Almas Agradecidas

Almas Agradecidas é um conto de Machado de Assis, publicado originalmente no Jornal das Famílias, em Março de 1871, e que não foi incluído em nenhuma de suas coletâneas de contos publicadas em vida. É considerado um texto aberto, assim como outros de sua obra, pois permite a intervenção do leitor no ato de leitura.[1][2]
Enredo
[editar | editar código]É uma história de dois amigos que se conheceram no colégio. Certo dia encontram-se novamente, depois de adultos, no ginásio (uma espécie de teatro amador). Um denominado Oliveira e o outro Magalhães. Magalhães perde seu emprego e Oliveira insiste em ajudá-lo, coisa que Magalhães faz bem em aceitar, pois consegue um emprego melhor do que aquele que tinha antes.
A cada dia que passa, mais unidos ficam, se confidenciam... até que Oliveira lhe conta sobre sua paixão: Cecília, filha do comendador Vasconcelos, seu amigo; conta-lhe também da sua timidez, então Magalhães oferece sua ajuda. Não há um dia em que Magalhães não visite Cecília, esta a certa altura apaixona-se por Magalhães, que insistia em falar bem de Oliveira, mas não adiantava.
Oliveira vai ao encontro de Magalhães, pois ao ler o final da carta teve a leve impressão de que seu amigo iria suicidar-se. Quando encontra Magalhães, este diz-lhe que não contou toda a história: ele estava amando Cecília também, e por isso resolveu afastar-se dela.
Magalhães casa-se com Cecília e continua amigo de Oliveira; contudo, o último nunca foi à casa de seu amigo.[3]
TRECHO:
- Minha vida tem sido atribulada. A natureza tem destas cousas.
- Casou-se?
- Não; e o senhor?
- Também não.
A pouco e pouco começaram as confidências pessoais; cada um narrou aquilo que podia narrar, por maneira que ao fim da ceia pareciam tão íntimos como no tempo do colégio.
Análise da trama
[editar | editar código]O narrador, no início, identifica os personagens como "o que possui guarda-chuva e o que não possui guarda-chuva", demarcando a diferença de classes à qual pertence cada um dos protagonistas e servindo de suporte para a amizade que se inicia entre eles. Apesar do conto possuir características próximas ao romance de folhetim, o personagem de Oliveira que representa uma espécie de herói romântico é ridicularizado.[4]
Referências
- ↑ ASSIS, Machado de. Almas agradecidas. Disponível em: https://machadodeassis.net/texto/almas-agradecidas/40352 . Acesso em:26 de Dezembro de 2025.
- ↑ VERRI, Valda Suely da Silva. O conto “Almas agradecidas”, de Machado de Assis, e o papel do leitor. Machado de Assis em Linha, v. 4, n. 8, dez. 2011. DOI: 10.1590/S1983-68212011000200010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/mael/a/3wzFgVhG7nSyQrxzvrd4JGD/ . Acesso em:26 de Dezembro de 2025.
- ↑ ASSIS, Machado de. Almas agradecidas. Jornal das Famílias, 1871. Disponível em: https://literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?id=152384 . Acesso em: 26 dez. 2025.
- ↑ SILVA, Adriana Cristina da. O conto “Uma por outra”: reminiscências do jovem Machado de Assis? 2008. 480 f. Dissertação (Mestrado em Literatura) — Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Florianópolis, 2008. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/91817 . Acesso em: 26 dez. 2025.
