A Balsa da Medusa

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A Balsa da Medusa
Autor Théodore Géricault
Data 1818
Técnica Óleo sobre tela
Dimensões 4,91m  × 7,16m 
Localização Museu do Louvre, Paris

Balsa da Medusa (em francês: Le Radeau de la Méduse) é uma pintura a óleo executada entre 1818 e 1819 pelo pintor da época do romantismo e litógrafo Théodore Géricault (1791–1824). Está exposta no Museu do Louvre, Paris, e é considerada um ícone da pintura ocidental.[1]

Obcecado pelo naufrágio da Fragata de Medusa, que inspirou a obra, Géricault chegou a entrevistar sobreviventes, alguns deles forçados ao canibalismo na tragédia. Entre os passageiros que teve contato estavam o engenheiro Alexandre Corréard (que também havia participado da construção da balsa) e o médico cirurgião Jean-Baptiste-Henri Savigny.[1]

O Fragata havia partido da França, e navegava em direção a Senegal, na África, com intenções de colonização do país. Relatos da época afirmam que Géricault teria tido a inspiração para o quadro a partir de uma notícia sobre o naufrágio, ocorrido em 1886. A pintura representa o momento logo após a embarcação começar a afundar, em que a tripulação e os passageiros não conseguiram se salvar com os botes de emergência. A cena retrata as personagens lutando à deriva. [1]

Pode-se perceber alguns elementos de pintura religiosa pelo conceito e pela montagem dos personagens, que são retratados como consagrados, e até mártires.[1]

Críticas[editar | editar código-fonte]

A obra de Géricault foi amplamente criticada na França por colocar como personagem central um homem negro, o soldado Jean Charles, segurando a bandeira francesa. Além disso, o pintor também fez de seu quadro um ato contra o governo de Napoleão Bonaparte, que apoiava abertamente o tráfico de negros e o trabalho escravo.[1]

Por este motivo, Géricault decidiu, em 1820, expor sua obra na Inglaterra e na Irlanda, onde a lei era fortemente contra essas atividades ilegais; assim, o quadro foi muito bem avaliado fora do território francês. O caráter abolicionista do governo britânico garantiu a boa recepção da pintura. Houve também uma tentativa de exposição anteriormente, em 1819, mas que não rendeu reconhecimento ao artista.[1]

Pelos conceitos da arte acadêmica, artistas não poderiam criar obras em que o personagem principal fosse um negro, em que fizesse o papel de herói.[1]

Outro ponto a ser considerado é a veracidade dos acontecimentos; não pode-se afirmar que a narrativa é 100% verdadeira, ou os graus de ficção e realidade. Levanta-se uma hipótese de que esta pintura poderia ter sido construída por uma perspectiva fictícia, considerando que o objetivo do autor seria atingir o governo francês - a obra atuaria como uma ferramenta para justificar sua própria crítica.[1]

Inspiração[editar | editar código-fonte]

Géricault adotou alguns dos conceitos religiosos conservadores durante uma viagem que fez à Itália, que ocorreu entre 1816 e 1817; ele percorreu desde Florença e Roma, até outras cidades do sul do país. Nesta viagem, acompanhou o trabalho de grandes artistas, como Michelangelo e Caravaggio, o que influenciou diretamente em sua maneira de pintar - é por isso que muitas das marcas tradicionais da época foram absorvidas pelo pintor. [1]

Por exemplo, uma de suas influências para a composição da pintura foi a Pietà, de Michelangelo, que retrata a ideia do amparo (neste caso, de Nossa Senhora em relação ao corpo de Jesus Cristo), muito trabalhada em A balsa de medusa, porém não em um âmbito religioso. Os jovens mortos fazem referência à morte de Jesus, e também criticam a falta de esperança da sociedade na época; a embarcação está comprometida, ao ponto de que ventos fortes tomam o controle - esta seria a metáfora da fraqueza das pessoas.[1]

Além disso, a presença de personagens musculosos nas obras de ambos artistas, Michelangelo e Géricault, é um ponto de semelhança. Porém, foi Caravaggio que inspirou o pintor francês a construir a obra a partir de um contraste de luz e sombra, além do desenvolvimento de uma profundidade através da pintura diagonal. Uma das pinturas que foram admiradas por Géricault foi a Madonna do Rosário, pintada por Caravaggio em 1786. [1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Philippov, Karin (2012). «A Balsa da Medusa de Théodore Géricault: Uma questão de método, uma encruzilhada de interpretações» (PDF). VIII EHA - Encontro de História da Arte 

Notas e referências

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