"

É dito que no dia do ataque, Harris usava uma camisola escrita Natural Selection (Selecção Natural) e Klebold uma escrita «Wrath» (Ira/Raiva).

A socióloga de Princeton, Katherine Newman, co-autora do livro de 2004, "Rampage: The Social Roots of School Shootings" ("Violência: As Raízes Sociais dos Tiroteios em Escolas"), disse que jovens como Harris e Klebold não eram solitários, eles apenas não eram aceitos pelos garotos que importavam: «Obter atenção ao se tornar notório é melhor do que ser um fracassado».

Langman, cujo livro traça o perfil de 10 atiradores, incluindo Harris e Klebold, descobriu que nove sofriam de depressão e pensamentos suicidas, uma combinação "potencialmente perigosa", disse ele. «É difícil impedir um assassinato quando os assassinos não se importam em viver ou morrer. É como tentar deter um homem-bomba».

Planejamento[editar | editar código-fonte]

Eric Harris
Dylan Klebold

Eric Harris e Dylan Klebold conseguiram o seu arsenal comprando pela internet - duas caçadeiras, uma pistola semi-automática e uma rifle de assalto de 9mm, acharam também na Internet a receita para fabricar as bombas. Um vizinho viu os dois, na segunda-feira, véspera do fuzilamento, partindo garrafas com um taco de basebol. Os cacos seriam usados como estilhaços nas bombas, e o vizinho não desconfiou de nada. Harris escreveu num diário os planos do ataque à escola. Um diagrama mostra como as armas seriam escondidas sob as longas capas de couro preto. Num exemplar do livro de formatura do colégio, Harris escreveu sobre as fotos, quem ia morrer e quem seria poupado: "Morto", "Morrendo" e "Salvo".

Até o final da semana pairava no ar a suspeita de que os atiradores tinham contado com a ajuda de cúmplices no ataque. Duvidando de que pudessem carregar sozinhos mais de 30 bombas para dentro do colégio, a polícia investigava outros membros da Máfia da Capa Preta. Entre a invasão da escola, às 11:30 da manhã, e a descoberta dos corpos pela polícia, às 4 da tarde, os cúmplices podem ter deixado o prédio misturados à multidão que conseguiu escapar. A equipe da SWAT ordenava que todos levassem as mãos à cabeça, mas não tinha como separar supostos atacantes de vítimas.

Centenas de alunos e um professor trancados nas salas, ouviam os tiros e explosões sem saber o que estava acontecendo. Muitos ligaram para casa pelos celulares, sussurrando, para pedir por socorro. Harris e Klebold acompanhavam tudo pela TV da biblioteca, vendo a transmissão ao vivo do cerco à escola. No final, depois de meia hora de silêncio, a SWAT invadiu a biblioteca e encontrou os corpos dos dois cercados de outros, alguns irreconhecíveis. O sangue era tanto que a polícia divulgou a estimativa de 25 mortos. Só no dia seguinte, desativadas todas as bombas, pôde-se retirar e contar os corpos.

Mortos e feridos[editar | editar código-fonte]

Mortos[editar | editar código-fonte]

1. Rachel Scott,[1] 17 anos, morta com tiros na cabeça, tronco e pernas bacoradas da mariana em um gramado próxima a entrada oeste da escola.
2. Daniel Rohrbough,[2] 15 anos, morto com um tiro no tórax na escadaria oeste.
3. Kyle Velasquez,[3] 16 anos, morto por tiros na cabeça e nas costas.
4. Steven Curnow,[4] 14 anos, morto após receber um tiro no pescoço.
5. Cassie Bernall,[5] 17 anos, morta por um tiro na cabeça.
6. Isaiah Shoels,[6] 18 anos, morto com um tiro no peito .
7. Matthew Kechter,[7] 16 anos, com tiros no peito.
8. Lauren Townsend,[8] 18 anos, morta por diversos tiros na cabeça, tórax e parte inferior do corpo.
9. John Tomlin,[9] 16 anos, morto por diversos tiros no pescoço e cabeça.
10. Kelly Fleming,[10] 16 anos, morta um tiro nas costas.
11. Daniel Mauser,[11] 15 anos, morto por um tiro no rosto.
12.Corey DePooter,[12] 17 anos, morto com tiros no pescoço e tórax.
13. Dave Sanders,[13] 47 anos, morreu de hemorragia após receber um tiro no pescoço dentro do corredor sul.

Feridos[editar | editar código-fonte]

01. Richard Castaldo, 17 anos, baleado no braço, peito, costas e abdome no gramado perto da entrada oeste.
02. Damon Salvatore, 15 anos, baleado nas costas, pé e abdômen na escadaria oeste shot.
03. Lance Kirklin, 16 anos, baleado na perna, pescoço e maxilar. Também na escadaria oeste.
04. Michael Johnson, 15 anos, escapou para o gramado, onde recebeu tiros no rosto, braços e pernas.
05. Mark Taylor, 16 anos, baleado no peito, braços e pernas no gramado.
06. Anne-Marie Hochhalter, 17 anos, baleada no peito, braços, abdômen, costas e perna esquerda próximo a entrada da cantina.
07. Brian Anderson, 16 anos, atingido por um pedaço de vidro na entrada oeste após uma explosão.
08. Patti Nielson, 35 anos, atingida por estilhaços perto da entrada oeste.
09. Stephanie Munson, 16 anos, recebeu um tiro no tornozelo dentro do corredor ao norte.
10. Evan Todd, 15 anos, sofreu ferimentos após a mesa em que estava escondido embaixo quebrou no meio.
11. Patrick Ireland, 17 anos, receber tiros no braço, perna, cabeça e pé.
12. Daniel Steepleton, 17 anos, baleado na coxa.
13. Makai Hall, 18 anos, baleado no joelho.
14. Kacey Ruegsegger, 17 anos, recebeu tiros na mão, braço e ombro.
15. Lisa Kreutz, 18 anos, recebeu tiros nos ombros, mão, braço e coxa.
16. Valeen Schnurr, 18 anos, recebeu tiros no tórax, braços e abdômen.
17. Mark Kintgen, 17 anos, recebeu tiros na cabeça e ombro.
18. Nicole Nowlen, 16 anos, baleada no abdômen.
19. Jeanna Park, 18 anos, baleada no joelho, ombro e pé.
20. Jennifer Doyle, 17 anos, recebeu tiros na mão, perna e ombro.
21. Austin Eubanks, 17 anos, recebeu um tiro na cabeça e no joelho.

Passado[editar | editar código-fonte]

Os dois tinham antecedentes criminais. Em janeiro do ano anterior, foram presos depois de arrombar um carro e roubar equipamento eletrônico avaliado em US$ 400. Condenados, tiveram de prestar 45 horas de serviço comunitário e fazer um tratamento psicológico destinado a pessoas que cometem infrações menores. No mês anterior ao crime completaram com sucesso o programa de recuperação.

No ano letivo de 1997-98, houve 42 homicídios em escolas americanas. O pior, até então, havia acontecido em março de 1998, quando dois meninos de 11 e 13 anos mataram quatro colegas e uma professora numa escola do Arkansas. Nos anos 1980, as escolas das grandes cidades, Nova York, Los Angeles e Chicago, eram campo de batalha de gangues. Nos anos 1990, a violência migrou para subúrbios ricos e pequenas cidades rurais, e os matadores passaram a ser meninos solitários e desequilibrados. "Eu não tinha outra saída", explicou o adolescente de 16 anos que em outubro de 1997, no Mississippi, matou a mãe em casa e depois, na escola, fuzilou dois colegas e feriu sete.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Memorial Columbine em homenagem as vitímas do massacre.

A cronologia do ataque à Columbine High School foi montada a partir de informações captadas pelas câmeras internas da escola, chamadas de emergência e as reportagens locais:

11:10 Harris e Klebold chegam à escola, e deixam seus carros no estacionamento do refeitório.

11:14 Deixam mochilas com cerca de nove quilos de explosivos no refeitório.

11:23 Eles esperam do lado de fora da saída oeste. Então sacam espingardas de caça e armas semi-automáticas e começam a atirar nos alunos. As pessoas começam a correr e um estudante faz a primeira ligação para os serviços de emergência.

11:24 Os alunos do refeitório percebem o que está acontecendo. Os funcionários tentam removê-los para locais mais seguros. Um carro de polícia chega e atira nos suspeitos.

11:27 A dupla entra na escola, atirando a esmo.

11:28 Eles entram na biblioteca, matando 10 e ferindo 12 pessoas em pouco mais de sete minutos. Eles atiram na polícia pela janela em direção ao estacionamento, onde as viaturas se reúnem.

Durante os próximos 40 minutos, Harris e Klebold percorreram a escola, atirando e deixando explosivos pelo caminho.

12:06 Minutos antes da equipe da SWAT entrar no prédio, os suspeitos se mataram dentro da biblioteca.

Como as autoridades não sabiam que os suspeitos estava mortos e como ainda havia explosivos instalados ao redor do prédio, levou-se mais de três horas para que os serviços de emergência chegassem a todos os sobreviventes e encontrassem Harris e Klebold.

Televisão[editar | editar código-fonte]

O filme Diário de Um Adolescente (1995), com Leonardo DiCaprio, também foi lembrado a propósito do ataque na Columbine. Na película, DiCaprio interpreta um jovem drogado de Nova York que jogava basquete num colégio, nos anos 1960, e que num de seus delírios imaginava-se na sala de aula de sua escola vestido com capa preta e matando tudo e todos a seu redor. Suspeita-se de que os assassinos tenham se inspirado no filme quando decidiram usar só trajes pretos.

O massacre foi tema do documentário Tiros em Columbine (2002), do cineasta Michael Moore, tendo ganhado o Oscar 2003 de melhor documentário.

Também serviu de inspiração para o filme Elefante (2003), do cineasta Gus Van Sant. O diretor nos mostra possíveis motivações que os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold teriam tido para cometer uma atrocidade como a ocorrida em abril de 1999 no Instituto Columbine, colocando-os na pele dos personagens Alex e Eric.

Outro filme que teve o Massacre da Columbine como enredo foi Dawn Anna (2005), que é o comovente testemunho do poder do amor e da família perante as dificuldades da vida. Dawn Anna é mãe solteira, luta por encontrar um trabalho como professora para poder sustentar os seus 4 filhos. Quando finalmente consegue esse trabalho como professora e treinadora e inicia uma relação com um homem, subitamente abate-se sobre ela uma debilitante doença. Após uma complicada cirurgia, vê-se forçada a aprender a falar e a andar de novo. Por fim, a desgraça volta a bater-lhe à porta, mas desta vez trata-se de uma tragédia nacional que choca o mundo inteiro (o Massacre da Columbine, que tira a vida de sua filha mais nova). Dawn terá de concentrar toda a sua força interior e o amor da família que criou para conseguir ultrapassar esta inacreditável tragédia e heroicamente continuar com a sua vida.

Na televisão, temos o episódio,Rampage da série americana Cold Case, que retrata dois jovens insatisfeitos assim como Eric e Dylan, iniciaram um tiroteio num shopping matando 15 pessoas.

Em 2011 foi lançado o filme Tarde Demais (Beautiful Boy – Estados Unidos), inspirado na tragédia, o filme tenta mostrar uma perspectiva diferente, o ponto de vista dos pais com a atitude do seu filho assassino.

Também em 2011, a primeira temporada da série American Horror Story conta a história de Tate Langdon (Evan Peters), um adolescente grunge (em vários momentos pode-se notar as referências nele à Kurt Cobain), solitário e psicótico que em 1994 vai para sua escola usando uma capa preta e mata 15 alunos com uma espingarda, o que fica conhecido como "o massacre de Westfield". A referência ao Massacre de Columbine fica clara no momento em que antes de matar uma das alunas, Tate a pergunta se ela acredita em Deus. Ao responder que sim, ele a mata, assim como Eric e Dylan fizeram com Cassie Bernall no massacre de Columbine.

Música[editar | editar código-fonte]

O massacre serviu de inspiração para a música Cassie, escrita por Lacey Mosley da banda Flyleaf e para The Nobodies, escrita por Marilyn Manson, onde ele faz referências à cobertura da mídia na sequência dos assassinatos. Também inspirou This Is Your Time, do cantor e escritor Michael W. Smith, em homenagem a Cassie Bernall, uma das estudantes assassinadas. Supostamente, Cassie foi morta quando Eric e Dylan a perguntaram se ela acreditava em Deus. Se ela dissesse não, eles poupariam sua vida, mas ela disse sim, mesmo sabendo que seria morta.

O compositor e tecladista Tuomas Holopainen, da banda de Symphonic Metal Nightwish, fez uma música chamada The Kinslayer baseada no massacre.

Greg Barnes, sobrevivente do Massacre de Columbine, cometeu suicídio em 1999 na garagem de casa ouvindo a música Adam's Song. da banda Blink 182 que falava sobre um garoto escrevendo uma carta de suicídio.

A música People = Shit, do Slipknot, faz uma crítica pesada á sociedade moderna, que valoriza mais a estética humana do que sua própria alma, o que remete consequetemente aos sentimentos e prováveis motivos de Eric e Dylan antes e durante o massacre.

O rapper Eminem também fez uma referencia ao massacre em uma de suas musicas: "I'm Back". Com sua sátira agressiva ao acontecimento, até a versão sem censura da musica retira as palavras "kids" (crianças) e "Columbine". Em 2013 lançou outra música "Rap God" onde menciona a mesma linha sem censura.

A música "Class Dismissed(A Hate Primer)" da banda norte-americana de thrash metal, Exodus cita fatos do acontecimento como as cartas de ódio, o cerco da SWAT, o dia da formatura e o suicídio dos garotos.

A música "Bonus (Hidden Track)" da banda francesa de Black Metal Nocturnal Depression é uma compilação com trechos de ligações dos alunos e professores que estavam na escola no momento do atentado para o serviço de emergência. É possível ouvir ao fundo sons de tiros, gritos e correria.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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