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Peças de teatro de Machado de Assis

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O teatro de Machado de Assis refere-se à toda produção teatral do escritor brasileiro. Essas peças não usufruem nem usufruíram de maior admiração crítica e popular tanto quanto seus romances e contos, no entanto muitas vezes são alvo de análise. Antes mesmo de escrever sua primeira peça, Machado frequentou muitos teatros cariocas e escreveu críticas ao que concerne a interpretação dos artistas, a decoração e os figurinos dos espetáculos.[1] Em seu trabalho crítico O Passado, o Presente e o Futuro da Literatura (1858) lamentou nas linhas finais o demasiado uso de traduções nos palcos brasileiros, o que o motivou a buscar uma formação de teatro voltada a questões nacionais.[2]

Visão geral

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As peças teatrais machadianas foram publicadas entre 1860 a 1906 e são comédias satíricas onde os personagens são geralmente da alta burguesia, cultos, espirituosos e elegantes que "mantêm diálogos aos quais não faltam chistes, bom humor e ironia refinada".[3]

Lista de peças

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Além das peças acima, há outros escritos que devem ser considerados quando se trata da obra dramática de Machado de Assis:

  • Odisséia dos Vinte Anos:
Uma peça inacabada, publicada em março de 1860, após Hoje Avental, Amanhã Luva, no periódico A Marmota.[6]
Texto de 1861, geralmente listado erroneamente no volume do teatro completo do autor, onde não deveria estar, visto tratar-se de um ensaio traduzido.[7]
  • Suplício de uma Mulher:
Uma tradução feita por Machado da peça Le Supplice d’une femme, de Alexandre Dumas e Émile de Girardin, encenada no mesmo ano de publicação da original, em 1865.[8][9]
  • Uma Investigação (1873) e Os Prisioneiros (1874):
Crônicas em forma de cena dramática, da série Badaladas. A atribuição de Machado à totalidade destas crônicas, porém, é incerta.[10][11]
  • A Sonâmbula, Antes da Missa, Filosofia de um Par de Botas e O Bote de Rapé:
Contos com elementos dramáticos, todos publicados em 1878 sob o pseudônimo Eleazar no jornal O Cruzeiro.[12][13]
  • Diálogo dos Astros:
Crônica em forma de diálogo dramático, da série Balas de Estalo, publicada em 20 de junho de 1885.
  • O Melhor Remédio (1884), Viver! (1886) e Lágrimas de Xerxes (1899):
Contos com elementos dramáticos.[14]

Reputação crítica

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Os críticos não admiram o teatro de Machado tanto quanto seus romances e contos. Já no século XIX, por exemplo, Quintino Bocaiúva afirmava que suas peças teatrais eram mais adequadas à leitura do que à representação.[15] Esta opinião também é aceita nos dias de hoje onde alguns veem suas comédias como possuidoras de "um tom moralizante, são bem escritas, mas pecam por um excesso de retórica, isto é, pela falta de naturalidade nos diálogos".[16] Outra opinião atual, porém, vê que Machado era conhecedor dos elementos cênicos e teatrais e que seu repertório é visto como de valor significativo, uma vez que representa a sociedade e faz parte de um movimento interessado em criar um teatro brasileiro.[3]

Notas

  1. Adaptação da peça La Chasse au Lion de Gustave Vattier e Émile de Najac. Só foi publicada em livro postumamente.
  2. Foi publicada apenas postumamente, na coletânea Contos Sem Data, de 1956. Ver verbete "Forcas caudinas (As)" do Dicionário de Machado de Assis de Ubiratan Machado.
  3. Um poema dramático, publicado na coletânea de poesias Falenas

Referências

  1. Faria, 2001, p.109.
  2. Calzavara, 2008, p.2
  3. a b Calzavara, 2008, p.3.
  4. «Biblioteca Digital de Literatura de Países Lusófonos». www.literaturabrasileira.ufsc.br. Consultado em 15 de novembro de 2021 
  5. «Domínio Público - Pesquisa Básica». www.dominiopublico.gov.br. Consultado em 15 de novembro de 2021 
  6. SIMIONATO, Juliana Siani. A Marmota e seu perfil editorial: contribuição para edição e estudo dos textos machadianos publicados nesse periódico (1855-1861). 2009. Dissertação (Mestrado) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27152/tde-02022010-175327/. Acesso em: 30 dez. 2025.
  7. SILVA, Ana C. Suriani da. Texto original, tradução, adaptação ou imitação?. Disponível no Jornal da Unicamp. Consultado em 24 de janeiro de 2013
  8. Suplício de uma mulher. Tradução de Machado de Assis. Rio de Janeiro, RJ: W. M. Jackson, 1937.
  9. BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario Bibliographico Brazileiro. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1883. 7 v.
  10. Victor da Rosa. «"Nebulosa e retumbante": notas sobre as Badaladas do Dr. Semana». Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  11. Victor da Rosa. «Os embalos da semana com Machado de Assis». Consultado em 26 de janeiro de 2026 
  12. Rosso, Mauro (março de 2009). «humor à carioca». GERMINA - REVISTA DE LITERATURA & ARTE. Consultado em 5 de março de 2025 
  13. Silveira, Daniela Magalhães da (julho de 2008). «Eleazar, colaborador do Cruzeiro» (PDF). São Paulo, Brasil. USP. Consultado em 5 de março de 2025 
  14. Pinto, Nilton de Paiva (30 de março de 2020). O teatro de Machado de Assis – 1860-1870: Uma alternativa na dramaturgia brasileira. Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Letras (Tese de Pós-doutorado). Belo Horizonte, Minas Gerais. Consultado em 5 de março de 2025 
  15. apud Calzavara, 2008, p.3.
  16. Gonzaga, Sergius (7 de julho de 2003). «Machado de Assis- parte III». Literatura Brasileira - por Sergius Gonzaga. Educaterra. Arquivado do original em 29 de abril de 2004 

Bibliografia

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  • ASSIS, Machado. Teatro Completo. Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura, Serviço nacional de Teatro, 1982.
  • __________. Teatro de Machado de Assis. Edição preparada por João Roberto Faria. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
  • CALZAVARA, Rosemari Bendlin. Comédias Refinadas: o teatro de Machado de Assis. XI Congresso Internacional da ABRALIC, USP, 2008. Disponível em http://www.andrelg.pro.br/simp%F3sios/ROSEMARI_BENDLIN_CALZAVARA.pdf[ligação inativa]
  • FARIA, João Roberto. O teatro realista no Brasil: 1855-1865. São Paulo: Perspectiva: Editora da Universidade de São Paulo, 1993.
  • __________. Idéias teatrais: o século XIX no Brasil. São Paulo: Perspectiva/FAPESP, 2001.
  • MAGALDI, Sábato. Panorama do teatro brasileiro. São Paulo: Global, 1999.
  • PROPP, Wladimir. Comicidade e riso. São Paulo: Ática, 1992.

Ligações externas

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